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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Conversa no «Arestas de Vento», na Rádio Popular FM

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Um programa que se mantém há largas décadas, sendo um ponto de encontro para conversas, aos sábados, entre as 11h00 e as 14h00. Ali, em FM 90.9.
Aceitei o convite e lá fui, nada sabia sobre os temas da entrevista. Sabia que estava convidado enquanto Director do Jornal «Rostos».

E, lá abriram os microfones. Estava no ar, escutando para abrir Zeca Afonso –“…olha o sol que vai nascendo…”.
Depois começou a troca de ideias. Uma conversa agradável, nem se sentiu o tempo passar.
Falei do meu amor à Liberdade. Que para mim a Liberdade é inegociável. Que não troco o que sou, a minha liberdade de sentir e pensar o mundo por nada. Só quem não conhece o meu percurso de vida, pode achar o contrário. Mas eu sei, e há mais quem saiba, tudo o resto pouco me importa. Quando nos vestem roupas, bem “cozidas” ao corpo é difícil rasgar.
“Para mim a Liberdade é o motor da história”, já o escrevi à muito tempo, é, por isso que para mim Abril – “é um sonho chamado Liberdade”.

Na conversa com Ricardo Cardoso, dizia-lhe que mais que ser um «eu», ou um «nós», eu prefiro ser um «Tu», porque num «tu», eu sou um eu com outros «eus » e com o «nós».
E lá fomos durante cerca de duas horas, falando de democracia e liberdade, de Europa, do mundo.
Sou um inconformista e um europeista, disse-lhe, porque acredito que a Europa tem um importante papel no futuro da humanidade, promovendo a cultura das diferenças, o respeito pela liberdade religiosa e politica, pelos seus valores, mas, para isso precisa de travar ímpetos de «democracia autoritária», essa que cala as minorias, silencia a imprensa, e, tudo compra porque tudo tem um preço. A Europa tem que aprofundar a democracia e a cidadania.
“A Liberdade não tem preço”, recordei.

Falamos de jornalismo, do mundo on line, das edições impressas, das condições para fazer jornalismo numa região com um tecido económico de pequenas e médias empresas que tem dificuldades e contribuir para que exista uma imprensa regional com energia e autonomia.
“É difícil fazer jornalismo”, comentei. Só mesmo por amor, por paixão e porque vivemos fazendo aquilo que se gosta e dá gozo, aquele gozo interior que nos realiza e que nenhum dinheiro do mundo paga. Ser que vale mais, muito mais que parecer.
“Isto não é negociável, disse-lhe.

E, a conversa é como as cerejas e veio à baila o ter tido um processo de expulsão do PCP, por delito de opinião e donde sai rumo à vida e senti na pele as consequências. Resisti. Sonhei.
Referi, igualmente que estou inscrito no PS, há mais de década e meia, mas, não tenho actividade militante.
Estou e tento provar, a mim mesmo, que em Portugal, nestes mais de quarenta anos após Abril, é possível fazer jornalismo e ter partido. Mantendo a distância e a independência, sem ser acusado que está sendo um traidor aos seus valores, porque, afinal, a liberdade do jornalismo reside no respeito pelas diferenças. Olhar e viver o pulsar das comunidades.

Conversámos sobre o Barreiro, que referi e refiro como tendo tido três patrões – o ferroviário, a CUF e o «construtor civil». Hoje não tem patrões. os «grandes patrões» são quase e apenas as entidades do Estado – hospital, autarquias, escolas, tribunal e depois IPSS’s, que dependem do estado.
Uma terra que tem como primeira prioridade a resolver sair do gueto, desenvolver a sua mobilidade – a ponte de ligação ao Seixal – e investir na sua requalificação para valorizar a sua qualidade de vida – rede de esgotos, rede de águas, espaços urbanos e revitalização do seu edificado.
Estas são as prioridades para fixar pessoas – jovens e não jovens, porque uma cidade faz-se de gerações e os jovens de hoje serão os velhos de amanhã.

Falei do meu Barreiro. Terra dos meus filhos, como a terra onde aprendi a viver e a sentir o valor e o sabor da palavra liberdade. Antes e depois do 25 de Abril.

Lamentei que o PS, após conquistar a autarquia, não tenha feito todos os esforços para levar até ao limite a negociação de pelouros a todas as forças politicas, que sempre disse em campanha eleitoral que iria concretizar, dando continuidade a essa dinâmica cultural autárquica, que existe desde a Comissão Administrativa.

Manifestei a minha indignação, por essa «corrente de pensar e sentir o Barreiro», onde parece que só existem uns maus de «muros ideológicos» que atrasaram e atrasam a vida e o desenvolvimento e depois, existem os outros, todos, que são os bons.
Fazer dos comunistas os culpados de todos os males do Barreiro é, afinal, não respeitar a memória de muitos homens e mulheres – como dizem alguns meus amigos do PS e PSD, o meu avô foi comunista - que lutaram pela democracia, é não ter a ousadia de olhar a cidade, com olhos de ver, e sentir que muito mudou, mesmo muito…
Isto não significa, acrescentei que concorde com tudo e que subscreva tudo, mas, apenas e isso, defender que uma cidade é de todos e todos pode contribuir para o seu crescimento e desenvolvimento.

Enfim, foi uma conversa, aqui, recordei de memória, que vou guardar, porque, foi daquelas conversas abertas, sem limites, onde expressei sentimentos e partilhei emoções, em Liberdade.
Obrigado ao Ricardo Cardoso e a Céu Campos, pelo convite e pelo momento agradável que partilhei com a vossa grande simpatia. Eles, afinal, são dois grandes resilientes e amantes do comunicar e fazer cultura...em Liberdade!


António Sousa Pereira

Liberdade

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Se te castram a Liberdade,

então, rasgam a energia,

essa, que brilhou nos olhos

daquele menino a sorrir, ali,

na calçada, ao lado do homem,

jovem mobilizado ou por mobilizar

de arma em punho, a g3, do sonho,

essa onde floriram cravos!

 

Se te castram a Liberdade,

destroem tudo o que sofreste,

todo o teu tempo, em luta,

nos silêncios, nas pressões,

nas marcas inscritas no teu peito,

em dor, no amargo dos dias,

todos os que viveste, sempre,

vivo, e nunca abdicando,

nem baixando os braços,

caminhando, como os poetas,

sabem caminhar, com amor

esse amor que nasceu, a florir,

na Primavera, um tempo onde,

sempre, mas sempre, nasce Abril!

 

É isso, apenas isso, não deixes,

que te castrem a Liberdade!

 

Se te castram a Liberdade,

matam a tua memória,

e tu, sem memória,

deixas de ser quem diz,

deixas de ser quem fala,

deixas de fazer a tua  história!

 

Tu que cantaste na madrugada,

quando o silêncio tocava os nervos

prendendo teus dedos a calar, em dor,

dizendo nas entrelinhas, não é agora,

quarenta e quatro anos feitos de flores,

que vais deixar de dizer o que pensas.

 

Não deixes que te castrem a Liberdade,

porque, afinal, a Liberdade não tem preço!

 

António Sousa Pereira

20 de Abril de 2018

O copo meio cheio. O copo meio vazio

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“Encerrado para balanço e trespasse”, lê-se num folheto afixado na porta, ali, na esquina do Páteo Albers. Fico triste. Era um projecto que tinha qualidade, cor e vida, nascido do querer de dois jovens barreirenses. Desistiram.
É assim, a vida das cidades já não é o que era, a paisagem urbana, por vezes mantinha-se por décadas. Os estabelecimentos comercias eram sempre os mesmos. A mercearia. A taberna. O café. O barbeiro. O consultório. O fotógrafo. O Oculista. O Talho. O banco, sim, porque os bancos também existiam e marcavam os centros. Os bancos e as farmácias – que era quase sempre a Farmácia Central.

Hoje, as cidades fluem, modificam-se de acordo com o ritmo dos negócios e das modas. Onde ontem estava um banco, pode nascer uma empresa de óptica. Onde estava uma sapataria nasce um mercado chinês. Onde funcionou um café nasce uma perfumaria.
O fechar e abrir já faz parte da forma de estar e sentir a cidade.
Antigamente, sim antigamente, ganhava-se paixão pelos espaços, tínhamos tempo para «entranhar», porque em todos os espaços vivíamos momentos coloridos de emoções. Não eram espaços de comer e deitar fora, eram espaços que entravam e mergulhavam dentro de nós, ficavam, ali, fazendo parte da nossa memória.
É, por isso, só por isso, que muitos recordam a Carvoaria, o Chave de Ouro, o Términus, o Bee Jazz, o Tico-Tico, a Boleira, o Manel da Galega, o Gelo, a Chapelaria, o DNA, ou, a Loja do Gaspar, a Papelaria da Bélinha, a Tipografia, o Café Moderno, e, cada coisa no seu lugar e tempo, porque todos os lugares que se inscrevem dentro de nós fazem parte do tempo que somos.

Hoje, ao ler aquele anúncio de um espaço comercial que anuncia o seu ponto final, vivi este sentimento, do pulsar da cidade, de como já nada é como era, nem nunca mais será, hoje, o lucro – o deve e o haver – o fluxo da competitividade marca o ritmo do abre e fecha, dando às ruas e aos lugares uma nova forma de pensar e sentir a cidade.

Dou comigo a pensar, se fosse noutros tempos, não faltariam comentários - a crise do comércio local, o abandono do centro da cidade, mas, nestes tempos, agora, é tudo diferente.
Costumo dizer que, por cá, neste nosso «barreirinho», até ver, continuo a considerar que a diferença é muito simples: há seis meses atrás – o copo estava meio vazio; agora, - o copo está meio cheio.

Entrei, na Livraria Bertrand, um espaço de qualidade, que, felizmente, se mantém dinâmico e vivo, ali, no Forum Barreiro. Sabe bem mergulhar no cheiro dos livros e sentir aquele ambiente cosmopolita, no centro da cidade.
Num tempo marcado pelo digital contar com este espaço no Barreiro é um privilégio, é bom que vamos contribuindo para que se mantenha, com um fundo bibliográfico da Filosofia às artes, da economia à justiça, da literatura à poesia, de livros para crianças e adolescentes.
Uma sugestão, num cantinho de uma estante, abram, se for possível, um espaço para divulgar obras de autores da região.
Encontrei o Couceiro. Trocámos breves palavras. Comentámos. A filosofia lá veio à baila. A vida, sim, porque a filosofia é a vida. E agendamos o nosso reencontro para Maio, em Santo António da Charneca.

Depois, lá fui, hoje apetecia-me mesmo olhar o Tejo. Quando estava por ali a sentir a maresia. Alguém, dirigiu-se a mim e, sorrindo, perguntou: “Há alguma cidade que tenha esta vista sobre Lisboa?”.
“Nenhuma”, respondi. E ficamos olhando na distância a outra margem.
Observei que estavam dois Cruzeiros, atracados na zona de Santa Apolónia. Uma parte do tal mais de um milhão que passa pela outra margem, durante um ano, e, há quem sonhe trazer, uma parte até esta margem, para mirar Lisboa e saborear os petiscos da margem sul.
Talvez um dia, talvez…

Sentei-me a ler o jornal. Hoje o PS comemora o seu 45º aniversário. Um partido que foi, e, é, sem dúvida, essencial na consolidação e garante da nossa democracia.
Leio, o texto de Ana Catarina Mendes, e, nele, retenho esta frase: “Quebramos o mito de que havia forças progressistas que não podiam ser construtivas”.
Salienta que o PS é a “força que lidera o bloco progressista”. Gostei do seu texto.
Depois leio o texto de Augusto Santos Silva – “o caminho do PS é o da esquerda moderada e europeia”.
Enfim, como sou um inconformista e europeísta, pensei : é pena que no Barreiro o PS, afinal, não tenha tido a capacidade de se afirmar como sendo, aqui e agora, a liderança das forças progressistas. São opções.

António Sousa Pereira

 

Escutar, pela manhã, o cântico dos pássaros nestas árvores é uma delicia...

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Há uns anos aprendi, nos tempos da troika, dito por quem não sei, que há uma grande diferença entre passar os dias a viver como se pensa, e, o passar os dias a pensar como se vive. Uma diferença marcante.

Hoje, quando saí de casa pela manhã, a primeira percepção que tive foi como é lindo, pela manhã, não ter horas marcadas para ir a lado algum, não ter horários a cumprir, caminhar, distraidamente, e, de repente, parar debaixo de duas árvores para escutar a sinfonia matinal dos pássaros que trazem a natureza para o centro do meu bairro.

Escutar os chilrear é uma delícia, doce, suave, inspiradora, dá luz por dentro dos nervos.

 

Continuo a minha caminhada  matinal. Há uma vizinha que abre a porta de um prédio, e, com os olhos voltados para dentro, cruza-se comigo e lá vai, discreta, falando sozinha. Livre.

Numa varanda, um chilrear de canários em gaiolas. Presos.

Dos lados da escola, os sons são outros, são as crianças em correria, chutos na bola, gritos, aquele som que marca o intervalo. Estas crianças que serão os homens, num tempo que, certamente, já andarei a navegar pelo silêncio da eternidade.

 

Um destes dias, dei comigo a pensar que uma criança, nascida naqueles anos, próximos de Abril, e, até, no 25 de Abril, são hoje a geração dos 40 e 50 anos, para todos eles, as memórias do tempo antes de Abril acontecer, são meras «estórias contadas».

Dou comigo a pensar nisto enquanto, de repente, duas pombas rasgam o azul do deste dia de Abril com um sol brilhante a recordar que estamos na Primavera.

Ah, é verdade, hoje não vejo por aqui gaivotas que costumam deitar-se no lago de repuxos, junto à Piscina Municipal do Lavradio. Um espaço agradável. Ainda não há muito tempo, era um terra batida, que marcava de pó ou lama terreno frente à escola do ensino básico. É isso, só quem sente as mudanças na paisagem, sabe como há mudanças que transformam.

 

Parei na Farmácia Roldão. Agora um ritual, para leitura da tensão. Tudo normal.

E, lá comprar o jornal, a leitura de todas as manhãs, adoro percorrer as paginas do Público, porque ali, todos os dias aprendemos a sentir e a olhar o mundo, e, aproveitei para meter o euromilhões, tentar a sorte, que nunca quis nada comigo ao longo da vida, mas, um homem não desiste, só não ganha quem desiste de tentar a sorte. O meu pai tentou a vida inteira e nunca conseguiu, mas isso sei que o divertia, pois, afinal, todas as semanas repetia o seu sonho – “se me sair o totoloto, faço isto, faço aquilo…”

 

Lá vou na minha caminhada matinal, dou comigo a pensar que foi naquela esquina da JJ.Fernandes com a Rua Cândido Manuel Pereira que ele, o meu pai, um dia pela manhã, caiu redondamente, vitima de um AVC. Depois foram anos que marcaram a memória, até, aquele dia que partiu e ainda hoje, sinto o breve aperto dos seus dedos, ao fim da tarde no Hospital do Barreiro, que antecedeu o telefonema pela madrugada. É vida.

 

Já há alguns dias que não ia pela SFAL. A Cândida quando e viu entrar até se admirou: “Por aqui?!”, interrogou.

Depois, fui com a Lurdes, à Loja do Continente – a antiga Cooperativa – comprei um peixinho fresco para grelhar ao almoço.

Entrei e recordei tantas pessoas com quem lutei para erguer a nova loja da Cooperativa Pioneiros do Lavradio. Trabalho voluntário, Fazer. Amor.Paixão. Muitos já partiram. Foi a primeira vez na vida que assumi ser presidente de uma direcção. Um desafio que me foi colocado pelo Ti’Pinheiro.

Foi a minha casa, então na Rua Grão Vasco, lá estava eu encostado às boxes. Tinha saído à dias do Hospital, onde estive em sequência de um incêndio na cozinha, que me queimou as pernas.  Sentado, quase sem me poder mexer. Escutei o seu convite e aceitei o desafio.

A experiência do cooperativismo abriu-me horizontes únicos, na forma de pensar e sentir a vida no plano social e económico. Seria um mundo tão diferente.

Talvez, no futuro a cultura cooperativa possa vir a afirmar-se como uma proposta alternativa a um mundo que está cego pela força do capital financeiro e das armas.

 

Chego a casa. Sento-me a ler o jornal e dou comigo a pensar nesta caminhada.

Sorrio. Retenho instantes a ler, e reler, a intervenção de Marcom, presidente da República Francesa, no Parlamento Europeu. Penso e fixo o conceito «ilibelarismo».

 

Penso, afinal, a minha vida será só e apenas aquilo que eu fizer em todo o tempo que tenho para viver.

Ou penso como vivo, ou, afinal, decido mesmo viver como penso.

 

Até logo!

António Sousa Pereira

Percepção

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Toda a percepção

tem um ponto esguio,

uma plumagem macia,

um foco que nasce

em retinas de luz.

 

Toda a percepção

é um efeito, de outro

feito, com impulsos,

vincos que vincam,

com olhares tracejantes,

soprados por ventos

dos tempos dominantes.

 

Toda a percepção,

transforma a forma,

na luz ou contraluz,

é sombra ou escuridão,

brilha ou reluz, depende,

da centelha… da imaginação!

 

António Sousa Pereira

17 de Abril de 2018

Um beijo

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Beijei teus nervos,

senti aquela  explosão,

compacta, por dentro,

movimentos  dos neurónios,  

um ciclo único, ali, a tocar

o hipotálamo, o coração.

 

Beijei teus nervos

nesse pulsar, paixão .

 

Afinal, basta um beijo,

nos teus nervos,

para sentir,

o tempo eternizar!

 

António Sousa Pereira

14 de Abril de 2018

 

Ser poeta

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Não é poeta quem quer,

só é poeta quem sente,

quem chora,

quem grita,

 quem ama,

quem luta…

 

Porque ser poeta,

é viver, viver, viver,

 olhar o sol,

molhar os nervos,

arregaçar as mangas,

todos os dias, sim,

todos os dias,

porque ser poeta

 é ser, sendo,

tudo o resto,

é para quem lê…

 

Porque ser poeta,

ah, ser poeta,

é beijar,

é amar,

é sorrir,

é sonhar,

é cantar,

é mais que estar,

é nunca esquecer,

é ser tudo, tudo,

que foi, que é,

porque tudo, 

faz o seu SER.

 

Isto, é ser poeta!

 

António Sousa Pereira

10 de Abril de 2018

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