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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

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«Nada de Dois»pela Associação Projéctor - Barreiro O teatro nas suas relações com a psicologia e com a antropologia cultural

«Nada de Dois»pela Associação Projéctor - Barreiro<br>O teatro nas suas relações com a psicologia e com a antropologia cultural. Em cena às sextas e sábados, pelas 21,30 horas, até 29 Junho

A Associação Projéctor - Companhia de Teatro do Barreiro estreou, ontem à noite, na SIRB "Os Penicheiros", a sua 24ª produção teatral "Nada de Dois", de Pedro Mexia, com encenação de Luciano Barata.
A peça "Nada de Dois" contou com uma bela interpretação de dois jovens actores João Santos e Margarida Aranha.

“O teatro é uma permanente paixão”. É o que sentimos quando vemos esta peça «Nada de Dois», ou seja, o teatro vivido como paixão…pela vida e pelo amor!

A peça «Nada de Dois» que ontem foi levada a cena pela Associação Projéctor - Companhia de Teatro do Barreiro, com encenação de Luciano Barata, tem todos os ingredientes para proporcionar uma noite agradável, quer do ponto de vista do divertimento, quer do ponto de vista de deixar em aberto temas e propostas de reflexão sobre a vida e factos quotidianos que fazem uma relação a dois no contexto social.
Uma encenação que permite recordar as palavras de Jerzy Grotowski – “Nesta luta pela verdade de nós próprios, neste esforço de arrancar a máscara quotidiana, o teatro, com a sua percepção carnal, sempre me pareceu uma espécie de provocação. É capaz de se desafiar a si próprio, como ao público, violando estereótipos da visão, do sentimento, do raciocinio – desafio tanto maior quanto é encarnado pela respiração, pelo corpo e por outros impulsos interiores do organismo humano. Este desafio do tabu, a sua transgressão, provoca o choque que arranca as máscaras e dá-nos a possibilidade de nuamente nos entregarmos a algo impossível de definir, mas que se compreende Eros e Caritas”.

Estas palavras, que citei, exprimem de forma muito clara, a tensão que se sente e vive, com a peça «Nada de Dois», com uma boa encenação, um jogo bem articulado de técnicas de luz e som, com uma boa interpretação.

Margarida Aranha, no papel de Joana, pelo que foi referido, fez a sua estreia em palco, e, desde já inscreveu o seu nome na vida teatral do Barreiro, com uma boa interpretação, perfeita dicção, domínio da personagem e vivência plena das emoções.
O seu rosto é expressivo. A sua presença em palco tem energia. Uma actriz que veio para ficar e dá valor acrescentado ao Projéctor.

João Santos, no papel de Vasco, que já conhecemos de outras interpretações, contra-cena com brilhantismo, e dá força ao seu personagem, tem qualidade e é expressivo, mas, fica uma nota, tem que sentir mais a personagem e dar-lhe a energia que possui, colocando a sua voz na personagem e saindo um pouco de si próprio, porque mantém o timbre e ritmo vocal nos diferentes contextos. A voz tem que transmitir a emoção e ser projecção dos sentimentos.

Os dois vivem de forma intensa os momentos de revolta, de libertação, de paixão. Transmitem de forma espantosa a energia do corpo e das palavras. Ali, o teatro é ritmo, movimento e texto interpretado
Ambos demonstraram como o teatro tem uma energia muito própria, através da qual conseguem envolver os espectadores nas vivências dos comportamentos humanos, com gargalhadas e comentários.

A peça «Nada de Dois» permite viajar por dentro do mundo de uma relação a dois, na multiplicidade de conflitos, abrindo espaço à reflexão, deixando ao espectador a leitura das emoções e interpretações, num caminho que pode ser percorrido a partir de qualquer visão ideológica – politica ou religiosa – sem clichés pré-definidos, mas com intencionalidades, com significações, porque, em palco, está presente a realidade humana, dois corpos que se digladiam, no confronto de ideias, na sensualidade das emoções, fazendo nascer na sucesão de cenas o amor, a tragédia, o cómico, que, ali, estão sempre à flor da pele.

Uma peça onde o texto tem uma força central e que os dois actores dão-lhe uma riqueza activa, recriando o texto nos gestos e nos pretextos.
A sonoplastia está perfeita e enquadra o movimento da peça, as imagens de vídeo, dão continuidade ao espectáculo, evitando tempos mortos e prendendo o espectador no olhar sobre um jogo de imagens que dão força aos rostos e criam um ambiente muito próprio, criativo, rasgando as fronteiras entre o cinema e o teatro, como se existissem dois mundos o real – o palco – e o imaginário - no vídeo. Um contraste de preto e branco, cor e vida, criado num clima que simboliza a vida em tudo o que ela tem de diferenciador e homogéneo.

Luciano Barata está de parabéns. Soltou-se. Proporciona um espectáculo, onde, objectivamente, como escreve Grotowski, o teatro é um lugar que estabelece a ponte entre as relações artísticas, com a psicologia e com a antropologia cultural.
E, afinal, nesta sua encenação Luciano Barata dá sentido real à sua frase preferida: “O teatro é uma permanente paixão”.
É, na verdade, o que sentimos quando vemos esta peça «Nada de Dois», ou seja, o teatro vivido como paixão…pela vida e pelo amor!

António Sousa Pereira

 

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