Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Viriato Soromenho Marques «Portugal na Crise Europeia» «O problema central da intervenção da troika não foi resolvido»

“A crise europeia não é uma crise económica e financeira, mas sim uma crise politica económica e financeira. É uma crise de natureza politica” – sublinhou Viriato Soromenho Marques, hoje, no decorrer da conferência "Portugal na Crise Europeia, na Escola Secundária de Santo André, no Barreiro .

O programa da troika – “teve um crise social muita grande” que afectou todas as famílias, com empobrecimento, com desemprego, com salários baixos, com emigração” - sublinhou.

No auditório da Escola Secundária de Santo André, no Barreiro, hoje pela manhã, realizou-se a conferência "Portugal na Crise Europeia", que contou com a participação de Viriato Soromenho Marques, Professor Catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa.

História entra pela nossa vida dentro

António José Ferreira, do Clube de Filosofia da ESSA, sublinhou que esta iniciativa estava inserida no programa de comemorações dos 40 anos do 25 de Abril – “um dos dias mais bonitos que vivi”, porque foi “um dia singular”, que pouco têm a oportunidade de viver aqueles dias que sentimos – “a história entrar pela nossa vida dentro e sentirmos isso”.
Referiu que estamos a comemorar os 40 anos do 25 de Abril – “numa altura em que os interpretes estão por baixo”, mas, é assim, disse – “a história é como os interruptores umas vezes estão para cima, outras para baixo, agora estão para baixo”.

Uma crise do conhecimento

Viriato Soromenho Marques, na sua intervenção começou por salientar a “utilidade da escola como instrumento de navegação da vida”.
E, definiu a crise europeia como – “uma crise do conhecimento”, onde existe uma “ignorância arrogante que não tem consciência de si”.
Referiu que a necessidade de “percebermos onde estamos, onde Portugal está e onde a Europa está”.
“Estamos melhor? Como chegámos aqui?” – interrogou, salientando que estamos num “labirinto que pode provocar a maior tragédia europeia depois de 1934- 1945”.

Situação que nos encontramos está longe de ser positivo

Sobre a “trajectória da divida pública”, Viriato Soromenho Marques, salientou que – “o balanço da situação que nos encontramos é que está longe de ser positivo”.
“Temos que tomar cuidado” – referiu, com isso de se “classificar” a saída da troika como uma “grandeza histórica”.
“Este programa resolveu problemas da divida pública?” – interrogou e como resposta sublinhou que em 2001 a divida pública de Portugal situava-se nos 51%, no ano de 2010 estava em 94% e em 2014 situa-se nos 130%.
“O problema central da intervenção da troika não foi resolvido” – sublinhou.

Formas diferentes de pagar a divida

Viriato Soromenho Marques, referiu que foi um dos subscritores do «Manifesto dos 70», cuja perspectiva – “não é não pagarmos a divida é ver formas diferentes de pagar a divida”.
“Sem haver mudança de metodologia é difícil Portugal desenvolver-se e ao mesmo tempo pagar a divida pública” – sublinhou.
Recordou que o problema da divida pública “não é um problema português”.

Atingiu-se um desemprego histórico

“Pode a politica da «pancada» salvar o país” – interrogou. 
Recordou que o programa da troika – “teve um crise social muita grande” que afectou todas as famílias, com empobrecimento, com desemprego, com salários baixos, com emigração.
“Estes dados merecem ponderação, os indicadores de mal estar social e de pobreza” – referiu.
Sublinhou que em 2010 , em Portugal 2.3 milhões de famílias tinham um rendimento anual de 10 mil euros, e no ano 2013, com esse rendimento eram 3 milhões de famílias.
Registou-se um aumento de emigração – “mais de 300 mil, mais que no ano de 1966” e agora a emigração são “pessoas qualificadas que o país vai precisar delas”.
“Atingiu-se um desemprego histórico” – disse.

Não se pode responder com respostas simples

“Como chegamos aqui?” – perguntou e respondeu que tal é devido ao – “defeito no modelo de funcionamento do mundo actual”, cujo processo teve inicio nos Estados Unidos da América, com falência de bancos e a crise da “bolha do crédito imobiliário”.
“Não se pode responder com respostas simples, nem ideológicas, nem apontar culpado, esta é uma situação complexa”- sublinhou.
Referiu que – “desde 1970 que construímos um monstro financeiro acima da lei”, com “concentração de riqueza”.
“Se não mudarmos as regras do jogo da economia de mercado, não há crescimento” – disse.
“A culpa da crise é dos credores e dos devedores”- salientou.

Sector privado tem uma divida superior ao Estado

Viriato Soromenho Marques, recordou que – “a União Económica Monetária é co-responsável pelo clima de falta de solidariedade e ansiedade politica”.
“Em Portugal o problema que nós temos é a divida externa, ao nível dos privados e nas famílias. Em Portugal o sector privado tem uma divida superior ao Estado” – disse.

Crise europeia não é uma crise económica

Na sua opinião existem em todo o processo “quatro erros conceptuais”, nomeadamente “a subestimação dos impactos da austeridade”; “o risco do ‘financeirimo’ » e sua influência na segurança mundial; “a ausência de respostas à crise ambiental e climática” e um “novo sistema internacional a desenhar-se sem o contributo europeu”.
“A União Económica e Monetária sofre um defeito genético” - disse , que está na ausência de “emissão de moeda”.
“A crise europeia não é uma crise económica e financeira, mas sim uma crise politica económica e financeira. É uma crise de natureza politica” – sublinhou.

Uma quimera monstruosa

Viriato Soromenho Marques, afirmou que – “não defendo a saída do euro”, porque tal saída dava origem a uma “crise profunda”.
A saída do euro é – “uma quimera monstruosa”.
“Os políticos desistiram de regular os mercados” – salientou.
Neste contexto defendeu que ~Portugal – “não deve sair da União Económica e Monetária”, deve é defender politicas que contribuam para fazer – “uma União Económica e Politica”.
“Temos que retirar da União Económica e Monetária os seus aspectos ideológicos” – referiu.

Uma verdadeira união bancária

Viriato Soromenho Maques, sublinhou que o Tratado de Lisboa – “tem uma visão negativa em relação aos Estados”, tem “uma crença ideológica na bondade racional dos mercados” e acredita que “os etados estão sempre a cometer dividas”.
O “fundamentalismo” monetário e orçamental conduz ao “suicídio”.
Neste contexto apontou a necessidade de a Europa ter uma “opção federal, mas “não há consenso”, “nem temos actores”.
Referiu a necessidade de existir “uma verdadeira união bancária” e um “orçamento federal europeu”.

VER FOTOS

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10152047364362681.1073742004.374205877680&type=3

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

COMUNICAÇÃO SOCIAL

AUTARQUIAS

ESCOLAS

EMPRESAS

BLOGUES DO BARREIRO

ASSOCIAÇÔES E CLUBES

BLOGUES DA MOITA

SAPO LOCAL

PELO DISTRITO

CULTURA

POLITICA

TWITTER

FACEBOOK ROSTOS