Barreiro - Projéctor Teatro no «Auditório da Liberdade» Um «mergulho» por dentro de «memórias prisão»
O Grupo Projéctor Teatro, ontem à noite, no Auditório da Freguesia da Verderena, estreou a sua 26ª produção, a peça “O Solário”, de Fernando Augusto, com encenação de Abilio Apolinário.
O novo espectáculo do PROJÉCTOR vai estar em cena, hoje, sábado, dia 7 de Junho, pelas 21h30, e nos próximos dias 13 e 14 de Junho, integrado na Festa do Teatro da Cidade do Barreiro. Fica o registo e uma nota, este é um espectáculo a não perder.
Uma peça que é um desafio à memória, personagens que são colocadas perante o desafio de se (re)encontrarem, num jogo de «ser» e« não ser», que se transforma numa reflexão critica sobre o país que somos, o país que herdamos.
Os actores vestem as personagens, nos seus gestos e linguagem, nas situações de confronto, dando força a um texto que «arrepia» os nervos.
Uma encenação simples. Simbólica. Num espaço cénico laboratorial, que pela proximidade do público exige autenticidade. Todos os gestos e tiques são medidos pelo olhar do espectador.
Por tudo isto é mais exigente a interpretação, porque os actores não «podem» perder, nem por um instante a personagem que vestem.
Estão todos bem. O Luciano Barata, o João Catapirra, a Lilia Pinto e a Ana Oliveira, não se limitam a debitar o texto, sente-se que o plasmam nos seus gestos e vivências, proporcionando uma «viagem» pelo drama psicológico de cada personagem e na sua contextualização epocal.
A encenação limitou-se a marcar o espaço, a enquadrar o jogo «simbólico» de luzes entre a penumbra e o raiar da luz do sol.
A musicalidade é ritmada e contribui para fazer sentir a força das palavras e das situações.
Um peça que nos deixa a reflectir onde começa, ou onde acaba, o «drama psicanalítico» na sua relação com a «memória individual» e a «memória social», num caminho em busca da Liberdade.
Na sinopse da peça diz-se que a mesma recorda o filme «Voando sobre o ninho de cucos»…quase como deixando o desafio, para pensarmos, se todo este peso da memória que emerge no «solário», ainda, nos tempos de hoje, continua a ser um estigma, uma presença, uma situação…em aberto na nossa «consciência colectiva».
Um trabalho que merece ser visto e revisto. Não perca, vá ao «Auditório da Liberdade» e sinta…porque esta é uma peça para sentir!
António Sousa Pereira
O Solário
SINOPSE
No inicio dos anos 70 do século XX. Clinica de luxo na zona de Sintra. Um solário quase sempre nevoento, como é normal naquela região, mas onde se respira o ar puro do mar e da serra.
Para ali eram depositados os filhos ou familiares, gente de uma gama social superior. Uns com traumas de guerras, outros de doença de foro psíquico.
Quatro personagens cheios de tiques, birras, medos e preconceitos, uma denuncia angustiada de uma enorme hipocrisia social que os vitimou. Cada um tenta desvalorizar o motivo que os levou para aquele lugar. Com histórias, agressões, de família, de guerra que desabafam com mais ou menos violência como se a confissão fosse o tratamento adequado. Acaba sempre em violência.
E ali estava a enfermeira, no fundo também ela vitima dos mesmos males, mas que se impõe e tenta esconder a sua sensibilidade como se uma pedra de gelo se tratasse.
Esta peça recorda-me o filme “Voando Sobre Um Ninho de Cucos”.
O final é trágico, como trágico é o mundo de mentiras em que vivemos quase nunca reagindo contra os falsos valores impostos pela sociedade decadente.
Encenação – Abilio Apolinário
Assistente de Encenação – Romy Mendonça
Actores
Enfermeira – Ana Oliveira
Drº Diogo - João Catapirra
Drª Adriana – lilia Pinto
Drº Eduardo Vilar – Luciano Barata
Nota - O Auditório da Freguesia da Verderena, fica localizado na Avenida da Liberdade.
A plateia é limitada a 50 Pessoas.

