Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

«Habemus Terminal»! «Gostava de ver, no Barreiro, um Porto a sério»

 

47441242_10214905008037316_8063073638154240000_n.j

 

No ano de 2015, entrevistei Ramalho Nascimento, uma personalidade que conhece, por dentro e por fora, a realidade portuária do Barreiro, um perito, que desenvolve a sua actividade no Barreiro, desde os tempos do Porto da CUF, quando tinha mais de 300 postos de trabalho directos, até, aos dias de hoje, naquele, que é, agora, o Porto da Atlanport, onde existem um pouco mais de uma dezena de postos de trabalho directos.

 

Essa entrevista foi, para mim, sempre uma referência, quando se tratava de reflectir, ou escutar as conversas em torno dos projectos de aumento da capacidade portuária no Barreiro.

Recordava as palavras, daquele senhor, especialista na matéria que, nas vivências da realidade, integrava os quadros de gestão de topo, de um porto a funcionar, aqui no Barreiro, gerido pelo maior grupo de actividade portuária em Portugal.

 

Outra nota, que tinha na minha mente, era uma conversa que foi promovida pelo Grupo de Reflexão Barreirense, ligado ao Partido Socialista, onde se questionou : uma actividade como esta é, ou não compatível com o Barreiro? Temos ou não temos modelo de desenvolvimento para o Barreiro?

Nessa conversa, considerou-se necessário reflectir sobre o “modelo de desenvolvimento” que se pretendia para o Barreiro e se, a vinda do porto, iria contribuir para esse desenvolvimento.
Referia-se, então, que era “possível construir um Terminal de Contentores no Barreiro”, mas, estava em aberto as dificuldades que podiam existir ao nível de infraestruturas – rodoviárias e ferroviárias.

Igualmente, ali, foram colocadas  dúvidas sobre os impactos ambientais, questionando-se, se o Terminal de Contentores seria uma solução, ou se, seria o agravar dos problemas no Rio Tejo, não como um problema do Barreiro, mas um problema da região.

 

 

Estas eram reflexões que colocava na minha mente, ao escutar Ministros, Secretários de Estado, Bastonários, Autarcas, engenheiros, doutores, todos os que comentavam e teorizavam em torno desta temática.

E, foi, assim que senti a evolução do conceito, inicialmente, falava-se em Terminal de Contentores do Barreiro, depois começou a falar-se em Terminal Intermodal, um conceito acarinhado pela APL e pela CMB. Um modelo?! Uma visão?!

 

A questão central era pensar um modelo de cidade, um projecto de cidade, e, de que forma, a actividade portuária acrescentava cidade à cidade.

 

Hoje, após todos os debates que acompanhei e, até, moderei, sobre esta matéria da actividade portuária, continuo a pensar que o problema do Barreiro, no seu pós-industrialização é, que, até aos dias de hoje, não foi capaz de pensar um projecto de cidade. Que cidade quer ser na região? Que cidade pode ser na região?

 

Foram lançadas achas, especulações, visões, essas que foram nascendo, sempre, no calor das lutas pelo poder, no ser poder, no querer tomar o poder. Depois, ponto final. Tudo começa de novo. Do nada, porque não há nada, apenas experimentação.

Gostei de um dia, numa entrevista, registar aquela frase do então candidato à presidência da Câmara, agora presidente, Frederico Rosa, que não era o Barreiro que tinha que se adaptar à estratégia do Terminal, mas era o Terminal que tinha que se adaptar à estratégia do Barreiro. Aplaudi. Subscrevi.

 

E, de facto, o que acontece a uma cidade que se digladia em torno de lutas de conveniência, resta-lhe viver em torno de circunstâncias de conveniência. Porque não sabe o que quer ser, nem para onde vai…está, vai indo…!

 

Por fim, quem pensa a região, quem pensa o país, olha para um território que está nesta margem – um potencial – e vê, imagina, como pode dar a este espaço alguma utilidade para a capital do país, no âmbito de uma estratégia nacional, que quer valorizar Portugal como plataforma atlântica. É natural.

 

É por isso, apenas por isso, que hoje o Barreiro, vai ser transformado na Mitrena de Lisboa. Pior. Porque a Mitrena de Setúbal, é um Porto multimodal, com projectos de futuro, que não colide, em nada, com outras dimensões da cidade, nem com a sua qualidade de vida.

O Terminal de Contentores do Barreiro vai ser isso, e, apenas isso, uma plataforma de transição de cargas e descargas, com barcaças a transportar para a margem sul. Cá estaremos para ver quando chegarem os estudos de mobilidade. 

    

E, nos dias de hoje, quem ousar estar contra este «modelo», que não significa estar contra o Terminal, está feito – “é um velho do restelo”, era a favor, agora é contra. Incoerência. Não foi o projecto que mudou. Foram os «Velhos do Restelo», que estavam aziados, e, agora, estão com diarreia.

É assim, tudo se resolve facilmente, primeiro reduzindo os debates e os confrontos de ideias a “doses de azia”, ou, agora mais recentemente, com outra dimensão mais profunda, regista-se, que o debate de ideias, já está no patamar das “doses de diarreia”.

Ninguém liga, até, ao facto de novas realidades que emergem na região, mesmo, no plano imobiliário, na atracção de empresas de serviços, que pode ser uma alavanca para repensar o revitalizar e requalificar todo território do Barreiro, até mesmo, o nascer do nosso Parque das Nações. Visões!

 

Quando escutei Bruno Vitorino, na reunião de Câmara até pensei que ia votar contra, o mesmo quando escutei o discurso da CDU. Só o “executivo socialista”, estava convicto que este projecto faz parte do seu projecto de cidade e da cidade do século XXI.

Mas, enfim, lá foi aprovado o parecer favorável ao Estudo Impacto Ambiental, com um – “sim-sim”, com «‘sim’» e com um «nim». Tudo está bem, quando acaba em bem, afinal, o Terminal vai ser uma das «âncoras» do novo modelo de cidade pós-industrial. 

 

Voltando, às reflexões iniciais, sublinho o que era o discurso da APL, da CMB, do Governo do PSD/CDS-PP, a defesa inequívoca e convicta, não de um Terminal de Contentores do Barreiro, mas, sim de um «Terminal Multimodal do Barreiro».

Um Terminal  que, como defendia Ramalho Nascimento, “a ser construído”, deveria servir  “para todo o tipo de cargas”, porque  se for só dedicado a contentores não via nele sustentabilidade – “porque só movimenta produtos acabados”. Talvez, por esta razão, agora, os grandes interessados são os chineses. Lá tem que ser.

 

E, nesta fase, após o fim do período do estudo de impacto ambiental, com a aprovação do Parecer Positivo, por parte da Câmara Municipal do Barreiro, numa reunião com uma animada discussão, que, sem dúvida – vai servir de memória futura.

A posição do executivo municipal é favorável ao Terminal de Contentores do Barreiro – com os votos favoráveis do PS e PSD, e, a abstenção da CDU.

O assunto está encerrado. Habemus Terminal!

 

Recordo, ainda, na tal entrevista a Ramalho Nascimento, que citei, é dito que o Porto da Atlanport tem contrato até 2025, e, que tem, ou tinha, um programa de investimentos, para aumentar a capacidade, recuperar as infraestruturas e equipamentos.

Pelo que se observa nos desenhos do Estudo de Impacto Ambiental, este porto vai continuar a manter a sua a actividade, em paralelo com a instalação do Terminal de Contentores do Barreiro.

“Gostava que se desenvolve-se um Porto a sério no Barreiro, mas tem que ser mais que um Porto de Terminal de Contentores, tem que ser um Porto Multimodal. Se for multimodal tem pernas para andar ”, afirmava Ramalho Nascimento, nessa entrevista, aqui fica, para memória futura.

“Gostava de ver, no Barreiro, um Porto a sério”. disse, Ramalho Nascimento. Registe-se. 

 

Não sei se estou contra, nem sei se estou a favor. Começo a pensar que me é indiferente. Já vou viver pouco futuro. Tentei. Entrevistei. Comentei. Agi.  Participei em debates. Tudo sempre com a ideia de ajudar a fazer Barreiro, um Barreiro que tinha que se reencontrar com um novo projecto de cidade.

Continuo a pensar que nós, barreirenses, naturais ou aqui residentes, que fizemos desta terra a nossa terra, fomos incapazes de pensar, discutir e fazer Barreiro, conceptualizar um modelo de cidade. Muita parra e pouca uva. Muitos culpados e poucos actores.

Fomos incapazes de largar amarras e construir uma nova cidade que, crescesse nesta sua pequena dimensão territorial, da Barra-a-Barra até Coina. Um território lindo. Um laboratório do fazer cidade.

Optámos sempre por fazer Barreiro com a memória da CUF, com o território da CUF. É isso que, talvez, vamos ter no século XXI. Hoje, como no passado a CUF, mais uma vez, o Tejo vai sendo aterrado.  

Que lindo foi o Masterplan!

 Que lindo o Plano de Urbanização do Território da Quimiparque e zonas adjacentes!

Que lindo que era o Terminal rodo-ferro- fluvial no território da Baía do Tejo.

Que linda a marina na zona do Terminal Ferro-rodo –fluvial, ali  no Coina, que afinal, vai avançar no Seixal.

Que linda aquela estação ferroviária – estilo estação oriente – na zona do Lavradio!

Que lindo o cluster de artes criativas?

Tudo lindo…uma visão! Cansei-me de filmes.

 

Porque, afinal, digo-vos, mesmo com todas estas conversas – só vendo! Vamos lá ver se ainda vivo para ver. Talvez.

Para já, isto tudo, que se diz e escreve, é, sem dúvida, o politicamente correcto. Depois dos processos eleitorais veremos. Tudo depende dos chineses.

 

Afinal, para manter o clima em suspense, foi sempre mais fácil arranjar um bode expiatório. É sempre mais fácil, assim, tudo se resolve, seja pela azia ou pela diarreia. Agora está mais ao nível da diarreia.

 

Entretanto vamos adiando o Barreiro.  Uma cidade sem projecto de cidade. Uma cidade sem estratégia.

Uma cidade que se autoflagela. Uma cidade onde o maior empregador é o estado.

Uma cidade envelhecida, que vive à conta do estado. Uma cidade de filhos e netos de comunistas, socialistas e anarquistas, que acusam os pais e avós de todos os males do mundo.  

Uma cidade que vive à sombra do que foi, de saudades e recordações. Que lindo que era o Barreiro, com milhares de postos de trabalho e milhares de pessoas nas ruas nestes dias de natal.

“É Nataaal É Nataaal”, ainda escuto aquela voz do ceguinho, ali, na Rua Miguel Bombarda, no meio de uma azáfama enorme de gente.

 

Uma cidade destruída no seu tecido empresarial ferroviário, químico, metalomecânico, sem que fossem criadas alternativas.

Uma cidade cujo comércio foi destruído pela crise da desindustrialização e, hoje, a culpa, é o Forum Barreiro, apontado como o causador dos males do comércio local. Haja um culpado, tudo se resolve.

Uma cidade que há dez anos atrás era uma das que tinha dos mais elevados índices de licenciados na AML, e, até, um dos mais altos índices de poder de compra per capita, e, hoje, é um dos concelhos, no país, com mais baixo índice de poder de compra «per capita».

 

Uma cidade onde, apesar de tudo, há homens e mulheres resilientes, que lutam, sonham e acreditam…nós vamos conseguir!

Está a nascer um Barreiro novo. O meu desejo é que sejam felizes!

«Habemus Terminal»! Feliz ano novo!

 

António Sousa Pereira

Felizmente há Liberdade!

amontijo 013.JPG

Nunca consegui perceber,

aqueles que falam de olhos

abertos, mas tisnados de azul.

 

Escuto as palavras a sangrar,

nos olhos escritos de nervos,

um lápis vermelho cortando.

 

Fantasmas de luz, os medos,

unidos em torno de inimigos,

mostram total ausência de sol!

 

Murcham flores no pensamento.

Os gritos são ecos, ou penumbras.

A esperança são chamas de vidro!

 

No luar escrevo um adágio:

Felizmente há Liberdade!

 

António Sousa Pereira

SER

amontijo 006.JPG

Há um tempo para pensar,
há um tempo para dizer,
há um tempo para fazer,
mas, pensar, dizer, fazer,
pode ficar pelo parecer,
quando o dizer é pensar,
como vou sobreviver!

Há um tempo para pensar,
esse que nos faz crescer,
quando o nosso caminhar,
é isso, e só, viver o verbo Ser!

É tão lindo...envelheSER!

S.P.
1 de Dezembro de 2018

Palavras

amontijo 005.JPG

 

 

As palavras não são grades,

onde prendes teus sentimentos.

 

As palavras não são grades,

onde escondes teus pensamentos.

 

Podes escrever a palavra amor,

podes escrever a palavra saudade.

 

As palavras não são grades,

quando escreves com dignidade.

 

As palavras não são grades,

ritmos de morte ou de vida,

elas, quando nascem no teu ser,

são sonho, energia, até…poesia!

 

António Sousa Pereira

Terminal tem que se adaptar à estratégia do Barreiro

46n.jpg

 

Em tempos idos, ainda não muito recuados, e, até, na última campanha eleitoral autárquica, uma das teses, por vezes, emergente na teoria politica local, assentava na afirmação que a gestão autárquica da CDU, ao longo de décadas, não tinha uma visão de cidade, não projectava futuro, apenas se limitava a “correr” atrás dos projectos oriundos do Poder Central, ora a Terceira Travessia do Tejo, ora, mais recentemente, o Terminal de Contentores do Barreiro.

Ocorreu-me isto ao pensamento, neste tempo, que, de novo o tema do Terminal de Contentores do Barreiro, está na agenda da vida politica local. Recorde-se que, até ao próximo dia 7 de Dezembro, está a decorrer o processo de Consulta Pública do Estudo de Impacto Ambiental, que contempla o novo projecto de localização do Terminal.

E, afinal, cá estamos, de novo, naturalmente, em torno de projectos oriundos do Poder Central, para desenvolver o futuro daquele território, nomeadamente, os 400 Hectares da ex-CUF, cuja única e exclusiva competência para que, na verdade, algo, ali aconteça, será apenas, e só, da responsabilidade do Poder Central.
O Poder Local vai atrás. A única opção que lhes resta é pensar, ver e agir, como pode e deve potenciar os projectos em curso e enquadrar os mesmos com o tecido urbano, de forma que os ditos projectos sejam um contributo para a valorização do concelho. O resto é mera conversa de circunstância.
Foi isso que, digam o que disserem, na verdade, verificou-se no decorrer da gestão CDU. Os assuntos eram debatidos, ou abordados, regularmente nas reuniões de Câmara, de forma a manter informados e enquadrados todos os vereadores, de todas as forças politicas, porque era preciso e importante unir todos em defesa dos interesses do Barreiro, fosse qual fosse o governo.
Sobre esta matéria do Terminal, ao nível de vereação, ou mesmo na Assembleia Municipal, raramente foram registadas divergências.

É preciso entender que uma decisão de implantação do Terminal de Contentores do Barreiro, pelo governo, no território da Baía do Tejo, sendo uma decisão do Poder Central, a mesma deve contar com a parceria do Poder Local, não porque o Poder Local é da mesma cor politica do governo, mas porque, a decisão do governo
vai influenciar e determinar a qualidade de vida do concelho e da cidade, e ao Poder Local compete, em primeiro lugar, zelar pelo desenvolvimento do concelho e nunca hipotecar o seu futuro.

O Poder Local ontem era dirigido por comunistas, hoje por socialistas e, no futuro, seja lá quem for, na verdade, em matérias como esta, de implementação de um projecto como o Terminal de Contentores do Barreiro, deve unir forças, juntar vontades, dialogar intensamente, procurar consensos, porque o futuro em construção é o legado que deixamos aos nossos filhos e netos.
Foi, por essa razão, que todos se uniram – do PSD ao PS, do PCP ao PEV ou BE, contra o anterior projecto de instalação do Terminal de Contentores do Barreiro.

Na Sessão de Esclarecimento que decorreu na Casa da Cultura da Baía do Tejo, um dos aspectos que ficou claro é que, sobre esta matéria do Terminal de Contentores do Barreiro, existem diferenças e falta diálogo.
Aquilo que existia, em tempos recentes de liderança dos comunistas, capacidade de unir nas diferenças – pelo sim ou pelo não, agora, ali, não se vislumbrou uma posição comum. O PSD optou pelo silêncio. A CDU não falou, apenas se escutou a voz do PEV. Mas, no plano oficial, de quem promovia a sessão que era a Câmara Municipal do Barreiro, por mais que uma vez escutou-se a opinião do «executivo socialista». Fiquei perplexo.

O Poder Local se estiver mais unido, se mitigar as diferenças, ganha mais força para negociar perante o Poder Central, porque essa força comum de diferenças unidas, dá o capital politico acrescentado de ser a voz de todos . Um Poder Local que fala apenas em nome de um «executivo socialista» tem menos força para exigir, reivindicar ao Poder Central, soluções para muitos dossier’s que tem pela frente, em termos de acessibilidade e mobilidade urbana.

Um Poder Local forte conta com o apoio de toda a população ou da sua grande maioria, isso, só lhe dá força para não ser usado pelo Poder Central como um mero agente das suas politicas, mesmo sendo da mesma força politica, seja ao nível da relação do Poder Central com o Poder Local, ou do municipio com a freguesia – o respeito começa pelo respeito da autonomia e pelas respectivas competências e interesses, que podem, ou não, ser coincidentes. Isso é normal e natural.

Foi pena, na Sessão de Esclarecimento sobre o Terminal de Contentores do Barreiro, não ser transmitida uma visão, no sentido de se registar que há alguma energia unificadora em torno do projecto. Nota-se que há falta de diálogo.
O assunto nunca foi abordado com algum rigor nas reuniões de Câmara, não passando de meras trocas de informações e diálogos assentes em conflitos partidários.

O que parece é existir em torno disto um excesso de protagonismo desnecessário.
O que parece é que se quer empurrar para o anterior executivo CDU, como sendo o pai de uma má solução e, agora, o novo executivo PS, este sim, é o pai de uma boa solução.
E, enquanto ao nível local, andamos neste patamar, de saber quem é o verdadeiro pai da criança, o Poder Central decide, e, nós, que «achamos» que temos uma visão de cidade. lá vamos a reboque, desviando com discussões secundárias, o debate do verdadeiro foco, esse é que interessa saber e decidir com coragem.

Esse que ouvi Frederico Rosa, assumir enquanto candidato, e pronto, se quiserem dizer que, sim, foi ontem que Rui Lopo, também o disse, e que ao dizer isso, tal, foi uma evolução, levem a bicicleta, para mim pouco conta. O que conta é a força e o sentido dessa reflexão – não é o Barreiro que tem que se adaptar à estratégia do Terminal, é o Terminal que tem que se adaptar á estratégia do Barreiro.
Ouvi isto de Carlos Humberto. Ouvi isto de Frederico Rosa.
Então, qual é o problema!?

Ou, o Terminal de Contentores interessa ao futuro do Barreiro e pode contribuir para o seu desenvolvimento. E, neste caso, este é um potencial a pensar, debater, construir e fazer futuro.
Ou, o Terminal de Contentores não interessa ao futuro do Barreiro, porque vai hipotecar o seu futuro e, então, com coragem, tal como fez Almada, é preciso sair para a rua e gritar – Não!

O Terminal de Contentores do Barreiro usado como arma de guerrilha politica, esvazia a capacidade reivindicativa do Poder Local e só prejudica o Barreiro.

Sim, sim! Não, não. Ponto final! Isto não é uma matéria de confronto partidários o resultado final, pelo bem ou pelo mal, afecta a todos, com partido ou sem partido, com religião ou sem religião.

Por favor, basta! Guardem a honestidade e a seriedade politica para outras guerras, e sentem-se a discutir e defender os interesses do povo do Barreiro que está acima das guerrilhas partidárias.

Um dia perguntei a Carlos Humberto, se o Terminal de Contentores era apenas um Terminal de Contentores. Ele disse que não, que o objectivo era desenvolver um Terminal Multimodal do Barreiro, para desenvolver uma plataforma logística e atrair empresas para o território da Baía do Tejo. Eu acreditei e expressei o meu apoio ao Terminal. O Barreiro precisa de emprego.
Se for este o projecto só vai valorizar o Barreiro e a região e cria condições para, mais tarde, ou mais cedo, ser inadiável, a Terceira Travessia do Tejo, nem que seja, apenas, na primeira fase, só ferroviária.

Um dia perguntei a Carlos Humberto se o Terminal afectava a Avenida da Praia, disse-me que não e, quando surgiu o primeiro Estudo de Impacto Ambiental, olhos nos olhos, confrontei-o. Ele disse-me, olhos nos olhos – Sousa Pereira achas que eu alguma vez defendia isto. Eu acreditei.
Ontem voltei a ficar com dúvidas. Espero que decidam o melhor. O Barreiro merece.
Digo-vos, ontem, quando vi algumas imagens, comentei para alguém a meu lado – Meu rico, Masterplan!

Um dia perguntei a Carlos Humberto, se todo o projecto em marcha, ligado ao Plano de Urbanização da Quimiparque e Zonas adjacentes, não ia colocar a vila do Lavradio num gueto, isolada do Tejo e do restante tecido urbano, devido aos novos feixes de linhas ferroviárias e viadutos rodoviários. Ele disse-me que não, acreditei. Pelo que ouvi ontem fiquei preocupado. E quem vai ficar no gueto se isso acontecer, são todos os que cá vivem, seja qual for a sua opção de voto.
Fiquei incomodado.

Era tudo isto que devia ser divulgado e esclarecido. Isto não é um assunto de guerras politicas partidárias.
Isto é cidadania. Isto é o futuro.
Isto é o que nós vamos legar aos nossos filhos.

Gostei do que ouvi ontem por parte da APL, mas, depois ficam as dúvidas quando olhamos para as imagens.
Ter dúvidas não é mau, é colocar perguntas, e só quem coloca perguntas encontra respostas.

António Sousa Pereira
LER
https://www.rostos.pt/inicio2.asp?cronica=1003068&mostra=2

Abraçar!

4_n.jpg

 

Hoje pela manhã senti o sol,

abraçar meu corpo, docemente,

aquecendo os nervos do pensar.

Sorri.

 

Como é belo sentir um abraço,

aquecer os braços noutros braços,

na ternura do tempo, suavemente.

Pensei.

 

Hoje, pela manhã, apetecia-me,

abraçar os braços, todos os braços,

aprender a voar e abraçar no vento.

Sonhei.

 

S.P.

Ligação Pedonal Barreiro – Seixal O vão de 40, o vão de 60…, a prioridade rodoviária, a confusão, vão lá vão!

apl ministro 005_929271316_687604832.jpg

 

 

Na RTP, ontem, no programa «Portugal em Directo», foi transmitida a reportagem sobre a Ponte Pedonal Barreiro – Seixal.

Vi e revi. Com curiosidade e interesse. Quer pelo porque sim. Quer pelo porque não.

 

O porque sim, do Seixal, ficou claro, é porque existe uma intenção estratégica de implementar e desenvolver no concelho uma via estruturante, ciclável e pedonal, que ligue os dois concelhos Barreiro e Moita, no âmbito de mobilidade urbana, construindo futuro. Aplaudi. Até porque, objectivamente não misturou a ligação pedonal, com a ligação rodoviária, até, porque, na  verdade, sobre essa as autarquias não podem ter decisão, não vão ter decisão, o mais que podem e devem fazer, é exigir ao Poder Central que cumpra o que prometeu.

Mas, de facto, não misturar na abordagem do assunto a reflexão sobre estas duas matérias, demonstra maturidade politica e visão estratégica inter-municipal.

 

Mas, curiosamente, no porque sim, um pormenor me despertou a atenção, o argumento de defesa do vão de 40 metros, recorrendo ao facto de neste momento, no Rio Coina, não há qualquer navegabilidade de grande porte, pelo que não se justificaria o vão de 60 metros.

Curiosamente, a APL justifica o vão de 60 metros, porque aquele troço do Tejo-Coina, está classificado de II nível.

 

Mas, o que chamou a atenção foi o argumento da defesa do vão de 40 metros, pelo edil do Seixal, referindo, que não há navegabilidade de grande porte.

Ora, este argumento, despertou-me o bichinho a morder por trás da orelha. Na minha memória, fez-se eco, quando da apresentação do Terminal de Contentores do Barreiro, em Lisboa, nessa altura já a APL, referia que no seu Plano Estratégico existiam duas linhas de orientação, ampliar a navegabilidade do Tejo até Castanheira de Pera e criar condições de navegabilidade no Coina, com a construção de um Porto de Cargas e descargas de “matérias primas”, no Seixal, que hoje, são efectuadas no Porto da Atlanport, no Barreiro. Portanto, implicando, no futuro, a navegabilidade de grande porte. Fiquei a pensar nisto. Até porque, o Seixal sabe disto, esteve lá, na apresentação em Lisboa. Ouviu o que ouvi.

Portanto, se a APL exige o vão de 60, como diz, para garantir a navegabilidade no futuro, tem razão.

Portanto, nesta confusão do porque sim e do porque não, acho, no meu achismo, que é preciso defender com visão sobre o território de hoje, e, também sobre o território daqui a 50 anos, para não se hipotecar futuro.

 

E, mais, fiquei esclarecido que afinal o aumento de custo não de 2 milhões, mas de 1 milhão e meio de euros. Ou seja, neste porque sim, e neste porque não, para baralhar a opinião pública e alimentar os ditos e reditos nas redes sociais. Um dia são dois milhões. Noutro dia 1 milhão e meio. É vida.

 

Depois, claro, sem qualquer intenção, mas porque o que é importante é a ligação rodoviária, que nada tem a ver com esta medida estratégica de  mobilidade urbana, no lado do porque não, no Barrreiro, mistura-se a prioridade da ligaçãi rodoviária, porque essa é que é importante, sobre a qual as Câmaras Municipais, nada podem fazer, nada podem decidir e, em nada vão comparticipar, porque esta é uma matéria do Poder Central, no âmbito da mobilidade regional.

Mas, enfim, mistura-se, sem intenção, claro, só para que as pessoas fiquem a saber qual a prioridade.

E o importante, que era apostar, inequivocamente, neste projecto, projectando futuro, opta-se por ampliar e dar eco, espuma dos dias, que circula no diz-se que diz-se quotidiano.

Hoje lia no jornal «Público» : “A história pertence ao que a prolongam, não aos que a sequestram”. Não avançar co m a pedonal que ligue o Barreiro – Seixal, aqui e agora, pelos argumentos das verbas – espante-se 1 milhão e 500 mil euros. É negar o futuro. E não me venham, dizer que, com esta verba vão fazer não sei quantas rotundas e não sei quantos estrangulamentos de trânsito no concelho do Barreiro, até, porque alguns deles, dos mais badalados nas redes sociais, “no diz que diz-se”, comenta-se que vão ser concretizados, por parcerias com privados.

 

Por guerrilhas politico partidárias. Que nem apetece comentar. Com muita retórica à mistura. O facto, sim o facto, é que este potencial de dar escala ambiental e urbanidade ecológica aos concelhos do Barreiro e Seixal, colocando este projecto, como exemplo para o país, colocando os dois concelhos na rota da modernidade, do encontro com a natureza, uma referência âncora para ambientalistas do país, criando, naturalmente, um ponto visitável de turismo do ambiente, para além de dar qualidade de vida aos que vivem nos dois concelhos e valorizando a apetência por viver neste ambiente marcado pela sua biodiversidade – desde a Quinta de Braamcamp, passando por Alburrica, Sapal do Coina – no Barreiro e Seixal, Mata da Machada e Rio Judeu.

É mais, um a vez não prolongar a história, é adiar potencial, é sequestrar o futuro.

Já decidiram. Está decidido. O PS e PSD já decidiram, pelo que é dito. A CDU está contra. Os outros BE e PAN calam-se. Será que a Assembleia Municipal que fiscaliza as decisões da Câmara vai ficar pelo silêncio?

 

Acredito, que esta não é uma matéria partidária, a ponte é para todos e não para alguns.

Por tudo o que tem sido dito, em nada, mesmo nada, me convenceram – tecnicamente ou mesmo politicamente, que há outras prioridades, que serão feitas, se este projecto, de grande potencial, não avançar ( até porque não me disseram onde vão aplicar os tais, no máximo mais 750 mil euros, que o Barreiro não vai gastar). O resto já estava aprovado pela Câmara, por unanimidade.

Demonstrem, por A+B, sem retórica, e sem misturar alhos e bugalhos. Só para eu acreditar.

Quem teme esta obra que será um marco histórico no renovar a imagem do Barreiro, na região e no país?

 

O vão de 40, o vão de 60…, a prioridade rodoviária, a confusão, vão lá vão, lá isso vão!

 

António Sousa Pereira

Tenho um umbigo heliocêntrico

aabs 038.JPG

 

Por vezes, quando leio certos textos, há palavras que saltam e gritam, aquecem, geram emoções, pulam por dentro dos dedos, saltitam, fazem sentir a beleza da vida. Tocam suavemente, voando como vento, no trinado de uma guitarra. São palavras doces, aquelas palavras com sabor a beijos. Sim, aqueles beijos inscritos no tempo, inesquecíveis, no sentir, no lugar, no tempo. São palavras feitas de intemporalidade. De todos os tempos, esses, que fazem a totalidade do que somos.

 

É isso, quando leio certas palavras, gosto delas porque as sinto, gosto delas porque, afinal, pela melodia, pelo seu ritmo ondulante, de corda em corda, uma autêntica desgarrada, saltitando, num timbre único, que pode ser o fado, ou até mesmo o flamengo, essa energia de sapateado, que nasce numa corrente que toca o pensamento em movimentos. As ideias florindo em diálogo. Confronto. Construção. Vida. Gosto dessas palavras que estimulam e empurram a vida para a frente. Renovando. Cumplicidades.

Há palavras que são mais que palavras, são a força de um povo que reivindica, que grita, que se indigna, que vive cidadania, que tem umbigo, mas também tem sentido da história, e, sabe, que a história é feita por gestos, pequenos gestos, muitos gestos que transformam sempre – os colibris  -  mas sempre, esses gestos, são a expressão de palavras que são ideias, de ideias que são actos, esses actos que, acreditem, são a história em movimento.

 

É por isso, só por isso, que em todos os tempos, em toda a história da humanidade, existem e existirão aqueles que temem as palavras, querem, até, calar as palavras, porque estão convictos e, até, acham, sim acham, que são os donos das palavras, da democracia, do mundo – nem são capazes de pensar que democracia é diferença. Criticam palavras, rotulam, classificam , usam atém as mesmas formulas de pensar que atribuem aos criticados. Só que, quando são eles é um direito democrático, quando são os outros é o contrário. Coisas da vida que já vivi tantas vezes. Quem viveu o PREC, viveu o melhor laboratório social de conflitualidades. Já não estranha. É isso, já não estranha, apenas entranha, porque afinal a história repete-se, com outro sentido, com outros maus e outros bons. Outros tempos. O Poder. O Poder tem esse efeito dominante!  

    

Umbiguismo, quem não sofre. Eu sinto-me bem a olhar o meu umbigo, convictamente, assim, com essa certeza que sou o centro do mundo. Tenho um umbigo heliocêntrico. Olho para o umbigo, faço um sorriso. O meu umbigo é o meu sol. Meu malandro, só pensas em ti!.

Tão heliocêntrico que prefiro ignorar palavras quando são castradoras da Liberdade, palavras que não tem intencionalidades, que são puras, de uma pureza que penetra por dentro das intenções, furando o cérebro e a mente. Só registo, esse facto, porque gosto de registar os sentimentos que fazem os meus dias. Catarse.

Aliás, estou mesmo cansado de puristas, de perfeitos, de gestores de redes socias, de polícias do pensamento e de intencionalidades. Alguns, por agora, até estão ausentes, devem voltar em 2021.

 

É por isso que, por vezes, ao fim do dia, como hoje , olho a escuridão da noite e dói, sentir, apenas sentir, a voz do silêncio. Fico preso ao meu umbigo. Grito.

Uma esquizofrenia. Atinge mesmo o complexo da perseguição. havia uma amiga minha que dizia : “Não acredito em bruxas, mas que há bruxas, lá isso há…”

  

Acordo. Vejo a vida real. Penso neste meu povo, o meu país. Aqui, ainda há quem não se cale. Ainda há quem diga não. Ainda há a indignação que ergue bandeiras – vermelhas, sim, são vermelhas. Que horror, este preto e branco, transformar-se em vermelho. Divirto-me, sorrindo, apenas sorrindo.

  

Um povo que se cala, um povo que não reivindica, é um povo que sucumbe, é um povo que deixou de existir e perdeu a sua identidade.

Um povo que se deixa dominar por emoções, que não solta as asas, que abdica de ideias e ideais, que não vive a força da sua cidadania, que as suas únicas prioridades são, afinal, alimentar combates de carácter, que, de facto, só olha mesmo para os seus umbigos, esse povo, que pensa com o estômago, com as carreiras, com os lugares, com a sobrevivência, com os jobs, esse povo, não vive, apenas sobrevive, nisso, apenas nisso, subjugado ao pulsar das redes sociais e jogos do poder.

 

Esse povo que fomenta o ódio, que é intolerante, esse povo perdeu o sentido da sua história, escrita e reescrita com a palavra Liberdade, por muitas gerações.

Esse povo perdeu o presente, e, diga-se quem perde o presente, hipoteca o futuro. Um futuro de novos e velhos.

É urgente uma revolta de cidadania! É preciso dizer basta. Há mais vida para além desta guerrilha, intensa e intencional. Castradora.

Os partidos são escolas de democracia, são a força da democracia. Os partidos não são, não devem ser, plataformas de terrorismo ideológico.

 

Por vezes, chego a pensar. Vou desistir. Mas, depois, acordo para a vida real e, aqui, sinto, é isso que eles querem, forjar um deserto de ideias, gerar a ausência de debate, só apostam num mundo onde se combata entre maus e bons, onde, de facto, os maus são sempre os outros. As calúnias. As ofensas. As mentiras. Essa coisa, feitas de coisismos. Diariamente. Cansa, mas alerta para o outro lado – a cidade que pulsa e vive. Trabalha. Há mais cidade.

 

Acreditem, não vou desistir, nem vou abdicar de dar voz ao meu umbigo!

No meu umbigo, afinal, está a minha indignação e o grito dos meus nervos, aquilo que acredito, a força das minhas convicções, de um coração que está onde sempre esteve, aí, nessa margem do peito, onde pulsa a Liberdade, Democracia, e Pluralismo.

 

António Sousa Pereira

Projecto «âncora» e referência para a AML Ponte Pedonal Barreiro – Seixal um potencial adiado

46454418_10155806306682681_8033690078960156672_n.j

 

O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, numa entrevista ao jornal «Rostos», referiu que “não é favorável à construção da Ponte Pedonal Barreiro – Seixal”.

Na altura, comentei, para ele, que considerava essa opção – “um erro”.

E, quero aqui, preto no branco, reafirmar o que lhe disse – “É um erro”.

Aliás, já em artigo que editei, expressei a minha opinião sobre esta matéria, sobre a qual nunca existiu uma discussão pública e, diga-se, tendo sido esta uma matéria aprovada em reunião de Câmara, até aos dias de hoje, no actual mandato, nunca foi ponto da ordem de trabalhos, nem objecto de deliberação.

 

Em reuniões, apenas foi comentado, o facto da APL exigir que o vão da ponte no projecto com 40 metros, passe para 60 metros, e, que tal opção implica um aumento de custo na ordem de dois milhões de euros, assumidos pelos dois municípios. O Seixal já assumiu que pretende concretizar o projecto. O Barreiro não tomou decisão.

 

Por essa razão, quando Frederico Rosa, em entrevista afirma que não é favorável à construção da ponte, no âmbito do actual processo, a notícia, é sem dúvida isso mesmo – Frederico Rosa não é favorável à construção da Ponte Pedonal Barreiro – Seixal. O querer ou pensar que no futuro pode vir a ser pensado, não altera, em nada, a decisão de hoje, neste tempo real, aqui e agora – “não é favorável”, enquanto o Seixal é favorável. Esta é a noticia.

 

O assunto ainda vai, certamente a reunião de Câmara, e, naturalmente, pelo que temos registado de opiniões, vai ser aprovado com os votos favoráveis dos eleitos do PS e PSD.

 

O habitual quando este assunto é abordado, na vida politica das redes sociais, na espuma dos dias, é misturar tudo, lançar a confusão, colocar no mesmo plano de análise a ponte rodoviária – prometida pelo Primeiro Ministro António Costa e, que, na altura elogiei e saudei com energia, porque foi o primeiro governante, aqui no Barreiro, a assumir em absoluto a importância da ligação rodoviária Barreiro – Seixal, com compromisso de avançar no âmbito do Portugal 2020, ou outra via. Essa confusão, pelos vistos, não é intencional, intencional é o título de uma noticia. Mate-se o mensageiro.

 

Intencionalmente mistura-se a reflexão sobre estas duas pontes a rodoviária e a pedonal, e, parafraseando o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, na sua análise sobre as opiniões dos que contestam o aeroporto no Montijo, que no Barreiro há muitos especialistas de aviões e de ambiente, é caso para dizer, que não falta os especialistas em estratégia de mobilidade metropolitana e urbana.

Mais, agora, também já se mistura a eventual ponte estruturante da via ferroviária, destinada ao Metro Sul do Tejo.

 

Não sou especialista em nada, não percebo nada de pontes, nem de ambiente. Mas, pela minha actividade, acompanhei diversas discussões públicas, conversas de políticos, reflexões sobre estratégias de gestão do território, isso, mais não seja, dá para entender os conceitos. Um conceito não é mais que uma visão estratégica, uma interpretação, uma abordagem do tempo e do lugar onde vivemos.

 

A Ponte Pedonal é, sem dúvida, essencial no imediato, na construção de um Barreiro cosmopolita e moderno. Esse Barreiro que se quer com nichos de turismo. A ponte Barreiro – Seixal, por ser única no Tejo, na AML, até podia ser, ela mesma uma âncora, para criar eventos, para gerar visitação.

 

Pelo que ouvi, pelo que se vem defendendo sobre a cidade que se quer, a visão de Barreiro, que seja uma cidade moderna, com qualidade de vida, com capacidade de atrair para viver e visitar, com uma estratégia de ligação ao ambiente, à natureza, aos rios, afirmando-se este como sendo um nicho de actividade económica e de turismo, ele, no território inscreve-se desde a Quinta de Braamcamp, passa por Alburrica, estende-se ao Polis, e, vai até à Mata da Machada, todo este sitio de natureza, só tinha a ganhar em escala regional, se criasse uma infraestrutura de mobilidade urbana, que vai dar um contributo para alargar essa dimensão territorial, e, diga-se de massa critica – humana e ambiental - até ao Sapal do Coina no Seixal e até à Amora.

 

Isto é pensar futuro. E quando se coloca acima de pensar futuro, a eventual poupança de um milhão de euros, não se está a equacionar, porque não há estudos, que permitam equacionar o que se vai perder, ou que não se vai ganhar, na valorização do território, até mesmo para o seu imobiliário, que se deseja possa atrair uma classe média cosmopolita e ecológica.

Isto é decidir , de facto, com base no «achismo». Ou decidir porque sim…coisas da vida politica!

 

Por isso, tal como disse que acho, no meu achismo, que também tenho direito, aqui expresso o meu direito à indignação, porque, na verdade, considero que é um erro não avançar com este projecto de mobilidade urbana, e, mais grave, acho, pelo meu achismo, que é negativo debater este assunto num plano de guerrilha partidária, porque isto não é uma matéria de partido, é um assunto de cidadania.

 

Certamente para passar a ponte pedonal não será necessário mostrar o cartão do partido x ou y, nem a ponte tem como finalidade proporcionar o acesso à Festa do Avante ou ao complexo desportivo do Sport Lisboa e Benfica. Isto, de facto, é o populismo que faz a espuma dos dias. E, talvez seja, infelizmente, com base nisto que se vai decidir.

 

É preciso dizer, que esta ponte pedonal serve para colocar o Barreiro na rota da natureza, do Tejo, do Coina e contribuir para uma nova visão de cidade. Esta ponte é estruturante para mudar a imagem da cidade da região, para por fim à velha imagem de cidade cinzenta e poluída.

Esta ponte pedonal seria um ícone – único e de referência de modernidade - para projectar uma cidade ambientalista, de Alburrica ao Sapal do Coina.

 

Por isso, no meu achismo, acho um erro, porque no achismo das decisões dos políticos que são desfavoráveis – uns porque sim, outros porque tem que ser, outros porque é a vida – ninguém demonstrou o contrário, porque se vai perder um financiamento já garantido pela Europa, ficando em aberto, um talvez…

 

Mas, o assunto, sei está arrumado. O debate sobre o assunto está numa caldeirada, onde se mistura tudo, com ou sem intencionalidade – porque há os que têm intencionalidade e há os puros de intenções, de tão puros, tão puros, só mesmo com algodão, é possível encontrar-lhes uma impureza.

Infelizmente, hoje não se discutem ideias, discutem-se intenções, a partidarização da vida social faz parte da conflitualidade. Não se discute a cidade, nem se vive a cidadania.

E assim, fica-se no silêncio…«o poder dixit»!

 

António Sousa Pereira

Os pensamentos a preto e branco só podem dar tristeza!

abaia 013.JPG

 

 

Há um pensamento que está a incomodar o meu superego, e, o mais grave já está a afectar o meu ego, e, digo-vos, o mais grave ainda, é, que tudo isto, quotidianamente, perturba o meu equilíbrio, destruindo o meu «id».

É uma coisa estranha, e, de tão repetida, eu sei, que já devia estar na fase, que se entranha, como diz o poeta. Mas não, continua a incomodar ao ponto de estar a causar perturbações no meu hipotálamo.

 

Nunca tinha pensado nisso, como estou sendo afectado por esta ansiedade, com génese nos pensamentos forjados, a preto e branco, que são a causa desta depressão que me conduz apenas a pensar e sentir o quotidiano, nessas tonalidades.

Esta minha insistência –reflexiva é grave, muito grave, é traumática. Sinto, cada vez, que estou mais só, sozinho mesmo, preso no casulo do meu pensar a preto e branco.

 

Isso incomoda-me, porque sinto os meus pensamentos carentes de cor. Grito, comigo mesmo, e, fico melancólico. Triste, porque os pensamentos a preto e branco, só podem dar tristeza.

Sinto-me só. Olho à minha volta e sinto, com emoção, muita emoção, que, afinal, não consigo que as emoções saltem dos meus neurónios. Afinal, onde está o poeta que gosta de colorir o luar? Penso.

O meu hipotálamo molda o meu pensar a preto e branco, e, vivo, com intensidade dolorosa, esse meu trauma, de só ver à minha volta, todos os dias, nas redes sociais, bons e maus. Quando afinal, estou enganado, ali, só existe o bem e a pureza. O que ontem era verdade, hoje é mentira. Isso são falsidades.

 

O mau sou eu, concluo. Eu, de facto, é que não consigo descobrir o colorido da Liberdade.

Este, afinal, é um mundo onde as pessoas irradiam luz, partilham ideias com intensidade, há uma enorme participação na discussão do futuro, os diálogos são de uma riqueza e profundidade que, aqui, sente-se a arte e a filosofia no pulsar quotidiano. A gestão da polis é vivida com uma intensa paixão. Flui cidadania, nos poros e nas ruas da cidade.

 

Penso nisto, neste mundo onde as pessoas cultivam o respeito, onde o amor enche as vivências da comunidade. A guerra é uma ilusão. A corrupção é uma mentira. O ódio é uma farsa. A inveja não existe.

Penso, em tudo isto, nesta realidade que faz o quotidiano, onde o fazer e viver cidadania, está acima das ideologias, porque vivemos num espaço comum – a cidade – onde, sem dúvida, os conflitos partidários são um exemplo vivo do que é viver a vida democrática, de procura de caminhos e soluções.

Aqui, as pessoas só se preocupam na melhoria da vida, não há outros interesses. As eleições ganham-se no confronto de ideias e valores sociais.  Ninguém pensa em eleições. O poder é uma ilusão.

 

E, neste mundo real, eu fico preso a pensamentos a preto e branco, como quem parou num tempo, aquele, antes de Abril, onde de facto, só existiam bons e maus. Afinal, foi nesse tempo, que aprendi a ser dos maus, porque ser dos maus era, é, amar a Liberdade.

Eu era feliz por ser dos maus. E vivi a alegria enorme de, um dia, sentir o preto e branco, florir, em cânticos que guardo no coração.

 

Dou comigo, digo-vos, a pensar como vou conseguir libertar-me desta melancolia, este olhar à minha volta, este olhar para o mundo, este olhar para a vida, este escutar os diálogos, carregados de uma sapiência única, de uma visão única, de formas de avaliar a realidade, aquela que olha assim, só porque tem que ser assim, coisa e tal, assim como quem diz, eu é que sei, e, isto não tem que ser discutido. Afinal, quem sabe sabe, e, quem sabe decide quais são as prioridades. Estratégias são coisas para ignorar. Concepções de cidade. Depois vê-se.

 

Dou comigo a pensar, neste meu sentir a preto e branco, porque tenho memória, recordo que os argumentos de hoje, são os mesmos, verossemelhantes, quando se tratou de contestar outra decisão, aquela , que, afinal, agora, é, ali, à beira rio, a âncora do futuro. Tal e qual.

Enfim, se calhar, é por tudo isto, que não consigo desligar deste trauma de só ver, em meu redor, aqui, e por todo o mundo, esta triste forma de pensar a preto e branco.

Sei, que fico colhido por estes pensamentos depressivos. Isto é muito grave, acreditem.

Sim, eu sei, Freud, explica isso!

 

 

Isto incomoda-me mesmo, muito mesmo, porque, afinal, eu estava convencido que existiam mais pessoas a ter este sentimento, que me faz raciocinar e emocionar. Voar sobre os dias.

Pensava que existiam mais pessoas a sentir e verificar, tal como eu, como nas vivências do mundo de hoje, há bons e maus, e, os maus estão a ganhar terreno, por todo o mundo, como há cada vez mais formas de pensar dominantes que estimulam o ódio, gostam de gerar conflitos, cultivam uma simplicidade terrível na forma de olhar a vida, que, é mesmo, muito mesmo, a preto e branco. Intolerância. Incapazes de respeitar o direito à diferença.

 

Isto afecta-me, de tal forma, que até os meus sonhos, são, sonhos a preto e branco. Acordo de noite com suores, eles mesmos, a preto e branco, entranham-se na pele e deixam-me, ali, perdido, naquela escuridão, sem luz, apenas o preto e branco, por dentro do cérebro me faz cogitar. É terrível.

 

De repente, quase como quem está a tentar encontrar na mente e na consciência, outras cores, recordo que um dia, em tempos idos, contava-se aquela história, numa cidade, algures no mundo, para acabar com tratamentos diferentes, nunca mais se iria falar em “preto” e “branco”, então, ficou decidido que tudo passava a ser «azul».

Assim foi, passou tudo a ser azul. Só que, concluiu-se, que, afinal existiam diferenças, elas eram reais, sentiam-se na vida quotidiana. E, aquela decisão de ser tudo azul, gerava grandes desentendimentos e confusões.

Por fim, para que tudo ficasse mais calmo e com a vida decorresse com normalidade, foi tomada uma nova decisão, prática e simples: continua tudo a ser azul, só que, a partir de agora, passa a falar-se em «azul escuro» e «azul claro».

 

Ocorreu-me esta história a propósito deste meu trauma emocional, este meu vicio psicológico, de só ver bons e maus, e, por momentos, na verdade, senti nascer no azul, uma esperança e imaginei-me, até,  uma gaivota, livre, rasgando o céu e mergulhando no azul do Tejo.

 

Com azul, sem azul. Com todas a cores. O que vos digo é que estou preocupado, porque quero continuar a viver, aqui, sonhando. Cultivar amizades e respeitar as diferenças.

E, afirmo, na verdade, quando for caso disso, eu mesmo, quero pensar a preto e branco, para distinguir, tal como antes de Abril, essas diferenças que existem entre a liberdade de pensar e a liberdade de querer impor pensamentos. Ter pensamentos coloridos. Ou ter pensamentos únicos – preto ou branco. Eles existem.

 

Enquanto a liberdade o permitir desejo, ter opinião, discutir ideias, partilhar pensamentos, cavar na invisibilidade dos textos, no dito e não dito, no que está escondido por trás do que é dito, assim, recorrendo à hermenêutica, assim como quem lê nas entrelinhas, esse espaço de silêncio, onde aprendi a sentir a liberdade, naquele tempo, antes de abril acontecer, encontrando os recados e as mensagens de resistência e resiliência. E. assim sem ambições, vou vivendo e sorrindo.

 

Sabem, como alguém dizia, naquele tempo, nas noites mais negras, nós eramos felizes, mesmo perante o medo e a repressão, eramos felizes, porque sabíamos qual era o nosso lado, esse, que se escrevia e dizia numa só palavra – Liberdade. O branco da paz contra a guerra.

 

É, por isso, só por isso, que sinto o pensar a preto e branco, não aquele que coloca em confronto diferenças, esse é giro, mas esse, o outro, que marca discursos inflamados, esse feito de superioridade moral, esse que, com subtileza, não ataca a mensagem, mas o que pretende, afinal, é matar o mensageiro, calar o mensageiro.

 

Isto, sim, de facto, posso dizer-vos, já o senti, diversas vezes ao longo da vida, e, na realidade, isso, sim isso, por vezes estranha-se, mas com a vida vivida, por fim, entranha-se.

Por vezes, a história repete-se, só que o dito preto e branco, quer passar a azul, mas, lá está, no fim, há sempre o azul escuro e o azul claro.

 

António Sousa Pereira

 

Nota- Qualquer coincidência deste texto com a vida real é pura coincidência. Este texto é isso, apenas isso, um exercício sobre o pensar a preto e branco.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

COMUNICAÇÃO SOCIAL

AUTARQUIAS

ESCOLAS

EMPRESAS

BLOGUES DO BARREIRO

ASSOCIAÇÔES E CLUBES

BLOGUES DA MOITA

SAPO LOCAL

PELO DISTRITO

CULTURA

POLITICA

TWITTER

FACEBOOK ROSTOS