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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

“É preciso voar, voar, voar!”

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Ela acordou, naquela manhã, abriu a janela, sentiu a brisa matinal. O dia estava cinzento, mas, por dentro dos nervos, ali, onde o sangue se mistura com os pensamentos, ela, sentia o sol brilhar.

Era o começo de um novo ano. Um novo dia de trabalho. O regresso após uns dias de festa, rebentar de foguetes, e celebrar um novo tempo.

Sentou-se. Um fluxo imenso de palavras entravam de rompante, misturando sentimentos, aqueles de promessas feitas quando o relógio deu o sinal de um novo ano: “Este ano vou lutar. Este ano vou conseguir mudar, hei-de construir os meus dias com sorrisos.”. E, por outro lado, os pensamentos da vida real que, sabia, hoje, de novo, surgiria, naquela repetição diária. O telefone a tocar. A entrada de expediente.

Por isso, só por isso, ergueu os braços, esticou o corpo e sentiu os seus seios gritando ao vento: “Porra, lá vai começar esta rotina”.

Pensou se devia tomar o pequeno almoço, ali, no seu silêncio, aquele mundo onde só ela sente os seus sonhos. Sorriu. Olhou a gatinha. Colocou um pouco de leite e umas bolachas. A bichana mexeu o rabito, miou suavemente, como quem lhe diz; “Obrigada. Mas, tira essa cara e sorri.”

Os seus olhos brilharam, fixando os olhos da «Pituxa», e pensou: “Está bem, tens razão. Vou sorrir”.

Vestiu-se à pressa. Olhou-se ao espelho. Ainda esteve, por instantes, indecisa se devia ou não colocar o baton vermelho nos lábios. Fechou os lábios e levemente deu um pouco de cor vermelha ao seu sorriso.

Saiu de casa. Na escada encontrou o vizinho que sorriu: “Bom Dia. Lá vamos para um novo dia de trabalho”. Ela respondeu com aquela ternura que marca a sua presença; “Vamos a isso”, E sorriu.

O dia estava cinzento. Mas ela sentia o sol brilhar nos nervos.

Caminhou com passos decididos. Essa vontade de começar o tempo novo soprava por dentro do seu coração. Era o começo de um novo ano.

“Vai ser diferente. Vai se diferente”, repetia para si mesma, as palavras marcavam o pulsar dos passos.

Uma gaivota cruzou a rua, mesmo na sua frente, rasgando a distância, voando, voando, Olhou e seguiu os seus movimentos.

Foi nesse instante que sentiu, essa certeza, que para viver sem rotinas: “É preciso voar, voar, voar!”.

Afinal, o ano começava de forma diferente, ao sentir que um novo tempo nascia nas asas de uma gaivota que fazia nascer novos pensamentos.  

Sorriu. Olhou o sol dos seus nervos e, lá por dentro, bem por dentro, pensou : “Que belo dia, este, para recomeçar um novo ano de trabalho e viver!”

 

António Sousa Pereira

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