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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Perspectiva

Regressar às ruas da nossa infância é como mergulhar por dentro de nós mesmos e nos descobrirmos, lá no fundo, bem fundo, na memória do que fomos e somos.

Sentir a criança que está viva em todos os recantos. Sentir os lugares e as emoções. Recordar e reviver.

Quando, após tempos de ausência, passados alguns anos regressei à minha rua, uma das sensações que vivi, e, ainda hoje recordo, foi aquela súbita impressão de me sentir «gigante».  As casas pareciam mais pequenas.

Notei como era muito diferente a perspectiva do meu olhar, ao reviver o pulsar das memórias no ambiente de criança.

As recordações estavam lá, tal qual como as senti e vivi, mas, agora, a diferença estava na perspectiva.

Este ano, ao regressar e passear pela minha rua de infância, vi aberta a porta de um prédio, onde, muitas vezes subi a escada, com um lanço único, até ao cimo, como quem sobe uma montanha.

Parei à porta, normalmente fechada, mas, naquele instante, estava aberta e, tal, despertou a minha curiosidade de espreitar.

Olhei estupefacto. Emocionado. A tal escada enorme, na minha memória de criança, estava ali, quase, de facto, ao meu olhar, com metade daquela dimensão que eu guardava por dentro do tempo vivido.

Dou comigo a pensar nisto, de facto, a vida pode ser mais ou menos igual, as ruas mais ou menos diferentes, e, nós próprios mudamos.

Na vida, afinal, o que conta é nós sentirmos que somos sempre nós próprios, o que muda, com o tempo e com as experiências, é a perspectiva.

A perspectiva é, afinal, esse novo olhar que, lá dentro, bem dentro da nossa consciência, nós descobrimos olhando com uma nova dimensão, com uma nova visão a vida e o mundo.

A perspectiva é o outro lado do nosso olhar fruto do crescimento e do saber que o tempo modelou no que somos e fomos.

Basta olhar um lugar de infância e sentimos como a experiência vivida mudou a nossa visão, tudo isso, fruto de lágrimas, sorrisos  e tudo o que nos faz crescer.

A perspectiva ensina, ela, dá a dimensão do tempo e do espaço.

A idade, essa, dá a perspectiva da vida.

Basta olhar e sentir!

 

S.P.

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A eternidade

Hoje, ao olhar na distância o pôr-do-sol, pensei, sobre o que fica deste dia que acabei de viver.

Os encontros com amigos. As conversas. Os sabores. O sabor do sal. O ritmo permanente do mar. A ternura da areia a moldar-se nos meus pés. O caminhar de mãos dadas entre as ondas. Os mergulhos. E, aquele momento único, quando escutei o silêncio enorme, perdido nas sombras dos meus olhos fechados, junto ao eterno Atlântico.

Abri os olhos, então, descobri na distância uma tela de tons de azul, «degradée», pintada entre o mar e o céu, a perder-se no horizonte, ali, onde uma vela cruzava o tempo feito de uma imensa memória.

No final de cada dia, o que fica, é, aquilo que guardamos nos nervos. O que fica é aquilo que fomos, sendo.

A nossa vida é, um pouco, como um dia que vivemos. Um dia há o pôr-do-sol.

No final, o que fica será a nossa eternidade – aquilo que fomos, fazendo. O que dissemos ficará, apenas, no silêncio perdido na imensidão das ondas que vagueiam no espaço.

O que fizemos, o que construímos, o que legámos, o que vincámos com o nosso tempo vivido, o que contribuímos para acrescentar ao mundo mais mundo, tudo isso, será a marca do tempo que fomos. Por essa razão, só o que fomos, será a nossa eternidade, tudo o resto serão invenções. Nada apagará aquilo que fomos, sendo, fazendo.

A nossa eternidade, será a eterna recordação das marcas gravadas na vida – aquilo que fizemos, sendo.

É por isso, só por isso, que o tempo que temos para ser é este tempo que vivemos.

Depois, seremos, ou não, eternidade se o tempo, todo o tempo que por aqui vagueámos, foi tempo de construção, registos inscritos do que fomos fazendo, ou, apenas, traços nos dias, de um tempo em que matámos o tempo apenas existindo.

A eternidade será a recordação do que fomos. Só nos inscrevemos na eternidade fazendo!

E para que a eternidade seja e possa ter a dimensão da nossa vida, isso, de facto, só atingimos vivendo.

Senti, isso, ao olhar o silêncio enorme nas ondas do  Atlântico, ali, ao ver Portugal a navegar nas ondas e a imaginar os velhos do Restelo, tristes, e medonhos a repetir os eternos estribilhos da decadência.Sorumbáticos.

É por isso, que o mais lindo da vida é sonhar e fazer tudo para o nascer dos sonhos.  Já vivi essa experiência de ver os sonhos nascer e, ao mesmo tempo, escutar os velhos do Restelo a falar da decadência, enquanto os sonhos se erguiam, e se inscreviam na vida, fazendo eternidade.

É por isso, é mesmo por isso, que os sonhos são a porta aberta à nossa eternidade.

Sempre assim foi, sempre assim será…

 

S.P.    

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Antes e depois

Hoje, sentado na areia, escutando os sons das gaivotas e o murmúrio das ondas do mar, dei comigo a pensar que na vida, todos nós, temos momentos que guardamos na memória e sentimos como aqueles instantes que registamos como um ”antes e depois”.

São aqueles momentos que marcam viragens, momentos de descoberta, momentos de ruptura, momentos de decisões ou indecisões.   

São os momentos que uma vezes recordamos  – se eu tivesse feito…

Ou, outras vezes, sentimos - ainda bem que tomei essa decisão...

Ou, são apenas aprendizagens que nos enriqueceram como pessoas, acumulando saber e experiência.

Ou, são instantes que gravamos na nossa interioridade, que não esquecemos e fazem-nos sentir a beleza da vida, ou a tristeza dos dias.

O “antes e depois” de um beijo. O antes e depois de uma viagem. O antes de depois de momentos únicos, aqueles, que sentimos estar a viver a história acontecer, inequivocamente, ali, naquele dia de nascimento de um tempo novo – um filho(a), um fim de curso, uma responsabilidade assumida num projecto, a concretização de um sonho de vida.

Tudo se inscreve, afinal, como um «antes e um depois», esse tempo vivido, que nos ensina, e, afinal, faz que nos vamos descobrindo e encontrando com esse grande equilíbrio que dá sentido à palavra felicidade.

É, no «antes e depois» que nos encontramos com a nossa interioridade que damos pleno sentido à nossa vida.

Se não houver, em muitas experiências de vida, o «antes e depois» é porque nunca descobrimos o novo e permanecemos com os olhos num tempo que foi apenas o «antes».

É, afinal, no «depois» que nós avançamos e nos renovamos.

Olhava as ondas, sentia os pés molhados e, ali, senti o «depois» a brilhar no sol e nas enormes gotas de água que começaram a cair, na praia, ao meio da tarde, em pleno Verão.

Nunca tinha vivido esta experiência…foi real, com um sol intenso e um enorme calor, via descer como cristais enormes e brilhantes, de um céu azul e quase sem nuvens, as gotas de água a vincar o areal.

«Afinal de onde vem esta chuva?», interrogava-me.

Foi tudo isso que me fez pensar, nesse sentimento que podemos descobrir todos os dias, onde, de facto, é sempre possível encontrar um «antes e depois».

Basta sentir a vida e viver, cada dia, todo o tempo, como um «antes e depois»…porque se o «antes» é experiência, o «depois» é sapiência!!

 

S.P.

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O desejo

Só cada um de nós sabe do esforço que faz, a dedicação e entrega aos sonhos e lutas.

Tudo fazemos para controlar, gerir aquilo que passa pelas nossas mãos e capacidades de açção. Lutamos, erguemo-nos nos dias conscientes do que desejamos e queremos alcançar.

Mas, depois, há o depois, os outros, as circunstâncias, as surpresas, os inesperados – em suma, a vida em toda a sua dimensão. E, esse, é o desafio da vida.

No final, o importante, é termos a consciência que damos tudo, demos tudo e que nunca desistimos, porque, sabemos, desistir é perder todo o esforço, dedicação e os resultados alcançados com os caminhos percorridos.

Parar. Recuperar. Recomeçar. Nunca esquecendo, só cada um de nós sabe o caminho percorrido e o caminho que deseja percorrer.

A vida, vivida, é sempre isso, um desejo, a permanente procura de realização dos desejos.

 

S.P.

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A Cor

A cor existe nos nossos dias, lindo é descobri-la com o zoom do nosso olhar.

Sentir o ritmo e o pulsar das cores. Navegar no colorido que emerge, em fuga,como notas que se inscrevem no pensamento.

A arte da vida é a arte da descoberta de texturas que dão a dimensão ao espaço e ao tempo.

A vida afinal é como um teatro – a arte no espaço e no tempo.

Sentir as cores é afinal sentir os sentimentos. Só quando sentimos as cores emergir, florindo, por dentro do nosso olhar, é que descobrimos a dimensão estética do tempo que vivemos.

Na dimensão estética descobrimos a natureza e tudo o que nela está inscrito.

É, então, que notamos, como nós, todos nós, somos parte indissociável dessa natureza que brota das cores da vida.

 

S.P.

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Esse sonho de VOAR

Sinto uma enorme vontade de descansar uns dias. Hibernar. Mergulhar nas ondas. Escutar as gaivotas. Ler. Olhar o sol. Pisar a areia. Percorrer quilómetros.

Sentir o pulsar dos dias. Partilhar os dias, com a ternura do coração.

Há quem diga que isto são as férias. Um tempo de intervalo. Um tempo para pensar e retomar as energias.

Estou aqui, silenciosamente, a pensar nestes dias de intervalo que se aproximam, e, por dentro, fervilham ideias, pensamentos, projectos…como se o amanhã estivesse, já, aqui e agora, a nascer imaginando-o num voo de uma gaivota a rasar as ondas do mar, assim, como se estivesse a lançar «palavras-sonho» no meu célebre «caderninho do Baleal», onde, um dia senti o rosto brilhar, piscando os olhos ao sol.

Olho para trás e, hoje, sinto mesmo…valeu a pena sonhar, e, continuou a acreditar que vale a pena sonhar.

É por isso, só por isso, que penso, enquanto viver, quero manter sempre vivos os sonhos, principalmente esse sonho de VOAR .

E, digo-vos, para mim VOAR é, afinal, ter:

 

 

Valores

Objectivos

Amor

Resiliência.

 

O  meu Valor é a Liberdade.

O  meu Objectivo é Ser.

O Amor é o meu maior principio de vida e é com ele que adoro viver.

Sempre acreditando que vale a pena – Resistir, Renovar e Renascer em cada dia.

É isto VOAR!

O resto…é o resto!

 

S.P.

 

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Ideias e Ideais

Não tenho medo das ideias, nem dos ideais. Gosto de quem defende ideias e ideais. Admiro.

Viver por ideias e ideais é viver por aquilo que somos e que desejamos.

Acho mesmo que o mundo só avança através do confronto e diálogo entre ideias e ideais diferentes.

A pluralidade de ideias e ideais é o sal da vida.

O problema não está nas ideias, nem nos ideais.

O problema reside quando não se respeita o direito à diferença, quando se procuram impor pensamentos únicos e universais. São esses os momentos mais tenebrosos da história da humanidade - ontem e na actualidade.

É disso que tenho medo, dos «bêbados de ideias e ideais», porque deixam de pensar, agem agredindo, confrontam sem respeito pelo pensar e sentir do outro, acham-se o centro de toda a verdade e adaptam toda a história e estórias para justificar seus actos, ao mesmo tempo que ignoram tudo o que a história da humanidade ensina e não reflectem sobre os caminhos percorridos. Aprendendo o novo e superando o velho.

Cá por mim, prefiro aprender com os meus erros e limitações e, simultaneamente, procuro aprender, sempre, um pouco, com as verdades – ideias e ideais – de todos com quem partilhei e partilho o tempo que vivo.

Já vivi tanta coisa, que já não tenho mais tempo para debates e confrontos de circunstância – prefiro pensar, sonhar e viver cada dia, cada presente, como futuro!

 

S.P.

 

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Ser feliz!

De facto assim como a matéria é composta por átomos, e, nos átomos, existem energias em movimento – protões e neutrões – sabe-se que num aprofundamento micro é possível atingir modelos unidimensionais, através dos quais toda a matéria é divisível até ao infinito, como se tudo estivesse ligado a dimensões espácio- temporais.

Hoje, ao ver um vídeo, sobre esta temática – com o título «Teoria das Cordas» - dou comigo a reflectir, como na realidade, tudo isto, também é assim, dentro do nosso corpo, das células aos neurónios.

Assim como na matéria a teoria das cordas sublinha que a gravidade actuando nas dimensões ocultas produz as outras forças não-gravitacionais tais como o electromagnetismo.

No nosso corpo, dentro de cada um de nós, essa dimensão das cordas, pulsa lá dentro, bem dentro, e são essas «cordas» da nossa interioridade que nos fazem escutar a musicalidade da vida.

Reflectia sobre tudo isto e pensava, afinal, ser feliz, não é mais que sentir um equilibro emocional, racional e espiritual, que contribui para nos escutarmos a nós mesmos, recebermos os «sons» dos outros e do mundo – lá dentro, bem dentro, numa plena serenidade e musicalidade.

É, talvez isto, o que sentimos quando amamos. É talvez isto o que sentimos quando a felicidade mergulha no nosso coração.

É, talvez isto, o que sentimos quando abraçamos objectivos e lutamos por concretizar os nossos sonhos.

Descubram essa interioridade, esse equilíbrio e, depois, talvez, então, sintam o que é ser feliz!

 

S. P.

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Em plenitude.. por aí!

Uma das coisas curiosas, da minha experiência de vida, é registar, por vezes, em diversas circunstâncias, como pessoas expressam, ou dizem que expressam o que eu penso ou escrevi, quando, afinal, estão a referir-se a coisas que eu não disse, nem pensei, nem escrevi ou sequer imaginei.

Esse sentido criativo que me dão a mim mesmo, sem eu saber, por vezes espanta-me, nem me incomodo porque, afinal, o espanto é próprio da criação filosófica.

O que incomoda é que achem que eu tenho que ser o que dizem e não ser o que eu sou, fui, e quero ser.

É por isso que não incomoda, apenas espanta, causa-me admiração, desperta-me para continuar, serenamente, este caminho, que será sempre o meu caminho – as minhas escolhas, as minhas opções.

Façam isso, decidam isso: sejam, não inventem sobre os outros, não se preocupem com os outros, se cada um de nós for, sendo, aquilo que afirma ser, o mundo, de certeza, não será o melhor dos mundos, mas será um mundo um pouco melhor.

Não se incomodem com o que eu sou, nem com o que eu digo, nem com o que eu faço. Façam. Vivam.

Cá por mim, acreditem, vou sendo por aí, vou afirmando por aí, vou escrevendo por aí, aliás foi sempre o que procurei fazer – viver, sendo, em plenitude – por aí – sempre sendo tudo o que fiz ou faz o tempo, que vivi ou vivo.

Experimentem e, de certeza, vão sentir com o tempo, que nada há mais lindo que viver o tempo que vivemos.

Com o tempo, com o tempo, com as memórias do tempo, a vida constrói-se e reconstrói-se.

Acreditem.

É isso mesmo – ahahahah – tudo o resto…é o resto!

 

S.P.

 

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A tatuagem

A vida é um percurso, um tempo, um instante, que, um dia, de súbito, se desfaz como uma névoa que olhamos na distância ao amanhecer, com os pés molhados na areia de uma qualquer praia junto ao mar.

Cada um de nós, neste percurso, fica na memória ou nas memórias, tal qual, uma tatuagem, esse colorido que espelha o tempo que vivemos.

A nossa vida é essa tatuagem no tempo, aí, onde inscrevemos todos os nossos gestos.

Na vida percorremos dunas, monte e vales, saltitamos as pedras de um rio, sentimos o fogo que tudo arrasta, ou a força do mar que sufoca.

Sorrimos. Choramos.

O nosso corpo é tatuado com todos os poemas, cores, sons, tudo aquilo, que foi a marca no tempo vivido. Ninguém nos substitui. Somos.

É por isso que sinto a vida, na sua plenitude, como uma permanente tatuagem, essa inscrição no tempo e no espaço, onde nos realizamos.

Quando um dia partirmos, de facto, aquilo que fica, é essa tatuagem no tempo – a nossa vida!

 

S.P.

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