A falta de ética não pressupõe a inexistência de ética, assim como encher um discurso da palavra ética, não pressupõe a existência de ética. Pode ser apenas, e só, uma atitude de ignorar o sentido real dessa coisa - a ética.
É assim como meter a ética na gaveta. Depois, quando interessa para os discursos, abre-se a gaveta e ergue-se a ética como bandeira. Quando não interessa para coisas reais da vida, então, fica lá, bem guardada, no fundo da gaveta. São opções. Faz o que eu digo, não faças o que eu faço.
Mas, isto, não mata a ética, apenas ela, a dita ética, é usada como peça de um jogo e das circunstâncias – onde a teoria filosófica é apenas teoria e a prática da dita está na gaveta.
É, isto, de facto, o que se pode definir como a vivência com base numa ética hibrida.
Que fazer? Colocar a pergunta, pressupõe vontade de encontrar uma resposta. Mas para existir uma resposta é preciso que exista pensamento que pensa o que fazer ou vontade de fazer. Fazemos o que pensamos. Se não temos ideias para fazer, pensar ou gerir o que fazer, então, dificilmente, encontramos resposta à pergunta – Que fazer?
Fazer significa colocar em prática ideias. Perguntar: Que fazer? Significa vontade de encontrar soluções, descodificar dificuldades porque a seguir à pergunta - Que fazer? – existe de imediato a outra: Como fazer?
A tendência para a promoção da banalidade, de estigmas e da critica fácil pode ser a causa que, muitas vezes, desmotiva quem tem vontade de participar em espaços de reflexão e análise séria sobre a vida de uma cidade.
A banalidade é o terreno fértil para a manipulação e para a não afirmação de ideias e valores.
A banalidade à sua volta só vê cinzentos, só pensa cinzentos, porque se conforta em pensar a preto e branco, dividindo a cidade em maus e bons.
A banalidade não é criativa. A banalidade destrói, porque seca, tudo o que tem força para florescer. Seca ideias e sonhos. Pode gerar bonitos slogans, mas não gera futuro.