Qual foi a primeira vez?
Há coisas na vida que nos marcam, guardamos e nunca esquecemos. Ocorreu-me isto, um destes dias, ao ver uma peça de teatro na qual eram, em sucessivos diálogos, colocadas perguntas: “Qual foi…?”
Dei comigo a interrogar-me, intencionalmente, com a pergunta : “Qual foi a primeira vez que…?”
Perguntava e procurava a resposta, então, senti, nessa sucessão de perguntas, como me encontrava com experiências vividas, situações, únicas – aquelas que tinham sido a primeira vez.
Qual foi a primeira vez… ? Coloquei esta pergunta, a mim mesmo, sobre diferentes realidades e vivências. Fui descobrindo, pouco a pouco, coisas que tinha esquecido, mas, afinal, pelas perguntas fui reencontrando a vida.
É giro. Façam a experiência.
Qual foi a primeira vez que te sentiste humilhado?
Qual foi a primeira vez que tiveste vergonha de ti mesmo?
Qual foi a primeira vez que recuaste perante desafios?
Qual foi a primeira vez que tomaste a decisão de te dedicares a fazer o que gostas?
Qual foi a primeira vez que fizeste algo que não querias?
Qual foi a primeira vez que ficaste desiludido com a vida?
Qual foi a primeira vez que tiveste medo?
Qual foi a primeira vez que sentiste que vivias numa prisão?
Qual foi a primeira que sentiste como o dinheiro faz falta à vida?
Qual foi a primeira vez que viveste sentindo que a vida é bela?
Qual foi a primeira vez que mentiste para te enganares a ti mesmo?
Qual foi a primeira vez que usaste meias verdades para afirmares a tua verdade?
Qual foi a primeira vez que te iludiste?
Qual foi a primeira vez que foste líder?
Qual foi a primeira vez que te sentiste usado?
Sim. Qual foi a primeira vez? – pergunta.
E, depois, pensa, as consequências que essas situações tiveram para seres o que o que foste, o que és e o que desejas ser.
Nas respostas encontras a paz e o silêncio que dá tranquilidade.
Estas e muitas perguntas. Todas as que quisermos fazer. Um dia qualquer, ao fim da noite, antes de adormecer, ao mesmo tempo que escutamos sons musicais que animem o silêncio, acreditem, é uma experiência, terna, subtil, que nos ajuda a nos encontrarmos e nesse encontro, descobrirmos o sorriso nos dias.
São as perguntas que abrem o caminho para todas as respostas - ao que fomos, somos e sonhamos ser.
Não ter medo das perguntas, é não ter medo das respostas.
É, afinal, assumirmos plenamente a vida.
S.P.

