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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

A politica local está reduzida à banalidade.

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Não assistimos a um debate de ideias sobre o Barreiro, sobre opções para a cidade, ou para o concelho. Vivemos quatro anos de vazio de debate a politica viveu assente na municipalização.
 

Hoje, pela manhã, um amigo que tem opções partidárias determinadas e convictas, um social democrata, com quem pontualmente mantenho diálogo, sobre os mais diversos temas, quer da vida local, nacional ou internacional, numa breve troca de palavras, expressava o seu lamento sobre as vivências que marcam nos dias de hoje a vida politica local, no Barreiro, dizia-me: «a politica local está na pocilga».
Ele, sublinhava a importância do debate de ideias sobre o território, referia que as eleições autárquicas deviam ser uma oportunidade para abordar temas que contribuíssem para o desenvolvimento económico do concelho, e, conformado, afirmava – “ninguém vai discutir ideias”.

E, pela tarde, enquanto tomava o meu café, a olhar o Tejo, por ali, também troquei umas palavras com uma amiga que, de forma entusiástica, defendia que a proximidade das eleições autárquicas devia ser uma motivação para debater projectos, debater ideias.
Referia a minha amiga - “Eu não tenho partido, nem quero nada com partidos” – mas, acrescentava que os partidos deviam ser os primeiros a lançar o debate de ideias, porque, salientava – “é pelas ideias que envolvemos as pessoas”.
Sublinhava a necessidade de discussão de projectos para a cidade, acrescentando que – “as ideias são essenciais, para gerar conteúdos, para definir projectos”.
E, desta vez, era eu, calmamente a dizer-lhe, que, pelo caminho que isto leva, não estou a ver que a campanha eleitoral vá contribuir para o debate de ideias, ou para a abordagem de projectos com visão de futuro.

“Gostava de debater ideias sobre o futuro da minha terra”, afirmava a minha amiga.

Duas pessoas que não são da minha geração, duas pessoas com formação superior, duas pessoas que já os vi participar, e, a agir no fazer cidade e cidadania. Estavam tristes. Ambos, não desistindo da importância do debate de ideias, lamentavam a ausência de discussão de politicas locais, de estratégias locais.
Gostei, destas conversas, afinal, senti que nesta terra, há pessoas que pensam e acham importante as ideias e o debate de ideias. Que ter diferenças de opinião não é razão para cultivar o desprezo pelas ideias.

E, após esta duas conversas dou comigo a pensar sobre a vida politica local, as suas marcas essenciais, que não são de hoje, arrastam-se desde a pré-campanha eleitoral das últimas eleições autárquicas.
Na verdade, quem tiver memória recorda, certamente, que as últimas eleições autárquicas foram as primeiras marcadas pelos «confrontos» nas redes sociais. A politica reduziu-se à banalidade.
Recordo que na época comentei com candidatos da CDU, porque não respondiam às sucessivas agressões, calúnias, mentiras, deturpações da realidade que enxameavam diariamente as redes sociais. Responderam-me que não deviam entrar nessa confusão e optaram por ignorar. Talvez convencidos com a vitória.
Na campanha eleitoral a politica desceu ao nível não do confronto ideológico, mas, por vezes nos ataques pessoais. O confronto de ideias só tinha um linha presente, o ataque aos papões que comem criancinhas.
A politica desceu ao nível dos fait-divers. Os debates de ideias centraram-se na gestão de emoções, na criação de um bode expiatório de todos os males do Barreiro. O binómio abandono e ruínas - versus – potencial por aproveitar, foi repetido até à exaustão. Está de volta.
O confronto era sempre de forma reducionista, de grande simplicidade discursiva, ideias repetidas – o lixo nas ruas, as ervas, uma agenda de marketing politico, na época, sempre referi aquelas «urdiduras«, como manter de forma constante e viva a tese dos «bons» e dos «maus».
E nos dias de hoje continua...pelos vistos a cultura democrática e a aprendizagem da democracia, os erros cometidos, os sobressaltos, o sentir as mudanças na história, só beneficiou alguns. Outros pararam no tempo. Enfim. Os perfeccionistas. Os Cristalizados.

E, ao longo do actual mandato isso continuou, as reuniões da CMB foram o núcleo dessa constante urdidura. Cansava.
Não assistimos a um debate de ideias sobre o Barreiro, sobre opções para a cidade, ou para o concelho. Vivemos quatro anos de vazio de debate, a politica viveu assente na municipalização. A gestão de imagem foi a linha central da acção politica, aliás, sublinhe-se, que foi tecnicamente bem feita, principalmente, na gestão e produção de videos.

Portanto, chegados aqui, no agora, perante este cenário, é natural que as próximas eleições autárquicas, mais uma vez, decorram sobre a «urdidura» da gestão de emoções. Os bons e os maus. Já está na rua.

É tudo isso que, afinal, permite contribuir para que não se avalie a acção de quatro anos, e, qual o seu contributo para gerar ideias estratégicas, de visão de cidade ou de valorização da cidadania.
Costumo dizer que, nos últimos anos, vivemos quatro anos de «politica do cuco». Foram quatro anos a realizar projectos que estavam em agenda, e, gerir uma boa herança orçamental. Não existiu pensamento estratégico. Não existiu debate politico. Viveu-e se um tempo de «anestesia do debate politico», que ficou centrado em torno das reuniões de Câmara, cansativas e sufocantes.
A «politica do obrismo» com a finalidade de fazer passar a ideia, que os outros passaram o tempo a pensar e nós fizemos, foi um elemento estruturante da fuga para a frente, do não debate, da negação da participação e da não valorização da cidadania.
Os exemplos mais flagrantes das «urdiduras», podemos encontrar em torno da forma como se fala da renovação da frota dos TCB. Ou em torno da temática da venda da Quinta da Braamcamp e da não intervenção naquele território, que ficou quatro anos, esse sim, desnecessariamente ao abandono.

E, portanto, é natural, com este caldo de gestão de emoções, de ausência de visão estratégica, de acção politica com base no ir na onda, no gerar ondas – os jovens e os velhos - para manter o clima de pseudo confronto ideológico, dos maus que não querem a evolução, os bons que fizeram obra, isso, na verdade, não abre espaço para o debate de ideias, mas, isso sim, apenas serve para estimular um inimigo de estimação e a negação do direito à diferença.
É natural, portanto, sem dúvida, que a próxima campanha eleitoral se transforme numa campanha vazia, assente na gestão de manobras de diversão e fait divers.

António Sousa Pereira

 

 

«Se não existir justiça, tudo é permitido»

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Um dia li num romance de Dostoievski uma frase que guardei para a vida – “Se Deus não existe, tudo é permitido”. Esta frase ocorreu-me ao pensamento, hoje, dia 9 de Abril de 2021.

Por essa razão, parafraseando Dostoievski escrevi, para memória futura: “Se não existir justiça, tudo é permitido”.

Neste mês de Abril, 47 anos após o 25 de Abril, recordei também aquela frase histórica de Salgueiro Maia: “Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos.”.
É neste que devíamos pensar. Pois.

E, neste dia, pensei também nas motivações que levam muitos a revoltar-se e assumirem a indignação contra o sistema. Os populismos. Era isso que escrevia um amigo meu, num texto, publicado aqui no Rostos – as causas.

Neste anos, 47 anos após o 25 de Abril, o dia de hoje, vai ficar na história, e, nele vão ficar inscritas algumas palavras. É um dia de reflexão.
Para começar, a partir de hoje, vai estar em aberto um grande debate sobre o significado de duas palavras - Democracia. Justiça.

E, naturalmente, em torno deste debate, exista ou não, com seriedade ou com emoção, vão ser inscritas outras palavras, elas irão escutar-se, nos próximos tempos, no dito e no não dito, nos que vão falar e nos que vão optar pelo silêncio.
Vão escutar-se os clamores. Vai sentir-se a indignação. Vai falar-se de mentiras. Cai escutar-se a verdade. E vamos escutar o significado das prescrições e das manipulações.
Seremos levados a sentir o significado das prisões, das acusações.
Sentiremos o peso das opiniões, das divagações. Os adjectivos. As interpretações.
Registaremos o significado das fragilidades. O peso das suspeições.
Vamos observar as palavras no que elas trazem de motivações. Visiveis e invisiveis. Vitimizações. Perseguições.

E, sem dúvida, em todas estas palavras, iremos perceber a força que tem no sistema, outras duas palavras, porque elas estão inscritas, por dentro de tudo o que escrevemos - dinheiro e poder.

Escrevo tudo isto e penso, afinal, como seria simples, colocar ponto final em tudo isto, acabar com este circo do diz que diz-se, que lentamente, paulatinamente está sendo o virus que está a destruir o sistema – a Democracia e a Justiça.

Pelo que escuto, pelo que se diz, bastava legislar, serenamente, sobre o «enriquecimento ilicito»!

Era assim o ponto final. Acabava-se com os julgamentos na praça pública.
Acabava-se com o chicoespertismo, daqueles que acham que somos todos os parolos.

Se tudo isto, que vivemos nos últimos sete anos, der um contributo para mudar as regras e darmos passos em frentes no reforço da justiça e enriquecimento da democracia, então, talvez o dia de hoje seja histórico e uma lição.

No entanto, se continuar tudo na mesma, naturalmente, continuaremos, ano após ano, à espera, de justiça, continua a existir indignações e clamores.
Continuaremos uns a falar de urdiduras, texturas e cozeduras.


Se nada mudar, obviamente, cá estaremos, filme após filme, até um dia, quando o sistema venha a implodir. E depois será tarde...até lá, vamos ficar todos bem...fica tudo bem!

António Sousa Pereira

Maio

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Aqui, nesta terra onde a palavra resistência,
se escreveu com perfume em Maio.
 
Aqui, nesta terra onde as gaivotas deram voz,
a homens e mulheres livres em Maio.
 
Aqui, nesta terra onde a música foi coro
lá fora na cidade cantando amor em Maio.
 
Aqui, nesta terra onde as palavras forjam canções
de gente que respira dignidade em Maio.
 
Aqui, nesta terra em poemas se gritava há greve,
de gente de trabalho sonhando Maio.
 
Aqui, nesta terra que se canta, canta amigo canta,
tempo de tantas emoções vividas em Maio.
 
Aqui, nesta terra de vozes vindas de muitos lados
nas ruas em Maio amando a Liberdade.
 
Aqui, nesta terra Maio será sempre Maio,
dia de Luta, Paixão, Ternura e Futuro.
 
Aqui, nesta terra não será o pragmatismo,
que silenciará os sonhos de muitas gerações!
 
Aqui, nesta terra, acredito Maio, será sempre,
Sempre Maio – Dia de gente de trabalho e luta!
 
António Sousa Pereira
8 de Abril de 2021

Olhei as papoilas vermelhas. Sorrindo!

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Na minha volta matinal para ir comprar o jornal, passei junto à Escola do Ensino Básico, colada à rede, com um ar terno e deliciado estava uma senhora, que, quando com ela cruzei o meu olhar, comentou: “É tão lindo ver de novo as crianças na escola”. E ali ficou a olhar, vivendo aquele instante como quem observa um jardim de flores coloridas, neste começo de Primavera. Sorrindo.
 
Depois, de comprar o jornal, lá fui até à «Avenida da Praia», e, na Esplanada dos Dadores de Sangue, que, como todas, hoje reabriu, ali estive a beber o meu café, lendo o jornal e deliciando-me com aquela paisagem única sobre Lisboa.
 
Sentir a vida renascer é giro. Dizem que a Páscoa é a festa do renascer. A minha amiga Filipa Lopes, um destes dias, dizia que gostava de ler um poema meu sobre a Páscoa. Nunca fui de festejar a Páscoa, pelo menos da mesma forma como festejo o Natal. Talvez porque o Natal celebra o começo da vida e a Páscoa a morte.
 
Da Páscoa tenho uma recordação da minha infância. Duas irmãs, na minha terra Natal, durante vários anos, pela Páscoa, ofereciam-me uma prenda. Ano após ano, sempre, vestiam-me dos pés à cabeça, desde boina, sapatos, meias, calças, camisa. Total. Era um ritual. Todos os anos pela Páscoa eu contava com aquela vestimenta, oferecida pelas duas meninas ao «Tonico», como elas me chamavam, e, depois, ao longo da vida, sempre mantiveram comigo um imenso carinho, e, eu uma imensa gratidão e respeito. A vida é mais bela com gratidão.
É verdade, como eu me sentia, naquele domingo de Páscoa, todo emproado de roupa nova a passear na Avenida dos Mosaicos. Cruzava-me com elas e elas sorriam. Felizes. E eu feliz. Eu renascia. É talvez isso a Páscoa, mais que celebrar a morte, é o celebrar o renascer, renascer com a Primavera. Renovado. O ritual da Páscoa está associado à celebração da ressurreição. E dou comigo a pensar que a «ressurreição» é, afinal, o nosso «renascer», quando um dia partimos, ao sermos recordados pelo que fizemos e pelo que deixamos. As nossas sementes, que foram fruto das nossas lutas, das nossas acções, das nossas obras, serão a flor do nosso ressurgir. Sempre que, em futuras gerações, formos recordados pelo nosso legado, pelas nossas obras, renasceremos. É a memória que se faz eternidade.
 
Nestes dias de inicio de «desconfinamento» parece que estamos a reencontrar a vida, os espaços, a alegria de partilharmos os dias, os lugares. A cidade começa a renascer.
Regresso a casa, olho aquele novo espaço na Avenida da Nacionalizações, que já foi Avenida dos Descobrimentos – dois nomes que nos tempos que correm são estranhos. Essas coisas de quem considera que a memória é para enterrar nos escombros.
 
Olho e penso, a «Rotunda das Papoilas» está gira...e, circulando, no meu pensamento recordo as paisagens rurais que, ainda conheci, no Lavradio, na Baixa da Banheira, no Alto do Seixalinho, nos Fidalguinhos.
Hoje há prédios. Mudanças. Há quem pense que o nosso futuro está reservado a ser uma terra de habitação. Uma terra para viver.
 
Eu gostava que fosse terra para viver e para trabalhar, que voltasse a renascer como terra de trabalho, de gente que acredita e luta, gente de trabalho e cultura, gente de Liberdade.
Será que ainda é possível renascer? Interroguei-me.
Olhei as papoilas vermelhas. Sorrindo!
 
António Sousa Pereira

O trinado dos pássaros

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Hoje, pela manhã, naquele instante
que é o começo do acordar,
quando caminhava pela rua da cidade,
serenamente, tocando a textura da calçada,
com o tecido azul dos meus pensamentos,
dei comigo a sentir os nervos, deslizando,
no chilrear do cântico dos pássaros.
 
Parei, para beijar o silêncio.
 
Escutei o chilrear dos pássaros
rompendo a neblina matinal,
dei comigo a sentir o seu trinar,
vindo dos pássaros nas árvores,
vindo dos pássaros nas gaiolas,
decorando uma varanda.
 
Foi então que descobri, as diferenças,
nos cânticos, por dentro dos cânticos.
 
O cântico de um pássaro,
numa gaiola,
é diferente do cântico,
de um pássaro numa árvore.
 
O cântico de um pássaro numa gaiola,
é um piar que se estende,
uma sonoridade aguda, intensa,
com um ritmo sincopado.
 
O cântico de um pássaro numa árvore,
é um trinar que se deita nos olhos,
um eco polifónico, melódico,
com ritmo, timbre e suavidade.
 
Hoje pela manhã, descobri,
num chilrear de pássaros,
a diferença entre piar e trinar.
 
Piar é gritar sons repetidos, enlatados,
sons em eco onde pulsa ansiedade.
 
Trinar é sentir os sons a dançar no coração,
sons que brilham ao sol e respiram Liberdade.
 
Hoje pela manhã quando o cântico,
fez-se cântico
senti uma sinfonia nos meus olhos a cantar!
 
António Sousa Pereira
6 de Abril de 2021

Sorri

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Bom Dia, disse o pássaro.
Sorri. Ele voou.
O silêncio desceu no Tejo.
A cidade acordou
O poeta sonhou.
Uma flor abriu as pétalas.
O cão levantou a perna.
Uma criança correu.
O atleta passou acenando.
O ciclista pintou a paisagem
Eu deitei os olhos nas ondas.
A paz tocou os nervos.
O sol brilhou no azul.
Sorri.

António Sousa Pereira
3 de Abril de 2021

Tu

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Nos teus cabelos deslizam palavras douradas,
nos teus olhos florescem cristais azuis a sorrir,
nos teus lábios crescem papoilas a beijar o sol.
 
Tu Liberdade,
és um poema escrito no meu coração!
 
António Sousa Pereira
31 de março de 2021

Projecto «urbanistico subaquático» vai nascer na Barra-a-Barra Investimento superior a 80 milhões de euros

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Uma experiência piloto que vai juntar diversos parceiros vai ser dinamizada na Praia da Barra-a-Barra, o projecto envolve os territórios do Bico da Passadeira e da Ilha do Rato.

O projecto pelo que soubemos, em primeira mão, visa desenvolver uma experiência piloto para testar aspectos diversos dos efeitos das alterações climáticas num novo conceito habitacional e urbanistico, com uma nova visão do binómio habitação com a sua continuidade no espaço envolvente.

A informação sobre este projecto, só agora foi divulgada, e, referem-nos que existe a espectativa que este investimento de largos milhões vá contribuir para colocar o concelho do Barreiro na rota mundial do «urbanismo subaquático».
Este investimento é considerado um projecto âncora, porque vai ser catalisador de experiências inéditas ao nível da economia do mar, e, considera-se mesmo que será a primeira experiência ao nível europeu, nesta forma de pensar os territórios ribeirinhos, razão porque a academia está envolvida nos diversos estudos prévios.

Zona de vida humana no neolitico

A escolha do Bico da Passadeira para desenvolver este projecto piloto, está relacionada com o facto de ser aquela zona, uma das primeiras ao nível da europa onde se desenvolveu, no Período Neolitico, a sedentarização humana. Esta sublinhe-se é uma zona geo-referenciada ao nível europeu, e, sublinhe-se única no estuário do Tejo.

Interesse por projectos urbanisticos nas margens do estuário do Tejo

Nos últimos tempos, tem vindo a registar-se um crescente aumento de interesse pelo desenvolvimento de projectos urbanisticos nas margens do estuário do Tejo.

 
Apesar de, devido às alterações climáticas, esses projectos, no futuro próximo serem potencialmente afectados por inundações, essa realidade não desmotiva os investidores que consideram que o custo-beneficio a médio prazo, é estimulante para desenvolvimento de projectos inovadores que permitem a fruição de uma paisagem única, num esturário com uma beleza deslumbrante e, os seus utilizadores, de classe média alta, sentirem as potencialidades das margens do rio e puderem viver em novos espaços urbanos de qualidade futurista.
Sabe-se, por exemplo, que o PDM de Lisboa, define que a cota soleira de um edificio tem de estar 3,80 metros acima do nível do mar e que todas as construções edificadas, nas zonas ribeirinhas, abaixo desta altura deviam ser readaptadas, mas, apesar desta limitações os empresários investidores, consideram que este novos projectos urbanisticos são aliciantes geradores de fundos imobiliários de caracteristicas de risco, mas de grande rentabilidade financeira.
Há quem defenda que projectos a desenvolver nestas áreas deviam ser submetidos a estudos de impacto ambiental, para serem minimizados os impactos das natureza e os riscos para o erário público.

Urbanizações lacustres da modernidade

O conceito «quartos com vista para debaixo de água», «urbanismo subaquático», tem vindo a merecer uma atenção especial por uma nova escola de planeamento do território, porque estas, consideram, sendo inevitável o aumento dos níveis de águas do mar no decorrer do século XXI, devem desde já iniciar-se «projectos piloto», que possam ser casos de estudo e avaliação de novos modelos de desenvolvimento imobiliário nas zonas ribeirinhas.
Um recente estudo no âmbito de inovação turistica considera que estes projectos para além de proporcionarem uma nova tipologia habitacional - «quartos com vista para debaixo de água» - são também modelos de teste de «urbanismo subaquático», com uma visão futurista do espaço envolvente da habitação, privilegiando-se o aprofundamento do binómio «água – habitação», ou a «habitação lacustre futurista».

Aproveitamento da energia hidrica

Há quem considere que no âmbito de matérias relacionadas com a economia do mar, estes projectos urbanisticos subaquáticos podem ser potenciadores de aproveitamento de novos tipos de energia nomeadamente a utilização das correntes do rio, como fontes geradoras de energia renovável.

Uma nova gastronomia ribeirinha

No âmbito do turismo defende-se a implementação de restaurantes subaquáticos, valorizando-se o consumo de peixes, ameijoas, lagostas, lingueirão – promovendo-se a gastronomia ribeirinha, de alto nível «gourmet», com produtos de proximidade e ligados ao ambiente – estilo Show Cooking – estar a ver ao vivo o que se come no prato.
Neste contexto, está a criação de espaços para realização de casamentos subaquáticos.

Da Habitação lacustre à economia lacustre

A Habitação lacustre, o turismo lacustre, a gastronomia lacustre, o aproveitamento de energia lacustre, todo este potencial, pode vir a dar ao concelho do Barreiro uma nova dimensão, colocar a região como uma zona atractiva para o investimento.
Este projecto pode ser uma alavanca para dinamizar os territórios industriais, e, até, um pontencial para estimular a ligação por túnel ao concelho do Montijo.
Sendo uma experiência piloto pode, igualmente, ser um contributo para o desenvolvimento de um campus académico de ciência do Mar.
Isto, sem dúvida, podemos afirmar – É uma boa noticia..!
Será que finalmente começa-se a ver uma luz ao fundo do túnel para o concelho do Barreiro.
O importante é que este não seja mais um projecto que vá para a gaveta e se perca em estudos.

A.J.

Ficamos felizes com uma Starup...e andámos para trás com a ponte Barreiro-Seixal!

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O silêncio do actual executivo municipal é, obviamente, um contributo para o retrocesso e o esquecimento deste projecto de ligação rodoviária Barreiro- Seixal. Quem não exige, quem não ergue a voz, não é escutado. Quem não reivindica. É ignorado. Quem não se indigna, como diria Mário Soares. Não exerce a sua cidadania.

Almada desenvolve «Distrito da Inovação»

Foi divulgado o projecto de dinamização do novo Campus da Faculdade de Cîência e Tecnologia no Monte da Caparica, no concelho de Almada, que é considerado um projecto âncora denominado «Distrito de Inovação», um plano urbanistico que pretende criar um polo de conhecimento – uma cidade do conhecimento e tecnologia.
Aponta-se para 180 milhões de euros de investimentos a dez anos, mais 80 milhões destinados à recuperação do edificado, são 399 hectares, prevendo-se a criação de 17 mil empregos.
Este plano inclui uma componente urbana no centro histórico da Caparica, uma área empresarial.
Naturalmente, este projecto não está desligado da proposta em marcha da construção de um túnel – uma travessia do Tejo - que ligue o concelho de Almada ao concelho de Oeiras, que tem vindo a ser reivindicado ( palavra terrível) pelas duas autarquias.
É assim, uns projectam, planificam, ambicionam, pensam o território, olhando para o mesmo com uma visão que o coloque na sua dimensão regional e na sua importância na AML. Pensam grande. Sonham grande. Sonham futuro.
Nós por cá estamos bem, vamos ter uma startup, sem qualquer estudo prévio que permita concluir da sua viabilidade, dado que, na reunião de Câmara, cito de memória foi dito que, muitos deste projectos criados na Europa, na sua maioria, falharam, foram elefantes brancos.
Mas nós cá estamos felizes. Somos Barreirinho. Uma Starup, sim vamos ter uma starup, que, obviamente será inaugurada em vésperas de eleições. Mero acaso. Depois vê-se o modelo, os custos de funcionamento, quems e envolve, como se envolve. depois vê-se..
De referir que esta, na verdade, é uma proposta que resulta de um contributo do PSD nesta gestão autárquica partilhada.

Uma nova ponte sobre o Rio Douro

O rio Douro vai passar a ter mais uma travessia, entre o Campo Alegre e o Arrábida Shoping. Uma ponte exclusiva para o Metro, com espaço para peões e ciclistas. E será financiada, segundo noticia do jornal «Sol» pelos fundos da bazuca, oriundos da União Europeia, através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
E, nós, pelo que escutei, em palavras de alto saber, achamos que os fundos do PRR, a dita bazuca, não podem contribuir para que arranque a ponte rodoviária Barreiro – Seixal.
Enfim, esperemos que o nosso Primeiro Ministro António Costa nos dê uma ajuda e abra as portas para que este sonho com «mais de 60 anos». E, um dia breve, este «abandono» de uma ligação essencial possa tornar-se uma realidade.

O facto é que sobre esta matéria o Barreiro andou para trás, muito para trás, aquilo que o anterior executivo municipal, liderado por Carlos Humberto, conseguiu, que não foi uma coisa simples, foi um passo de gigante, de ter motivado o Primeiro Ministro António Costa a assumir que a Ligação Barreiro Seixal que são trocos, seria concretizaria nestes próximos anos, de facto, neste mandato, foi para a gaveta.
O silêncio do actual executivo municipal é, obviamente, um contributo para o retrocesso e o esquecimento deste projecto. Quem não exige, quem não ergue a voz, não é escutado. Quem não reivindica. Quem não se indigna, como diria Mário Soares.
Por mim, nunca deixarei de exercer esse direito...

António Sousa Pereira

 

A flor

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Espero por ti no futuro,
sentado junto ao rio, ali,
aguardando pelos teus passos,
de regresso à luta pela Liberdade,
quando deixares para trás,
todas as flores que colheste,
todas as flores que pisastes,
todas as flores que queimastes,
e, então, só existirá uma gaivota,
que resiste e voa, voa, voa...
 
Espero por ti no futuro,
porque no futuro só há futuro,
esse, que faz mover a história.
 
Espero por ti no futuro,
quando um dia descobrires,
que mais que a luta pelo ter,
no teu coração sentires,
essa energia que é ser!
 
Espero por ti no futuro,
sentado à beira rio,
serenamente,
tranquilamente,
beijando a flor que nasce em Liberdade,
essa que eternamente resiste!
 
Sim, essa, nunca conseguirás esmagar,
e mesmo, que sorrindo a pises,
sempre, sempre, ela florescerá!
 
António Sousa Pereira
27 de março de 2021

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