Eu quero amar-te a ti, meu Portugal!
O meu país, não é um jardim
há beira mar plantado, nem
sequer a memória das naus,
ou das batalhas de Aljubarrota,
Alcácer-Quibir, nem mesmo,
do Ultimatum ou Guerra Colonial.
O meu país, é esta língua onde, penso,
escrevo, com palavras de si mesmo,
que se cantam e sentem com saudade.
Palavras que rimam com cante, fado,
samba, kuduru, quizomba, bidu,
palavras que saltam nas planícies,
do Alentejo, dançam o corridinho
nas praias do Algarve, a chula no Minho,
brilham nas cores canarinhas, queimam
em Luanda, sopram no Indico,
e estendem-se nas ondas de Macau e Timor.
Palavras de um povo que ergueu um país,
que se diz aqui, numa língua universal,
e se escreve, apenas – Portugal!
Um país que soube sempre dizer – não,
viveu em castelhano, pensou francês,
até se aliou, para se afirmar, ao Inglês,
e agora, pelos vistos quer pensar alemão.
É por tudo isto que o meu pais, agora,
tem que voltar a sentir, este sentir, falar,
pensar, amar, por dentro da sua raiz,
viver para além da saudade, construir,
por dentro da saudade, que vos digo,
no meu ver, rima mais com Liberdade,
e está fora de questão, isso que teimam,
repetem e querem fazer crer, que só vamos,
bem viver, nesta podre austeridade.
Por tudo isto vos digo, pensar em bom
português, é pensar sem servidão,
é ser único na saudade, no sentir
a liberdade, e dizer – Europa sim,
África, América, Ásia, Oceânia,
nesta língua que fez mundo,
isso sim, é ser português.
Quero ser português, neste lugar,
onde nasci, nesta língua universal,
sentir que sou homem no mundo,
neste sentimento intenso, imenso,
de Camões, de Pessoa, de Quental,
esse amor de mar, de sol, de luar,
de azul, deste dizer tudo, num só
som, gritando bem alto, com emoção.
– Eu quero amar-te a ti, meu Portugal!
SP

