Liberdade
Há sempre uma luz que rasga a escuridão.
Há sempre um som que esconde o silêncio.
Há sempre uma energia que brilha no mar.
Há sempre um rio onde corre a esperança
Não sei se é temporal.
Não sei se é apenas escuridão.
É talvez todo o tempo, num turbilhão,
a rasgar o pensamento, as memórias,
das naus, dos pescadores e das gaivotas.
É o Tejo. Este lugar aberto ao mundo,
aqui, onde as margens tocam, por dentro,
os labirintos de um povo, que no mar,
se diz, foi primeiro, neste centro,
neste coração, neste lugar, neste terreiro,
nesta varanda – onde beijei teu olhar!
Sim, foi, aqui, onde as palavras tocaram,
os nervos do teu corpo e uma raiz cresceu,
nas ondas, dos nossos lábios sorrindo, aqui,
num dia feito de escuridão, escutei a canção,
vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar.
E descobri, que o Tejo, o Barreiro, o sol, a lua,
o vento, as ondas, a luz, os sons, tudo isso,
é o que fica, numa imagem ou numa miragem.
Sim, este lugar com história e estórias,
de mim, de ti, de nós, de todos nós, aqui,
onde as margens se beijam, o dia nasce,
a noite brilha reluzente, em fogo, paixão.
Vivemos, criamos, rasgando os nervos,
na escuridão e na penumbra das lamas,
mergulhamos nesse imenso infinito de luz,
descobrindo a musicalidade das trevas,
sentimos, como é lindo viver - a Liberdade!
António Sousa Pereira
Um texto sobre e com a fotografia de Isabel Braga

