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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Fraternidade – Liberdade – Igualdade

 

 

O associativismo é um dos valores de cidadania herdado de lutas dos séculos XVIII e XIX, contribuindo para que fossem dados passos positivos nas vivências sociais das comunidades. Em Portugal, as suas raízes centrais remontam à Monarquia Constitucional.

Quando as Paróquias deixaram se ser o centro da vida das comunidades e nasceram as freguesias deram-se passos muito positivos na promoção da cidadania activa na vida das comunidades, sendo criados novos modelos de associações e organização da cidadania, à margem das organizações cívicas vigentes – Misericórdias ou Irmandades.
Nasceu o associativismo moderno - mútuas, cooperativas, associações filarmónicas.

Um novo tempo . Uma nova etapa na separação do civil e do religioso.

O Movimento Associativo foi uma pedra angular na promoção de uma cultura emancipadora, acima da acção politica partidária e religiosa. Nasceu uma cultura centrada nas palavras – Liberdade: o direito voluntário de aderir; Igualdade – gestão marcada pelas decisões democráticas; Fraternidade – ao serviço da comunidade e com respeito pelas diferenças.

Esta é a cultura associativa recebida de lutas de muitas gerações, com contradições, mas, na qual ao longo de mais de um século, sempre, o associativismo se afirmou com um espaço de democracia e respeito pelas diferenças e separado de partidos e religiões.

Assim deve ( ou devia) continuar a ser, e, na verdade, por isso devem lutar os homens livres que acreditam que a cidadania é um caminho libertador e emancipador. Foi por isso que muitas lutaram e ergueram estes espaços de liberdade e democracia.

Antes do 25 de Abril foram muitas as associações que resistiram e nunca abdicaram de separar as águas, o mesmo tem acontecido depois do 25 de Abril.

Os valores do associativismo são claros. O mal não está nos valores do associativismo. O mal está nos dirigentes que, quando assumem o poder nas colectividades, não respeitam a sua história, as lutas de muitas gerações e acham que devem, por crenças próprias, colocar a associação ao serviço de um partido ou de uma religião.

Foi isso que fez o regime fascista em Portugal. É isso que, infelizmente, ao longo da história, muitas vezes, tem acontecido, quando uma associação se afirma como espaço partidário ou como ligada ao culto de uma religião. É isso que afasta as pessoas. É isso que reduz o espaço de vivências de cidadania activa em liberdade.

Felizmente os homens passam e as associações ficam e serão sempre, apesar de tudo, uma referência dessa cultura herdada de tempos de mudança, tempos que marcam uma forma de estar e sentir o pensamebnto europeu, esse sentir que se escreve com as palavras : Fraternidade – Liberdade – Igualdade.

 

António Sousa Pereira

 

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