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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

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Nuno Banza, Rosto do Ano 2012 «Na economia verde e na sociedade do conhecimento o Barreiro tem excelentes condições para se posicionar»

Nuno Banza, Rosto do Ano 2012<br>«Na economia verde e na sociedade do conhecimento o Barreiro tem excelentes condições para se posicionar»«REVISTA ROSTOS ON LINE»

. Iniciar a discussão do que será o período pós-Autoeuropa

“O Barreiro não foi capaz de encontrar soluções que permitissem travar o envelhecimento do tecido urbano nem conseguiu valorizar o património que o tempo ainda permitiu que chegasse aos nossos dias” – refere Nuno Banza, Rosto do Ano 2012, em entrevista ao jornal «Rostos».

Nuno Banza, foi distinguido como «Rosto do Ano 2012, aqui registamos a sua opinião sobre o significado deste reconhecimento da imprensa regional, assim como o seu olhar sobre o concelho do Barreiro e a região de Setúbal.

Distinção tem para mim um valor muito especial

Que significado atribui ao receber a distinção «Rosto do Ano 2012»?

“É para mim uma honra e um prazer muito grande receber este prémio, em primeiro lugar porque o recebo das mãos de um amigo, que me trouxe para o mundo do movimento associativo, onde aprendi a importância do trabalho voluntário e desinteressado e de onde não voltei a sair, e depois porque o recebo no Lavradio, a terra onde nasci e cresci e com a qual mantenho uma ligação umbilical, onde ainda hoje vivem os meus pais, a minha família de sangue e a família alargada que fui constituindo ao longo dos anos. No Lavradio aprendi as historias do Candinho das bicicletas, do Chico da parteira, do ti Lilaia e das hortas nas marinhas, do Domingos decilitro, do cheiro do amoníaco que desentupia os narizes mais ranhosos e dos bailes de carnaval da SFAL. Não terá seguramente esse cheiro, sido estranho à minha paixão pelo ambiente, o fascínio pelas fábricas e o misto de revolta e inconformismo pela beleza proibida e escondida das praias de areia branca, salpicadas de pequenas esferas de nafta pretas que teimavam em se agarrar aos pés e à roupa e não raras vezes valiam umas palmadas maternas. Na verdade, desde o programa de radio na extinta Radio Margem Sul aos sábados à hora de almoço, onde nos intervalos das escolhas musicais, em jeito de desgarrada e a meias com a Lília, fazíamos a leitura dos textos que durante a semana recolhíamos sobre a eucaliptização do país, às tardes de sábado passadas a entrelaçar ramos secos em estruturas metálicas que serviriam de ninho para colocar no cimo dos depósitos de água, a propósito da campanha "Um lar para a cegonha branca", foram muitas e ricas as experiências que me mantiveram a elevada motivação que viria a ditar a escolha do caminho para a minha vida profissional. Receber por isso esta distinção tem para mim um valor muito especial.”

Louvar quem ousa fazer diferente

Como avalia a importância da distinção Rosto do Ano na vida da comunidade?

“Numa sociedade que se dedica à crítica pela crítica, muitas vezes de forma injusta, superficial e pouco séria, é de louvar quem ousa fazer diferente e decide evidenciar aqueles que de alguma forma, com maior ou menor mérito individual ou colectivo, trabalhar em prol de objectivos comuns. É nesse contexto que vejo o prémio do Rostos e é por essa razão que me sinto ainda mais honrado com a distinção. Avaliar o que se faz, destacar os exemplos e trazer à discussão o papel das pessoas e das instituições é um contributo determinante para a criação de uma comunidade saudável e construtiva. É disso que nós precisamos para enfrentar os desafios que se nos colocam no futuro. Porque só juntos o vamos conseguir.”


Barreiro não foi capaz de encontrar soluções

Como olha o cidadão «Rosto do Ano» para a cidade do Barreiro?

“Confesso que olho com muita preocupação e alguma tristeza, sem no entanto perder a esperança. Preocupo-me em primeiro lugar porque a minha cidade está envelhecida, mal tratada e com muitas necessidades que não são atendidas. A diferentes níveis, e com escalas mais ou menos próximas das pessoas, o Barreiro não foi capaz de encontrar soluções que permitissem travar o envelhecimento do tecido urbano nem conseguiu valorizar o património que o tempo ainda permitiu que chegasse aos nossos dias. A aposta num modelo de crescimento desenraizado e vazio de conteúdo, espalhando prédios de 8 pisos em freguesias eminentemente rurais como Palhais, densificando territórios de forma desequilibrada como a Quinta dos Fidalguinhos e apostando em áreas comerciais de grandes dimensões onde o pequeno comércio tinha uma estrutura enraizada e de proximidade às pessoas, como no caso do centro do Barreiro, fez com que chegássemos hoje a uma cidade cheia de problemas e que tarda em apostar a sério e sem reservas ideológicas em novas soluções. Os resultados, que alguns apontam serem consequência da crise económica, são por todas estas razões, ampliados no Barreiro. Não conseguimos ter um ambiente propício ao investimento, desde a pequena escala do investidor individual que apenas quer gerar o seu posto de trabalho e não tem um ninho de empresas para o fazer, aos investidores de maior dimensão que não têm o acolhimento de uma verdadeira associação empresarial e/ou comercial, perdendo o Barreiro por isso competitividade e capacidade de atração de novos negócios. Precisamos de transformar as nossas ameaças em oportunidades e não cair na tentação de colocar os patrões no papel de vilões. Precisamos de atrair investidores com visão para permitir a inversão da espiral negativa de perda de postos de trabalho a que temos assistido ao longo dos anos, investindo sem medo e num ambiente propício, dando trabalho e condições para gerar uma maior dinâmica económica que trará maior prosperidade às famílias e à economia local. A criação da Reserva Natural Local tem de ser vista como uma aposta numa vertente de negócio de futuro, baseada na economia verde e na sociedade do conhecimento, na qual o Barreiro tem excelentes condições para se posicionar. Tenho por isso esperança no futuro do Barreiro.”


A região precisa de uma liderança empenhada

E para a região de Setúbal?

“Confesso que sinto acima de tudo que a região precisa de uma liderança empenhada em unir as vontades e valorizar as potencialidades, naturalmente e como não podia deixar de ser, em especial na área onde detém maior património – a área do ambiente. Falta a Setúbal essa liderança. Um distrito com este potencial, sendo o 3º maior em população e com tantas áreas diversas de valor, precisa de uma liderança forte e inteligente que faça a ligação entre estes pontos e ponha efectivamente a funcionar as sinergias que se podem estabelecer, porque elas serão muito úteis em especial, para as pessoas que aqui vivem, mas também para o seu futuro. Precisamos de estruturas associativas isentas e comprometidas com as suas agendas específicas, quer seja na área empresarial como um todo, quer nas áreas sectoriais onde a região já lidera e onde o protagonismo é conseguido por alguns operadores, mas que poderia ser muito mais eficiente se o fosse pelo sector de forma integrada.

Ao mesmo tempo, e enquanto temos tempo, é urgente iniciar a discussão do que será o período pós-Autoeuropa e do que queremos que seja o futuro do cluster automóvel existente. Basta olhar para a realidade da industria automóvel a nível mundial, para perceber que o sector está em forte mudança, tendo essa mudança várias características que indiciam um futuro pouco promissor para Portugal como um competidor pela manutenção de uma unidade com as características atuais. Por outro lado, abrem-se novas oportunidades com a integração de novas tecnologias ainda não dominadas mundialmente e que podem muito bem ser a revolução da industria automóvel em termos de consumos de energia. Não pode ser ignorada pela região a ligação que se pode estabelecer por exemplo entre a existência de uma unidade como a FISIPE, que lidera a investigação e a produção mundial de fibra de carbono, ao mesmo tempo que a investigação automóvel internacional se centra precisamente na utilização da Fibra de Carbono como forma de reduzir o peso, e por essa via, os consumos de combustível dos novos modelos. A região pode ser o próximo polo de desenvolvimento tecnológico do automóvel nesta área. Assim haja quem consiga perceber esta oportunidade.”

Um estímulo para continuar

Qual a mensagem que deixa aqui para os distinguidos e para a comunidade?

“Acima de tudo, gostava de agradecer a todos os que foram agraciados por todo o trabalho que fizeram e pelo compromisso que todos os dias assumem para que seja possível, nas diferentes áreas, atingir objectivos que, sendo individuais ou colectivos, nos enchem de orgulho. Este é sem duvida um estímulo para continuar e em especial por isso, a organização está de parabéns e a quem gostava de deixar o meu profundo agradecimento”.

S.P.

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