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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

«Vai. Vive. Voa»

Um dos meus rituais, nestes dias de intervalo das actividades quotidianas, era dar um passeio pela praia, sentindo as ondas bater nos meus pés. Depois, numa zona, mais deserta, sentava-me em posição de lótus, de olhos fechados, escutando o som do rebentar das ondas.

Hoje, na despedida, de novo vivi este ritual de meditação, numa imensa paz interior, de encontro com todos os silêncios dos meus nervos.

Abri os olhos. Olhei o mar. Ali, perdido na distância imensa, de silêncio interior, viajei, pelo tempo, encontrei-me com Jorge Amado, nas suas páginas de Jubiabá, e, então, conversei com Iemanjá, rainha do Mar. Como quem reza e sente a espiritualidade como uma energia que nasce por dentro de nós mesmos, num turbilhão de emoções.

Escutava a ternura das ondas. Molhei os braços, o rosto, o peito, sentindo a delícia do sal a marejar os lábios.

Ao longe um barco à vela rumava por destinos, antes navegados. Que sonhos vão naquelas velas, sopradas pelo vento? Interroguei-me.

Um peixe saltou a poucos metros do lugar onde me encontrava e sorri. Quase que apeteceu gritar e chamá-lo para me visitar no areal.

 Ali, até, duas sereias, reais, rasgaram as ondas com os seus seios reluzentes que fizeram palpitar poesia no meu coração.

Mergulhavam e ao rasgar as ondas parecia que as ondas do corpo emergiam das ondas das águas. Ternas e eternas.

Pensei : a mulher é mesmo um ser lindo, é mesmo um poema que nasce nas cores que florescem no nosso olhar.

Olhei, e voltei a sorrir.

  As ondas continuavam o seu ritmo permanente, num vaivém, como quem está gritando ao meu coração.

“Vai. Voa. Vive”, eram as palavras que escutava naquele ritmo intenso de vida.

“Voa. Vive. Vai”, voltava a escutar, sentindo aqueles sons brotar da natureza.

 

Levantei-me. Despedi-me de Iemanjá.

Caminhei molhando os pés nas ondas e gravando os pés no imenso branco areal.

Olhei o sol. Voltei de novo a sorrir. Um sorriso que nascia por dentro dos nervos.

Uma tranquilidade mítica.

 

Vou caminhando e volto a escutar os sons das ondas e a voz de Iemanjá a tocar o meu coração dizendo, no silêncio: “Vai. Vive. Voa”.

Senti que os dias de intervalo – as férias – estavam a terminar, mas, que, afinal, amanhã, será tempo de recomeçar, erguendo os olhos, levantando os braços, olhando o sol, e, em cada dia, pela frente, quando estiver cansado, será tempo de parar, e, sentado junto à margem de um qualquer rio - talvez o Tejo - escutar o som das ondas a rebentar por dentro dos nervos, comunicando, suavemente a sua energia motivadora - “Vai. Vive. Voa”.

Vamos à luta! Vamos viver! Sorrindo!

«Vai. Vive. Voa»

 

S.P.

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