Viagem
Uma viagem é um caminho que vamos percorrendo, onde, o caminho realizado já está concluído - é irreversível!
S.P.
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Uma viagem é um caminho que vamos percorrendo, onde, o caminho realizado já está concluído - é irreversível!
S.P.
Envelhecer não é um mal, envelhecer é sentir nos cabelos brancos a riqueza de um caminho percorrido e o sabor de um tempo enorme que enche o coração.
S.P.
Fala-se em amizade. Fala-se em ter poucos amigos e bons. Fala-se de bons amigos e de maus amigos. Fala-se de amigos podres. Fala-se de falsos amigos.
Para mim não há amigos podres, nem sequer há falsos amigos. Há amigos e não amigos.
A amizade constrói-se. A amizade fica, é, com todas as memórias – de infância, de adolescência, de adultos, de relacionamentos pontuais, de vivências comuns. A amizade é a partilha da vida.
Um amigo pode nascer num simples encontro, num qualquer instante ou acaso e ficar para a vida inteira, sempre que a amizade nasce numa semente que aquece o coração.
E, no meio de tudo isto dou comigo a pensar sobre amizade e ser amigo.
Amizade é muito simples, considero que é tão simples como é a própria vida. A vida tem momentos, é uma sucessão de momentos.
A amizade é viver essa sucessão de momentos conjuntamente. Amizade é sentir essa sucessão de momentos conjuntamente. Perto ou longe. É viver.
A vida é uma aprendizagem, uma descoberta. Há pessoas de quem gostamos. Há pessoas de quem não gostamos. Até podem existir pessoas de quem não «gostamos» e com quem cultivamos o ser amigo.
Porque gostar, não é mesma coisa que amar. A amizade aprofunda-se no amor.
A amizade é, tem que ser, um permanente aprofundar do desejo de ser, de partilhar, de descobrir – na amizade damos e quanto mais damos mais (nos) descobrirmos.
A amizade não é uma ideologia partilhada. A amizade não é uma fé comungada. A amizade não é uma vivência comum empresarial, profissional ou escolar, ou outra coisa qualquer. A amizade não se determina por opções sexuais. A amizade não se determina pela cor da pele.
Em todos esses contextos pode nascer a amizade, mas, também, pode nascer a inimizade.
A diferença entre amizade e inimizade, é a diferença entre o gostar e não gostar, entre querer partilhar e não querer partilhar.
E gostamos porque gostamos, isso não se explica, vive-se!
Sempre cultivei a amizade e, simultaneamente, reconheço que não aprofundo as amizades. Nem sequer tenho muito esse desejo, nas minhas vivências quotidianas. Prefiro ter amigos que aprofundar as amizades. São marcas da vida.
Ter amigos é ter com quem partilhar os dias. Ter amizades é mais exigente. Um amigo pode ser circunstancial. Uma amizade é ir mais além.
Por estas razões nada me leva a concluir que há amigos falsos. Não há amigos falsos.
Um «amigo falso» não é um amigo, é um jogador, e isso, acreditem é outra coisa – são estratégias, tácticas, lutas, vaidades, ambições, jogos – é a humanidade em movimento. A história está cheia.
Um destes dias, cumprimentei, para lhe desejar o melhor do mundo, dizendo-lhe que tudo de mal que lhe desejo a ele, que venha para mim, a uma pessoa que, apesar de tudo, considero amigo. A amizade, essa, ficou na memória.
Ele, foi, durante mais de duas décadas a pessoa com quem mais partilhei ideias e projectos, e, também, pasme-se quem durante décadas mais me difamou, que me arranjou «inimigos», que me desfez carácter. Não falava com ele há décadas. Cumprimentei-o, por respeito, a uma «amizade» que cultivei e guardo na memória.
Foi a forma que achei de perdoar. Não foi pedir perdão. Se tivesse que pedir perdão, assumiria, porque, afinal, um amigo sabe perdoar.
Por vezes a vida, deixa marcas e tenho várias destas marcas. É por isso, talvez por isso, que prefiro ter amigos e não opto por aprofundar as amizades.
Aprofundar amizades é entrar na «amizade amor».
Essa «amizade-amor» é aquela que nos acompanha ao longo da vida, nos momentos bons e maus.
É a amizade que ajuda, empurra, aguenta ao nosso lado. Partilha os nossos sorrisos e lágrimas.
Um amigo de amizade feita na vida, nunca é falso. Um amigo é sempre amigo. Um amigo com quem choramos, rimos, cantamos, sonhamos, lutamos, é sempre, sempre um amigo.
A amizade é o sal da vida.
O resto, sim o resto...são os outros!
S.P.
Dou comigo a pensar que sou de uma geração marcada por muitos sonhos, ideais, mágoas, revoltas, verdadeiros choques civilizacionais, que, muitas vezes, quase não os sentimos ou nem ligamos ao seu significado profundo.
Vivemos os tempos da guerra do Vietname. Vivemos os tempos da Guerra Colonial. Vivemos os tempos da ditadura. Vivemos a morte de Guevara. Vivemos a morte dos Kennedy e Luther King. Vivemos os tempos do Twist. Vivemos o Mundial de 1966. Vivemos a chegada do homem à lua. Vivemos as emoções do Chile e a morte de Salvador Allende. Vivemos as vitórias de Carlos Lopes e Rosa Mota. Vivemos o 25 de Abril. Vivemos a libertação de Nelson Mandela. Vivemos o fim do apartheid. Vivemos as guerras do IRA e das Brigadas Vermelhas. Vivemos a queda do Muro de Berlim. Vivemos o desmantelamento da URSS. Vivermos os tempos do KKK. Vivemos os tempos da rádio e da televisão. Vivemos os tempos da internet, dos telemóveis. Vivemos os tempos da indignação do filme «A Piscina», até à indignação do filme «Maria». Vivemos a destruição das Torres Gêmeas e a Guerra do Iraque, com bombardeamentos em directo Vivemos. Vivemos. Vivemos.
Estou a recordar, percorrendo a memória, alguns acontecimentos, únicos, que marcaram a história da humanidade e as nossas vivências quotidinas. É um exercício giro este de ir ao encontro das memórias que fizeram o nosso tempo, a nossa época.
Sou desta geração que viveu e acompanhou estes momentos únicos na história de Portugal e na história recente da humanidade, momentos que produziram profundas mudanças, que abriram brechas, que rasgaram o futuro.
Hoje e aqui, ao pensar em tudo isto, e, na verdade, muito mais que poderia ser evocado, não sinto saudades do passado, antes pelo contrário, sinto uma enorme “saudade do futuro” ( citando Agostinho da Silva).
Sinto uma enorme saudade de viver as mudanças anunciadas, do muito que gostava de acompanhar e viver, do muito que o mundo irá, de certeza, evoluir, descobrir e mudar, para melhor, sempre para melhor.
Hoje, este tempo, não é, de facto, nem pior, nem melhor que outro tempo por mim vivido – é diferente, muito diferente.
O mundo mudou. O mundo vai continuar a mudar.
È, talvez por isso, que não vale a pena passar a vida a olhar para trás, de olhos abertos a realidades que ficaram na memória – sim, aprender com toda essa aprendizagem – mas, começarmos a sentir a importância de vivermos este tempo – que “é bom, é bom, é bom”! – e, construir todos os dias, em cada presente, a «memória do futuro».
Ah, é verdade, pensar - no futuro, no meu tempo futuro, é que isto vai ser bom…
S.P.
A felicidade são instantes construídos com simplicidade
S.P.
Chegar a um ponto de chegada não é chegar ao fim, porque, afinal, o fim é sempre mais além, muito para além que qualquer ponto de chegada.
Um ponto de chegada é sempre um ponto de recomeço. Vivemos sempre a recomeçar.
Todos os dias são um recomeço. Até costumo dizer, com muita frequência, que, cada dia é dia de renascer, de descoberta, de reencontro com o presente.
É isso, cada dia é um presente, é o ponto de encontro com a distância de um silêncio que existiu e donde partimos.
Nascemos no silêncio. Nascemos mergulhados em ternura feita de nervos. Abrimos o caminho para a luz do dia, com gritos de esperança e um choro que, dizem que chorámos, mas que ficou perdido no tempo.
Vivemos no silêncio, esse, nos confins dos nossos nervos, aí, onde, só nós, nos encontramos na ternura da nossa sensibilidade.
Pensam, por vezes, que sabem tudo de nós e quando não sabem inventam. Cada um de nós sabe os caminhos percorridos – os erros e as virtudes.
O belo, afinal, é sentir que fomos sempre nós próprios.
Construímos projectos. Inventamos sonhos. Caminhamos porque a vida é para caminhar.
Caminhamos na procura de ser o que desejamos, vivendo, lutando, acreditando, chorando, sorrindo – só assim somos.
A vida é feita de lágrimas. A vida é feita de sorrisos.
Festejamos os dias, aqueles que marcam qualquer começo, porque todos os começos, são para festejar e recordar, principalmente, aqueles começos que forjam a nossa identidade e totalidade.
Resistir. Ser resiliente é essa força que nos ergue, sempre que caímos, sempre que as dificuldades fecham as portas, sempre que um passo atrás é a energia que nos empurra para, amanhã, conseguirmos dar passos em frente.
Nunca desistir de caminhar. Nunca desistir de construir.
É isto, tudo isto que sinto neste dia 25 de Setembro, quando celebro um tempo vivido com paixão, entrega, sonho, confrontos, irreverência, superando, como formiguinha teimosa, todas as adversidades.
Sim, adversidades, que foram tantas, tantas, que fizeram doer o coração e os nervos.
Foi a resiliência. Foi a vontade de caminhar. Foi essa, de facto, a energia encontrada na raiz dos pensamentos para mover a vontade, dando força, muita força, para dar à loucura a sanidade suficiente para sorrir aos dias e chegar aqui – festejar e dizer, bem alto – vou continuar com a comunidade, para a comunidade e servindo a comunidade.
Obrigado, a todos que festejaram comigo este dia 25 de Setembro de 2016.
Sempre gostei de viver com Rostos!
S.P.
Ser feliz, é sentirmos quem somos, sentindo o que sentimos, em tudo, tudo, o que vivemos.
S.P.
Há sempre uma luz que rasga a escuridão.
Há sempre um som que esconde o silêncio.
Há sempre uma energia que brilha no mar.
Há sempre um rio onde corre a esperança
Não sei se é temporal.
Não sei se é apenas escuridão.
É talvez todo o tempo, num turbilhão,
a rasgar o pensamento, as memórias,
das naus, dos pescadores e das gaivotas.
É o Tejo. Este lugar aberto ao mundo,
aqui, onde as margens tocam, por dentro,
os labirintos de um povo, que no mar,
se diz, foi primeiro, neste centro,
neste coração, neste lugar, neste terreiro,
nesta varanda – onde beijei teu olhar!
Sim, foi, aqui, onde as palavras tocaram,
os nervos do teu corpo e uma raiz cresceu,
nas ondas, dos nossos lábios sorrindo, aqui,
num dia feito de escuridão, escutei a canção,
vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar.
E descobri, que o Tejo, o Barreiro, o sol, a lua,
o vento, as ondas, a luz, os sons, tudo isso,
é o que fica, numa imagem ou numa miragem.
Sim, este lugar com história e estórias,
de mim, de ti, de nós, de todos nós, aqui,
onde as margens se beijam, o dia nasce,
a noite brilha reluzente, em fogo, paixão.
Vivemos, criamos, rasgando os nervos,
na escuridão e na penumbra das lamas,
mergulhamos nesse imenso infinito de luz,
descobrindo a musicalidade das trevas,
sentimos, como é lindo viver - a Liberdade!
António Sousa Pereira
Um texto sobre e com a fotografia de Isabel Braga
Acordei com o pensamento que, hoje, o Outono acabara de entrar na minha vida. Senti que batia à porta do meu coração.
Uma nova estação. Um novo patamar, para olhar a distância que vai, daqui, até às emoções dos cravos a florir na Primavera.
Chegou o Outono e com ele, nas folhas caídas, inscrevo, a alegria de continuar a sentir o coração a pulsar, por dentro das palavras, que são, afinal, a expressão das minhas vivências quotidianas – as paisagens dos meus nervos.
Chegou o Outono e descubro, nas paisagens, tudo o que lá está - até o que lá esteve – olho o céu azul e só me apetece sorrir. Sorrir!
É que, eu, afinal, estou mesmo no Outono da vida e isso, podem crer, não me incomoda, antes pelo contrário, dá-me a certeza que já vivi a Primavera a florir e o Verão abraçado a uma gaivota.
Agora, quero sentir o Outono com ternura. Quero viver o Outono com paixão.
Tocar, mexer, retocar, remexer, deixar os dias correr, com suavidade. Serenamente!
Não esqueço que a seguir o Inverno vai chegar, e, nesse, quando ele chegar, quero, então, reviver com carinho, todas as experiências acumuladas até este Outono, aqui, neste tempo, todo, onde quero encontrar todos os silêncios, todas as cores e todas as paisagens – a vida, a vida, a vida!
S.P.
Quando percorro as ruas de uma cidade, quer do lugar onde vivo, quer quando retorno a um lugar, costumo observar e registar as mudanças.
Há sempre algo de novo. Um banco num jardim. Uma nova loja que abriu. Outra loja que encerrou. Um novo prédio construído. Um prédio que estava abandonado e agora está mais, muito mais, degradado. Um buraco no passeio. Uma nova via. Uma escola que foi pintada, com desenhos feitos pelos pais, e está mais bonita. Um prédio com cores renovadas que dá um colorido que alegra a rua.
Nenhuma cidade pára no tempo. A vida é uma mudança permanente.
Se há uma forma de sentir o tempo, as mudanças e as transformações ao longo das nossas vidas – basta olhar o espaço urbano da cidade onde vivemos.
A cidade agita-se. Transforma-se com mais velocidade que o pensamento que, por vezes, temos sobre a cidade.
Por vezes, o nosso pensamento fixa-se numa ideia de cidade ou até num ideal de cidade, cristaliza nesse sentir e pensar, e vivemos nesse imaginário.
Só que, na verdade, a cidade move-se. A cidade muda. A vida tem um ritmo próprio que vai para além, muito para além, da forma como sentimos ou pensamos, que pensamos, a cidade.
Façam a experiência. Dispam-se de preconceitos. Vão pela rua fora. Olhem ao vosso redor. Basta pensar e sentir. Imaginem o que era há um ano, há dois, anos, há três anos, pronto no limite, há dez anos.
Vejam o que mudou. O café que abriu. A loja que fechou. O novo recanto.
É que para pensar e sentir a cidade, é preciso pensar e sentir a vida. Se ficarmos com a cidade metida num «modelo de pensar» ou num «modelo de imaginar», nós não sentimos a cidade, não vivemos a cidade – vivemos pensamentos e os pensamentos não são a cidade.
Ah, é verdade, os pensamentos podem ser um espelho da cidade, se os pensamentos evoluírem e acompanharem as mudanças da cidade, na cidade.
Quando sentimos e pensamos a «cidade ideológica» não sentimos, nem pensamos a «cidade ecológica».
A «cidade ideológica» serve para combate politico.
A «cidade ecológica» serve para viver.
É por isso, quando caminho pelas ruas da cidade, gosto, todos os dias de sentir as mudanças, as transformações - sentir o pulsar da cidade.
Quando sentimos o pulsar da cidade, de certeza somos capazes de sentir que um passadiço, um simples passadiço, pode levar-nos a algum lado, mais não seja a sentirmos que algo mudou na paisagem. Podemos gostar ou não gostar.
Mas que a paisagem mudou e vai para algum lado…basta olhar, caminhar e descobrir!
É por isso que gosto de sentir a cidade pulsar, respirar, crescer, mudar e não acredito que uma cidade pare no tempo…se o tempo não para como pode parar uma cidade no tempo.
Sinto isso todos os dias… no colorido da Primavera, no verde do Verão, no amarelo do Outono ou no azul do Inverno!
S.P.
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