Vera Silva, escritora, pediatra do Barreiro Nas crianças os discursos sobre o tema da morte surgem de forma genuína
“Escrever é um vicio, é uma coisa boa e sinto que gosto de escrever. É um escape do dia-a-dia, vamos dando atenção aos pequenos pormenores e ao escrever estamos a torná-los evidentes ” – refere Vera Silva, escritora, pediatra, natural do Barreiro, que recentemente lançou o seu livro para crianças «O Menino Anjo», onde faz uma abordagem da temática da morte.
“Vivo o mundo das crianças, as suas realidades, o genuíno que elas nos transmitem” – sublinha.
Vera Silva, Pediatra, nasceu no Barreiro, frequentou o ensino básico no Lavradio, foi aluna na Escola Álvaro Velho, na Escola Secundária Alfredo da Silva e Escola Secundária de Santo André. Concluiu o Curso de Medicina e especializou-se em Pediatria.
Crianças renovam sempre a nossa vontade
“A minha opção por Pediatria, fundamenta-se no facto de eu adorar miúdos e gostar de viver com as crianças desde os seus primeiro momentos. Adoro os miúdos” – refere numa conversa com o jornal «Rostos».
“As crianças renovam sempre a nossa vontade de estar e viver os nossos dias” – salienta, acrescentando a admiração que sente pela “naturalidade” que existe na vida das crianças.
Opção pelo «Espaço Médico Pediátrico»
Vera Silva, exerceu a sua actividade profissional no Hospital do Barreiro, até ao dia que, há três anos atrás, decidiu abrir o «Espaço Médico Pediátrico do Barreiro», ali, frente aos Moinhos de Alburrica, na Rua Miguel Pais, muito perto do centro da cidade.
Um espaço moderno, onde se respira luz e cor, ali, Vera Silva, assume a Direcção Clinica e a área pediátrica.
Um centro que está aberto diariamente, das 11 às 20 horas, prestando serviços clínicos ao nível da pediatria, obstetrícia, ginecologia, enfermagem e atendimentos de urgência.
Nunca tive pretensão de escrever
Foi no seu consultório, no «Espaço Médico Pediátrico» que Vera Silva nos recebeu, não para falarmos sobre a sua actividade profissional, mas sobre a sua dedicação à escrita.
“Nunca tive pretensão de escrever” – começa por salientar.
“Um dia a contar uma história aos meus filhos, um hábito que tenho. Eles escolhem o tema e eu invento as histórias.
Houve um dia que lhes contei uma história sobre a morte. Foi assim que nasceu o meu primeiro livro «O Menino Anjo». É um livro onde explico a morte às crianças Um tema profundo e tocante nas nossas vidas.
Que, digo-lhe, não tinha a noção de quanto tocante este livro ia ser” – sublinha Vera Silva.
Uma abordagem do tema com dimensão filosófica
Apresentou o seu livro em escolas, e, recorda, nas conversas com os alunos estas – “proporcionam discursos sobre o tema da morte que surgem de forma genuína, própria das crianças, porque os adultos sobre a temática da morte têm ideias formatadas”.
“Sabe, os miúdos fazem uma abordagem do tema com dimensão filosófica, com valores e crenças nas quais acreditam.
Nas escolas, não vou só contar os contos, as conversas acabam por se transformar em ‘workshop´s’ de desenvolvimento pessoal” – sublinha Vera Silva.
“As crianças dão luta na discussão” – refere, com um sorriso de quem está a recordar momentos vividos com emoção.
Tens que explicar mais coisas
Recorda que, em conversas sucessivas a propósito da apresentação do livro, surgiram muitas perguntas e o seu amigo, o actor António Cordeiro, disse-lhe:“ Vera, tens que explicar mais coisas”.
E, dito e feito, Vera Silva, lançou um segundo livro – “O menino Anjo no regresso a casa”.
“Este é um livro baseado na vida, em temas do dia-a-dia. Uma história simples. A vida é uma estrada com Km que vamos percorrendo. Os Km são os anos. Nós somos o carro. Um dia o carro avaria, ou há um acidente. Então há a separação da alma do corpo.
Depois, além, passamos uma porta onde iremos encontrar outras pessoas que estão à nossa espera” – refere Vera Silva.
As suas histórias proporcionam, afinal, uma reflexão sobre a morte, sobre a vida, sobre a importância de superarmos as barreiras, as saudades..e seguirmos em frente .
Escrever é um vicio
“Escrever é um vicio, é uma coisa boa e sinto que gosto de escrever. É um escape do dia-a-dia, vamos dando atenção aos pequenos pormenores e ao escrever estamos a torná-los evidentes ” – refere em final de conversa.
“Vivo o mundo das crianças, as suas realidades, o genuíno que elas nos transmitem” – sublinha.
“O ego mente ao espírito” a próxima obra
Em Julho, anuncia, vai estar no prelo mais um novo livro, com o título – “O ego mente ao espírito”, esta uma obra que vai ser direccionada para o público juvenil.
O lançamento será efectuado em Sines, numa acção em cooperação com a Associação de Nadadores- Salvadores, que vai assinalar o seu 10º aniversário, mais uma obra que conta com o contributo e como ela diz “a cumplicidade” de Tânia Lopes, que tem ilustrado os seus livros.
Foi uma conversa viva que mantivemos com Vera Silva, falámos das suas obras, do percurso de construção da escrita, do trabalho e dedicação e o prazer de partilhar e afirmar o que se escreve – “uma coisa que era só nossa e depois pertence a todos”.

