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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

As ruas são o miradouro da vida!

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Uma das coisas que mais me incomoda o pensamento é, de facto, quando penso que, nos dias de hoje, se quisesse, podia limitar-me a matar o tempo. Sim, viver os dias matando o tempo. Sentar-me e esperar, apenas esperar.

Por exemplo, sentar-me num café vagueando os olhos pelo movimento repetido dos dias, tecer comentários sobre aqueles que passam na rua, criticamente, porque quanto mais forte a critica, mais energia ela dá para matar o tempo. Acintosamente.

Na vida sempre foi mais fácil desmantelar, destruir, que construir ou erguer, todos os dias a novidade.

É mais fácil ficar pelo dizer, que assumir em consciência o fazer. É por isso, apenas por isso, que muitos desistem de viver e optam por matar o tempo. Acham-se donos do tempo, mas optam por ver, diariamente, nascer o vazio. Angústia que dói, nessa perfeição inútil de viver. Matar o tempo.

Sim, o tempo mata-se matando-o, deixando-o correr nos dias nas margens do sol.

Detesto pensar nisso. Só de imaginar o tempo a esvair-se nos meus dedos, enerva-me. Não me imagino, vivendo dentro dessa tortura dos nervos, com uma angústia a rasgar os nervos, matando o tempo, dentro do tempo. Inutilidade.

Eu não quero matar o tempo, quero ver o tempo nascer, dar-lhe asas, sentir que voa como o vento, no céu azul, rumo ao sol. Sorrir. Fazer.

 

A minha relação com o tempo, sinto-a, quando percorro as ruas da cidade, esse miradouro sobre a vida, aí, nas ruas, encontro todos os dias, os sinais do tempo. Os que vivem o tempo. Os que matam o tempo.

Sinto isso, sim, todos sentimos, no pulsar do quotidiano, casuisticamente, quando cruzamos os nossos olhos com outros olhos. Olhamos para dentro. Sentimos.

Um destes dias, pela manhã, fui percorrendo as ruas cidade. Senti, mesmo, como as ruas são um miradouro para a vida.

Em muitas pessoas que fui encontrando, recordava, uma história, uma memória, evocações do tempo vivido. Situações.

Senti a poesia num beijo. Fixei rostos com sorrisos. Senti as mãos apertadas noutras mãos. Vivi encontros vindos do fundo do tempo – “Eh Manel, nem o conhecia, há tanto tempo que não o via”.

Notei aquele movimento de alguém que, discretamente, faz que não vê, fugindo de cumplicidades. O desprezo da superioridade moral.

A rua é mesmo um miradouro sobre a vida. Caminhamos, e, nos passos por dentro delas, descobrimos todos os olhares, vemos, os olhares reais deste tempo, aqui e agora, e, até, ali, encontramos olhares perdidos na memória. Recordamos. Sim, foi aqui, nesta rua, que conversei contigo, pela última vez, antes de partires para o infinito. Saudade.

 

Vamos caminhando, de súbito, uma porta abre-se e sentimos, naquele instante, nascer do silêncio, a ternura de um olhar que aquece o frio matinal. Sorrimos. As ruas são vida a pulsar no coração.

Neste pulsar, sentimos os nervos a florir, brotando como nascente -  a vida, o tempo, o que somos, tudo,  só faz sentido se vivermos, vivendo.

Afinal, matar o tempo é, antecipadamente, matar a vida, assim, como quem enrola os nervos na solidão.

 

De há muito, habituei-me a olhar os dias e a vida pelos sentimentos que se inscrevem na memória, porque é nesse recanto da consciência, que estão todos os começos e recomeços, por isso, quando caminho no miradouro da vida – as ruas da cidade -  renovo energias.

Sorrindo, sempre sorrindo…

 

António Sousa Pereira

Dez anos, afinal, não é muito tempo…

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Há dias que são iguais. Há dias que são diferentes. Afinal, aquela diferença, que só nós, cada um de nós regista, lá no fundo de si, naquele lugar do silêncio, onde conversamos com os nervos e sorrimos.

Hoje, é um desses dias, um dia marcante no tempo que vivi, e, de facto o que conta na vida é o tempo que vivemos, o tempo que se crava em sementes, essas donde nasce a memória. A memória só faz sentido quando é o que fomos, o que somos e o que ainda estamos para um dia ser, porque a vida não é um estar, a vida é sempre, sempre mesmo, acima de tudo um ser – sendo!  

 

Hoje, pela manhã, fui aos CTT levantar uma carta registada. Enquanto aguardava a funcionária, que já conheço há alguns anos, dizia-me que ainda não tinha idade para se reformar, e, embora podendo já tomar essa opção, vinha para casa com algum corte, por isso a sua decisão foi ficar até ao fim  - “também se for para casa, sei que vou passar a vida em casa, por isso opto por estar a trabalhar. E levo a reforma completa”.

 

Escutava as suas palavras e recordava as minhas opções. Eu decidi optar pela aposentação, com todos os cortes. Porque,  entre os cortes financeiros e os corte no sonho de viver, optei de facto por viver.

Era uma ansiedade enorme, um desejo que nascia na carne e nos ossos do pensamento. Voar. Viver. Liberdade.  Sentir os dias e vivê-los com o prazer de fazer apenas o que me dava gosto fazer.  Dar vida aos dias. Tocar o sol.

 

Foi no dia 1 de Fevereiro de 2009. Faz hoje, precisamente, dez anos que iniciei essa nova vida.

O primeiro dia foi vivido ali, naquele silêncio, em conversa com as gaivotas, na praia linda do Baleal.

Um dia que escrevi ideias no meu caderninho. Projectos. Caldeiradas de Palavras. Tantos sonhos.

E muitos foram sendo construídos, com limitações, mas, foram semeando futuro. É que no futuro está sempre em aberto esse passo de realizar os sonhos.

Afinal, só quem deixa de sonhar é que enterra os sonhos. Matar um sonho é suicidar o futuro.

 

Sim, eu sei que foi esse tempo da troika que veio adiar, baralhar e travar todos os projectos. Tanta coisa adiada. Podia ter sido diferente, podia. Mas, apesar de tudo nunca desisti. Cá estou, tal como há dez anos a sonhar futuro.

Enquanto sonhar futuro, sinto, dentro do meu coração essa energia que faz sorrir, faz nascer emoções vivas nos dias e ignorar os que estão. Já vi tantos no estar. Os do ser, esses, são menos. São esses que ficam cá no meu respeito, são os que me marcaram pelo diálogo, pelas diferenças, pelas opiniões, pela dignidade.

 

É por isso que vivo os dias de hoje, cada vez mais, com este sentimento de liberdade, independência, serenidade. Todo o tempo é meu.

Vivo com intensidade esta paixão de comunicar, de pelo meu trabalho dar contributos para que sejam

partilhadas ideias, exista diálogo, haja abertura às diferenças, que se combatam as intolerâncias. Fazer democracia. Confronto de valores. Abertura de caminhos. Pluralismo. Cidadania activa.

Sinto isso todos os dias. Faz hoje dez anos, nos mais dez ou vinte que tenho pela frente para viver, é, será sempre este o caminho que vou seguir – com valores, com princípios. Os mesmos de todo o tempo que vivi – valorizar os direitos humanos, valorizar os direitos da natureza, valorizar as diferenças. Três Dês.

Isto é Liberdade. Isto é Dignidade. Isto é Democracia.  

Dez anos de lutas, contra  troikas financeiras ou contra troikas ideológicas. Afinal, dez anos não é muito tempo.

E, cá estou a sonhar futuro, sempre!

 

António Sousa Pereira

Rosto da Semana – Barreiro Carlos Moreira – Estar ao serviço da sua cidade

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Carlos Moreira, é um cidadão barreirense que forjou sua consciência de cidadania no movimento associativo, ali, no Silveirense Futebol Clube.
É um homem do Bairro, daqueles que aprendeu a viver a cidade no seu pulsar quotidiano.
Foi vereador da Câmara Municipal do Barreiro, responsável pela área das Finanças, nos tempos duros da troika, aquele tempo de fazer das tripas coração, os tempos que, afinal, abriram os caminhos para que hoje a autarquia viva dos melhores tempos de sempre, desde o 25 de Abril, ao nível económico e financeiro.

Foi Presidente da União de Freguesias do Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena, deixando marcas no seu trabalho e nas relações de proximidade que sempre manteve com o tecido empresarial e com o Movimento Associativo.

Um homem que tem no sangue a cidadania, a pureza de relações humanas, a simplicidade dos afectos, sem narcisismos, que sabe dar e receber, sem precisar de se colocar no poleiro das vaidades provincianas. Quem está com o Carlos Moreira, está com o Carlos Moreira.
Esta semana assumiu o desafio de liderar os Bombeiros Voluntários do Barreiro – Corpo de Salvação Pública, como presidente da Direcção de uma corporação que, no seu mandato, irá assinalar os seus 90 anos.

Aqui fica o registo e merecidamente, pelo seu exemplo de cidadania, de vontade voluntária de servir a cidade e o concelho do Barreiro, justamente atribuímos o Rosto da Semana.

S.P.

Rota 66 – «Podem ampliar aqui no Lavradio»

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Hoje pela manhã, fui comprar o jornal ali na J.J. Fernandes. Os comentários que se escutavam eram sobre o encerramento do balcão do Millenium, aliás, estavam por ali, na rua, trabalhadores, a tratar dos pormenores de envidraçar a zona onde, outrora, no passado, existiu o multibanco.
Alguém comentou : “Qualquer dia também fecham o Centro de Saúde, querem fazer um novo nos Fidalguinhos”.
“Sim, querem fazer nos Fidalguinhos, porque dizem que ali tem condições para expansão”, comentei.
“Se querem um com condições para expandir, não precisam dos Fidalguinhos, podem ampliar aqui no Lavradio, tem todas as condições”, responderam-me.
“Sabe, ninguém liga ao Lavradio. Isto está cada vez mais ao abandono”, disse alguém.
Despedi-me. Disse adeus e comentei : “Sobre tudo isto já escrevi e já não dou mais para estes filmes. Até logo”.
Fiquei a pensar, se calhar têm razão, por este andar, daqui a uns anos ainda encerram mesmo o Centro de Saúde do Lavradio.

Até sempre Zé!

A noticia chegou. Morreu o Zé Rato. Não sabia quem era, não o conhecia por esse nome. Pelas indicações da residência, tinha uma ideia. Por fim confirmei. Era ele. Ainda um destes dias, trocamos as nossas saudações e os votos de Boas Festas. Fiquei surpreendido.
Recordei que, ali, na Tarde do Fogareiro, ele chamou-me para tirar uma fotografia á malta e beber um copo. Era um amigo, sempre disponível para comentar coisas e loisas do quotidiano.
É isto a vida, de um momento para o outro, ponto final. Aqui fica este registo. Um grande abraço a todos os amigos e aos seus familiares, em especial, à sua companheira.

Um encontro com amigos

De tarde, após o almoço, dei uma volta pelo Barreiro. Fui ao café, ali, na esquina do antigo campo do Barreirense. Troquei breves palavras com Jorge Fagundes, com o Ruas e, por ali, apareceu o magriço José Augusto. A Lina ficou surpreendida ao notar a minha presença naquele local, que não é o meu «habitat».
Dar uma volta pelas ruas do centro da cidade, proporciona sempre alguns encontros e conversas, dá para ter uma «percepção» do pulsar da cidade, e, por vezes, obter informações «giras» de «gente gira».

António Sousa Pereira

Rota 66 - «Acordo de Geminação das Memórias» entre Peniche e Barreiro

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Aqui ficam os primeiros registos do ano 2019, da ROTA 66, este espaço aberto ao pulsar dos dias e da vida da cidade.

«Acordo de Geminação das Memórias», entre a cidade de Peniche e a cidade do Barreiro.

Hoje, o jornal «Público» edita, hoje, no Caderno P2, uma reportagem de patricia carvalho, sobre a fortaleza de Peniche, onde antes do 25 de abril, muitos conheceram as duras condições da prisão e isolamento.
Três barreirenses recordam as suas memórias desses dias – Álvaro Monteiro, Daniel Cabrita e Faustino Reis.
Nos tempos que passava as minhas férias na Ilha do Baleal, em Peniche, fazia parte do ritual, uma visita ao forte de Peniche. Uma homenagem aos que lutaram pela liberdade e democracia.
Foi aí, que um dia vi, aquela fotografia da GNR a agredir mulheres, e, que todos conhecemos como um ícone das memórias da resistência do Barreiro. Intrigou-me, porque dizia, na legenda, que aquela era uma acção de repressão, contra trabalhadores na Marinha Grande. Publiquei, então, um postal no Jornal do Barreiro, interrogando: Afinal é no Barreiro ou na Marinha Grande?
Leal da Silva, desperto, por este texto, analisou em pormenor a fotografia – as fardas da GNR, as referências do local e concluiu, em pormenor, que aquela fotografia era relativa a uma acção de repressão da GNR, contra trabalhadoras de fábricas da CUF, em Alcântara, Lisboa.
Uma mera curiosidade. Mas, outra nota que registei dessas minhas passagens por Peniche, foi a descoberta do «Diário de Peniche», de Henrique Galvão, um barreirense, que também esteve preso em Peniche. O capitão do assalto ao navio Santa Maria. Uma obra que é uma memória arrepiante.
Tudo isto, levou-me a defender, por razões históricas e emocionais, pela evocação de muitos outros barreirenses, que passaram pelas masmorras de Peniche, e, até, para inscrever estas memórias na nossa história colectiva, um acordo Barreiro – Peniche.
Sim, para que não se esqueça, devia ser feito um «Acordo de Geminação das Memórias», entre a cidade de Peniche e a cidade do Barreiro.
Tenho defendido esta ideia. Talvez um dia se concretize. Tenho essa esperança. E seria bom, de facto, que tal acontecesse, enquanto estão vivos, alguns dos que foram protagonistas dessas memórias da resistência.

Polidesportivo da Avenida da Praia

Hoje, pela manhã, fui dar uma volta pelo Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita. Gosto de passear por ali, dá para «lavar os olhos no Tejo», estender o pensamento pelo «Mar da Palha», observar a distância, e, até sentir o pulsar de Lisboa, nos aviões que chegam ou partem, nos barcos a navegar entre as duas margens.
Reparei que a obra de recuperação do polidesportivo da Avenida Bento Gonçalves, ainda está por concluir, apesar de ter sido divulgado em conferência de imprensa que a sua conclusão seria até ao final do mês de outubro de 2018.
Foi um projecto apresentado como modelar, que seria uma referência, até, por ser a primeira solução do género desenvolvida pela empresa.
Aquele que seria um projecto modelo, continua a aguardar a sua conclusão e, de facto, a continuar assim, certamente, é uma imagem negativa, pois, nem é nada de novo, nem a demolição do velho, foi, até ao momento, uma oportunidade para dar qualidade ao espaço nobre da Avenida da Praia.
Ao menos, que seja lá colocada alguma informação para que os munícipes fiquem informados das razões do atraso da obra.

Os restos do reveillon

Ah, é verdade. Já agora, como já passaram os dias de festa e réveillon, com uma maquineta daquelas de aspirar, podia ser limpa a zona do passeio Ribeirinho Augusto Cabrita, onde as notas de «500 euros» e os papelinhos da festa, por lá continuam a decorar o espaço, da nossa varanda do Tejo.

As paredes tinham ouvidos

Estive na Biblioteca Municipal do Barreiro, no dia que comemorou o seu 55º aniversário, ali, troquei umas palavras com António João Sardinha, um dos fundadores da antiga Biblioteca Municipal do Barreiro.
Ele recordou os tempos que um grupo de amigos, antes do 25 de Abril, juntava-se na cave da Biblioteca, para ler as Actas da Assembleia Nacional, para conversar sobre as intervenções dos deputados da chamada «Ala Liberal».
Referiu que, o facto do grupo se encontrar regularmente, naquele espaço, foi motivo de denúncia de alguém – um qualquer informador(a) – ao Presidente da Câmara, Adragão. Este chamou António João Sardinha, ao seu gabinete, para o interrogar acerca das razões e que conversas existiam naquelas reuniões.
Eram assim, os tempos de antes do 25 de Abril, quando “as paredes tinham ouvidos”. Todos eram vigiados, quer os do regime, quer os da oposição.

Os amigos

No decorrer da cerimónia da tomada de posse dos novos Corpos Sociais dos Bombeiros Voluntários do Barreiro, Frederico Rosa, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, expressou a sua satisfação por estar “no meio” de duas pessoas que “posso considerar amigos”.
O autarca estava ladeado por José Caetano, presidente da direcção cessante, e, Carlos Moreira, novo presidente da direcção.
Frederico Rosa, fez questão de sublinhar a sua amizade e que estava ali, entre, e, com os dois “amigos”.
Recorde-se que, José Caetano e Carlos Moreira são ambos militantes do Partido Comunista Português.
No começo de um novo ano, aqui fica este registo…

Depósito do antigo lavadouro foi demolido

Ali, na zona da antiga Sopa dos Pobres, o espaço da União de Freguesias do Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena, foi encerrado por questões de segurança.
O reservatório do antigo lavadouro, na Rua José Augusto Pimenta, estava em risco de colapso, sendo um perigo para os trabalhadores da autarquia.
Hoje, ao passar no local, registei que o depósito de água já foi demolido.
Segundo foi referido a demolição foi um investimento na ordem dos 100 mil euros.
Fica o registo. A situação está resolvida, um bom trabalho, com nota positiva, porque é sempre bom prevenir…

António Sousa Pereira

Barreiro - Pensar e projectar a construção de uma nova Biblioteca

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A Biblioteca Municipal do Barreiro assinalou hoje, dia 5 de Janeiro, o seu 55º aniversário. A Biblioteca faz parte da memória de muitos barreirenses, naturais, ou, mesmo daqueles que desta fizeram a sua terra.

Conheci a Biblioteca Municipal a funcionar, ali, naquela esquina da Avenida Alfredo da Silva, frente à Livraria Bocage. Foi ali que li o romance «Os Irmãos Karamazov», de Dostoievski.

Naquele tempo, os rostos da Biblioteca, que todos conheciam, eram a D. Alda, a D. Olga, outra funcionária cujo nome não recordo e a jovem Francisca Trindade, esta, mais tarde, como Chefe de Divisão foi a protagonista, conjuntamente com o Arquitecto Eduardo Porfírio, de todo o processo de implementação das actuais instalações, com visitas de estudo a Paris, para obter informação actualizada e moderna no funcionamento de uma Biblioteca Pública.

Estas instalações foram inauguradas nos finais dos anos 80. Recordo, como se fosse hoje, o dia da sua inauguração,  quando Helder Madeira, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, findou o seu discurso, o Mestre Augusto Cabrita, comentou  - “Brilhante discurso. Muito bom”.

Seguiu-se uma grande confusão de gente a entrar, afinal, todos queriam ser os primeiros a conhecer aquele espaço inovador e moderno no centro da cidade.

Recordo aquele beijo e abraço do Mestre Augusto Cabrita, foi a forma que ele teve para expressar a sua enorme alegria, pelo momento que estava a viver na sua terra, e, assim exteriorizou um gesto de ternura. Recordo.

 

A nova Biblioteca Municipal do Barreiro na época, para os que gostam de criticar e achar que no Barreiro o tempo parou, era considerada um exemplo, um modelo, um caso de estudo. Fomos pioneiros. O nosso problema é que, afinal, muitas vezes, em muitas coisas, ficamos no ser pioneiros

Sublinho que a nossa Biblioteca Municipal, na verdade, transformou-se num ponto de referência para a toda a Rede de Biblioteca Públicas, ao nível nacional. Era um exemplo apontado em diversos encontros regionais ou nacionais de e sobre Bibliotecas, por técnicos e por políticos e governantes. Muitos vinham visitar para conhecer, quando nos seus concelhos iniciavam projectos de construção de Bibliotecas.

 

Mas, o tempo foi passando e aquela que era um exemplo – um caso de estudo – pela qualidade funcional e pela sua diversidade de recursos, começou a ficar para trás, pelo país e pela região, foram nascendo novas Bibliotecas que superavam a já “velhinha” Biblioteca Municipal do Barreiro.

Foram sendo feitos investimentos em novas tecnologias, mas, de facto, o mundo transforma-se a um velocidade que exigia mais «percepção», mais «visão», mais «inovação».

 

Apesar de todas as dificuldades,  a Biblioteca Municipal do Barreiro foi actualizando o seu fundo Bibliográfico, muitas vezes devido à pressão dos seus leitores, estudantes universitários.

Nos dias de hoje, o Barreiro que quer ser uma cidade de referência na vida cultural, dizem mesmo que quer ser um «cluster criativo», devia começar a pensar e projectar a construção de uma nova Biblioteca, com novas valências, onde, como edifício âncora, pudessem existir em seu redor outras vertentes de estudo e leitura, nomeadamente o dito «Espaço J», ou até mesmo, a «Academia Sénior – UTIB».

Enfim, um projecto visionário, mas realizável, com recurso a fundos europeus, que contribuísse para dar qualidade de vidam e, de  novo, nesta dimensão cultural, o Barreiro tornar-se um caso de estudo.

 

Esta Biblioteca fez o seu tempo. Lá vai o tempo que, na verdade, ela, era o «AMAC» dos promotores da cultura municipal. Hoje continua a ser um equipamento municipal de qualidade, mas, para quem sonha um Barreiro melhor e maior, então, tem que existir visão para perceber e projectar uma nova Biblioteca Municipal do Barreiro - uma Biblioteca para o século XXI.

Alguém me dizia: “Sabe onde ficava um bom edifício de Biblioteca era no Palácio de Coimbra”.

“Dizem que vão fazer ali o Teatro  Municipal”, respondi.

“Que pena”, respondeu a especialista em bibliotecas, com quem estive a trocar breves palavras.

  

Em conclusão, parabéns aos trabalhadores da Biblioteca Municipal do Barreiro que continuam a dar o melhor de si, a inventar, a sonhar, para dar vida e manter vivo aquele espaço cultural no centro da cidade.

Eu sei. Sei mesmo. Porque ali, por ali, até sonhei, até fiz projectos, até inventei Laboratórios da Memória, coisas que ficaram na gaveta, e, tantas outras coisas, naqueles dias que por ali estive, durante cinco anos, na prateleira de silêncio, aquela onde são colocados funcionários públicos rotulados como “persona non grata”…

 

Gostei de estar por ali, hoje, em dia de festa, rever antigos colegas, com quem partilhei dias, emoções e forjámos amizades. É na vida real, no quotidiano,  no fazer, no dar e receber, no partilhar, que a amizade se inscreve no coração.

 

António Sousa Pereira

Há dez anos o espaço murado da fábrica abriu-se à cidade.

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Pronto, cá estamos em 2019. Uma década que está a findar. Os anos cruzam-se no vento que sopra por dentro da memória. O tempo, marca da eternidade, essa, de onde partimos e para onde vamos, navegando no silêncio, melodicamente. É vida.

Hoje, pela manhã, fui deitar os meus olhos nas águas do Tejo. Gosto de mergulhar meus pensamentos nas ondas. O rio. O mar. A fonte da vida. Um mistério. A distância. O silêncio. As gaivotas. A cidade na outra margem. No meu tempo de criança, na margem do rio, todas as manhãs, olhava o outro mundo, outra língua, outra gente. Nuestros hermanos.

 

Depois de percorrer as margens do Tejo. Encontrei, ali, junto à Igreja de Nª Srª do Rosário, o velho pescador – Má Raça – tisnado de ondas solares nos olhos. Um sorriso único.

“Bom ano”, comentámos. Apertamos as mãos. Apertar aquelas mãos é sentir o Barreiro nas suas raízes. O rio. O mar. Gente que faz história, porque a história escreve-se quando se inscreve na vida, nas memórias e estórias, não quando se diz, apenas porque se diz, que fez-se história. O mal de algumas pessoas é que acham que a história, todas as histórias, ou estórias, começam no dia que eles inventam, ou pensam que inventam, futuro. Muitas vezes, ignoram, por narcisismo provinciano, que nós, todos nós, escrevemos a história sobre a história que herdámos. Fazer história, é muito diferente de inscrever na história. Fazer história pode limitar-se apenas, a fazer o tempo que somos, como um rio que se faz todos os dias. Inscrever na história, é marcar o tempo. Dando vida, fazendo vida. Perspectivando futuro, que também é muito diferente de percepcionar futuro. Criando. Transformando. Como diria, talvez, o velho das barbas, fácil é interpretar o mundo, o difícil é transformar.

“Um ano de cada vez, não é preciso pressa”, disse-me o Má Raça. Concordei. Sorri. Ele ficou encostado na esquina, para sentir a energia do sol. .

 

Lá fui, sentindo aquela brisa do norte matinal a tocar a pele. Frio. Olhei o Tejo. Sempre o Tejo.

Encontrei, passeando junto à muralha, uma amiga, que, vive aquele tormento de caminhar pelos dias numa luta constante pela vida. Tragicamente. Dolorosamente.

“Não podemos desistir”, disse-lhe. “Isto vai”, diz ela, sorrindo. “Tem que ir”, comentei.

 

Dou uma volta pela cidade. Vou ao Forum Barreiro. Ali tomei o meu primeiro café de 2019. Encontrei a Cristina. Trocamos breves palavras e os tradicionais votos de bom ano novo.

Regresso. Passo pela Alameda da CUF, ali, na Rua da União, vou olhando a obra de VILHS, uma obra que marcou o começo do ano 2018.

Eu tenho este imenso defeito de ter memória. E quando passo pelas ruas, sinto a memória de tudo que se inscreveu naqueles lugares.

Há pessoas que não gostam de evocações da memória. Outras não gostam de citações de nomes que fazem parte da memória. Enfim. Eu não vivo com a memória, porque ela é tudo o que já não existe, mas, não duvido que a memória dá-me consciência de todo o tempo que vivi. Sou feliz com as memórias que me ensinaram a ser o que sou, a descobrir-me  neste presente, nesta cidade.

   

Percorro a Alameda. Recordo os muros. Quando percorria aquele espaço, recordava que, afinal, foi inaugurado, ontem, em Março de 2018.

Dou comigo a pensar que este ano faz dez anos, apenas dez anos, que o território da Quimiparque deu o seu primeiro passo para ligar a «fábrica» à  «cidade», com a abertura do atravessamento rodoviário entre o Barreiro e Lavradio. Um sinal que abria as portas a uma realidade inovadora, do ser cidade, do ser comunidade. A fábrica de muros, findava seu tempo. O espaço murado abriu-se à cidade.

Estas são marcas, que estão inscritas no território, que fazem história, porque rasgam os caminhos de outra história por construir.

Este acontecimento, histórico, sim histórico, o segundo passo do pós industrialização – o primeiro foi a luta contra a ETRI – marcou a abertura da fábrica à cidade, faz este ano 2019, dez anos. Afinal, apenas dez anos.

É assim que se faz história. Inscrevendo marcas nas memórias da cidade, essas marcas que contribuem para abrir portas ao futuro.

Olho a paisagem e penso, enfim, só quem não quer ver é que não vê, esta realidade, que prova na prática, sem “teorias cool”, de facto, o Barreiro mesmo nestes tempos de troika, de luta e resiliência, não parou no tempo, transformou-se e, de facto, mudou tanto nos últimos dez anos.

Dou comigo a pensar sobre este tempo vivido, neste tempo, que marca o começo de mais um ano, o fim de uma década, que anuncia outra década.

A vida não pára, mas, hoje como ontem, há velhos do restelo que teimam em parar o tempo, por dentro do tempo querendo negar as mudanças, apenas, interpretando.

É mais fácil. Difícil é transformar!

Afinal, foi só há dez anos que o espaço murado da fábrica abriu-se à cidade.

 

António Sousa Pereira

«Ginjinha de Natal» o sentir da coesão social barreirense

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A «Ginjinha de Natal», ao fim da tarde, no dia 24 de Dezembro, com origens em movimentos jovens nos anos 90, que outros, dizem, ter raízes operárias, que se manteve e cresceu, sem patrocínios municipais, sem reconhecimentos municipais, era, de facto um ponto de encontro anual para rever amigos, reencontrar rostos que partiram e, neste dia regressavam, para um caloroso abraço ou beijo, inscrevendo na vida a palavra BARREIRO, como um sentimento único, esse, que muitos de nós, desde sempre aprendemos a viver no respeito das diferenças. Esse sentimento que nasceu na cultura da fábrica, de operários e técnicos, de empregados de escritórios e médicos, de pessoas que sentiam a palavra BARREIRO, como raiz, natural, de uma forma de ser e estar – o Barreiro cool, o Barreiro naif, o Barreiro da Liberdade, o Barreiro provinciano e cosmopolita. O Barreiro sentido como identidade – terra de trabalho e terra para viver.

 

A ginjinha do Natal era bem um simbolismo de tudo isto, ainda é,  um pouco, um simbolismo de tudo isto, por ser natural, um encontro de pureza de sentimentos, feito de um gesto, um único gesto – estar por ali, a conversar, a beber, a festejar, a resistir a forjar a amizades, que se guardam no coração. O empregado, o engenheiro, o doutor, o funcionário público, o professor, o médico, o operário, o católico, o protestante, o socialista, o comunista, o social democrata, o bloquista, o motorista, o bancário, o ateu, o crente…as diferenças, na indiferença.

 

Um abraço fraterno de quem vive na mesma terra e sente a energia da terra num abraço, que rasga as fronteiras dos conflitos ideológicos, que não é por beber um copo de mãos dadas que deixam de existir, mas, isto é o Barreiro, o mesmo de sempre, aquele que resistiu e lutou para ver nascer Abril, ou que festejou a República, no dia 4 de Outubro, aquele que viu seus filhos nas prisões de Peniche e do Tarrafal, e, quando viaja pelo mundo sentia orgulho em afirmar: “Eu sou do Barreiro”.

 

É esta a terra dos meus filhos. Que todos os anos lá estão, todos, no meio da multidão, com os seus amigos, com alegria a beber a ginjinha de Natal, antes do encontro da família.

 

A ginjinha de Natal é este elemento de coesão social barreirense. É, também um  evento que trás amigos ao Barreiro, demonstrando como nós gostamos de receber e abraçar quem nos visita.

Este não é, nunca foi um evento municipal, é, um ponto de encontro, um espaço de liberdade. Um evento que teve a sua primeira projecção nacional com uma reportagem na SIC, feita por uma barreirense, Catarina Neves, um sinal que, de facto, de ano para ano, este ponto de encontro, estava a afirmar-se como um  momento de referência de promoção e valorização das gentes do Barreiro, nos seus hábitos e costumes. Um terra com uma cultura que está no sangue e se escreve – em cada esquina um amigo!

 

É esta energia da ginjinha de natal – um ponto de encontro, de convivio.

Fica o registo como ROSTO DA SEMANA, para que se mantenha na sua natureza e essência, com os votos que não se transforme, em mais um evento municipalizado, nem na «ginjinha do marcelo», nem noutra ginjinha qualquer, que fique, isso e apenas isso, que continue a ser por muitos anos …a ginjinha da Liberdade e da Amizade.

 

António Sousa Pereira

Pensar Barreiro. Fazer Barreiro

Fui, hoje, até à zona do POLIS, com a curiosidade para ver, de perto, aquela nova iniciativa de arte urbana Art In Town - Arte Pública no Barreiro, um projecto que resulta de uma parceria entre a ADAO – Associação de  Desenvolvimento de Artes e Oficios que, desde há alguns anos, tem vindo a contribuir para embelezar o espaço público e inscrever memórias e história na vida do concelho do Barreiro.

 

Quando ali cheguei, olhei, observei, senti o espaço, as cores, e, ao olhar o meu pensamento viajava no tempo, pelo país até Braga ao Porto, e, até, voei a Amesterdão. Gostei. Dar dimensão cosmopolita ao Barreiro. Gerar afectos pelo Barreiro. Cultivar o amor ao Barreiro. 

Parabéns. Uma ideia gira. Uma ideia que, também, contribui para integrar aquele espaço no conceito de “cidade” que, defendo desde há décadas, que deve estender-se a todo o concelho. O concelho –cidade.

Aliás, está colocado mesmo, ali, nos limites do território da cidade. Aquele território, no plano administrativo enquadra-se nas fronteiras da cidade ( a extinta freguesia da Verderena e a freguesia de Santo André, fora da cidade).

O território da cidade corresponde aos espaços urbanos das antigas freguesias do Barreiro, Verderena e Alto do Seixalinho.

 

Estive por ali, uns instantes. Sentindo a paisagem. Recordando os dias quando deambulei, saltando os muros das comportas, ao longo da chamada Caldeira do Alemão.

O que isto era e o que isto é…tantas mudanças, muitas delas, na verdade, concretizadas nos últimos 12 anos. Sim, nos últimos dozes anos. Estes, na verdade, serão, no futuro, sempre uma referência na vida politica e autárquica do concelho do Barreiro, pode mesmo dizer-se que são uma fasquia que existe, para subir, para quem ache que pode fazer melhor e consegue fazer melhor.

 

O projecto POLIS nasceu na gestão de Pedro Canário, um grande projecto que incorporava uma área territorial que se estendia até a  intervenções na zona de Alburrica e Quinta de Braamcamp. A candidatura foi recusado por um governo PS, liderado por José Sócrates.

 

Na gestão de Emídio Xavier, com uma reformulação da candidatura, em vez de todo o espaço anterior, na verdade, o projecto ficou circunscrito àquela zona, perto do Bairro 25 de Abril, da Verderena e Santo André. A candidatura foi aprovada, ou pré- aprovada.

Na prática, no terreno, o programa POLIS arrancou na gestão de Carlos Humberto, que herdou, este projecto, da gestão socialista.

Assim, ali, nasceu uma das primeiras intervenções de aproximação do concelho às zonas ribeirinhas.

Recordo outros intervenções foram realizadas posteriormente, visando ampliar a área de intervenção e de ligação do POLIS à zona da «Torralta».

 

De referir que, nos últimos 12 anos, na gestão de Carlos Humberto as obras do POLIS e da Avenida da Liberdade, foram uma marca dos seus mandatos, que revolucionaram a margem do Rio Coina – aquela linda paisagem que se estende até Palhais e Seixal, com os olhos para o Cristo Rei, em Almada.

As obras estenderam-se desde a zona de Santo André até à Verderena, na Avenida da Liberdade, aproximando a cidade do rio.

 

Naquela zona, estava em aberto, ainda a requalificação dos terrenos envolventes ao Estádio do Futebol Clube Barreirense e zona do Continente. As garantias bancárias foram desbloqueadas pelo actual executivo municipal e, em breve, ali, as obras vão arrancar e dar uma nova imagem ao território, valorizando mais e mais, aquele espaço do POLIS e atraindo investimento imobiliário .

O POLIS é, sem dúvida, o ponto de ligação entre a cidade urbana, as margens do Coina até Palhais,  o Sapal do Coina e a Mata da Machada, com um braço para a zona de Alburrica.

E, numa visão com  mais escala, será no futuro a ligação ao Seixal, por um ponte pedonal, adiada, por falta de visão de futuro, por se pensar «barreirinho«, quando se devia pensar Barreiro.

 

Foi isso que li ali, hoje, pela manhã, na zona do POLIS, que o conta é o BARREIRO.

Ao olhar para aquela arte urbana comecei a imaginar, os discursos que vão nascer em torno desta iniciativa, neste tempo, com uma vida local,  marcada de batalhas de prós e contras.

 

Então, dei comigo a pensar que esta obra de arte urbana, de facto, de uma grande simplicidade, pode ser tomada como um grande exemplo de reflexão sobre a acção politica.

 

Aquela obra de arte urbana tem uma virtude, de nos vir dizer, objectivamente, como se transformou um território, ao longo de sucessivas gestões – PS e PCP/CDU.

Como a intervenção num território uma gestão herdou de outra gestão, como esta gestão herda de outra gestão, e, a vida transforma-se e a paisagem modifica-se, no tempo, com o tempo, com a vida. O que fica é a obra realizada. Por muito que os discursos políticos queiram apagar a história e reescrever a história, o que está inscrito  no terreno – é a obra!

 

Aquela obra de arte urbana, acrescenta valor ao território, dá-lhe dimensão e e insere-o numa visão estratégica do fazer cidade.

Não é preciso falar, ou criticar a gestões anteriores para fazer o novo, é fazendo o novo que se faz diferente e se inscreve no presente o futuro.

O importante é ter visão de cidade, construir uma visão de cidade, uma concepção de cidade …é isso que falta ao Barreiro. Não é de hoje, é de há décadas, porque nunca existiu um consenso sobre o rumo que se quer para este território – da cidade e o resto...

Ao longo dos anos, principalmente com o processo final de desindustrialização, a autarquia assumiu-se como um dos principais empregadores.

Isto a juntar a estratégias de municipalização da vida local – no plano cultural e desportivo, na solidariedade social, foi assim, tem sido assim, continua assim, razões porque não nasce um debate sério sobre a cidade e, igualmente, sobre cidadania.

Hoje não se discutem politicas. Hoje, há guerrilha politica urbana.

Tudo isto, ao longo dos anos, em nada tem  contribuído para promover uma debate sério, que avalie a sério das diferenças, que se encontrem caminhos, que ajudem a pensar Barreiro e a fazer Barreiro – afirmar e fazer a nossa diferenciação na região.

 

Olhei aquela palavra BARREIRO. Pensei Barreiro, a terra onde aprendi a sentir a palavra Liberdade. Pensei Barreiro, a terra que tem no seu viver quotidiano a palavra solidariedade.

Pensei Barreiro e, senti, que com esta palavra viajo pelo mundo…

Vamos lá Barreiro… eu gosto de viver aqui, e, sem dúvidas, com todas as diferenças – Pensar e fazer Barreiro!

 

António Sousa Pereira

 

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Rota 66 - Da quebra de protocolo ao dar voz aos utentes

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A «Rota 66» vai começar sua edição regular, aqui, vai ficar o registo do outro olhar sobre o quotidiano.

 

A importância do Rostos do Ano

 

No auditório da Escola Superior de Tecnologia do Barreiro decorreu a sessão de entrega das distinções de «Rostos do Ano 2017». A sala estava bem composta, com a presença de quase todos os, homenageados, com excepção de Luciano Barata, que tinha assumido compromissos para um evento cultural, nesse mesmo dia, e, Nuno Santa Clara, ausente no norte do país.

Estava um ambiente bonito, com grande calor humano. Uma alegria que pulsava nos olhos. Os amigos. A família. A cidade.

A sessão decorreu com dignidade e muita emoção. Um a um, os homenageados receberam as distinções e, todos, podemos sentir os motivos, as razões, os factos que justificaram que, aqueles rostos, recebessem através da imprensa regional este reconhecimento – o nosso OBRIGADO – pelo contributo que deram para valorizar o concelho do Barreiro.

É, de facto, esta a importância da atribuição dos ROSTOS DO ANO – são os rostos que nos fazem pensar cidade, sentir cidade, fazer cidade. São rostos que demonstram que somos uma cidade plural, feita de diferenças, mas que, nas diferenças cultivamos a solidariedade.

A importância dos ROSTOS DO ANO é, afinal, esse registo que os homenageados guardam para a história das suas vidas, de um  momento que ficará inscrito na nossa memória colectiva.

O jornalismo local e regional também tem esse papel de ser um registo vivo dos factos e pessoas que, aqui nas nossas páginas, no futuro, serão algumas das referências do que resta da nossa memória colectiva –a cidade e os rostos que fizeram cidade!

Esta é, sem dúvida, uma forma humanizada de, ano após ano, assinalarmos os nossos aniversários – este ano foram 17 anos de vida.  

 

Protocolo foi quebrado

 

Foram inauguradas as novas instalações do Serviço de Urgência Geral do Hospital do Barreiro, com a presença da Secretária de Estado da Saúde, Raquel Duarte.

Após a intervenção do Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Barreiro Montijo, o descerramento da placa evocativa, e, a intervenção da Secretária do Estado, protocolarmente, mais ninguém devia intervir. São as regras da coisa pública.

Mas, para espanto de quem assistia, foi dada a palavra a Frederico Rosa, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, para dizer que este era um passo muito importante para o Barreiro. Aliás, esse foi instante registado em vídeo sobre a cerimónia que, nesse mesmo dia, o sector de produção de vídeos da CMB, divulgou nas redes sociais.

Mas, não deixa de ser curioso, se o protocolo foi quebrado, com a intervenção de Frederico Rosa – eleito PS - não se percebe quais as razões, porque Rui Garcia – eleito CDU - presidente da Câmara Municipal da Moita, que estava a seu lado, não tivesse sido convidado para expressar os seus sentimentos.

É que, na verdade, a obra inaugurada é, sem dúvida, tão importante para o Barreiro, como é importante para a Moita, para o Montijo ou para Alcochete.

De facto, todos os quatro concelhos vão beneficiar deste importante melhoramento no SNS.

 

Utentes são parceiros

 

Na sessão que decorreu, no Auditório do Hospital, a anteceder a visita às novas instalações do Serviço de Urgência Geral.

Foi projectado um vídeo, que foi fruto do acompanhamento das obras, permitindo observar as condições que existiam, as obras realizadas e a realidade actual, uma diferença abismal, do dia para a noite.

No vídeo foram registadas algumas palavras do Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Barreiro Montijo e de elementos da Comissão de Utentes.

Registámos esse facto, de o CHBM, no seu vídeo convidar a Comissão de Utentes a dar a sua opinião sobre as obras.

Este registo vale mais que um simples registo, ele, é, sem dúvida, o reconhecimento por parte do Conselho de Administração do CHBM que a Comissão de Utentes é um parceiro, que, pela sua acção contribui para que a instituição concretize melhoramentos.

Está de parabéns o Conselho de Administração, por, com este seu gesto, de dar voz à Comissão de Utentes, salientar que os protestos dos utentes, as suas exigências e manifestações à porta do Hospital, foram contributos positivos para atingir as metas de modernização.

Afinal, o Serviço Nacional de Saúde existe para prestar serviço á comunidade, e, quem presta serviço à comunidade, em primeiro lugar, deve respeitar a comunidade, porque é com ela, e para ela que existe na prestação do seu serviço.

Gostei deste registo de vídeo.

S.P.

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