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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

O «centro» e o «centrão»

No meu país eu acho uma «ternura» o centrão. Não é o «centro» é o «centrão». O «centro» esse tem valores, move-se num espaço muito claro e objectivo, esse que se divide entre «mais estado e menos estado», com raízes nas vivências da democracia – esquerda e direita, em torno de todos os partidos tradicionais, com mais ou menos expressão e afastamento das franjas do sistema.  

O «centrão» esse é outra coisa, é aquele que afirma que não gosta de politica, nem nunca ligou à politica – só vive a politica para votar – e desloca-se desde o PSD até ao Bloco de Esquerda, com a maior das calmas. Não se assume. Só vota.

Depois, no quotidiano, falam mal dos políticos e da política. Criticam tudo e todos. Vivem com uma superioridade moral que faz lembrar os «velhos do Restelo».

O «centrão» que no último processo eleitoral, foi bem óbvio, nos mais de 260 mil eleitores que se deslocaram directamente do PSD para o BE, nada tem a ver com o «centro».

Eu acho o «centrão» uma ternura, porque ele anda sempre por aí, activo, vivo, agitado e sabe, como diz, que, mesmo não ligando à politica e tendo da politica uma visão meramente utilitarista, sente que tem uma força decisiva – abstendo-se ou apenas votando, neste caso, metendo-se, quando lhe interessa nas correntes que movem os ventos da história, aquela que é feita apenas na circunstância.

Ainda um dia gostava que os comentadores políticos – os politólogos – em vez de falarem do «centro» se debruçassem sobre o «centrão».

É que, sendo a politica um «átomo», vivido como o núcleo da acção poltica, o «centrão» é uma espécie de «neutrão», enquanto o «centro» é o electrão.

É por isso, só por isso, que tudo está bem na nossa vida politica. Tem o pleno equilíbrio «atómico».

E o «centrão» é nuclear no modelo. É por isso que sinto uma ternura, comovente, pelo «centrão».

Ele existe, vivo, aristocrático, sonhador, comunicador, já existia, real e activo na obra «Os Maias» do Eça, até na mitologia de «Os Lusíadas», e, acredito, vai continuar a existir nas vivências das nossas cidades.

Quando se aproximam actos eleitorais, sejam nacionais, regionais ou locais, por vezes, o «centrão» entra em plena potência energética, tornando-se, muitas vezes, a «ponta do icebergue» das conflitualidades discursivas.

Os geradores do «centrão» gostam, tal como os piromaníacos, de atiçar o fogo, e, divertem-se a ver alguns  políticos, que eles abominam, a utilizar os seus discursos de banalidades, purismos e perfeições.

Afinal, provam, assim, como eles o «centrão» são a verdade e o verdadeiro sentido da acção política.

Depois, como dizia um velho meu amigo – “esperem pela pancada”, o senhor que se segue…ou, mesmo, que seja mais do mesmo.

É vida!

 

S.P.

 

 

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