O amor no centro da vida
A vida é feita dos senhores do mundo, dos que contestam os senhores do mundo, dos que acham que são melhores que os senhores do mundo, dos servos dos senhores do mundo, dos ‘clowns’ do senhores do mundo, dos artistas que servem os senhores do mundo e, também, os que contestam os senhores do mundo, das intrigas entre os que são senhores do mundo, da maledicência de todos os que são os melhores do mundo – em Portugal ou na China.
A vida é feita de tudo isto, de jornalistas desprezíveis que servem os senhores do mundo, e, também servem os que contestam os senhores do mundo, por isso, são, duplamente, sempre os eternos desprezíveis.
A vida é feita dos jogos do poder, onde há pessoas más e egoístas que são boas, e, pessoas boas que são más e egoístas.
Porque, afinal, como dizem os senhores do mundo e os que contestam os senhores do mundo – todos têm um preço. Um preço para construir e destruir.
A vida é feita de intriga, de mesquinhez, de imagens, de controle, de veneno, de palavras, de solidão, de amor e de ódio.
A vida é feita de dramas, de tragédias, de sonhos, de ilusões, de utopias, de lealdades, de infidelidades.
No meio de tudo isto, ser mordomo é ser fiel ao rei – aos reis de todos os tempos.
No meio de tudo isto, ser clown ou pierrot, é ser personagem vicentina, no centro da corte, gritando – Eh!, zagal, diz' lá, diz' lá:—saltei mal?
E, afinal, ao pensar tudo isto, deslumbrando-me nas palavras, sinto que nada no mundo é mais belo que uma consciência tranquila, onde a poesia nasce, nos erros e certezas, deixando aos outros a perfeição, e, aqui, à poesia esse desejo de colocar o amor no centro da vida.
Uma miragem no Tejo, onde as tágides cantam, os peixes, as gaivotas e as ostras têm vida, e, ali, Portugal tem um dos mais belos estuários da europa e o Barreiro a mais linda varanda do Tejo.
Uma coisa tenho a certeza, como dizia o poeta, ‘ser poeta todos os dias também cansa”, mas, ter amor no coração, isso, é a maior energia da vida.
Por isso, não esqueçam, se puderem coloquem o amor no centro dos vossos dias. Sorriam.
A vida real, é sempre real, sempre igual, todos os dias quando acordamos, abrimos os olhos, sentimos que, ela, existe, com terrorismo e troikas.
E, quando morrermos, amanhã, não vai ser diferente, outros ao acordar, abrem os olhos e a vida continua real, com mordomos e 'clowns', terrorismo e troikas
Pensava em tudo isto, ao pôr-do-sol, no dia 15 de Julho. Para que conste e faça fé, aqui fica.
É por isso, só por isso, que quando acordo, gosto de olhar o sol, o céu azul e escutar os pássaros ‘azuis na madrugada’, como dizia a minha irmã Maria Rosa Colaço.
Deixo aos perfeitos a tarefa de serem perfeitos.
Cá por mim basta-me sentir a poesia a brilhar nos meus olhos e viver por dentro de tudo o que guardo no coração!
S.P.

