Por dentro dos dias - Barreiro A cidade onde aprendi a sentir a liberdade no coração
Neste dia que começa o ano 43 da nova era de Portugal, pela manhã fui buscar o jornal, na Vitorius, ali no Pingo Doce. O meu amigo Adelino aproveitou para dar uns toques a propósito da vitória do Benfica. Eu comentei que sofri até quase ao fim à espera de um empate. Mas, não perdia a esperança. Vai ser assim até ao fim.
Depois fui assistir ao içar das bandeiras, na extinta Junta de Freguesia do Lavradio. Sem fanfarra de bombeiros. Sem banda. Enfim, sinais mesmo da sua clara extinção. Isso das bandas e bombeiros é para as gentes da cidade e para as terras que, apesar de tudo, conseguem manter a chama da sua identidade. Vivido este momento da extinta freguesia do Lavradio. Lá fui até aos Paços do Concelho. Entretanto passei pela SFAL, onde, senti, respirava-se o ambiente de Abril naquelas montras sempre decoradas com os símbolos da Revolução da Liberdade.
Nos Paços do Concelho registei algumas palavras da intervenção do Presidente da Câmara, principalmente quando sublinhou que - “o Poder Central tem que olhar para o Barreiro”. Registei e pensei que, de facto, há mais de quarenta nos que aquele território das extintas CUF/Quimigal – uma pérola do concelho – anda por ali às bolandas.
Um território que deu emprego, deu cultura, deu identidade., que faz parte do «adn» do Barreiro. Mas que por ali está, sem soluções. Valha-nos, em boa hora, a boa vontade e dedicação de Sardinha Pereira e equipas que seguiram seus passos, que deram um contributo para evitar que aquilo se transformasse num território fantasma.
Depois, já foram «Cidades do Cinema», projectos do Arquitecto Salgado, Masterplan, Arco Ribeirinho Sul, Plano de Reconversão do Território da Quimiparque, agora, anda por aí, o Terminal de Contentores.
Uma coisa é certa, ali, naquele território, quem decide o seu futuro é o Poder Central. Seja liderado pelo PS, ou pelo PSD, como tem sido ao longo de décadas. Estas duas forças politicas são os grandes responsáveis pelas indefinições de um futuro concreto. Mudam os governos, mudam os planos. E esta pérola do Barreiro, sempre adiada em projectos que anulam projectos, em nada contribui para criar emprego ou gerar dinâmicas de desenvolvimento local.
Por isso tenho dito que o Barreiro pensa excessivamente CUF, vive excessivamente de algo que foi e nunca mais se sabe o que vai ser, talvez, por essa razão percebo as palavras do Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, neste dia de Abril de 2016.
Depois do içar da bandeira, dei uma volta pela cidade. Fui ver o painel feito pelos alunos do Agrupamento de Escolas do Barreiro no Parque da Cidade. Gostei. Uma memória que fica desta cidade – a cidade da resistência e da Liberdade. A resistência do passado e resiliência do presente. A luta pela Liberdade no passado e força motivadora de diferenciação no futuro. Barreiro uma palavra que é uma marca na região. Que inspirou canções e poemas.
Fiquei a pensar que este painel pode ser um pontapé de saída para nascer ali um espaço de arte – Parque da Cidade da Liberdade. Convidar artistas para criar esculturas. Espalhar no Parque da Cidade a Liberdade em Arte, com as escolas.
O Américo Marinho – grande vulto da arte do Barreiro - que se inspirou nas tágides, deve estar feliz ao ver a arte nascer no edifício com o seu nome.
Parabéns!
Dou comigo ao fim da tarde, a escrever esta crónica e a recordar aquela fotografia que fiz esta manhã, junto ao Tejo, com os cravos a florir nas suas margens.
Imaginei, como seria lindo, todos os anos em Abril, a varanda do Tejo amanhecer com cravos nas suas margens. Tenho a certeza que o Mestre Augusto Cabrita, que dá o nome ao Passeio Ribeirinho – lá longe, sorria!
Feliz Ano Novo. Que tudo corra bem neste ano 43, da nova era!
Ah, é verdade, a Liberdade, dizem alguns não tem cores, mas, cá por mim, gosto mais da Liberdade que tenha todas as cores do mundo.
Porque, essa, é, afinal, a verdadeira cor da Liberdade!
António Sousa Pereira

