Outono
Acordei com o pensamento que, hoje, o Outono acabara de entrar na minha vida. Senti que batia à porta do meu coração.
Uma nova estação. Um novo patamar, para olhar a distância que vai, daqui, até às emoções dos cravos a florir na Primavera.
Chegou o Outono e com ele, nas folhas caídas, inscrevo, a alegria de continuar a sentir o coração a pulsar, por dentro das palavras, que são, afinal, a expressão das minhas vivências quotidianas – as paisagens dos meus nervos.
Chegou o Outono e descubro, nas paisagens, tudo o que lá está - até o que lá esteve – olho o céu azul e só me apetece sorrir. Sorrir!
É que, eu, afinal, estou mesmo no Outono da vida e isso, podem crer, não me incomoda, antes pelo contrário, dá-me a certeza que já vivi a Primavera a florir e o Verão abraçado a uma gaivota.
Agora, quero sentir o Outono com ternura. Quero viver o Outono com paixão.
Tocar, mexer, retocar, remexer, deixar os dias correr, com suavidade. Serenamente!
Não esqueço que a seguir o Inverno vai chegar, e, nesse, quando ele chegar, quero, então, reviver com carinho, todas as experiências acumuladas até este Outono, aqui, neste tempo, todo, onde quero encontrar todos os silêncios, todas as cores e todas as paisagens – a vida, a vida, a vida!
S.P.

