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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Quotidianos do Barreiro Um (re)encontro com «O retrato de Dorian Gray» Obrigado aos alunos de Casquilhos!

Ah, é verdade, nunca esqueçam, uma vida só «hedonista» e de «marketing» acaba por ficar… reduzida aos aneis!
Eu prefiro que se vão os aneis, e fiquem os dedos – ética, estética e ontologia!

Por várias vezes, comecei a leitura da obra «O retrato de Dorian Gray», de Oscar Wilde. Não sei porquê, mas a verdade é que nunca terminava a leitura. Durante anos, quando pegava no livro, recomeçava a leitura.
Um destes dias voltei a pegar no livro e disse para mim mesmo: «Desta vez é para ler até ao fim».
Assim aconteceu. Terminei a leitura ontem.
Mas escrevo estas notas, porque, na verdade, há coisas mesmo curiosas.
Na verdade, tanto tempo adiando a leitura de «O retrato de Dorian Gray» e, hoje, pela manhã, fui assistir à 8ª edição do Encontro dos Jovens Filósofos do Barreiro. Sento-me e, para meu espanto, a primeira intervenção dos alunos – Lara, Susana, Patricia, Beatriz e Joana - o tema era «O retrato de Dorian Gray».
Já tinha começado a minha reflexão sobre esta obra, porque considero que este é um livro, cuja leitura não acaba quando se chega à última página, aí começa o nosso reencontro com os muitos pensamentos “espalhados” na obra
E, assim, os alunos da Escola Secundária de Casquilhos, vieram dar-me um contributo interessante para continuar e aprofundar esta minha reflexão. 

Eles sublinharam, o conteúdo de «O retrato de Dorian Gray», na sua vertente literária, a sua importância como retrato de uma época, da “vida em decadência”, da busca de valores, da importância do belo – “uma obra de inspiração para a busca da perfeição” – disseram.
A obra é apresentada com rigor e pormenorizada. O jovem belo. A pintura. O seu carácter e o seu percurso ao tornar-se uma pessoa detestável, que no final, apenas é reconhecido pelos “seus aneis”.
Referiram a importância de encontrar a «dimensão estética» na obra de Oscar Wilde – o sentido da obra de arte e a criação da obra de arte e deram ênfase ao facto de a «beleza» ser apresentada como uma prioridade.

Sublinharam a importância da sua «dimensão ética», no estudo de condutas humanas, no tempo e no espaço, na critica a hábitos e costumes – o cinismo marcante de uma sociedade em decadência, que valoriza “o prazer como único valor”, um hedonismo que caracteriza “uma época marcada pela hipocrisia”. 

Escuto os jovens e as imagens e situações da obra de Oscar Wilde ocorrem-me no pensamento.
Sinto-me feliz. Gostei. Até, comentei, com eles, este acaso da vida.
Dou comigo a reflectir sobre a dimensão estética e sobre a dimensão ética da obra – o bom e o belo.
E, acrescento um aspecto que registei, para mim, como essencial no final da sua leitura a «dimensão ontológica». 

Aliás, foi este passo, a «dimensão ontológica» que me levou à leitura que ocupa agora os meus dias.
Na verdade, na sequência da reflexão sobre esta obra, de Oscar Wilde, senti a necessidade de ler, outro livro, que também, de há muito tem a leitura adiada e, igualmente, começada e interrompida, voltando, diversas vezes, de novo ao principio, refiro-me a «Fausto», de Goethe. Estou a ler com entusiasmo. Aconselho, alguns, que leiam porque como, ali, Goethe escreve: “No principio era o pensamento”, é este que gera “o principio da Força”, que dá rumo ao “principio da acção”. 

Dou comigo a escrever estas notas do meu Quotidiano, e mergulhando em acontecimentos dos tempos de hoje… e fico a meditar no bom (ética), no belo (estética) e na Liberdade (ontologia).
Sinto-me bem comigo próprio e até acho que estes acasos dos dias, ajudam-nos a perceber este tempo que vivemos, de “marketing” – mais parecer do que ser!
É que “acção” sem “pensamento” não tem “força”, nem “sentido”…é um mero «retrato» de Dorian Gray!

Obrigado aos alunos de Casquilhos!
Vivam felizes! Eu durmo bem, mas hoje, até vou dormir melhor com o vosso contributo para o meu enriquecimento humano…
Ah, é verdade, nunca esqueçam, uma vida só «hedonista» e de «marketing» acaba por ficar… reduzida aos aneis!
Eu prefiro que se vão os aneis, e fiquem os dedos – ética, estética e ontologia!

António Sousa Pereira

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