José Manuel Vargas nos 500 anos do foral de Alhos Vedros Alhos Vedros tinha Paços do Concelho desde o ano 1348
. “O Foral veio regulamentar o concelho”
No decorrer da conferência integrada no programa comemorativo dos 500 anos do Foral de Alhos Vedros, José Manuel Vargas divulgou diversas características do concelho de Alhos Vedros, desde a sua organização municipal, até aspectos da vida quotidiana.
Num “retrato” sobre “quem vivia em Alhos Vedros”, no ano de 1532, referiu que eram 65 viúvas; 9 mulheres solteiras ( que viviam por si) e 8 cleros.
O Ciclo Mensal de Conferências “A Memória do que Foi, o Registo do que É, o Projeto do que Será”, no âmbito do programa comemorativo dos 500 Anos do Foral Manuelino, prosseguiu no Moinho de Maré, em Alhos Vedros, com o tema “ O Velho Concelho do Ribatejo; O Concelho de Alhos Vedros”.
José Manuel Vargas abordou o tema :“Alhos Vedros e o seu Concelho, no Século XVI”.
Mapa mais antigo que se conhece
José Manuel Vargas, divulgou “o mapa mais antigo que se conhece” do território do concelho de Alhos Vedros, datado de 1561. Recordou o antigo concelho do Ribatejo, separado do concelho de Palmela, no século XVI, cuja área se estendia até Aldegalega, Lavradio e Barreiro.
Por sua vez, o concelho de Alhos Vedros, vai dar origem aos concelhos do Barreiro e Lavradio.
Concelho de Alhos Vedros 1420 habitantes
O historiador referiu que no ano de 1553, o concelho de Alhos Vedros, contava com 1420 habitantes, separados pelos seus diversos núcleos, entre os quais, Alhos Vedros registava, na vila, 147 habitantes.
No ano de 1532, nos diversos núcleos do concelho de Alhos Vedros registavam-se os seguintes habitantes: Alhos Vedros – 138; Barreiro – 131; Coina – 131; Palhais 83 e Lavradio – 57.
Setúbal 25 “mulheres solteiras”
José Manuel Vargas, num “retrato” sobre “quem vivia em Alhos Vedros”, no ano de 1532, referiu que eram 65 viúvas; 9 mulheres solteiras ( que viviam por si) e 8 cleros.
Acerca das “mulheres solteiras”, referenciou que no Barreiro eram 3, em Coina 5 e em Setúbal 25 – “porque tinha uma zona demarcada para o exercício” da mancebia.
Referiu, também, que no ano de 1534, em Alhos Vedros existiam 30 habitantes “donos de cavalo”, ou seja “tinham rendimentos para possuir cavalo”.
Salientou, nos seus registos, que em Palhais, no ano de 1533, estavam referenciados 84 escravos ( entre eles “brancos” e “escuros”).
Em Alhos Vedros existia “gente fidalga com escravos”.
Sublinhou também a existência entre a população de “rufias”, que eram os “proxenetas que viviam à custa das mulheres”.
“Privilégio” da Procissão de Nª Srª dos Anjos
O historiador, entre as personalidades que marcaram presença em Alhos Vedros, referiu D. Jorge, filho bastardo de D. João II, cuja mãe, D. Ana de Mendonça, vivia em Alhos Vedros.
Terá sido S. Jorge que deu a Alhos Vedros, no ano de 1513, o “privilégio” da Procissão de Nª Srª dos Anjos, que obrigava as populações das redondezas a deslocar-se a Alhos Vedros.
Nomes de referência na época, na vida de Lisboa, tinham propriedades em Alhos Vedros, como era o caso de Valentim Fernando – impressor e tipógrafo.
Organização Municipal
No quer diz respeito à organização administrativa, regista-se que Alhos Vedros tinha Paços do Concelho desde o ano 1348, local onde eram realizadas as audiências pelo “juiz”, que assumia, igualmente a função de “presidente da Câmara”.
“O Foral veio regulamentar o concelho” – sublinhou José Manuel Vargas.
Referiu que Alhos Vedros – “era um concelho na Ordem de Santiago interferia na administração municipal”.
Sublinhou que era a “Assembleia dos Homens bons” que escolhia os vereadores, os quais eram escolhidos por sorteio, com umas “bolas de cera” que se denominavam por “pelouros”.
Entre os vereadores era escolhido o Alcaide Mor e o “Escrivão” que era o cargo mais cobiçado.
Cada vereador exercia o cargo pelo período de um ano, sendo a vereação eleitas, anualmente, no dia de S. João.
Os Paços do Concelho ficavam localizados frente ao pelourinho, em torno do qual se localizavam a Cadeia, o Açougue ( para venda de carne) e o Alpendre onde eram realizadas as reuniões.
O historiador sublinhou que Alhos Vedros era uma “Comenda” importante.
Há registos do Conde de Alhos Vedros, no ano de 1485 – Diogo Figueira – altura em que ganhou mais autonomia em relação à Ordem de Santiago.
Vida quotidiana
José Manuel Vargas, ao referir a “vida quotidiana”, referiu diversos registos das “Cartas de Perdão”, através das quais o Rei perdoava porque recebe as multas.
Recordou diversos episódios desde um carpinteiro que “feriu um rapaz”, a Lopo Rodrigues “preso por roubar colmeias”, ou António Neto, barqueiro, que viu “penhoradas” as velas do seu barco. Ou Leonor Bastos, do Lavradio, castigada por ser “alcoviteira”, ou ainda; Sebastião Pires, que fugiu da prisão, onde estava detido por ter “arrogado pragas em público”.
José Manuel Vargas
Alhos Vedros e o seu Concelho, no Séc. XVI
SINOPSE
Um retrato de Alhos Vedros ao tempo do foral, evidenciando a sua importância no contexto do antigo concelho de Ribatejo.
O território (a vila e o termo), as gentes (demografia, grupos sociais, individualidades), a organização administrativa (vereação, ofícios concelhios, jurisdição local), a comenda de Alhos Vedros da Ordem de Santiago, aspetos da vida quotidiana.

