Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Barreiro 30 anos Cidade - Bruno Vitorino, Vereador do PSD «Valorização dos nossos espaços naturais para a mudança da imagem do Barreiro»

“Hoje há legislação que pode ajudar o Barreiro naturalmente a ter um papel importante a nível nacional e a ajudar atraindo novos investidores fixando novas empresas, a dar uma nova vida e uma nova dinâmica à cidade” – afirma Bruno Vitorino, vereador do Partido Social Democrata.

“Acho que o PCP , a CDU ainda estão muito presos, por ventura a questões ideológicas que não ajudam efectivamente ao desenvolvimento do concelho, portanto acho que aí nada mudou” - refere.

A propósito dos 30 anos da Cidade do Barreiro vamos editar um conjunto de entrevistas, efectuadas por dois jovens que, durante 30 dias, fizeram um estágio no jornal «Rostos».
Hoje editamos a entrevista de Bruno Vitorino, vereador responsável pelo Centro de Educação Ambiental, eleito pelo Partido Social Democrata.

Barreiro desde há 30 anos perdeu população

Como era o Barreiro há 30 anos? 
“Eu tenho 42 anos portanto a minha imagem do Barreiro de há 30 anos atrás é uma imagem de um miúdo de 12 anos e portanto de um miúdo que nasceu no Barreiro, que estudou sempre no Barreiro, que frequentava o futebol clube barreirense como atleta, primeiro na ginástica e depois no basquetebol, e portanto era de alguém sempre ligado ao movimento associativo, nomeadamente juvenil, escuteiros e portanto tinha , digamos assim, uma visão do concelho aos olhos de alguém com essa idade. 
Despertei para a politica com 16, 17 anos primeiro para a vida associativa depois mais para a vida politica ou partidária um pouco depois, mas acho que há matérias que nós hoje percebemos que efectivamente mudaram, evoluíram, e nem sempre uma evolução no sentido positivo, digamos assim dos termos.
O Barreiro desde há 30 anos perdeu população, portanto o Barreiro hoje é uma cidade com menos gente e com uma população muito mais envelhecida, o que é um problema porque é uma terra na área metropolitana de Lisboa das poucas que não conseguiu renovar os seus activos, que tem um índice de envelhecimento dos mais preocupantes a este nível de cerca de 157 ou 167 , ou seja, 167 idosos por cada 100 jovens e portanto temos uma população cada vez mais idosa, uma população cada vez mais envelhecida e isso quer dizer que a cidade também vai envelhecendo com a sua população, e se perdemos também população perdemos habitantes, perdemos a capacidade de regenerar o nosso parque habitacional , perdemos dinâmica, perdemos pessoas que pagam imposto municipal sobre imoveis que consomem no comércio local , perdemos os filhos que se fixam e compram novas casas ou que ficam a habitar a casa dos seus pais ou que já foi dos seus avós o que dá origem quando isso acontece a zonas como o Barreiro Velho, em que nós temos um problema muito complicado de falta de capacidade de gerar dinâmicas de regeneração de recuperação urbano, portanto temos uma cidade mais envelhecida, uma cidade abandonada , mais deserta a esse nível, onde se percebe que não há capacidade também de criar essas dinâmicas de regeneração urbana e apostarmos na reabilitação do edificar , temos cada vez mais casas velhas, casas devolutas, zonas pouco habitadas e quando é assim há problemas também em termos de tecido social, há problemas também ao nível de insegurança que tem vindo infelizmente a aumentar com níveis que eu acho que são preocupantes e isto tem muito a ver com a incapacidade que na minha opinião existiu de termos uma estratégia para a cidade de pensamos num novo plano municipal que crie essas dinâmicas, que tivesse a capacidade de atrair novos investidores, porque é que é que as pessoas mais novas não se fixam no Barreiro e se vão embora ? Porque por um lado não temos uma cidade capaz de as fixar pela criação de emprego, por outro lado porque não cria dinâmica económica nenhuma, não é capaz de fixar o seu comércio tradicional que tem vindo a morrer e a câmara municipal aqui tem muitas responsabilidades porque teve durante muito tempo, uma politica de achar que o que era bom para a cidade era atrair o fórum, novos continentes , o Retail Park, só grandes superfícies, não percebendo que isso ia matar a pouco e pouco o comércio tradicional e aliando a uma crise que existe isso ainda acelerou mais naturalmente o processo que se adivinhava, e que tem a ver com politicas e decisões municipais. Por outro lado, a cidade também não é atractiva para os jovens ao nível de ser uma cidade que se possa dizer que tem qualidade de vida, que tem uma serie de outras coisas que fixem em termos de oferta cultural, desportiva, recreativa, não é uma cidade atractiva, é uma cidade que o espaço publico está descuidado, está degradado, é uma cidade suja e portanto não é uma cidade que tem capacidade de fixar os seus jovens nem com a lógica da criação de emprego nem por ser uma cidade efectivamente atractiva aos olhos dos jovens e portanto foi definhando, e eu acho que o que aconteceu nestes últimos 30 anos infelizmente isso, nós de uma cidade pujante que vinha com actividade económica, temos uma cidade completamente envelhecida, sem qualquer vida, sem qualquer capacidade e sem qualquer estratégia para o futuro, que acho que é o mais preocupante e portanto eu acho que de forma reduzida o que foram estes 30 anos, esta evolução dos 30 anos da cidade do Barreiro”.

Artérias principais da nossa cidade vazias

Que hábitos ou tradições foram deixadas para trás nestes 30 anos de Barreiro como cidade?
“Com a insegurança, com a população mais envelhecida, com o despovoamento que existiu destas freguesias, os hábitos de fazer as compras no mercado foram desaparecendo, porque as pessoas também foram desaparecendo, o hábito normal de sair à rua e conviver a partir de determinadas horas, nós vemos muitas das artérias principais da nossa cidade vazias, despidas completamente de pessoas, de vida, e antes havia muito esse hábito, o convívio, esse tipo de hábitos também foram desaparecendo, o hábito de ir ao café ao final do dia ou à noite, esse convívio essa troca de impressões, eu acho que isso foi desaparecendo.
Não digo morrendo, mas foi perdendo força aquilo que era a tradição do movimento associativo do concelho do Barreiro. Nós ainda temos muitas associações e colectividades, temos uma história rica a esse nível, mas os dirigentes associativos que hoje temos são os primeiros a dizer precisamente que têm vindo a perder, à excepção de duas ou três colectividades de dois ou três clubes com mais dinâmica e mais pujança, têm perdido muito da sua vida daquilo que era a tradição do antigamente. E não é só a nível de massa associativa, de iniciativas, de actividade, tem perdido muito ao nível da sua capacidade até de gerar novos dirigentes, de rejuvenescer também por aí e portanto isto tá muito ligado aquilo que eu falei anteriormente. Há excepções, estou a pensar no trabalho que se faz ainda hoje na S.F.A.L, Fabril, o Barreirense, mas tem-se perdido muito desta dinâmica em muitas colectividades que nós temos no concelho”.

Criar uma imagem do Barreiro do século XXI

Como vereador o que vê de diferente na politica de agora, desde há uns anos para cá ?
“Eu sou Vereador de um partido sem tempos mas de um partido de oposição e portanto é normal que tenha uma visão diferente daquela que tem sido a maioria ou as maiorias, porque o Partido Socialista também foi poder no concelho do Barreiro. Eu vejo que há neste momento uma tentativa, fruto dos tempos e de muita legislação que foi seguindo, de tornar a câmara do Barreiro mais sustentável do ponto de vista financeiro e acho que aí se tem feito algum esforço que tende a dar os seus frutos, mas não tem havido a capacidade (e esse é o principal) de gerar dinâmicas de atracção de emprego, de fazer com que o Barreiro seja uma cidade atractiva para o investidor porque só os investidores privados é que criam postos de trabalho, só esses é que criam depois outras dinâmicas e aí eu não vejo grandes alterações. Acho que o PCP , a CDU ainda estão muito presos, por ventura a questões ideológicas que não ajudam efectivamente ao desenvolvimento do concelho, portanto acho que aí nada mudou. Por outro lado , o trabalho que nós PSD , temos vindo a fazer na área do ambiente, eu acho que também tem sido positivo e tem ajudado, não e um só um trabalho fique só , digamos assim , na Mata Nacional da Machada , no Sapal da Coina, com a criação da reserva natural local , com a criação da agencia de energia, com o trabalho que se tem feito na educação e sensibilização ambiental, com escuteiros , com as escolas, com as ditas Forças vivas do concelho, com o programa eco-desafio com as colectividades, eu acho que é um trabalho que é importante a este nível da sustentabilidade ambiental, mas acima de tudo é muito importante, por exemplo a criação da reserva natural local, para ajudar a mudar a imagem do Barreiro para o exterior, porque hoje quando se fala um pouco por todo o pais do Barreiro, ainda é muito associado a uma imagem negativa, de uma cidade feia, de uma cidade ainda com os problemas que subsistiram e que felizmente alguns têm vindo a ser resolvidos, das fabricas. Portanto, neste momento, nós temos também contribuído com esta área do ambiente e com a valorização dos nossos espaços naturais, muito, para a mudança da imagem do Barreiro além fronteiras. Aposte-se mais nesta área, fruto do resultado de um corpo técnico mas também de vereadores, eleitos do PSD têm ajudado muito a mudar esta imagem do concelho do Barreiro e a criar uma imagem do Barreiro do século XXI porque é isso que nos temos de ter capacidade para fazer, se queremos ser competitivos numa logica de área metropolitana mas acima de tudo numa logica nacional, e esse é o contributo que nós também temos procurado dar numa logica positiva, construtiva, apesar de termos grandes diferenças ideológicas, e muitas vezes de questões concretas com a maioria, tentamos sempre ter e manter essas nossas diferenças mas construir algo, e com o nosso trabalho tentarmos mudar para melhor o que está ao nosso alcance portanto acho que somos uma oposição construtiva, que critica quando tem que criticar, mas constrói, trabalha dentro das áreas que lhes são atribuídas e, creio eu, nesta logica com o senhor presidente da câmara, acho que é uma tradição do PSD aceitar pelouros para trabalhar para o desenvolvimento do concelho do Barreiro”.

Ter uma estratégia para a cidade

Referiu que o Barreiro está-se a tornar numa cidade velha porque os jovens estão a sair daqui e gostaríamos de saber se existe algum projecto para potencializar a cidade do Barreiro no futuro? E se sim quais são?
“Não há uma única ideia que por milagre transforme naturalmente um concelho, seja este ou outro qualquer. Mas há naturalmente a necessidade de definirmos políticas que visem essa transformação sustentada e a prazo. E o que eu entendo é que essas políticas de momento não existem. Precisamos de ter um conceito do que e a nossa cidade, ter uma estratégia para a cidade. Dou dois exemplos, Mora é um pequeno concelho, no meio do Alentejo e com uma ideia do fluviário, consegue neste momento com o desenvolvimento da sua imagem também além fronteiras do seu próprio concelho e do seu próprio distrito, consegue levar a esse fluviário 200 000 pessoas por ano. Estou a falar de um concelho pequeno, mas que consegue ter esta dinâmica. Porquê ? Porque fez uma aposta. Nós temos aqui a nossa ligação ao rio, temos a nossa ligação ao que foi a Cuf, a Quimigal, temos a Baía do Tejo a investir na recuperação do seu património. Nós temos de ver a nossa história, a nossa memória preservando-a mas ao mesmo tempo potencializar para o futuro. Óbidos era uma vila medieval o seu centro, apostou no festival do chocolate, apostou em meia dúzia de acções concretas que pôs Óbidos no mapa, neste momento com meia dúzia de iniciativas turísticas eles conseguem captar milhares de pessoas que vão e visitam o seu concelho, quando estão de pé aquelas iniciativas e quando estão de pé outras iniciativas e aquelas iniciativas foram o rastilho para muito mais investimento que se seguiu do ponto de vista turístico naquela cidade e nós temos de fazer o mesmo. Nós temos a nossa ligação ao rio que potencia efectivamente esta questão que estou a dizer e devemos valorizar a nossa historia e a nossa ligação ao rio através de centros de pratica de desporto, centros náuticos, apostar na formação, trazer para cá centros de estágio que possam até em termos internacionais, ser aqui a nossa afirmação para essa nossa ligação ao rio, dinamização de outras actividades económicas em toda a frente ribeirinha, como podemos e devemos ter uma ligação mais profunda à Baía do Tejo e ser a câmara Municipal também a liderar, uma coisa que nunca teve capacidade de fazer até aqui, porque nós temos este território. Aquilo que é o processo da reindustrialização em Portugal ser esta zona da Baía do Tejo a ter aqui um papel central e hoje quando falamos de indústria em Portugal fala-se o que falávamos há 50 anos. Hoje há legislação que pode ajudar o Barreiro naturalmente a ter um papel importante a nível nacional e a ajudar atraindo novos investidores fixando novas empresas, a dar uma nova vida e uma nova dinâmica à cidade, porque se as pessoas virem para cá à procura de trabalho, vem para cá para comprar uma casa, para ficar, para criar os seus filhos, para dar nova dinâmica a escola que têm perdido alunos, para comprar no comércio local que tem perdido vitalidade e tem encerrado muitos estabelecimentos, para ir aos restaurantes e dinamizar a gastronomia local, enfim, dar uma nova dinâmica à cidade. Se o poder politico que está em maioria percebesse e apostasse, podiam ajudar a preparar o Barreiro para o futuro e não deixar e assistir calma e serenamente ao definhar completo do nosso concelho.”

Entrevista e fotografia de Bruno Pires e Gonçalo Sargaço 
Trabalho de Estágio

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

COMUNICAÇÃO SOCIAL

AUTARQUIAS

ESCOLAS

EMPRESAS

BLOGUES DO BARREIRO

ASSOCIAÇÔES E CLUBES

BLOGUES DA MOITA

SAPO LOCAL

PELO DISTRITO

CULTURA

POLITICA

TWITTER

FACEBOOK ROSTOS