As Fardas
Há uns que nascem para ter uma farda. Gostam. Servem a farda com orgulho. Ter uma farda é ter uma opção. É como ter um clube, um partido, uma religião, uma associação. É assumir as cores, vestir a camisola e tudo fazer para honrar os valores que são a marca de uma vida. Gosto de todos aqueles que assumem a farda que vestem e sentem orgulho em servir. Sim, servir.
Não há nada mais belo que sentirmos a farda que vestimos colada ao nosso corpo e transportá-la para os nossos actos e pensamentos. Agindo!
O mal na vida é quando nos vestem uma farda, bem colada ao corpo, com todas as medidas e recortes, mas, que, nós sentimos nada tem a ver com o que somos e sentimos.
Não somos obrigados a encarnar o personagem que, por vezes, nos colam ao corpo. Mas, quando colam, tecem e fazem um rendilhado tão bem feito que se propaga no tempo, por vezes, sentimos alguma náusea e apetece mesmo vomitar.
Uma coisa aprendi, ao longo dos anos, quando nos colam uma «farda» ao corpo, está colada, então, tudo o que fazemos é sempre interpretado à luz da farda que nos foi fardada.
Só nos resta esperar. Viver. Aguardar que a vida, essa roda do tempo, vá esclarecendo, resolvendo, resolvendo…
No fundo, o importante, é nós, cada um de nós, sentir-se bem com a farda que veste, aquela que se ajusta ao nosso pensar e agir. Vivendo.
Porque, afinal, somos nós, só nós, que temos que nos sentir bem com a nossa própria farda. As outras quem as fez que as dispa.
Afinal, honrar a farda que optamos por vestir é o fim da vida que queremos viver.
É por isso que sempre gostei de ter as minhas fardas. Escolher as minhas fardas. Mudar de fardas, quando me sinto mal, com as escolhas.
Para encerrar, sublinho, que a melhor farda que gosto de vestir é aquela, que trago comigo desde que nasci…e que muitas vezes, usava, a correr e a gritar, no areal e nas ondas, nas praias da minha terra natal, ou já adulto, nas praias do Baleal.
É, assim, eu, com a natureza - Livre! Livre! Livre!
S.P.

