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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

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Barreiro 30 anos Cidade - Marcelo Moniz, Vereador PS «Barreiro tem capacidade de desenvolvimento em quase todas as áreas»

“A Câmara não pode ficar parada à espera que venha uma ponte, um terminal de contentores, tem de ser agora e não tem sido então as pessoas têm ido para outros concelhos” – afirma Marcelo Moniz, vereador sem pelouro da Câmara Municipal do Barreiro, eleito pelo Partido Socialista.

 

 

 

A propósito dos 30 anos da Cidade do Barreiro vamos editar um conjunto de entrevistas, efectuadas por dois jovens que, durante 30 dias, fizeram um estágio no jornal «Rostos».
Começamos com a entrevista de Marcelo Moniz, vereador sem pelouro, da Câmara Municipal do Barreiro, eleito pelo Partido Socialista.

Como era o Barreiro há 30 Anos?

“É muito giro colocarem essa questão porque os 9 vereadores, com a excepção o Presidente, os restantes eram todos pessoas muito novas e portanto falarmos do Barreiro o que era há 30 anos é obrigarmo-nos a todos a recuar a uma idade mais nova que a vossa. Eu tinha acabado de entrar para a Escola Secundária de Santo André, aqui do Barreiro e o Barreiro era um concelho que era diferente do que é hoje, 30 anos pressupõem uma evolução em alguns aspectos positivos, outros negativos, mas existe uma evolução nítida da cidade que se pode ver em diversos níveis. O primeiro aspecto, que não é um aspecto tão positivo, é que o Barreiro hoje é uma cidade com menos habitantes, na altura o Barreiro tinha cerca de 80.000 habitantes portanto temos uma perca de 9.000 habitantes de população e é também uma população profundamente envelhecida, sendo no Distrito de Setúbal o concelho mais envelhecido. Por cada 100 jovens existem cerca de 150 idosos, o que na altura não era assim. Na altura 50 % da população Barreirense tinha até aos 29 Anos e hoje o que me deixa preocupado é ver que aqueles que foram os meus colegas durante o preparatório, o secundário, a maior parte deles já não estão cá. A minha geração, a geração mais nova foi uma geração que saiu do Barreiro porque o Barreiro não potenciou a atractividade que considerávamos essencial e nos podia garantir que aqui podíamos continuar a viver a nossa vida. Essa é uma preocupação manifesta nestes 30 anos de evolução do Barreiro, que é ver tantos jovens acabar por sair para outras terras, por melhores oportunidades de emprego ou porque a própria cidade tem uma qualidade de vida que é melhor. O Barreiro é o único concelho que perde habitantes, enquanto os outros cresceram o Barreiro decresceu. Existem vários factores, factores que têm a ver com a atractividade económica com a criação de emprego que é garantir que os filhos do Barreiro tenham emprego, que outros filhos de outras terras tenham oportunidades no Barreiro, constituir família, desenvolver a sua vida e essa perca de atractividade vem ao longo destes 30 anos.”

Perdemos o espirito colectivo

Que hábitos ou tradições foram deixadas para trás nesses 30 anos? E as que se mantiveram?
“Eu acho que aqui o Barreiro não tem grande diferença em relação a outras cidades, ou seja a evolução do país condiciona hábitos de vida que são hábitos necessariamente diferentes de à 30 anos atrás, nós hoje somos uma cidade mais individual, com tudo de mal que isso tem, inclusive para os agentes políticos. À 30 anos atrás e antes disso uma das prioridades e começou com o 25 de Abril, foi a prioridade da habitação, permitir a todos a habitação. Nós reparamos nestes últimos 30 anos que isso perdeu-se. Nós hoje temos uma população do Barreiro e muitas vezes os barreirenses não têm essa percepção que ainda vivem em barracas. É para mim uma prioridade a questão da habitação social. Outra questão tem a ver com a própria vida, nós estamos uma cidade mais individual, uma cidade que é mais fácil termos um conjunto de disponibilidades, e perdemos o espirito colectivo. Hoje as colectividades são menos frequentada, hoje a disponibilidade dos barreirenses e dos cidadãos em geral para participar na vida colectiva através dos movimentos associativos é menor”.

Grandes obras são realizadas pelo governo

Como vereador o que vê de diferente na politica de agora de há uns anos para cá?
“Acho que havia outro interesse e outra disponibilidade sobretudo na resolução dos problemas por parte da Autarquia. Nós vemos que grandes partes das obras que foram desenvolvidas no Barreiro foram desenvolvidas através do estado, com o apoio da comunidade europeia. Grandes obras são realizadas pelo governo, a via rápida do Barreiro, os barcos que antes demoravam 45 minutos a atravessar o Tejo e hoje demoramos 20 minutos porque temos barcos novos, temos um hospital, temos que ver que em 1984 o Barreiro não tinha um hospital central. O tribunal do barreiro era um espaço exímio. Nós não tínhamos ensino superior no Barreiro, hoje temos um politécnico. Aquilo que nós reparamos é que as grandes obras de desenvolvimento do Barreiro foram feitas pelo poder central e o poder local acabou por se afastar um pouco destes investimentos da cidade, portanto acho que a política tem vindo a regredir. Há uma grande falta de interessa dos investimentos que são necessários fazer e o Barreiro tem carências muito grandes. Passou-se a esperar que venha de Lisboa alguma migalha. Reparem, o Barreiro tem de pensar como pode ser atractivo e isso pressupõe políticas municipais. A Câmara não pode ficar parada à espera que venha uma ponte, um terminal de contentores, tem de ser agora e não tem sido então as pessoas têm ido para outros concelhos. Eu acho que nós como poder local estamos a deixar que as coisas aconteçam e passem a nossa frente, precisamos de ser mais interventivos e acho que se perdeu a intervenção na cidade.”

Nós temos que recuperar

Enquanto Cidade o que oferece o Barreiro no turismo, lazer e emprego?
“O Barreiro tem muitas oportunidades, é uma cidade perto de lisboa, à capital de um país. E isto num espaço global, europeu é fundamental. Nós temos como eu digo, a vista mais bonita para Lisboa. Nós temos de ir atrás das empresas. A mesma coisa se passa a nível de emprego. O Barreiro foi um dos grandes pólos de emprego neste país, foi o pólo industrial deste país. Nós temos que recuperar. É certo que temos de pensar que empresas queremos trazer para os Barreiro, empresas limpas, empresas que tragam valor acrescentado, que criem emprego mas emprego de qualidade. Como é que projectamos o Barreiro para daqui a 30 anos? Como é que nós queremos que o Barreiro esteja daqui a 30 anos? Eu acho que passa muito por essas vertentes, a vertente do emprego e a vertente de o Barreiro ser uma cidade atractiva, consiga fazer com que as pessoas venham ao Barreiro e gostem de morar no Barreiro”.

Temos um potencial enorme

Gostaríamos de saber se existe algum projecto para projectar o Barreiro no futuro e se sim quais? E em que sectores?
“Existem variadíssimos projectos. O Barreiro tem capacidade de desenvolvimento em quase todas as áreas. Há projectos que são projectos estruturais, como é o caso da 3ª Travessia do Tejo, que é um ponto âncora de projecto. Não podemos também olhar de uma logica de conseguir temos de olhar de uma logica regional e de uma logica nacional, de uma logica regional significa para um novo aeroporto para uma nova plataforma logística. Agora mais que isso temos que ter um projecto regulado em diversas áreas, seja nas áreas sociais, e necessário apostar e saber o que queremos fazer na Quimiparque. O que é que nos podemos potencializar na nossa cidade que possa ser atractiva para as empresas? Nos temos condições magníficas de acesso, acessos rodoviários, ferroviários, fluviais, temos um potencial enorme, agora o que falta é ter vontade e ter capacidade. Nós precisamos de pessoas com uma experiencia empresarial, profissional que permita perceber outras realidades e que permita ser esse o motor de arranque. O período municipal de maior investimento de Barreiro é um período que vai desde 2000 a 2006 que é um período forte de crescimento de algum investimento que aconteceu na cidade do Barreiro e de perspectivar o Barreiro numa logica distrital, nacional e europeia. Podemos potenciar o Barreiro com crescimento em termos de emprego, desenvolvimento empresarial e qualidade de vida. É este momento que tem a ver com a criação de polis-desportivos a requalificação da avenida Alfredo da Silva, com a construção da escola dos Fidalguinhos. São momentos de crescimento e de requalificação de uma cidade que é uma cidade pós-industrial que demonstra sinais de abandono, de desinteresse e que nós precisamos de fazer crescer numa logica integrada e de coesão. O Barreiro crescerá quando houver coesão social, sem isso não há esse crescimento, porque eu se amanhã colocar os meus filhos numa creche, tenho de ter condições para isso mas também tenho de ter condições para os meus pais. Quais são as respostas que o Barreiro tem para esses idosos? E o que nós vemos é os idosos aí nos bancos de jardim. Isto não é uma cidade coesa. Isto não é uma cidade para um jovem que tenha o seu emprego, que tenha a sua vida organizada, que dá para os seus pais, portanto o Barreiro não é atractivo. Projectos ? Há muitos. Potencialidades ? Há muitas. Temos e que funcionar integradamente”. 

Entrevista de Bruno Pires e Gonçalo Sargaço 
Trabalho de Estágio

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