Dar nós, apertados, junto ao coração!
Quando trabalhava por conta de outrem, os dias de férias marcavam, de certa forma, o intervalo entre um tempo vivido e um tempo por viver. Fazia planos. Elaborava projectos. Organizava ideias.
Depois, vivia como um criança, feliz, entusiasmado, na medida que ia vendo, nas acções quotidianas, aqueles pensamentos tornarem-se, pouco a pouco realidade. Pouco me importava sobre quem recebia os louros, ou os lucros. O meu entusiasmo e prazer estava naquela alegria interior de ver as ideias tornarem-se realidade.
Deliciava-me ver as ideias brotar em actos, dinâmicas. Sentia como, de facto, a vida só fazia sentido vendo as ideias passaram do pensamento à acção.
Às vezes, quando olho para trás, penso em quantas coisas foram feitas e concretizadas, nascidas nesses dias de intervalo, junto ao mar. O mar sempre me inspirou e deu-me muita energia.
Curiosamente, nos últimos quatro anos – estes tempos de troika – fui arredado do meu Baleal, mas este ano e o ano passado, descobri um novo recanto, onde, consegui viver o silêncio do mar e navegar com os nervos nas ondas do areal.
Registei alguns projectos e ideias. Agora, que trabalho por conta própria, sou gestor do meu tempo, isso, sinto, exige de mim, uma redobrada responsabilidade para alcançar objectivos pensados e sonhados.
Hoje, neste dia cinco de Setembro, registo, interiormente, esse desejo de começar uma nova caminhada – começar de novo!
Assim, como quem sente que a vida vai começar, aqui e agora, deixando para trás o que está vivido.
O que foi, foi, o que há-de ser, será!
Lia, um destes dias, nessas notas que percorrem as páginas do facebook, que a vida é um permanente desatar de nós, eu opto, por outro caminho – dar nós!
Esticar. Enrolar. Juntar. Passar a linha. Firmar as pontas. Unir as extremidades. Nós fortes que permitam a resistência. Nós com fortes laçadas. Fazer alças de linhas duplas. Essas, que aprendemos fruto das experiências de vida.
Nós bem apertados, bem junto do coração, com as pontas ligadas aos sentimentos, que permitam segurar com as mãos, calejadas, de uma grande paixão pela vida.
Quanto maior for a firmeza dos nós, melhor aguentam as pressões. Há quem diga que o melhor nó para pescar é o «nó de sangue», porque é usado nas emendas de linha, é fácil de ser executado e conserva a resistência natural.
Hoje, neste Setembro, vou dar um «nó de sangue», porque, segundo os peritos - é a melhor opção para emendar a linha após “aquela cabeleira com final trágico” – e será com o sangue do trabalho e do querer firme e activo, fazendo os meus dias de forma livre e sorrindo, que, certamente, a vida irá para a frente dando nós, novos nós.
Os nós desatados já foram, são passado, agora, é tempo de dar os nós ao presente. Esse presente que é futuro, e, já hoje, ao acordar, vou receber o novo dia, afirmando, bem alto : BOM DIA, MEU AMOR!
S.P.

