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Partilhar a vida não é, apenas, dar ou receber. É, talvez, isso, apenas isso, o inscrever no olhar da nossa memória, o sorriso melódico, que nasce nos nervos, forja-se nas lutas e dá sentido aos dias.
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Partilhar a vida não é, apenas, dar ou receber. É, talvez, isso, apenas isso, o inscrever no olhar da nossa memória, o sorriso melódico, que nasce nos nervos, forja-se nas lutas e dá sentido aos dias.
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Acredita, só sente cansaço quem vive. O cansaço é o outro lado do tédio. Não te incomodes. Fecha os olhos. Adormece. Sorri. Só quem sente cansaço descobre o calor que aquece o coração. Ah, é verdade, ao abrires os olhos. Volta a sorrir!
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O primeiro passo não é o começo da caminhada. O caminho começa quando, por dentro, decidimos partir e fazer o nosso caminho.
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Uma porta é apenas uma porta. Um ponto de passagem. Podes abrir, ou podes esperar que seja aberta. A diferença reside nessa opção. Quem e quando decide abrir!
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O mundo muda sempre que um homem quiser...
basta olhar o céu e VOAR !
V - VIVER ...apaixonado pela vida !
O - OLHAR... e sentir os dias no ser!
A - AMAR... colocando a amizade e o amor no centro dos dias!
R - RENASCER ...em cada raio de sol
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Sabes, hoje descobri, que tu,
és verbo que se conjuga,
com o sol e com o mar.
Sei, afinal, que dentro do teu corpo,
tudo começa, num fruto que cresce,
suavemente, força da ternura,
energia esplêndida do nosso olhar.
Sei, afinal, que a vida é plantada,
crescendo suavemente, gota a gota,
um ciclo de futuro, passado e presente,
no silêncio do teu ventre a sonhar.
Tudo começa, afinal, dentro de ti,
onde flor rima com amor.
Tudo começa, afinal, dentro de ti,
onde coração rima com paixão.
Tudo começa, afinal, dentro de ti
onde saudade rima com liberdade.
Se a vida é nascer e crescer,
aprendi contigo essa verdade,
só conjugando homem e mulher,
damos sentido à humanidade!
António Sousa Pereira
“Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida”, escuto estas palavras, misturadas nos sons da guitarra, um eco na distância. Um carro de som anuncia alguma actividade, certamente, relacionada com o Dia 8 de Março. Os sons propagam-se e vão-se diluindo, enquanto o carro se afasta e penso nestes sonhos e sons que se perdem na memória.
Saí de casa e, de repente, os sons rebentam nos meus nervos, ali, perante a vida real. Olho. Na minha frente, junto ao contentor do lixo, um homem vasculha, remexe. Na distância ainda escuto os ecos : “Eles não sabem, nem sonham…”.
Sigo o meu caminho. Uma amiga faz-me sinal e diz-me: “Olhe lá uma coisa, como é que posso mandar para o Rostos notícias das actividades da minha Igreja?”. Disse-lhe como podia fazer. Ela agradece e comenta: “Nós promovemos muitas actividades e queríamos divulgar. Sou da Igreja da Assembleia de Deus”.
Continuo o meu caminho. Junto ao «Café da Nana», será sempre o «Café da Nana», uma jovem está sentada. Caminho e vou saboreando a minha cachimbada.
“Olha, sempre com o cachimbo. Sempre o conheci com o cachimbo. Se não fosse o cachimbo, agora, nem o conhecia”, diz-me, com um grande sorriso. Os seus olhos brilham, parece que mergulha por dentro de memórias perdidas no tempo. Sorri.
Cumprimentei e continuei o meu caminho. Ela olhava para mim e continuava com um enorme sorriso nos olhos, certamente, revivendo outros momentos nas suas memórias.
Chego à Avenida J.J. Fernandes. Passo junto à Farmácia. De repente dou comigo a pensar nas memórias que tenho daquela Avenida. São tantas. Começo a rir sozinho. Olho as montras da Farmácia e recordo aquela noite que um automobilista, ao entrar na Avenida, espetou-se pela montra da Farmácia. Por acaso estava ali próximo. O ponto de encontro da noite, naquele tempo era, por vezes o Café Capri (outras vezes o Café Catita) e depois de fechar ficávamos por ali na esquina da Padaria a conversar.
O homem saiu do carro, pisando os vidros estilhaçados. Seus passos eram uma verdadeira dança. Olhou para nós e com um ar calmo e sereno disse-nos: “Eu enganei-me. Fui por ali, porque na minha frente vi duas avenidas. Eu fui por esta e bati na montra”.
Sorrimos. Eram esses sorrisos que me ocorriam, ao pensamento, numa manhã de quinta-feira, deste Março de 2016.
Pensava naquela situação de ver duas avenidas. É real. Tempos depois confirmei. Eu próprio vi duas Avenidas. Aliás eu vi duas Igrejas. Mas sabia porque caminho devia seguir, mas que vi duas Igrejas, lá isso, tenho a certeza que vi, naquela noite de 25 de Novembro.
Tinha sido declarado o «estado sítio» e recolher obrigatório, a partir da meia-noite. Eu fiquei na conversa na casa de um amigo até às 3 horas. Conversamos e bebemos uns copos. Resolvi sair, regressar a minha casa e não ligar ao recolher obrigatório. Silêncio na noite. Nem um movimento. Enquanto percorri as ruas nem cães se escutavam. Caminhei e ao começar a subir a Avenida J.J. Fernandes, ali, na zona central, olhei, e, de facto, confirmei a versão, daquela noite junto à Farmácia. Vi duas Avenidas – uma para cima e outra para baixo e lá estavam duas Igrejas (naquele tempo, ainda sem torres, nem sinos).
Segui o caminho certo, aquela que ia para baixo. Entrei em casa e adormeci, suavemente. Lá fora continuava o recolher obrigatório. Os dias da revolução, do PREC, ali, esgotavam-se. Dias antes, poucos dias antes, tinha terminado o meu serviço militar. Tinha sido convidado a fazer o espólio de um dia para o outro, quando ainda faltavam alguns meses para o tempo que devia cumprir.
De facto, um tempo novo começava a nascer nos meus nervos.
Escrevo estas palavras e mergulho nas emoções que ficam escritas nas ruas e nos lugares, onde vivemos, ali, deixamos os nossos passos. As ruas pertencem à nossa memória, são marcas que forjam o tempo que gravamos no fundo de nós mesmos.
Tenho tantas memórias desta Avenida central e desta terra Lavradio – a terra dos meus filhos, dos meus mortos e de todos os sonhos que, ao longo dos anos, forjaram dentro de mim a palavra amor.
Ah, é verdade. Encontrei, naquela manhã, no Pingo Doce o Aljustrel. Saudámo-nos. Ele comentou: “Tenho que me despachar, porque de tarde vou fazer o Turno no Forno Cal”. De repente não entendi. Ele repetiu e interrogou: “Não te lembras?”. Sorri e disse-lhe. – “Claro que me lembro. Eu vou para o Zinco Metálico”. Sorrimos. Eram meras memórias das fábricas da Quimigal, naqueles dias que fui Operário, no duro, de pó, cinza e ácidos a entrar pelos olhos, em lágrimas. Um tempo em que senti as palavras fugirem do pensamento.
Ali, agora, restam apenas ruínas e espaços vazios, naqueles terrenos conquistados ao Tejo.
Diz-se, talvez, de novo, no futuro, possam voltar a estar ao serviço do rio, aquele rio que nos leva para o mundo e onde pode nascer uma esperança…porque de esperança são feitos os sonhos!
António Sousa Pereira
KIRA é o pseudónimo de António J. Pereira Gama, que nasceu em Avis, Alentejo, em 1945. Vive no Barreiro há décadas, terra que se cruza com a sua obra e seu olhar sobre o mundo. Uma obra que teve início no ano de 1960, com a sua participação no I Salão de “Artes dos Novos”, na Galeria A Trave, em Évora.
Ao longo da sua prestigiada carreira marcou presença em dezenas de exposições, tendo trabalhos seus em inúmeras colecções particulares e oficiais.
Kira está representado em diversos Museus em Portugal e no mundo, sendo citado no dicionário “Portuguese 20th Century Artists,” de Michael Tannock.
Sensibilidade no sentir esta terra
Os trabalhos de Kira expostos no Hall do Hospital do Barreiro, são acrílicos sobre tela, com as dimensões 60X70.
Um conjunto de quadros onde, a ternura da cor, a sensibilidade no sentir esta terra que abraçou como sua, sente-se de forma alegre e de cores vivas, nas obras «A Barraca do Tobias»», ou a «A Barraca do Tica» e , como sempre, ele dá a beleza ao ex-libris do Barreiro, na obra «Moinhos do Barreiro».
Um destaque especial para o quadro intitulado «Aviso»
No conjunto dos trabalhos intitulados «Cor de Rosa» kira faz-nos mergulhar nas memórias de um espaço que ele, com os seus trabalhos eternizou , seja a «Torralta», seja «Alburrica», com aquela sua permanente ligação ao rio, com as marcas da «pesca do cerco» e neste conjunto, um destaque especial para o quadro intitulado «Aviso».
Uma obra que emerge, no contexto da exposição, afinal, como o seu grito de alerta, ali, vemos as cores de Portugal, da Alemanha e desta Europa, que nos sufoca e prende a incertezas.
Um trabalho de uma grande beleza, imensa subtileza, marcado de emoção, dramático e triste. Um mundo que é uma bolha de água, no limite e... talvez, prestes a rebentar.
Kira escreve poesia, pintando. Kira escreve crónicas, pintando. Kira grita com as cores azuis e rosas e sorri…
Um espaço museológico
Kira, só por si, merecia ter no Barreiro um espaço museológico, porque acima da sua criatividade, da sua sensibilidade criativa, no seu trabalho está expresso um sentimento profundo pelos espaços e lugares desta cidade.
Este seria um enorme leit-motiv para a estratégia de visitação que tanto se fala no Plano Estratégico do Turismo.
Proporcionando aos visitantes um olhar sobre os lugares, pessoas e vivências de uma comunidade, de forma colorida e irreverente.
Talvez um dia, qualquer dia, qualquer dia…porque não na zona da Quinta da Braamcamp!
Kira pinta Alburrica com as cores de todos os sonhos, com uma liberdade criativa única e intemporal.
Cores lindas nos espaços da cidade
Nesta exposição que tem como tema "AZUIS E ROSAS", estão patentes também os trabalhos: «Iniciação», que brota de dentro de si a energia da vida, uma paleta que marca o começo de uma obra,fecundada e gerada no interior do artista, sendo, afinal, a obra de um artista que está sempre por completar, mais não seja no olhar de quem vê e de quem sente.
Kira veio mais uma vez dizer-nos que está vivo, que continua a amar esta terra, que continua a ver cores lindas nos espaços da cidade, aquelas cores que só os poetas sentem, porque só os poetas são capazes de sentir, através da subtileza das cores, a magia dos sentimentos, e esses, estão sempre presentes, para quem os quiser sentir, na luz, nas cores e nos sons de Alburrica.
Kira com esta exposição, vai para além da memória do presente dá-nos um legado que se eterniza como memória de futuro.
Obrigado poeta das cores azuis e rosas!
António Sousa Pereira
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O projecto da Câmara Municipal do Barreiro integra-se numa lógica de valorização das zonas ribeirinhas, de aproximação da cidade ao rio, e, num conceito de mobilidade urbana.
Se avançar será um passo importante que contribui para aproximar as duas comunidades, separadas desde os anos 60, quando do derrube da ponte que mantinha a ligação ferroviária.
O Barreiro e Seixal só têm a ganhar se as duas cidades se aproximarem, ganham em escala e massa critica.
A construção de uma ponte que estabeleça a ligação rodoviária devia ter sido perspectivdada há muitos anos como uma prioridade, porque seria dinamizadora da economia local e regional.
E, por exemplo, quando se fala em construir um Hospital no Seixal, com a construção de uma ligação rodoviária o Hospital do Barreiro ficava localizado quase no centro do território Barreiro –Seixal. Certamente as cerca de 100 camas que, dizem, vai ter o dito futuro Hospital do Seixal, não seriam necessárias, porque essas existem, talvez, hoje, disponíveis no Hospital do Barreiro. É uma mera reflexão.
Ou seja, se, em vez de se investir num novo Hospital a opção fosse construir a ponte rodoviária de ligação entre os dois concelhos, muita coisa, em escala seria valorizada.
E, já agora, quando se fala numa aposta no projecto do Arco Ribeirinho Sul – visando potenciar os territórios das áreas industriais do Barreiro e Seixal – este projecto é indissociável da construção da ponte entre os dois concelhos.
Já ouço falar, deste assunto, desde os primeiros PROT da AML. Fala-se. Fala-se.
Talvez, por essa razão, a construção da ligação rodoviária entre o Barreiro e Seixal, mais que uma intenção, devia começar a ser um objectivo estratégico na forma de pensar e sentir o território da Península de Setúbal.
Esta ligação rodoviária criava um tecido urbano, económico e social de uma dimensão com grandes capacidades metropolitanas – aproximando no imediato Barreiro, Seixal e Moita.
Criam-se tanto movimentos de opinião e tantos grupos de cidadãos e utentes, talvez, esteja chegada a hora de criar um Movimento de Opinião pela ligação do Barreiro ao Seixal.
Mas isso, é complicado para os nossos políticos que gerem no imediatismo, e com os olhos nas próximas eleições…o futuro depois vê-se!
António Sousa Pereira
O Terminal de Contentores do Barreiro – Plataforma Intermodal, lá o que queiram chamar, tem sido, nos últimos dias, tema de alguns comunicados e trocas de galhardetes.
Tudo isto porque no Programa inicial do Governo e Orçamento de Estado, estava inscrita a intenção de ser definida a localização do novo terminal de contentores para a área da Grande Lisboa.
E, no processo de discussão foi retirada essa intenção, e, nesta matéria, é perspectivada a decisão de intensificar a estratégia portuária de Portugal, com referência apenas ao Porto de Leixões e Sines e a necessária articulação entre o Porto de Lisboa e Setúbal.
Nem uma palavra para o Porto de Setúbal
De repente, parece que esta matéria surgia como uma novidade. Não é nada disso. O governo limitou-se a contemplar no Orçamento de Estado a posição já conhecida desde Setembro de 2015, tornada pública em comunicado pela Federação do Partido Socialista de Setúbal.
No texto divulgado podia ler-se: “Os propósitos do Governo PSD/CDS para o setor marítimo portuário, em particular no Distrito de Setúbal, revelam a falta de conhecimento e de visão para o setor: Um dia a expansão do terminal de contentores de Lisboa é para a Trafaria, no outro dia já são para o Barreiro. E no meio de tudo isto, nem uma palavra para o Porto de Setúbal.”
Acrescentando que existia a “ total demissão do Governo quanto a decisões importantes e estratégicas para o desenvolvimento do Porto de Setúbal e consequente aumento do seu hinterland”.
A adenda do Orçamento de Estado, portanto, visa corrigir as politicas referenciadas de responsabilidade do Governo PSD/CDS e dar sentido à estratégia defendida pela Federação de Setúbal do Partido Socialista.
Aliás, não é por mero acaso que socialistas do Barreiro, em certo momento, defenderam em reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro que devia ser realizado um referendo local sobre o Terminal de Contentores e, até, promoveram, directa ou indirectamente, debates cuja visão era contestar o Terminal e defender o projecto do Arco Ribeirinho Sul.
E Setúbal tem peso nesta matéria, porque, afinal, por Setúbal vai-se para a Assembleia da República.
Todos pelo Terminal
Na reunião da Assembleia Municipal do Barreiro o Terminal de Contentores foi motivo de debate em torno da apresentação de três documentos – CDU, PS e PSD.
Discutiu-se. Procurou-se com politica de “pinças” criar espaço para gerar unanimidades.
Todos pelo Terminal. Uns com uma intenção. Outros com outra intenção. A unanimidade estava criada em torno de uma ideia central – “entalar” ou “pressionar” António Costa”.
O Terminal de Contentores segundo o anterior governo PSD/CDS só seria uma realidade se existissem investidores privados.
Agora este governo, não retira o assunto da agenda, nem podia retirar, até porque as eleições autárquicas estão a chegar e remete o assunto para 2017.
Agora, vão ser feitos estudos de dragagens e estudos económicos.
O presidente da Câmara Municipal do Barreiro coloca dúvidas e acha estranhos estes novos estudos.
A discussão vai voltar ao principio. As conversas sobre esta matéria, tudo indica, vão entrar na fase que costuma dizer-se “mesa limpa”.
Em suma, quem decide, ou não decide sobre o que se pode fazer, ou não, nos territórios da antiga CUF são os governos. É isso que volta de novo para debate.
Trata-se afinal de pensar aquele território a partir de conceitos de uso diferentes, ou ter estratégias âncora diferentes – Terminal de Contentores versus Arco Ribeirinho Sul – que decisões?
Para já, de certeza que até às eleições autárquicas o Terminal de Contentores vai ficar em “banho maria”.
Vão sendo aprovadas umas moções. Produzem-se uns comunicados de troca de galhardetes.
Geram-se unanimidades. Critica-se.
Os estudos até podem colocar cá fora alguns dados de diagnóstico para criar empatias.
Depois, sim depois das autárquicas, vê-se...né verdade!
Por mim, fico a pensar nas palavras de um homem com experiência, com saber acumulado sobra a actividade portuária, que em entrevista ao «Rostos» dizia - “Gostava que se desenvolvesse um Porto a sério no Barreiro, mas tem que ser mais que um Porto de Terminal de Contentores, tem que ser um Porto Multimodal. Se for multimodal tem pernas para andar ”.
Estas são palavras de Ramalho Nascimento, um homem cuja história de vida se confunde com a evolução e desenvolvimento da actividade portuária no Barreiro.
Eu também gostava…mas começo a não acreditar, pelo menos se tudo voltar a conceitos verosimilhantes em torno de «master plan», com predominância de visões imobiliárias.
E, no meio de tudo isto, o Barreiro se continuar a pensar o seu futuro sempre com os olhos no «diamante» que é o território da ex-CUF, cujas decisões passam pelo Terreiro do Paço e seus decisores…então, vá esperando!
António Sousa Pereira
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