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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

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Barreiro 30 anos Cidade - Carlos Humberto, Presidente da CMB «70% do transporte fluvial do Tejo tem origem no Barreiro»

“Perderam-se coisas ligadas à actividade industrial. Para se ter uma ideia, cerca de 70% dos trabalhadores trabalhavam no Barreiro e trabalhavam no sector secundário, ou seja, na indústria. Hoje 70% ou mais trabalham fora e mais de 60% trabalho no sector terciário. Portanto isto é uma alteração qualitativa importantíssima.” – refere Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro.

“Somos a terra do país com maior mobilidade colectiva na relação entre o transporte colectivo e o transporte individual” – sublinha.

A propósito dos 30 anos da Cidade do Barreiro estamos a editar um conjunto de entrevistas, efectuadas por dois jovens que, durante 30 dias, fizeram um estágio no jornal «Rostos».
Hoje editamos a entrevista de Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro.

Barreiro tinha emprego

Como era o Barreiro há 30 anos? 
“Nestes 30 anos, Portugal, o Barreiro evoluiu no ponto de vista urbano. Agora é verdade que o Barreiro de há 30 anos atrás tinha duas mais-valias, três se quisermos que hoje não tem. Primeiro tinha emprego, já que funcionava que a CP e a EMEF tinham centenas, milhares postos de trabalho, a CUF tinha milhares postos de trabalho, e portanto isso era uma coisa importantíssima. 
O Barreiro tinha mais dezoito a vinte mil habitantes que hoje tem por fruto de encerramento das fábricas e fruto das construções das pontos vasco da gama e da ponte 25 de abril e por isso ficámos equidistantes e portante não tivemos as mais-valias que os concelhos que ficaram mais próximos que tiveram e têm uma acessibilidade mais facilitada a Lisboa. Agora se associarmos esta questão da perca do emprego, do encerramento das fábricas, perca de população e acessibilidades, vemos que isto teve consequências negativas no conselho. 
De qualquer forma o Barreiro tem evoluído muito. Tudo o que tem sido feito no sentido da requalificação urbana de frente rio, no parque da cidade, são muitas as coisas que continuamos a ter uma intensíssima actividade cultural indiscutível. A actividade cultural aumentou, actividade desportiva se mantém num nível muito elevado, que a intervenção social aumentou significativamente, e portanto, eu diria que o concelho do Barreiro sofre as consequências da evolução do mundo e da evolução do país. 
Portanto, o país cresce, o concelho do Barreiro cresce, o país decresce, o concelho do Barreiro decresce como a característica específica que é aquela que vos falei que é o encerramento das empresas. Foi uma situação dramática que se inseriu na estratégia nacional de encerrar a actividade industrial, as pescas e a agricultura, e que hoje toda a gente fala que é preciso revoltar à industrialização, revoltar ao mar, revoltar à terra, o que foi pena nessa altura não se ter aproveitado as potencialidades e não se ter aprofundado as capacidades do povo português e do território nacional para que hoje não sofrêssemos estas consequências tão graves ao nível nacional e ao nível do concelho do Barreiro. 

Hoje 70% ou mais trabalham fora

Que hábitos ou tradições foram deixadas para trás nesses 30 anos?
“Eu diria que o processo do Barreiro é um processo natural. O respeito pelo ser humano aumentou. O respeito pelas minorias aumentou significativamente, o respeito pela diferença de género aumentou significativamente. É verdade que nos últimos tempos temos tido retrocessos que considero civilizacionais, enquanto a tendência era para trabalharmos mais horas, agora mentem-nos a trabalhar mais horas, enquanto a tendência era para termos melhor qualidade de vida, mais salário, mais pensões, mais reformas, etc, agora diminuem. 
Mas, apesar de tudo, tenho uma visão positiva nestes últimos 30 anos no concelho do Barreiro e do país. Perderam-se várias coisas mas também ganharam-se outras. Perderam-se coisas ligadas à actividade industrial. Para se ter uma ideia, cerca de 70% dos trabalhadores trabalhavam no Barreiro e trabalhavam no sector secundário, ou seja, na indústria. Hoje 70% ou mais trabalham fora e mais de 60% trabalho no sector terciário. Portanto isto é uma alteração qualitativa importantíssima.

Intervenção da câmara é muito mais qualificada

Como presidente o que vê de diferente na política de agora em comparação há 30 anos atrás?
“Ao nível das autarquias nós temos uma intervenção mais vasta, mais diversificada, mais rica. Praticamente as autarquias acabam por ser chamadas directa ou indirectamente em todos os aspectos na vida das pessoas, enquanto há 30 anos atrás estávamos mais focados naquilo que eram competências directas nas autarquias e nós hoje temos uma intervenção mais diversificada ao nível das questões sociais, a intervenção da câmara é muito mais qualificada, a nossa intervenção sobre a gestão da água e da qualidade da água são passos gigantescos qualificáveis no tratamento dos esgotos. Portanto, tudo se alterou no meu ponto de vista para melhor.” 

A nossa maior riqueza são as pessoas

Enquanto cidade o que oferece o Barreiro no lazer, turismo e emprego?
“A nossa maior riqueza são as pessoas, é a relação entre nós e as pessoas é uma grande intervenção social, para as questões do movimento associativo, são pessoas com preocupações culturais e desportivas. Temos uma excelente frente rio que precisa de ser requalificada, sendo uma intervenção para uma ou duas décadas, mas que é uma coisa que claramente podemos oferecer. Somos a terra do país com maior mobilidade colectiva na relação entre o transporte colectivo e o transporte individual e portanto tem mais transportes colectivos se quisermos. 
Somos o 4º estuário do mundo que tem mais transporte fluvial, não só do Barreiro, mas 70% do transporte fluvial do Tejo tem origem no Barreiro. Portanto esta grande diversidade para os jovens, diversidade cultural, desportiva, musical, uma certa cultura um bocadinho alternativa e são coisas que podemos oferecer. Uma coisa que ainda está pouco explorada, mas que acho que é também importante mas só daqui a uma década é que estará em desenvolvimento que é todo o património industrial. Não há um concelho no país que tenha um património industrial tão rico como o nosso e tão importante como o nosso. O facto de termos uma reserva ambiental local, a Mata da Machada e do Sapal do Rio Coina. Não são coisas para grandes massas, mas é uma coisa para nichos”. 

«Rota do trabalho e da Industria» é um grande projecto

Existem alguns projectos para potencializar a cidade do Barreiro no futuro? 
“As questões da actividade empresarial particularmente à volta do território, o parque da CUF-Quimigal e do território ferroviário. As questões da nova acessibilidades, seja da nova 3ª travessia, seja novas acessibilidades como Barreiro-Seixal através de uma ponte, uma ligação directa do Barreiro à ponte Vasco da Gama e o Metro Sul do Tejo. 
Na área do ambiente queria referir dois importantíssimos projectos, um é continuarmos a trabalhar cada vez mais para que todo o sistema de águas e saneamento e até de resíduos seja uma coisa de grande qualidade.Com as obras que estamos a fazer na avenida da praia passaremos a tratar cerca de 97% das águas residuais do concelho. 
Ainda na área do ambiente, recuperar a pouco e pouco a frente ribeirinha do Tejo e do Coina, fazer do Tejo e do Coina um grande uso fruto e associado a isto todo o espaço de zonas verdes em que naturalmente o mais significativo é a Mata Nacional da Machada e o Sapal de Coina, mas também grandes espaços verdes como são o Parque da Cidade, o parque daquela zona junto à Ribeirinha, da Verderena, Santo André, que em principio, em 2015 será concluindo, e há mais espaços verdes que estão previstos de grande dimensão no interior do território Quimiparque. 
Na área do património, acho que aquilo que chamei a “Rota do trabalho e da Industria” é um grande projecto de grande qualidade que se há-de implementar por si, e depois é preciso um projecto mais complexo, mais demorado que estamos a trabalhar afincadamente que é a consolidação, o reforço e o alargamento do centro da cidade e metendo neste “bolo” também o Barreiro Velho e a zona Ribeirinha do Barreiro Velho. 
Estes são alguns dos projectos que nós consideramos importantes. 
Deixem-me só fazer uma referência a uma coisa final, a um grande projecto, que é um grande projecto ligado à qualificação das pessoas. Os seres humanos cada vez mais precisam de ser qualificados ao longo da vida. Já começa a passar o tempo em que nós vamos para a escola, aprender, tirar o curso e depois vamos para a vida. O papel do ensino é fundamental, por isso uma grande aposta na qualificação das pessoas e dos equipamentos escolares é também uma coisa determinante para o futuro do Concelho do Barreiro”. 

Fotografia e Entrevista de Bruno Pires e Gonçalo Sargaço 
Trabalho de Estágio

Moita - No Fórum Cultural da Baixa da Banheira Nova geração do blues em destaque no III BB Blues Fest

É já na sexta-feira, dia 20 de junho, que se inicia o III BB Blues Fest, no Fórum Cultural José Manuel Figueiredo e espaços exteriores, na Baixa da Banheira. Até ao dia 28, este festival promete mostrar o que de melhor a nova geração do blues produz, em Portugal e além-fronteiras.
Promovido pela Associação BB Blues Portugal, em parceria com a Câmara Municipal da Moita e a União de Freguesias da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira, este festival internacional apresenta, nesta edição, um cartaz reforçado e variado entre o novo blues inglês, espanhol, holandês e português.

A abrir este BB Blues Fest, vai estar o holandês Jean Paul Rena, no dia 20, às 22:00h, no café-concerto. Para encerrar o festival, no dia 28 de junho, pelas 23:00h, vai subir ao palco do auditório o inglês Paul Lamb, um dos expoentes máximos da harmónica a nível mundial.
Nos restantes dias do festival, a qualidade e diversidade dos espetáculos mantêm-se com nomes como Chantel Mcgregor e Li’L Twister, no dia 21, às 21:30h e 23:00h, The Yellow Dog Blues Band, na noite do dia 25, e The Ramblers e Budda Power Blues, no dia 27, às 21:30h e às 23:00h. No último dia do BB Blues Fest, 28 de junho, os espetáculos iniciam, às 17:00h, no palco exterior, com os Stonebones & Bad Spaghetti, seguidos das bandas Nobodys Bizness e Mingo & The Blues Intruders. Ainda no dia 28, e antes da atuação do “cabeça de cartaz”, Paul Lamb, vai subir ao palco, pelas 21:30h, a banda sensação de Espanha, A Contra Blues. 
Do programa, fazem igualmente parte um Blues Workshop, no dia 24 de junho, a partir das 17:00h, no Centro de Experimentação Artística, no Vale da Amoreira, e muito mais música com os Dj’s residentes, do Clube de Blues.
Durante o festival, aproveite para visitar a exposição “Blues Portraits”, de Bruno Contreira & Kiko, patente na Galeria do Fórum Cultual.

Mais informações em www.bbbluesfest.com.pt

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