SAL DA TERRA
Escutei hoje, deliciado, o Sermão de Sto. António aos Peixes'', do Padre António Vieira, dito por Ary dos Santos.
Feliz coincidência, ser neste dia, que marca a passagem de ano, com a entrada no ano 43, da nova era deste torrão à beira mar plantado.
Escutei. Revisitei Portugal. De ontem e de hoje. Senti a força da palavra. A energia dos sentimentos.
«Sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade», palavras do Padre António Vieira, escritas em 1654.
Cá estamos nas vésperas de mais uma efeméride, um tempo que quis se quis novo, foi novo, e, apesar de tudo é sempre novo.
Afinal, os frutos de Abril continuam a ser o “sal da terra” deste nosso torrão lusitano. Estão inscritos na Constituição.
O mal não está no “sal da terra”. Todos sabemos isso.
«A maldade é comerem-se os homens uns aos outros», lá dizia no «Sermão aos Peixes» o Padre António Vieira. Por aqui me fico.
FELIZ ANO NOVO!
S.P.

