Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

A fábrica da minha infância

269725150_4807108112704345_6493858623977135695_n.j

A minha irmã hoje mandou-me esta foto e com ela tocou nas minhas memórias.

Fábrica do Parodi..aqui trabalhou a minha mãe, a minha avó, a minha Tia Arminda.
 
Aqui brinquei nos terrenos junto às Oficinas, onde construi cidades. Aqui brinquei na «Escola- Creche da Tia Chica», com a mãe do Diogo...escrevendo no quadro, brincando no quintal.
Aqui chorei, quando torci um pé no armazém do carvão, e passei dez ou onze dias no Hospital Marquês Pombal. Lembras-te Jéfinha?
Aquelas noites após o serão que começavas a gritar, lá pela zona do Café «Janelas Verdes» e continuavas até passares a «Escola das Moças», num som que era um eco que entrava pelas janelas do 1º piso do Hospital e fazias-me chorar, ao escutar o teu choro e o teu clamor : "Eu quero o meu mano!"
 
Pois, aqui na «Escola- Creche» da Tia Chica» fiz amigos e amigas. Aqui cheirei atum e vi dezenas de atuns pelo chão a ser esquartejados, numa acção febril onde se misturava o suor humano com o labor da transformação, dos carros a entrar, no sangue a escorrer, no fumo a sair da cozedura. Aqui senti o cheiro e o sabor de sardinhas, do biqueirão e que bem sabia o pão molhado em azeite.
 
É verdade, aqui tenho muito da minha vida escrito no coração, naquela infância que vivi com a ternura de uma familia que começava na fábrica e se prolongava pelas portas abertas na Rua Estreita e na Rua da Espanha.
A Fábrica. O cais. As traineiras - Maria Rosa e Conceiçanita, que eram continuidade desta fábrica no rio e no mar. A praia dos «empelotes». Aqui guardo, afinal, muito, mesmo muito, da saudade que me faz sentir a minha terra no meu coração.
 
Obrigado mana pelas lembranças que despertaste na minha memória.
 
António Sousa Pereira
 
 
 
 
 
 

A lição de uma leitura

271869618_10223061107334701_7668530721606419876_n.

O tempo é a liberdade mais livre, o passado não mudas, mas é experiência vivida, por isso é importante preservares a memória, porque quando perdes a memória perdes a identidade, depois, não vale a pena perderes tempo na busca de culpados, de quem é culpa, porque a culpa tem causas, acasos, circunstancias, e, produz efeitos, e, por fim, não penses que podes mudar hoje o futuro.

Só podes ter uma certeza, vive com a totalidade de tudo o que és...tu, como herança de tudo o que recebeste de quem te antecedeu, tu como construtor de legado aos que vão receber o teu legado. Vive a tua totalidade. Nunca abdiques de ser. Carpe diem.

Vive a vida enquanto não...arrefece!

S.P

Tu és amor!

83336712_10219238050760676_3853414387041697792_n.j

 

Quantas vezes, de joelhos na terra, ali, no Lumiar, aos domingos, pela manhã, escrevi, com ternura teu nome na terra, reguei tuas flores, rezei para te sentir dentro dos meus nervos e beijar a tua ausência. Eram flores brancas, como branca era a pureza dos teus olhos e do teu sorriso.
 
E, nunca esquecerei, está gravado no sangue, o dia, que gritei por ti, e, ali, naquele mesmo instante, do chão brotou um sinal de esperança.
 
E, nunca esquecerei, aquele instante limite, quando da penumbra, acredito, escutei o teu grito, a rasgar o silêncio de luz, para te ir buscar e levar-te com dignidade para a terra, a nossa terra, onde viveste e nasceste, abraçando o mar da eternidade.
 
Nesta noite, que te recordo, olho na minha frente o quadro de veludo, que, está aqui, o Cristo de braços abertos, o mesmo que olhei naquela noite de temporal e vi as tuas lágrimas a rasgar a noite, junto ao Guadiana. Olho o veludo vermelho e coloco uma flor no teu coração.
Tu és para mim a pureza mais pura, com que escrevo a palavra amor!
Continuo a escutar a ternura das tuas caricias : «Tonico, anda cá!”.
Vou, sorrindo para te abraçar…no amor!
 
S.P.
Rita Raimundo de Sousa
( 93 anos )
6 de janeiro de 1929 - 3 de Junho de 1960

Sem pressa, agora só quero viver sem pressa

271243544_10223012277713991_3998587058193611787_n.

 

Gosto de escrever ao fim da tarde, quando sinto a noite chegar, encosto-me ao meu próprio ombro, deito-me sobre as palavras, vagueio por dentro dos sons, sentindo serenamente a melodia das letras a inscreverem no meu cérebro emoções e pensamentos. Mergulho por dentro do dia vivido. Penso, afinal, as palavras só fazem sentido quando dão sentido aos dias, quando nos fazem sentir os dias.

Um dos meus hábitos matinais é escrever um pensamento, palavras que nascem do tempo que vivo, de realidades, de atitudes, de temporalidades, pensamento que diariamente partilho na minha página do facebook.

Hoje, pela manhã, escrevi : “Crescer com dignidade é sentir a euforia da Liberdade, abraçar a coragem da memória, beijar a vida nos olhos. Ser poema.”

É como quem faz um exercício matinal. Um pensamento que não pode exceder um número limite de palavras. Divirto-me. São uma espécie de aforismos.

Crescer com dignidade, é isso que o começo de um novo ano faz nascer na minha consciência, porque penso que a beleza do tempo que vivemos reside no sentir que, em cada tempo, que é um novo tempo, nós só crescemos verdadeiramente quando nos superamos, quando vamos para além daquilo que somos, acrescentando ao que somos mais ser, nunca  negando, nem temendo, todo o tempo que faz parte da nossa vida, todo o tempo que fomos, sendo. Isso é que é lindo!

 

Crescer com dignidade é sentir a euforia da Liberdade, porque nós só somos, sendo seres livres, e, na verdade, só com liberdade individual e liberdade de comunidade, recriamos, criamos, erguemos o novo que nasce no velho. Dialecticamente.

Ser livre é sermos nós mesmos, com essa coragem de abraçar a memória e beijar a vida nos olhos. Tudo na nossa plenitude. É isso que faz que a nossa vida seja um poema. A consciência que todos os gestos se inscrevem no nosso crescimento. Ir mais além. Voar.

 

Hoje, pela manhã, cruzei-me com o Luís Filipe, artista plástico, neste começo de ano, como é habitual trocámos as palavras informais e os votos tradicionais de Feliz Ano Novo.

“Como vais?”, perguntou.

Respondi – “Sem pressa, agora só quero viver sem pressa”.

Ele sorriu, Concordou e comentou – “É isso, viver sem pressa”.

E, pouco depois, lá estava eu, a beber o meu café, enquanto olhava o Tejo, numa manhã  de neblina que escondia as colinas de Lisboa e apenas, um barco à vela, de brancas velas, rasgava o silêncio, escrito no branco da paisagem.

 

Levantei-me. Fui dar o meu passeio junto às margens do rio, cumprimentei uma gaivota que rasgava o céu, em silêncio.  

Andei por ali, sem pressa, sem pressa nenhuma, sentindo o silêncio, o cheiro da maresia, olhando o chão coberto de um manto de restos de «moedas inventadas» e de «corações vermelhos», as marcas da despedida do ano velho e os desejos lançados ao vento a anunciar o ano novo.

 

Encontrei o «Bóia». Falámos do Barreiro. Dos tempos da vila operária, terra de muitas gentes vindas de muitos lados, o que fomos e o que somos. Até aos dias de hoje, num tempo que  perdemos a coragem de abraçar memória e, dentro dela, a identidade que viveu resistindo, até ao dia que nasceu com dignidade a euforia que nos fez sentir o sabor da palavra da Liberdade.

Sim, hoje é um tempo que se faz e desfaz em números e sucessos. Despedimo-nos. Bom Ano.

  

Continuei, junto à margem do Tejo, deitando os meus olhos na ternura das ondas suaves.

Fui caminhado, por ali, junto ao Tejo, por onde irei sempre caminhar, sem pressa, porque, agora, cada vez mais, afinal, só quero viver sem pressa, sem pressa, apenas escrevendo poemas, nos olhos, porque, sei que viver-viver é apenas saber ser poema.

 

António Sousa Pereira

2 de Janeiro de 2022

Concelho do Barreiro nos Censos de 2021 Continua na via de envelhecimento e de perda de população É urgente inverter esta situação

 

271126315_10223001075753949_7499990648790329505_n.

Os Censos de 2021 são uma das matérias mais interessantes que o ano que ficou para trás deixa para reflectirmos, são um legado que permite abrir caminho para pensarmos a nossa realidade sociológica, e, muito particularmente avaliarmos as consequências sobre o território do concelho do Barreiro, quer os originados pela desindustrialização que arrastou consigo a descomercialização, quer da desferroviarização que nos colocou num gueto.

 

Nos resultados provisórios dos Censos de 2021, divulgado pelo INE, constatamos que em Abril de 2021 residiam no concelho do Barreiro 78.764 indivíduos, sendo 36.708 de homens e 41.651 de mulheres, registando-se de uma descida demográfica de 0,5% comparativamente aos Censos de 2011. Quanto a homens a descida foi de 1.7% (eram 37.347, em 2011) e, no que diz respeito a mulheres a descida foi de 0,6% ( eram 41,417, em 2011).
Na verdade comparativamente a 2011 continua a verificar-se um maior índice de mulheres na população residente.

Assim como em Portugal comparativamente com 2011 a população residente reduziu-se em 217 376 pessoas, representando um decréscimo populacional de 2,1%, o mesmo fenómeno verifica-se no concelho do Barreiro. Esta realidade da perda de população no concelho do Barreiro durante muitos anos foi uma arma de arremesso das forças de oposição ao PCP/CDU, força politica dominante.
Apesar de nos últimos anos no concelho do Barreiro se registar uma aumento de população estrangeira residente, tal não contribuiu para que se registasse a redução de população, apenas, certamente, contribuiu para estagnar o aumento do saldo negativo.

População com mais de 65 anos aumenta 17,8%

No concelho do Barreiro regista-se o mesmo fenómeno de envelhecimento da população do país, verificando-se um crescimento de 17,8%, na população com 65 e mais idade, comparativamente a 2011.
Nos Censos de 2021, residiam 8.435 homens, com 65 e mais idade, enquanto, em 2011 residiam 7.426, uma diferença de 13,6%.

No que diz respeito a mulheres, com 65 e mais idade, nos censos de 2021, eram 11.592, enquanto, em 2011 eram 9585, um aumento de 20,9%. No global a população residente com 65 anos ou mais registou um aumento de 17,8%.
Este fenómeno de envelhecimento da população também foi outra das armas de arremesso, durante décadas, das forças da oposição à força politica dominante PCP/CDU.

Ligeiro crescimento de alojamentos e descida no número de edifícios

No que respeita ao parque habitacional o concelho do Barreiro registou um ligeiro crescimento do número de alojamentos, na ordem de 0,1%, sendo nos censos de 2021 um total de 41.827 alojamentos, mas, no que diz respeito a edifícios, registou-se uma diminuição de – 1,2%, existindo nos censos de 2021 um total de 10.871 edificios destinados à habitação.

População com idades entre 25 e 64 anos desceu 7,8%

Ainda no que diz respeito à população residente, com idades entre os 25 e 64 anos, nos censos de 2021, registou-se uma descida de 7,7% .
Em 2011,entre os 25 e 64 anos, residiam 20.448 homens, enquanto em 2021, o valor baixou para os 18.850, menos 7,8%.
No que diz respeito a mulheres, em 2011, residiam 22.664, enquanto que em 2021, o valor desceu para 20.318, um decréscimo de 7,7%. No global, a população residente entre os 25 r 64 anos registou um decréscimo de 7.8%.

População entre os 0 e 14 anos reduz 8%

Ainda ao nível demográfico é importante verificar que nos censos de 2021, no que diz respeito a população residente com idades entre os 0 e 14 anos, igualmente, comparativamente a 2011, registou-se um decréscimo populacional de 8%.
Em 2011, com idade entre 0 e 14 anos, residiam 5.717 homens, enquanto, em 2021, registou-se um total de 5.279 homens, menos 7,7%.
Em 2021, residiam nesta faixa etária 5.046 mulheres, enquanto, em 2011 registavam-se o número de 5.504, verificando-se um decréscimo de 8.3%. No global, a população residente com idades entre 0 e 14 anos diminuiu 8%.

Nas idades entre 15 e 24 anos regista-se um aumento de 11%

Por fim, ainda de cordo com os dados provisórios divulgados pelo INE, nas idades entre 15 e 24 anos, regista-se um aumento de 11%.
Nos censos de 2021, residiam no concelho do Barreiro, com idades entre 15 e 24 anos, 4.144 homens, enquanto em 2011, eram 3.756, um aumento de 10,3%,
No que diz respeito a mulheres, em 2021, residiam 4.094, enquanto nos censos de 2011 registava-se o valor de 3.664, comparativamente verifica-se um aumento de 11,7%.

O Barreiro precisa de encontrar caminhos para se pensar.

O economista Luis Tavares Bravo, actual líder do PSD no concelho do Barreiro, nas últimas eleições autárquicas tentou colocar este tema em debate, mas esbarrou num muro de silêncio, no entanto, este é um tema actual, um tema que está estreitamente ligado à estratégia do PDM - que nunca mais sai da gaveta - do modelo de cidade e de concelho real, e não daqui a 500 anos, e, debater afinal, se o crescimento demográfico é indissociável apenas do crescimento imobiliário ou deve, sem dúvidas, passar pela atracção de empresas e encontrar soluções para os vazios urbanos gerados pela desindustrialização.

Na verdade, o Barreiro precisa de encontrar caminhos para se pensar.

António Sousa Pereira

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

COMUNICAÇÃO SOCIAL

AUTARQUIAS

ESCOLAS

EMPRESAS

BLOGUES DO BARREIRO

ASSOCIAÇÔES E CLUBES

BLOGUES DA MOITA

SAPO LOCAL

PELO DISTRITO

CULTURA

POLITICA

TWITTER

FACEBOOK ROSTOS

Em destaque no SAPO Blogs
pub