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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Interpretar as palavras

Houve um tempo que eu sonhava que podia ajudar a mudar o mundo.

Hoje, conclui, foi o mundo que me mudou a mim.

Não significa que tenha deixado de acreditar que, afinal, cada um de nós, no seu percurso de vida, se quiser, se desejar, pode dar um pequeno contributo para deixar o mundo melhor.

Mas, ninguém muda o mundo. O mundo é, com a sua natureza, com o seu humanismo, com a sua espiritualidade. Transforma-se.

Nós vivemos no tempo que somos, com o tempo que somos, com todas as experiências, com todas as mudanças. E, de facto, foram tantas as mudanças.

O mundo de hoje, não é aquele que eu vivi na minha infância. Nem o que descobri na adolescência. Nem sequer aquele que vivi na minha maturidade.

 

Hoje, quero continuar a sentir o meu mundo de criança, também aquele que descobri na adolescência e o que vivi na maturidade.

Sinto, que tudo isso existe, na memória, mas a memória não é o mundo real.

Olho para todos esses registos, por dentro dos nervos,  e encontro-me com todos esses mundos que fazem parte de mim. Imagino as aventuras vividas. Sorrio. Registo que ajudei a transformar. Transformei-me.

Tantos sonhos. Tantas partilhas de ideais. O mundo mudou. E, concluo mesmo, eu também mudei com o mundo.

O que resta, energicamente, é este sentimento que me leva a interpretar as palavras.

Agora, neste ano de 2016, mais que dizer, mais que gritar, sinto a necessidade de sentir, sentir conscientemente as palavras.

Palavras que, na verdade, sejam mais que slogans. Palavras que, na verdade, sejam mais que 'ideias emprestadas'.

E, no final, estar consciente, comigo, sentindo, que  mesmo que sejam 'ideias emprestadas' - como todo nós vivemos a vida - que sejam palavras e ideias das quais brotem energia, que motivem para a acção, e, não sejam estímulos, meros estímulos, para a mobilização.

Essas, para mim, foram. 

O mundo mudou. O mundo mudou-me.

Agora, quero palavras-acto, ideias-força, porque, já sei como é difícil mudar o mundo, mas, também sei, se quisermos, podemos deixá-lo um pouco melhor.

É por isso que, considero, é importante, muito importante, interpretar as palavras e sentir as palavras.

Vivendo-as!

 

S.P.

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