Abril é sempre VOAR!
Há dias que ficam vivos por dentro dos nervos. São aqueles dias que ficam na história e nós sentimos que vivemos a história. Já há alguns anos que sou convidado para falar sobre o dia 25 de Abril nas escolas do Ensino Básico. Falo desse dia não como memória do passado, mas, isso sim, como uma data que se projecta no presente e vai continuar a ser futuro. Deixo sempre um desafio, para que guardem a Liberdade no coração.
Ontem parti da canção de Francisco Fanhais – cortaram as asas ao rouxinol, o rouxinol sem asas não pode voar. Depois de uma viagem pelos dias de antes de Abril. Disse-lhes que Abril, foi isso mesmo que nos deu – o direito de VOAR. V – Viver com dignidade. O – Orgulho de sermos nós próprios, cada um de nós de corpo inteiro. A – amor pela vida e amor de Abril. R – Respeito pelas diferenças, ou o R de renascer.
No final uma aluna veio ter comigo e disse-me: “a minha avó já me cantou algumas das canções e essa da gaivota ( uma gaivota voava, voava).
E, quando lia um poema do meu livro sobre Abril – O sonho chamado Liberdade – notei que, ali, na minha frente, uma menina de olhos gigantes sorria, e nos seus olhos brilhavam lágrimas.
Sai da sala de aula e ainda escuto aquele grito de todos eles – BOM DIA!
Porque, comentei o que Abril nos deu foi esta felicidade de acordarmos e, apesar de todas as dificuldades, vale a pena olhar o sol e gritar – BOM DIA! E eles gritaram.
É por isso, que é lindo contar Abril e dizer-lhes que Abril não é passado, é o dia de hoje e será sempre futuro, porque Abril é sempre VOAR!

