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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Barreiro - Do Masterplan à Cidade dos Arquivos

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Esperemos que o Poder Central, pegue nos muitos dossier’s legados pela anterior gestão CDU em parceria com a Administração da Baía do Tejo, e dê andamento à valorização daquele território.

 

Os territórios onde inscrevemos nossos passos, são os lugares que fazem parte das nossas memórias.  Lugares onde um dia a nossa vida se fez, no fazer o tempo, no construir o tempo. O território da Baía do Tejo está inscrito na minha vida, desde o Bairro Operário, passando pelo Largo das Obras, viajando até às muralhas onde na minha juventude, o Lavradio se encontrava como o Tejo. Sim, tenho ali memórias naquele território. Cheiros. Lutas. Beijos. Sonhos. O zinco metálico. O forno Cal. Os dias de neblina do Contacto 7.

Vivi a fábrica por dentro, ali, onde o zinco se forjava em moldes, enquanto, as escórias suspensas, saltavam para o lado a ferver, empurradas pelas mãos do operário, num ritmo constante e incandescente. Um dia tudo fechou. Era um fim anunciado.

Hoje, naquele lugar, há um território, onde, o mais certo, dentro de anos, vai nascer o «Parque das Nações» da Margem sul. Já escrevi isto, no Jornal do Barreiro, quando escrevi aquele artigo que despoletou a guerrilha urbana da ETRI.

Decidam-se! Ora é o Masterplan. Ora é o projecto Arco Ribeirinho Sul. Ora é o Terminal de Contentores. Ora é um projecto de reindustrialização. Ora é um «cluster de indústrias criativas». Agora, a última é «a Cidade dos Arquivos».

 

Andamos nisto, desde antes do 25 de abril, quando começou a decadência industrial. Sei que há pessoas que gostam de apontar o 25 de Abril, como a causa da decadência do que já estava em decadência. Não sou eu que o digo, são investigadores que respeito, pelo rigor do seu trabalho de investigação histórica.

Gilberto Gomes, objectivamente, sublinha que numa década, nos anos 70,de antes do 25 de Abril, tempo em que a empresa CUF foi adiando investimentos que deviam ter avançado, passando depois por uma nacionalização concretizada à pressa e sem planificação, findando nos anos 80, com as “barbaridades no tempo de Cavaco Silva”, são reflexões de Gilberto Gomes, para ele, estes três momentos que fizeram daquele território uma «pérola» em pousio, perderam-se milhares de postos de trabalho, até aos dias de hoje não recuperados.

Já está, já está, pronto.

 

Neste entretanto, pode dizer-se que dois presidentes da Câmara Municipal do Barreiro – Emídio Xavier e Carlos Humberto - até aos dias de hoje, deram contributos de grande importância para que o Poder Central, principal e único responsável pelo estado ao que ali chegámos, coloca-se na Agenda o território da Quimiparque/Baía do Tejo.

Emídio Xavier, até sonhou com a transferência de Ministérios de Lisboa para o Barreiro. E no seu tempo entrou na agenda o Masterplan. O tempo dos TGV, da TTT – Terceira Travessia do Tejo, o NAL – Novo Aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete.

Tudo ficou para trás com a troika.Mas, uma coisa é certa, com muitos planos, mesmo muitos planos, nos tempos de Emídio Xavier, o território da antiga CUF entrou na agenda local como uma esperança e o Poder Central percebeu o potencial que existia parado na margem sul, para onde podia crescer a Lisboa de duas margens. Sonhos.

 

Mas, nada estava perdido. Era preciso erguer e manter esta bandeira. o importante era que o poder Central, fosse ele PSD, ou PS, não colocassem de novo de lado e no esquecimento o território da Baía do Tejo. Carlos Humberto, foi incansável, quer com o governo de Passos Coelho, quer com o governo de António Costa.

Nos governos do PSD surgiram cenários. O importante era dar vida ao território da antiga CUF, criar emprego, gerar desenvolvimento económico e social. Falou-se em estratégia de reindustrialização, com as novas tecnologias. Depois veio o Terminal de Contentores, que passou pata um Terminal Intermodal – um porto com várias vertentes de dimensão europeia. Falou-se.

 

A conversa continuou com o Governo de António Costa, e, nisso Carlos Humberto era imparável, no diálogo com o Poder Central, no conversar na procura de soluções e propostas, quer para os territórios da antiga CUF, quer para os territórios do sector ferroviário. Algumas soluções um destes dias vão surgir, como é o caso do projecto da Doca Seca da CP.

As relações entre a Câmara Municipal do Barreiro e o Conselho de Administração da Baía do Tejo eram excelentes e de grande cooperação. Um primeiro grande passo foi abrir o Parque ao tecido urbano da cidade.

O actual Conselho de Administração da Baía do Tejo tem feito um trabalho excelente, criando espaços inovadores, nichos de empresas e renovando a imagem do Parque Empresarial. Fez apostas claras e dinâmicas no sentido da criação de um cluster de artes criativas. O Museu Industrial em conjunto com o Espaço Memória eram espaços âncora, bases iniciáticas, que era preciso aprofundar e desenvolver. 

Quanto ao Espaço Memória, afinal, agora vai ser retirado daquela área que se dizia estruturante numa visão de renovação do Parque Empresarial, como nicho cultural, com a porta de entrada no mural do Vhils.

Pelo que se diz agora, a opção é transformar o Barreiro na «Cidade dos Arquivos».

 

O tempo passa pelas pessoas, tal como passa pelas cidades. As pessoas envelhecem e, por sinal, o envelhecer é o acumular de experiências. As cidades também deviam, num saber colectivo, acumular  experiências. Aprendizagem.

Era em tudo isto que eu pensava, hoje, ao passar naqueles territórios da Baía do Tejo. Ali, há uma experiência acumulada de saberes e de experimentações.

Quando passo por ali, o que me incomoda é saber que há quase meio século que aquele território parou no tempo, não se define uma estratégia, não se sabe, claramente o que vai ser daquele território.

Valha-nos ter existido um Sardinha Pereira, que pensou o Parque Empresarial. Valha-nos ter existido um Emidio Xavier, que motivou o Projecto Masterplan ( faça-se justiça dando sentido prático ao esboço do Arquitecto Manuel Salgado, gerado por Pedro Canário).

E, ainda, a laboriosa acção de formiguinha de Carlos Humberto, junto aos governos PSD/CDS-PP e PS, ao ponto de António Costa, numa visita expressar a sua concordância com a necessidade de construção da Ponte Barreiro – Seixal, outro dossier colocado na agenda do governo por  Carlos Humberto, e, até, abordado pela Baía do Tejo, no âmbito da estratégia territorial Lisbon South Bay.

 

Em suma, estamos numa encruzilhada, Nada se sabe sobre o Terminal de Contentores, embora o mais certo, perante o crescendo do imobiliário na margem sul, certamente algo tem que ser prioridade, e, neste caso, as ideias do Arco Ribeirnho Sul, podem ganhar terreno.

Tudo, o mais certo, é ficar para lá do processo eleitoral. Porquê agitar estas matérias. Não vão acrescentar. Sim, se até o projecto da Tratamento dos bivalves parece que hibernou.

 

Esperemos que o Poder Central, pegue nos muitos dossier’s legados pela anterior gestão CDU em parceria com a Administração da Baía do Tejo, e dê andamento à valorização do território da Baía do Tejo. Que se encontrem projectos concretos, sejam de habitação (antes ali que Braamcamp), sejam de novas tecnologias que façam do Barreiro de novo uma cidade para trabalhar e uma cidade para viver.

Fica o registo, acredito que António Costa, se não avançou nesta legislatura que avance na próxima com a Ponte Barreiro – Seixal, e, um projecto na Baía do tejo como de cidade das novas tecnologias (reindustrialização), com ligações ao tecido urbano, com a transferência da Terminal Ferro Fluvial do Rio Coina, para o Rio Tejo, que fique em aberto no PDM revisto, o corredor da TTT.

O Governo que é responsável por estes 2/3 do território e, ainda, outros tantos espaços, da Mata da Machada ao território ferroviário, enfim, que nos ajude e não nos deixe ficar apenas como cidade dos Arquivos.

Uma proposta para o Barreiro é uma proposta para a Península de Setúbal. Conta  muito, acreditem!

 

António Sousa Pereira

Banalizar o debate de ideias e valorizar a guerrilha urbana da adjectivação.

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Ontem, o meu amigo Emanuel Góis, num comentário referia que, nos dias de hoje, nas redes, é preciso dar valor aos 10% de coisas boas que por ali vamos encontrando, quanto aos outros 90% o melhor é desligar, e, sobre esses, o melhor é dizer –“ Ide-vos!”.

 

Dou comigo a pensar que muito do que se regista nas redes sociais, não é acaso, nem coincidências, aliás, como dizia o outro, as coincidências são puramente matemáticas.

Cá por mim, acho que tudo começa naquelas conversas, às quatro da manhã à roda de uma cerveja, que, muitas vezes são preparatórias de outras conversas, aquelas, mais “nobres e intelectuais”, onde se reúne a “nata pensadora” – as várias natas pensadoras, que são o supra sumo da produção de estratégias, esses pensadores que vão marcando as nossas vivências quotidianas.

 

Nessas ditas reuniões de pensamento macro, eles chegam cumprimentam-se. Sorriem uns para os outros. Alguns abraçam-se. Cada um já

trás, dentro de si, uma ambição e sonho de projecto de vida: “um dia hei-de ser…”!

 

As reuniões começam, com trocas de piropos, o Sporting e o Benfica, podem até ser o leit motiv, pacificador e a energia que faz o caldo cultural daqueles convénios de alta dimensão intelectual.

Fazem abordagens dos acontecimentos, que marcam a vida comunitária. Vasculham ideias. São dadas algumas informações, oriundas de outras instâncias, regionais ou nacionais. Nesses momentos, eles sentem-se importantes, por saberem que integram as redes dos donos disto tudo. Acham mesmo que, sem eles o  mundo não existia tão perfeito.

 

Os membros do órgão são aqueles que atingiram o patamar da decisão. Seja lá qual for o órgão.

Eles sabem que é ali, no órgão dito, que se abre caminho para outros caminhos. Um dia hão-de subir a outro órgão. Assim como quem diz de órgão em órgão, enche a galinha o papo.

 

Há sempre, em cada órgão, alguém que é senhor, que faz as contagens de cabeças, que tem os seus submissos, aqueles que estão a disponíveis para repetir e defender, na dita reunião, todas as propostas que, naturalmente, foram previamente e muito criteriosamente debatidas ao redor da cerveja.

Outros estão ali de coração aberto. Sonham no silêncio.

A noite prolonga-se. Conversam. Argumentam. Contra argumentam. Tecem cenários. Desbravam fragilidades dos outros, que noutro ponto qualquer, noutro lugar, pelas mesmas razões, também avaliam e fazem outras abordagens. É o sistema a funcionar.

Eles, de forma intelectual e pensante armadilham formas de se picarem uns aos outros. Gerem técnicas pavlovianas. Marketing, este é essencial.

 

E, naturalmente, como sempre assim foi e sempre assim será, lá vem à baila, em diversas reflexões e aprofundamentos teóricos, surge o tema da comunicação, as falhas de comunicação, os recursos de comunicação, os problemas da comunicação. A comunicação tradicional. As novas tecnologias. Enfim a comunicação e a democracia, duas faces da mesma moeda. A imprensa regional essa não vale a pena ligar – “ninguém lê”.

Mas, nesta dimensão de avaliação da comunicação, o essencial é a propagação, difusão, contra-informação, consolidação, percepção, sim a percepção das percepções, isso é determinante.

O essencial é a comunicação para chegar ao poder. Conquistar. Manter. Subir sempre, nunca descer. Ter, a palavra ter, é que conta. Só quem ‘tem’ pode dar e gerir as vidinhas. Comprar. Facilitar.

 

E, é neste caldo, que surge o tema da utilização das redes sociais. O instagram é para malta mais nova. O facebook, sim, esse dá para tudo.

Teoriza-se. Fala-se dos que têm acesso às redes sociais e os que não têm às redes sociais.

Uns pensam nos novos. Outros pensam nos velhos.

A conversa sobe de nível intelectual, surgem, para avaliação as formas de agir, os exemplos do Brasil, dos EUA. A guerrilha. 

 

Usar mais imagem. Videos. Vale mais uma imagem que mil palavras. Não é necessária muita argumentação. Geram-se as lógicas do combate de maus e bons. É tudo mais fácil, não carece explicações, é o imediatismo que conta, o futuro, quem lá chegar que feche a porta.

 

A estratégia para a rede do facebook é aprofundada em torno dos clichés, forjam-se ódios de estimação. O essencial é criar o inimigo comum. Desvaloriza-se o pensar ideias. Valoriza-se o pensar emoções.

A gestão da presença nas redes sociais, cada vez mais, é feita com recurso a “gestão de serviços prestados”. São perfis falsos. São perfis verdadeiros, incumbidos de cumprir missões.

As missões são diversas, desde os que são estimulados apenas para agir como meros provocadores – “Vai lá diz…pica…..” - até aos que assumem uma dimensão mais intelectual, os que fazem “confrontos ideológicos”, demonstrando que existem diferenças, em discussões que acabam sempre uns a fazer-se de vitimas que estão sendo ofendidos, outros numa postura de superioridade moral. Por vezes, demonstram que são amigos, com opiniões diferentes, que estão a travar confronto de ideias, mas, a maior parte das vezes, é a banalidade discursiva, onde a opinião se reduz a clichés, uns são lobos, outros cordeiros, e, por ali, à volta, por vezes existem uns coelhinhos aos saltos, que preferem o jogo do toca e foge, um mundo de facto a degradar-se, e, afinal, tudo começa, nesses convénios que dizem querer fazer mais democracia e mais cidadania, mas estimulam a guerra a ferro e fogo, porque sabem, quem não mata morre.

 

Ah é verdade. Também existem os «Provedores das Redes Sociais». São encartados, ou empossados com várias missões. uns têm a missão de atacar e fugir. outros têm a missão de dar uma dimensão intelectual. Há ainda os que são encartados para avaliar os temas, que podem servir para as turras. No meio de tudo, o importante é manter o ambiente de futilidades, de baixar o nível, quanto mais arruaceiro, mais propicio á brejeirice e boçalidade. Muita criancice, infantilismo e superioridades de trazer por casa.

Em suma, banalizar o debate de ideias e valorizar a guerrilha urbana das adjectivação.

É o século XXI com os resíduos das metodologias do século XX. Agit prop. Marketing. Coisas e loisas…

 

E, por isso cá vamos, até um dia…quando o sistema começar a implodir. Sentem-se os sinais. Cuidem-se…

 

António Sousa Pereira

Fazer cidadania e fazer cidade.

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Gosto de viajar por dentro dos dias, mergulhar por dentro das palavras, senti-las, como quem sente o sol a nascer e o luar a espreitar entre a brancura das nuvens. Gosto de sentir a serenidade de um olhar, a tranquilidade do tempo o fluir do silêncio, delicadamente. Sorrindo. 

 

Hoje pela manhã, como faço alguns dias, sentei-me

a mergulhar os meus olhos no Tejo. Ali a tocar as ondas com os nervos, tal, como fazia junto ao Guadiana, de repente, sinto-me a criança que se deliciava a estender os olhos até ao mar, logo pela manhã vivendo a alegria do regresso dos barcos da faina, e, ao fim do dia, a emoção da partida dos barcos para o mar. Um ritual que guardo dentro de mim.

Os rios fazem parte da minha consciência, da minha forma de olhar a paisagem, por essa razão, facilmente mergulho com ternura nas águas e descanso os meus olhos nos seus movimentos.

Navego nas ondas e, nelas, cultivo o gosto pela vida, em tudo o que fui e sou, em tudo o que vivo todos os dias, sempre, retomando o prazer de escrever as páginas brancas que abro diariamente com carinho e paixão pela vida. Gosto de viver, divertidamente, de forma infantil, graciosamente, sorrindo.

 

Há quem não saiba o que é viver, cada dia, assim, no abrigo do coração, porque para isso, é preciso sentir viva a criança que fomos e a criança que está dentro de nós, é, acreditem, isso que nos faz sorrir, sorrir, sorrir...sempre como Abril!

 

É, também, isto, o viver real que não é percebido por aqueles que não sentem o valor e a força das palavras. As palavras que são ideias, ideias que são acções. Construindo.

 

Eles, habituaram-se a usar as palavras como artefactos, peças de uma linguagem feita de jogos e estratégias, pensamentos dissimulados, calculismo, demagogia, vivem num permanente jogo de espelhos, manipulando e tocando o delírio maquiavélico ao ponto de se enganarem a si mesmos. São tão perfeitos, vivem com tanta intensidade as causas, são tanto exemplo de perfeição e promotores de paixões futuras, que se tornam o centro do universo, a luz do mundo. Uma nobreza que se torna pérfida de tanta pureza, principalmente quando optam por desancar naqueles que não servem os seus interesses, ou não servem os seus puros ideias, por vezes, apenas, porque têm opinião diferente.

São uma espécie de pensamento único que não sabe o que é o confronto de ideias, que não convive muito bem com a democracia.

Acusam de intolerância os outros, mas cultivam o ódio, estimulam o xenofobismo.

Acusam os outros, mas essa, afinal, é a forma de se sentirem superiores. Uma superioridade pedante. Arrogante. Telúrica.

 

Vivem felizes nesse jogo de sombras, onde inventam personagens, que são os seus auto-retratos, figuras que se mexem e remexem nesse divertimento táctico, onde se martirizam e fazem catarse, como quem joga a vida num tabuleiro de xadrez. Cheque mate. Manobras.

Lançam os seus ódios e incertezas, para o outro, com os olhos vermelhos, mordem os lábios, com tristeza de verem alegria e sorrisos naqueles que combatem, e têm pena de não ser, por isso, apenas por isso, bociferam. A inveja toca a penumbra da solidão, quando se olham ao espelho. Nasce a neurose. Uma esquizofrenia que afogam em tacticismos.

Acordam de noite, escutando as gargalhadas daqueles que querem destruir e calar.

O suor corre-lhes na amargura da sua pobreza. Tristes.

Depois na vida real, é vê-los a sorrir por trás das ilusões que embrulham em farsas, fake news, invenções. Dão pena. Mas sobrevivem. É o que lhes resta. Lá vão.

 

Eles já estão secos por dentro, e a vida que «vivem» apenas é alimentada por ódios e rancores.

Há quem chame a isto dor de cotovelo, outros dizem que é inveja, pura, a correr no sangue das ambições.

Querem o poder não para transformar, mas para controlar. Tristes caciques do populismo do século XXI. Tesos. Gestores de trocas e baldrocas. Aguadeiros que se sentem donos do mundo.

Dá para rir e sorrir. E ficam a pensar, agoniados, quando alguém clama a liberdade. Sim, ser livre é não precisar de viver de joelhos dobrados para cima, bajulando, e, depois, de mão esticada para baixo, humilhando. É a chamada esperteza saloia.

 

Enfim, quando estou por ali, junto ao Tejo, sinto o silêncio, aquele, que só cada um de nós é capaz de sentir, quando tocamos no fundo dos nervos com os pensamentos. Escrevo poemas. Encontro memórias. Viajo no tempo. É isto a felicidade, sentir a liberdade a fluir no pensamento. É isto ser livre!  

   

No Tejo está tudo que nele quisermos encontrar, são recordações, viagens, histórias, epopeias, tragédias, cânticos. Ali, afinal, está Portugal e o mundo a renascer. O mundo e a humanidade.

 

Estou aqui e, neste fim de tarde, penso como quem escreve um poema escrito na raiz do tempo, esse lugar, onde se escreve a palavra dignidade. Renascer. Fazer cidadania e fazer cidade.

 

António Sousa Pereira

 

Uma intervenção histórica de 3.28 – três minutos e vinte e oito segundos. . O novo paradigma das ligações fluviais

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Ontem realizou-se uma reunião extraordinária da Câmara Municipal do Barreiro, solicitada pelo PSD, de forma que a autarquia assuma uma posição e estabeleça pontes com a tutela para que acabe o caos nos transportes fluviais.


Esta reunião permitiu saber que a Câmara Municipal do Barreiro aprovou em 2017, por unanimidade, solicitar uma reunião ao Ministro do Ambiente, com o objectivo de abordar os problemas dos transportes fluviais, mas, até ao dia de ontem, ou a reunião não foi solicitada, ou o Ministro não quis reunir com a autarquia. Uma situação muito grave.

Esta situação demonstra a inoperacionalidade da autarquia no seu papel de pressionar o governo na resolução de problemas que afectam a população, ou, então, que o governo não reconhece a autarquia legitimidade para questionar matérias de transportes fluviais.

Tomámos conhecimento, igualmente, que em recente reunião da SOFLUSA, com a autarquia até ao final do ano poderá ser construído um novo pontão e um nova cabine de embarque, mas, entretanto, foi referido, há problemas de manutenção dos pontões existentes, por dificuldades de verbas.

Mas, para lá de todas as trocas de opiniões politicas que marcaram a reunião, quero registar, a intervenção de – 3.28 – três minutos de 28 segundos, do Presidente do Municipio, que coloca como caminho prioritário para a resolução do problema dos transportes fluviais, a entrada da Câmara do Barreiro para a gestão da SOFLUSA, ou o desenvolvimento de uma operação intermunicipal fluvial.

A intervenção do Presidente do Municipio que aponta este caminho – gestão intermunicipal ou entrada da CMB na gestão, como solução para resolver este problema dos transportes fluviais, é, certamente, uma proposta que o autarca vai apresentar na próxima reunião de Câmara, na qual serão discutidos documentos da CDU e do PSD.

Fica esta expectativa, em aberto, perante tão efusiva e corajosa intervenção do edil, que afirma a sua vontade de dar o peito às balas, assumindo este caminho como solução para resolver um problema que afecta diariamente os barreirenses.

Portanto, fica claro, perante as palavras corajosas do edil, que mais que aprovar moções, a hora é de colocar ao Poder Central uma opção concreta de um novo modelo de gestão dos transportes fluviais – a CMB na gestão, um modelo intermunicipal.
Fica claro, que, só assim irão acabar as cativações e acabar os problemas de contratação de pessoal.
Esta solução de futuro, apontada pelo edil barreirense, certamente será colocada na reunião que a autarquia vai solicitar ao Primeiro- Ministro e à Comissão Parlamentar da Assembleia da República.

Se este como defende o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, é o caminho para dar dignidade a vida diária dos 30 mil utentes que usam os transportes fluviais, então, que avance, certamente, o edil barreirense tem estudos, inquéritos realizados, que podem ajudar a fazer este caminho. O importante é fazer caminho, ser parte da solução e não ser parte do problema.

Isto não pode, como disse o Presidente da autarquia barreirense, continuar no caos, porque há cativações e não se contrata pessoal.
Pelas palavras do edil, fica claro que o governo está a prejudicar os barreirenses, principalmente o Ministro das Finanças, e, isto só acaba com um novo modelo de gestão.

É, sem dúvida de enaltecer a coragem do Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, que coloca a defesa dos interesses do Barreiro, acima do seu partido que está no governo. Mais que levantar o braço e aprovar moções o edil levanta a voz e aponta soluções. – “Esta é a nossa terra queremos resolver o problema”.
Uma gestão fluvial intermunicipal, ou a CMB na gestão da SOFLUSA, uma proposta, de quem diz querer assumir responsabilidades na gestão das ligações fluviais.

O vereador Rui Lopo, da CDU, referiu que este tema não é novo, e, tem sido abordado nos órgãos da AML- Área Metropolitana de Lisboa onde se debatem politicas de mobilidade, mas, acrescentou que a autarquia barreirense, nos últimos tempos tem-se pautado pela ausência nesses fóruns da AML.
Ora, uma proposta de gestão intermunicipal dos transportes fluviais tem que ser debatida ao nível da AML, para ter escala e dimensão politica para o diálogo e apreciação do tema com o Poder Central. Fica o registo.

Um discurso de três minutos e vinte oito segundos, que, pela sua importância e dimensão futurista, pode ter reduzido a cinzas a CDU e o PSD, que pelos vistos só querem aprovar moções e levantar o braço, ficando tudo na mesma e não resolvendo os problemas.
Na próxima reunião de Câmara este assunto vai estar de novo na agenda. Ficamos atentos.
Todos os barreirenses que trabalham, estudam, ou se deslocam para Lisboa, desejam, o mínimo, que este serviço fluvial seja o que sempre tem sido, mesmo com todas as situações frutos de greves ou outras, era um serviço que tinha credibilidade de horários e de carreiras.
Que volte a ser um serviço com a mesma qualidade que nos habituou, se, para isso, é preciso colocar a CMB na gestão fluvial, ou dinamizar uma gestão intermunicipal que avance. Nós barreirenses queremos uma solução, se considera a sua proposta o caminho, mobilize a cidade.
Estamos consigo Senhor Presidente, é preciso uma solução que acabe com as cativações e a não contratação de pessoal.
Entretanto, como uma solução desta natureza, só poderá surgir, certamente, na próxima legislatura, é importante que se aprovem moções, se discuta e mobilize, para que haja pressão e se encontrem soluções provisórias, mais não seja, que o Ministro das Finanças veja como nos está a prejudicar a todos nós com as cativações.
Gostei imenso, deste discurso de 3.28 – três minutos e vinte e oito segundos. Uma intervenção histórica.

António Sousa Pereira

LER

https://www.rostos.pt/inicio2.asp?cronica=1003436&mostra=2&seccao=inferencias&titulo=Inferencias-Barreiro-Uma-interven

Do dito terminal de contentores ao papel positivo dos TCB na região

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Fala-se muitos dos resultados das eleições europeias. Olhando para o micro mundo de uma freguesia do concelho do Barreiro, assim numa espécie de zoom local, percebe-se que as próximas eleições autárquicas vão ser renhidas .

O terminal de Contentores do Barreiro

Christian Blauert, presidente da Yilport Iberia, empresa proprietária de sete portos em Portugal e considerada um gigante mundial do sector, no dia logo a seguir às eleições europeias, numa entrevista ao jornal «Público» critica a construção do Terminal do Barreiro, que considera uma localização estranha.
Na entrevista defende que há capacidade de desenvolvimento em Lisboa
Acasos, Coincidências. Sou muito pragmático e nestas coisas, sempre achei que não há fumo sem fogo.
Para mim, este e outros sinais, são os sinais de fumo a anunciar que o Terminal de Contentores do Barreiro, foi chão que deu uvas.
Na verdade, com o mercado imobiliário em crescendo, o mais certo é renascer o «masterplan», ou algo semelhante, rasgando o centro da cidade para os terrenos da Baía do Tejo.
Como escrevi, no Jornal do Barreiro, nos anos 90 – podemos ter ali a nossa «zona expo».

De acordo com reportagem editada no jornal «Público» o ano passado a travessia entre o Barreiro e Terreiro do Paço transportou 7,9 milhões de passageiros.
A margem sul é cada vez mais uma zona residencial – há trabalho aqui, mas muita gente trabalha em Lisboa.
Nesta reportagem sobre mobilidade despertou a atenção o facto de residentes do concelho da Moita, nomeadamente da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira, salientarem as melhorias que se registaram, com redução de tempo de viagens, pelo facto dos TCB terem criado duas carreiras prestar serviço ao concelho da Moita.
Gostei. E fiquei a pensar como este serviço pode melhorar e alargar quando entrarem ao serviço os 60 novos autocarros.
Esta nota é bem um exemplo da importância e do papel social dos TCB.

As Europeias num micro mundo

Fala-se muitos dos resultados das eleições europeias. Olhando para o micro mundo de uma freguesia do concelho do Barreiro, assim numa espécie de zoom local, percebe-se o seguinte – a CDU mantendo a sua base eleitoral nos mínimos, comparativamente às europeias de 2014, os votos que perdem, objectivamente ficam distríbuidos pelo PS e BE, beneficiando mais o PS que o BE.
O PSD e o CDS, juntos no essencial mantém a votação de 2014. Mantendo ambos, quer o PSD, quer o CDS as suas base eleitorais.
O BE duplica a votação essencialmente à custa da CDU e, eventualmente, captando alguns dos novos eleitores.
O PAN para além do seu eleitorado, nota-se que capta a quase totalidade dos eleitores do MPT, do deputado Marinho, que foi eleito com um voto anti-sistema, que, agora se deslocam para o PAN.
Numa abordagem superficial, reflectindo neste micro mundo, dá para perceber que o PS, consolida a sua base eleitoral, mas a CDU também fixa o seu eleitorado.
Estas eleições não são uma projecção das autárquicas, mas, por exemplo, não esqueçamos que as europeias de 2014, no Barreiro, liderava a autarquia Carlos Humberto, que captava e influenciava eleitorado para lá da base social de apoio da CDU.

PS mantinha a presidência da Câmara

Se este resultado eleitoral fosse para eleições autárquicas o PS conquistava de novo a presidência, sem maioria absoluta, elegendo 4 vereadores. Ou seja o PS não acrescentou mais eleitorado ao PS. Consolidou-se.
A CDU elegia 3 vereadores. Mantém a sua base social, o suficiente para ser protagonista de peso nas autárquicas.
O BE elegia pela primeira vez vereador. Abrindo caminho para ser charneira.
O PSD elegia um vereador, mas perdia o seu papel de partido charneira, acossado à esquerda pelo BE.
As eleições europeias não sendo comparativas com as autárquicas são aquelas que mais se aproximam ao nível de votantes.
Este cenário deixa tudo em aberto e, desde já, fica muito claro que as próximas autárquicas vão ser renhidas.
Vão, de certeza, contar muito os candidatos. Os eleitores nas autárquicas também votam muito olhando os candidatos.

Vai contar muito o trabalho e a capacidade de demonstrar que se registaram as mudanças anunciadas, ou, por outro lado, o demonstrar que mudou alguma coisa para que tudo ficasse na mesma.
As votações do BE nas europeias e legislativas, normalmente, não têm tradução nas autárquicas, porque o eleitorado opta pelo voto útil, na decisão do confronto PS/CDU. Para lutar pela eleição do seu vereador tem que olhar para a Moita e trabalhar, desde já, no lançamento de um rosto autárquico que lhe garanta a credibilidade e acção politica permanente, com uma visão para o concelho.
O PSD regra geral garante a eleição do seu vereador porque o seu eleitorado é muito fixo nas autárquicas, veremos como se traduz o efeito Bruno Vitorino, que tem sido o grande influenciador da vida politica local, arrastando consigo o PS.
Fico por aqui, voltarei ao assunto, com mais calma… foi só uma mera reflexão de café.
Muita água vai correr debaixo da ponte. Ainda há legislativas. Ainda há tanto para andar…e, em politica, uma vírgula pode ser o suficiente para uma viragem.

Duas notas finais

O pior hábito que pode criar um ser humano é ser ele o criador de inimigos. Só cria inimigos quem descura a sua dignidade, não sabe olhar em frente, tem medos dos adversários, perde tempo com marginalidades e disfunções.
É verdade o ser humano, por vezes, gera os sentimentos de ódio e transforma esses sentimentos apenas como actos de defesa, por isso, depois, cai nas neuroses, nas depressões, e, por fim a criação de inimigos funciona como catarse. Freud, explica isso!

E, já agora, quando se quer a morte do mensageiro e, de facto, tudo se faz para matar o mensageiro, não é o mensageiro que se quer matar – é a Liberdade!
Matar a Liberdade é matar a democracia.
Um abraço.

António Sousa Pereira

Criar a Reserva Natural Local da Braamcamp, Mexilhoeiro e Alburrica Uma porta aberta ao pensar local e agir global . Um corredor verde do Tejo ao Coina

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Um dos processos da vida do concelho do Barreiro que acompanhei, com algum envolvimento foi o processo de classificação da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina como Área Protegida Local.

Falar de uma área protegida num concelho tinha uma marca de «poluição industrial» no seu adn, era algo que, para muitos era impensável.

 O facto é que a Mata da Machada e o Sapal do Rio Coina entrou na agenda politica local, fruto de um trabalho sistematizado, com muitos debates e confrontos de ideias.

Este processo deu um contributo muito importante para gerar uma nova imagem do concelho do Barreiro e introduzir um dimensão ambientalista na política local e nas concepções do pensar e fazer cidade.

 

Falo destas coisas, não por ser ambientalista, ou por possuir qualquer formação especifica sobre estas matérias. Falo porque acompanhei debates, entrevistei diversos técnicos, e, acabei por adquirir conceitos que me proporcionam uma visão e um olhar sobre o território, deste concelho onde vivo há mais de 45 anos.

 

A Reserva Natural Local do Sapal do Rio Coina e Mata Nacional da Machada – Barreiro, não nasceu do acaso, para chegar à aprovação por unanimidade, foi necessário desenvolver um percurso, até, diga-se que foi para além do Plano Director Municipal, este que está em vigor.

Tudo começou em conversas, abordagens, pequenos grupos de discussão, que olhavam, pensavam e sentiam aquele território, aquele património natural “abandonado”, ou em risco de ser absorvido por outras visões, das formas de gerir o espaço e do fazer cidade.

Este foi um momento que contribuiu para dinamizar o primeiro pilar estratégico para a dinamização de um projecto de desenvolvimento de uma politica que contribuísse para a criação de um concelho verde, equilibrado entre o seu espaço urbano e ligação ao rio e à natureza.

 

Recordo, como foi importante a apresentação do «Plano Estratégico da Mata da Machada», um processo liderado por Nuno Banza, então vereador com esta área na sua responsabilidade politica.

Do Plano estratégico passou-se para uma abordagem do conceito de « ÁREAS PROTEGIDAS LOCAIS», recordo que, por vezes, comentava-se Alburrica, como uma das zonas do concelho que devia ser, igualmente, objecto de classificação, criando-se uma outra “reserva natural local”.

A Quinta Braancamp não existia para a comunidade, era um muro, uma propriedade privada.  

 

Por estes tempos, igualmente, desenvolve-se o projecto POLIS. A cidade liga-se ao rio. Mais tarde são concretizadas algumas intervenções na zona de Alburrica. A APL intervém nas muralhas da Avenida da Praia.

O pograma REPARA liga a cidade ao rio, os passadiços são uma marca que se inscreve no território ribeirinho. Uma nova forma de pensar e sentir a cidade e a sua ligação ao rio.

 

A construção da ETAR contribui para libertar o Tejo e o Coina dos esgotos domésticos. Agora, está em curso e em fase de conclusão o processo de ligação da rede de saneamento da zona industrial da Baía do Tejo, ao sistema da Simarsul.

 

Os sítios  ribeirinhos, as zonas naturais são reconhecidos como áreas de interesse municipal, porque são monumentos únicos, pérolas da natureza e a natureza é de todos.

O pensamento estruturante, do fazer e pensar cidade de futuro, leva o município à compra da Quinta Braamcamp, dando continuidade a esse pensamento estratégico de ligar a cidade ao rio e preservar os seus espaço naturais.

 

É nesta dimensão que penso que deve ser pensado o futuro da Quinta de Braamcamp – uma das áreas integrada numa Reserva Natural Local – que vai da Braamcamp, passa pelo Mexilhoeiro e estende-se a Alburrica.

E, obviamente, neste pensar local da importância da Quinta Braamcamp como parte de um todo de reserva natural local, que inclui Mexilhoeiro e Alburrica, tendo a  visão politica de quem sente a importância da preservação das zonas ribeirinhas  e a sua ligação às politicas ambientais relacionadas com as alterações climáticas), este território não pode ser indissociável, de um pensar global – o território do concelho – no seu corredor verde que passa pelo Coina, Polis, Copacabana, seca do bacalhau, Palhais e que se liga ao sapal do rio coina e Mata da Machada.

E, sabendo que o Barreiro não é uma ilha, esta mancha territorial, que ficará localizada entre duas Reservas Naturais Locais – Mata da Machada e sapal do Rio Coina / Alburrica- Mexilhoeiro – Braamcamp e Tejo, obviamente, tem que ser pensada numa outra escala regional ligada ao Seixal e sua zona ribeirinha ( com um via pedonal e ciclável.

 

Isto tudo para dizer que seria importante lançar um debate público sobre a criação da RESERVA Natural de Alburrica, Mexilhoeiro e Braamcamp, onde o pensar local Quinta Braamcamp, fosse o leit motiv para pensar global – corredor verde de um concelho que não deseja ficar submetido à cultura do betão.

 

António Sousa Pereira

Todo o associativismo é presente

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Hoje, visitei no «Espaço Memória», a exposição com o tema – «Associativismo no Barreiro – os lugares, os factos e as pessoas», num primeiro olhar, acho que, globalmente, esta exposição é um contributo subsidiário para abrir o debate sobre o território e o associativismo.

Dialogar sobre a sua estrutura, sobre o seu conteúdo pode, portanto, tornar-se o «leit motiv», para uma reflexão sobre o Barreiro e o associativismo.

Portanto, com base nesta nota de abertura, posso salientar que gostei da exposição como um «projecto», que permite abrir caminhos, dar uma visão, e, colocar o «associativismo» na agenda do “fazer a polis”.

 

Considero esta exposição uma oportunidade, quer no plano sociológico, quer no plano politico, para que a cidade pense a sua cidadania.

Por estas razões, considero esta exposição uma iniciativa positiva, se, de facto, em torno dela formos capazes de gerar um amplo debate de ideias, tornando-a um elemento dinâmico e gerador de pensamento, de e sobre associativismo.

 

No mundo de hoje, onde se pugna pelo «fait divers», pela valorização da imagem, pelo consumo rápido, manter uma exposição visitável, até ao final do ano, é, sem dúvida, um evento importante que pode e deve contribuir para valorizar o debate de ideias e promover a reflexão sobre a vida do concelho e o papel do associativismo no «fazer cidade» e no «fazer cidadania».

Esta exposição sobre associativismo, é, sem dúvida, ela mesma, portadora de um conteúdo que abre perspectivas de reflexão e coloca abordagens diferenciadas sobre o pensar e fazer associativismo.

 

Aqui ficam algumas primeiras notas de reflexão que emergiram no decorrer da visita – as minhas percepções.

A primeira percepção, foi em torno do facto de serem destacadas no núcleo central da exposição, um conjunto de associações classificadas de «presente», e, talvez, consideradas como uma nova dimensão do fazer associativismo.

Só este assunto dá pano para mangas, até porque, há novas associações que ali não estão referenciadas. dou exemplos –  EstbarrTuna, ou Miorita, ou «Escola Conde Ferreira – enquanto espaço interassciativo, ou a Cooperativa Mula, ou mesmo, algumas associações um pouco mais velhas mas são exemplo de «um novo fazer associativismo», como é  o caso da Clinica Frater, ou a Camerata do Barreiro, até mesmo a Arte Viva, e , porque não a «nova» Cooperativa Cultural Popular Barreirense.

 

A segunda percepção, foi em torno da cronologia histórica, com a valorização de alguns factos e o esquecimento de outros, como, por exemplo evocar vitória do FC Barreirense ao Benfica, e, esquecer a vitória europeia da CUF ao Milão.

Ou, ainda, não serem referenciados, momentos históricos de presença de atletas do Barreiro nos Jogos Olimpicos, desde a Halterofilia do Luso, ou vela do Clube de Vela, e, remo da CUF.

Mesmo, de nomes destacados ao nível internacional no Xadrez, ou prémios de âmbito nacional no Teatro, caso do TEB – 22 de Novembro. E, mais, e mais…

 

A terceira percepção, o excesso de «eus da vida associativa, com uma híper valorização dos agraciados com a distinção do «Barreiro Reconhecido», na área do associativismo.

Por vezes, em conversas com o anterior presidente da Câmara, Carlos Humberto, costumava tecer criticas sobre o excesso do «nós» na vida cultural e associativa, esquecendo-se, por vezes, o papel do individuo na história. O autarca replicava, sempre, que o «nós» é «um eu, mais outro eu…».  

Neste caso, nesta exposição o excesso de «eus» sobrepõe-se à ausência de «nós». Não existe uma breve nota sobre a história de algumas associações de referência, por exemplo as centenárias. As associações todas, ou quase todas, ficam reduzidas a galhardetes e a um ponto no mapa, as únicas com dados históricos, são as integradas no dito espaço que foca o «Presente».

E, já agora, salientar que, há mais, muito mais «eus» na vida associativa que esse que, em tal, ou tal momento, foram «reconhecidos» pela sua acção.

 

A quarta percepção, ali, de facto, parece que há um associativismo vivo, com actividade e dinâmica, esse é o dito como o associativismo do «presente» ou o «novo», e, há o outro associativismo, esse, talvez, considerado o do «passado», que fica registado com um galhardete e um ponto de referenciação no território.

Como considero que todo o associativismo é presente, porque todo o associativismo faz o presente do concelho, aquela distinção entre o «novo associativismo» e o «velho associativismo», fez-me algum incómodo, até porque, algum desse dito novo, existe, fazendo do velho «barriga de aluguer».

 

A quinta percepção, senti falta da valorização das práticas associativas, porque essas é que dão dimensão ao fazer associativismo.

Sei que há muitas práticas, mas dar uma visão de casos exemplares – a cidade do xadrez; a capital do basquetebol; os desportos náuticos; o futebol, O teatro, a música – do jazz ao clássico, dos corais ao experimental.

Exemplos que permitiam perceber como pelo fazer associativismo há mais vida no concelho, muito mais, que aquela que se projecta pelas redes sociais.

 

Outras notas registei após a visita à exposição, porque, na verdade, uma exposição é um livro aberto de ideias e pensamentos.

Uma exposição é uma interpretação histórica, sociológica, politica, filosófica, e, nela está contida, directa, ou indirectamente, uma visão da cidade e do fazer cidadania.

É, de facto, por isso que considero positiva esta exposição, porque pode dar um contributo essencial, para promover o debate de ideias sobre a importância estratégica do associativismo no fazer futuro – o velho e o novo associativismo. Pois.

 

A exposição vai estar patente ao público no «Espaço Memória», e pode ser visitada até ao próximo dia 31 de dezembro de 2019.

Considero que esta exposição pode ser um elemento central de debate – pensar associativismo/ pensar Barreiro.

Afinal o futuro constrói-se sempre a partir da desconstrução do passado.

Nos dias de hoje, é, cada vez mais, importante que o associativismo se afirme, todo ele, como «pontos de encontro» - de criatividade, de fazer democracia, de solidariedade, de Liberdade e de humanismo.

Será que este é o tempo de construir e desconstruir, de opor o velho ao novo?        

 

António Sousa Pereira

A Quinta de Braamcamp não é um território abandonado . O proprietário é a CMB

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É necessário começar por referir que, se existe o tema Braamcamp, hoje, na agenda politica local, deve-se à coragem de tomar decisões, mesmo com criticas – eu fui dos que critiquei, por considerar que o Barreiro tinha outras prioridades, nomeadamente a resolução dos problemas da sua rede de abastecimento de águas, do seu sistema de saneamento, até, o estado da rede viária.

Falei sobre isto com Carlos Humberto, anterior presidente da Câmara, que, objectivamente, defendeu que a ligação da cidade ao rio era um potencial de grande importância para o desenvolvimento. Aceitei as opções. Percebi. Era, afinal, dar continuidade ao trabalho que vinha a ser realizado, no âmbito do programa REPARA, com a construção dos passadiços e, até a compra de parcelas de terrenos e património em Alburrica, agora, com esta decisão da compra da Quinta da Braamcamp, alargando essa visão para outro espaço do território, numa linha de continuidade e valorização da zona ribeirinha.

Sei que estava tudo em aberto, mas, feita a compra, concretizado um negócio que levou alguns anos, era necessário reflectir, dialogar com a população, abrir o dossier, avaliar caminhos e opções.
As eleições autárquicas foram ganhas por outra força politica, que defendia visões para o território – a roda gigante está na memória. Enfim, o importante era criar uma visão.

Depois, conquistado o poder, torna-se pública a opção de venda, e, até ao dia de hoje, não conheci argumentos plausíveis sobre as razões dessa opção. Nunca entendi a ligação ao conceito de cidade que se projecta. Existe uma ideia central adquirida e, portanto, sobre essa opção, pelos vistos, não há nada a fazer, antes pelo contrário, o que se faz é gerar correntes de opinião, de forma a tornar irreversível esta opção e colocá-la na opinião pública como uma espécie de “galinha dos ovos de oiro”, que vai criar emprego e vai atrair uns milhares de turistas. Portanto, quem não estiver de acordo, é porque não tem visão de futuro.
Criam-se contextos que não correspondem à realidade para induzir opiniões. O que considero mais grave é apontar-se a ideia de um espaço ao abandono. Iludindo a realidade.

Na última reunião da Câmara Municipal do Barreiro, os vereadores da CDU e o vereador do PSD, questionaram sobre um estudo de opinião promovido pela autarquia, nomeadamente que gostavam de conhecer as perguntas feitas através do dito inquérito. Foi referido que oportunamente o dito e os resultados seriam divulgados.

E, na verdade, no dia seguinte, já circulavam nas redes sociais algumas perguntas e os resultados das percentagens às respostas, veiculadas pelo Partido Socialista.
Isto é de bradar aos céus. É apenas, e só, uma falta de respeito por quem foi eleito, com os votos dos barreirenses, que representam – a CDU- 11.448 eleitores; o PSD – 3.912 eleitores. O PS que venceu com a maioria relativa obteve o apoio de 12.913 eleitores.
O desrespeito institucional não é pelos vereadores da CDU e PSD, é pelos eleitores, é pelos cidadãos que elegeram aqueles autarcas.

Afinal, cada vez mais de se confunde guerrilhas politicas partidárias com o funcionamento do órgão municipal.
Fiquei perplexo. Mas, de facto, cada vez, fico mais apreensivo e nada me espanta. Acho que, nos dias de hoje, tudo é permitido, desde que sirva para estimular o conflito partidário – tácticas e politiquices.

A politica local está a atingir o nível da vulgaridade, do diz que diz-se, das provocações sem respeito, as ofensas veladas, num casino politico onde, afinal, a roleta do fazer politica, gira em torno do apanágio da palavra democracia – de bons e maus democratas. Sim, e depois há, também. o culpado de tudo - o mensageiro.

Li com atenção, aquelas perguntas divulgadas e os resultados. Até pensei, sem outra informação complementar, se estas perguntas me tivessem sido feitas, certamente, era capaz de responder sim, porque, de facto, considero que aquele território é uma mais valia para o concelho. Eu, certamente, estaria nos 90% que concorda que a requalificação é uma mais valia para o Barreiro e para a zona ribeirinha. É natural.
Igualmente, considero essencial a requalificação urbana da zona ribeirinha. Obviamente.

O que me indignou naquelas perguntas foi aquela nota, relativa à recuperação de uma vasta zona do território de 21 hectares - HOJE ABANDONADOS. O que está abandonado não é de ninguém. Está degradado, e todos sabemos as razões.
Um dia em tempos idos, num debate filosófico, com um amigo, eu dizia-lhe, que as perguntas trazem, sempre, dentro de si as respostas.
E, neste caso, isso é óbvio, se os territórios estão HOJE ABANDONADOS, só alguém sem nexo, e sem visão, pode estar contra a requalificação e venda – 5% habitação e 95% para zonas desportivas e espaços verdes.

O problema de fundo, a questão politica central, sem qualquer dimensão de avaliação partidária, apenas no pensar politicamente a polis, a verdade é que aqueles territórios HOJE NÃO ESTÃO ABANDONADOS. HOJE SÃO PROPRIEDADE DO MUNICIPIO DO BARREIRO.
Aliás, sabemos que deixaram de estar abandonados quando foi assinado o Contrato Promessa de Compra, em 8 de Fevereiro de 2016. A assinatura da escritura foi em 19 de Dezembro de 2016. Desde estas datas pela acção politica liderada por Carlos Humberto, deixaram de estar abandonados.
Desde estas datas é que foi possível começar a pensar uma estratégia. Desde essas datas que não estão ao abandono.

E, já agora, que se saiba foi feita uma candidatura para uma primeira intervenção de limpeza do espaço e recuperação do território de forma a permitir a sua fruição. Essa candidatura não avançou. Dizem porque impedimentos atrasos do Tribunal de Contas e porque a correção da candidatura era negativa em termos de custos. Não se deixou cair, foram as exigências do Tribunal de Contas que levaram à queda. Mas, diz-se, até, que se tivesse caído a candidatura e avançado uma nova, então, seria mais benéfico.
Então, se assim era, porque não caiu mesmo e avançou uma nova? Porque, talvez, já estava decidido o que está decidido. Sim, não é vender, é alienar.

Nunca esquecer, e isso deve ser dito à população, aos inquiridos, que aquele território já não está ao abandono e, de facto, o seu estado actual de degradação, deve-se, em primeiro lugar à a falência da empresa, depois ao declínio do imobiliário.
Recordo que, mesmo que em tempos idos, se pretendeu avançar com construção do que era possível urbanizar. Isso, recordo, foi defendido na gestão de Emídio Xavier. Não avançou porque o mercado imobiliário já estava em ruptura.
Não avançou isso, nem tanta coisa – a TTT, o Masterplan, a Cidade do Cinema, o POLIS, e tanta coisa ficou pendurada.

Hoje, repito, a Quinta de Braamcamp não está ao abandono, está degradada, o que é muito diferente, mas, tem um proprietário – Câmara Municipal do Barreiro. Que não sabe o que fazer do que recebeu do anterior executivo. E a única opção que vê, e aponta como caminho é a venda. Ponto final.

Repetir, para que conste e faça fé, aqueles territórios estiveram, em sequência da falência dos seus proprietários e processos de insolvência, sem soluções, sem opções, até, mesmo, sem qualquer viabilidade de construção. O mercado imobiliário viveu nos últimos anos das crises mais dramáticas. Não sabem que existiu a troika?

Degradaram-se. Incêndios. Roubos. Sim, era uma propriedade privada ao abandono e a degradar-se. O municipio agiu para lhe dar qualidade e dar qualidade de vida à zona ribeirinha.

Aqueles territórios são hoje parte integrante de uma visão de aproximar a cidade do rio, como foi feito em Alburrica. – onde também foi necessário comprar parcelas privadas, para se chegar ao que hoje chegou e fruir com qualidade a zona ribeirinha.
Sobre Alburrica, Braamcamp, Mexilhoeiro, Clube Naval, não devia ser colocado o carro à frente dos bois, nem induzir respostas, nem fugir de uma amplo debate público, em torno da revisão do PDM, ou na construção de um Plano de Pormenor.
“A precipitação tudo destrói, porque é cega”, disse Tito Livio. Esta é a frase de hoje no jornal «Público». Fica o registo.
O problema é que o executivo municipal na sua maioria PS- PSD, apontam a venda como a melhor solução. E, para al´me da venda, até ao momento, não se percebe o conceito estratégico.

A CDU está contra, e, não diz quais as suas opções concretas. Fala, e, todos sabemos, hoje, pelas campanhas de rotular as suas posições politicas tudo o que vem da CDU, são considerados comportamentos de aziados. A CDU está estigmatizada, mas tem posições justas, que são aquelas que enquanto força politica tomou a decisão de comprar a Quinta de Braamcamp.
Se alguém tem autoridade moral para levantar a voz sobre esta matéria é a CDU. Mas, as correntes de opinião geradas e induzidas nas redes sociais, levam muitos a considerar que age porque tem azia, ou não tem visão, ou é retrograda.
E, na prática, hoje, quem defende posição verosimilhantes à CDU, fica na mesma rota de classificação mental.
O nível da discussão, conduz a estes contextos.

Faz lembrar aqueles tempos quando quem criticava a autarquia, era logo rotulado de reaccionário. Hoje quem critique recebe logo o rótulo de comunista.
Procura-se colar toda a gente ao PCP. Já gora, por acaso, ontem, estive a falar com um socialista, que me disse discordar das opções do executivo municipal. E sei que há mais. Se calhar, fazem parte dos tais 200 que, generosamente, são referenciados, como os críticos existentes. E se fossem 200, não merecem ser ouvidos?

O PSD exige uma definição estratégica, a ligação do território ao centro da cidade, e, tem opções, até naturais pela solução de venda apontada, porque vai de encontro à sua visão ideológica dos mercados.
Mas, de facto, está nas mãos do PSD, que as decisões que venham a ser tomadas sobre esta matéria, tenham por base com alguma visão estratégica. É o voto charneira.

A esquerda da geringonça aqui no Barreiro não funciona, aqui, a esquerda é incapaz de dialogar, e vive uma luta fratricida.
O PSD, cada vez mais, está a sentir que este conflito permite-lhe construir o seu futuro. Não me admira nada, que nas próximas eleições, pela primeira vez suba fortemente e, se calhar, entre na luta pela presidência. Já nada me admira no Barreiro. Se calhar até merece.

Voltando ao inquérito, o que registo da leitura das perguntas divulgadas, é que, qualquer uma delas contêm dentro de si os sinais que induzem a resposta, directa ou indirectamente.
A Quinta do Braamcamp não pode ser mais apenas uma “obra” para dar nas vistas, não pode ser uma matéria de uma decisão casuística. Não pode ser um mero negócio que prevê 5% de habitação.

A polémica a preto e branco sobre o vender ou não vender. É uma falsa polémica.
Não há qualquer inconveniente que se pense a venda de alguma parte. Eu não tenho. Porque não, se isso viabilizar outros projectos.
O problema não é polémica vender versus não vender, isso é para desviar o sentido do debate principal. O problema é de saber porque existe a opção de vender tudo. Isso origina que o municipio não vai ter qualquer decisão futura sobre aquela parcela do território, só terá com o acordo com o proprietário. E os acordos blindados ´desblindam-se´ em Tribunal, basta um qualquer acontecimento que coloque em causa o acordado. O proprietário tem direitos inalianáveis.

A polémica dos bons e maus, dos que estão contra e os que estão a favor. Os que querem o bem e os que querem o mal. É outra falsa questão.
Uma cidade não se constrói para socialistas, nem para sociais democratas, nem para comunistas, nem para bloquistas. A cidade é de todos, é construída para todos. O que for feito de bom beneficia todos, o que for feito de mal prejudica todos.

Interrogo-me. Porquê um campo de futebol? Só para diversão. Destinado à competição? Quantos lugares? Que estacionamento vai ser necessário? Que acessos vão ser construídos?

Um amigo, um destes dias, perguntava-me: ´Estás com o grupo Não vendas a Braamcamp´?.
Respondi não estou com grupo nenhum. Estou na defesa do melhor para o Barreiro.
Quero perceber. Quero entender. E, na verdade, há muita coisa confusa neste processo. Inquéritos. Falta de debate. Ilusões. Falsas polémicas. Excesso de politiquice. Falta uma liderança que motive o diálogo entre opções.
O que tenho assistido é uma constante barragem de propaganda, de marketing, de conversas a preto e branco, sem debate de ideias, nem de futuro.

A Quinta da Braamcamp está na agenda politica autárquica porque o executivo anterior tomou a decisão histórica de comprar aquele território.
Carlos Humberto teve um papel de referência, com base num pensar cidade e fazer cidade. Pensamento que hoje não vejo ser equacionado.

O actual executivo recebeu uma herança…e agora, por vezes parece querer deitar fora o menino conjuntamente com a água do banho. O menino lá dentro – é um menino chamado potencial - ambiental, económico e cultural.
O mais certo é o actual executivo ficar na história como aquele o que tomou a decisão histórica de vender a Quinta de Braamcamp. Vendeu está vendido.

Afinal, esta decisão, já o disse, é uma decisão que vai ser, sem dúvida, a porta que abre o caminho para a linha condutora e ideias-força para elaboração da estratégia de revisão do PDM. Não está aqui em causa a Quinta de Braamcamp, está aqui em causa a estratégia para o desenvolvimento. O resultado final é que vai anunciar o futuro.

Um concelho de expansão urbana, ou um concelho que se quer requalificado e revotalizado, que recupera estrategicamente os milhares de fogos que estão por construir e os outros que estão fechados. Um concelho centralizado na «vila», ou um concelho de sitios e lugares.
O futuro deste território de 36Km 2 vai começar naquilo que forem as decisões do processo Braamcamp!

Afinal, o Barreiro na sua história teve três patrões – o da CP/ferroviários, o da CUF e, o da expansão urbana - a Construção Civil.

Hoje, infelizmente, está reduzido ao patrão estado…mas, pelos vistos, a opção que está de novo na agenda dos políticos locais é apostar no regresso do patrão construção civil.
É isso, já se vêem gruas no Barreiro!
E, certamente, em breve existirão gruas na Braamcamp.
É o futuro anunciado. Construa-se!

António Sousa Pereira

O Dia B e as percepções

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Só quem não viveu o Dia B, por dentro, pode considerar que a percepção que existe na comunidade sobre este evento é que a autarquia, com esta motivação de cidadania, pretendia, que os cidadãos realizassem obra que era sua competência. Essa era, sempre foi, de forma directa ou indirecta, a percepção de algumas forças da oposição e, até, a narrativa que era veiculada nas redes sociais, por protagonistas políticos, com intencionalidade de desvalorizar a iniciativa e gerar em torno dela estigmas.

 

Não via mal nenhum e, até, achava coerente que a actual maioria municipal optasse, em coerência com a percepção que sempre teve e valorizou de não dar continuidade ao Projecto do Dia B. Era normal e natural.

 

Porque o DIA B tem um modelo próprio, tem uma visão de politica de participação do fazer cidade, do apaixonar cada um de nós pela nossa rua, por motivar cada um de nós a sentir que a nossa casa continua na nossa rua, na nossa colectividade, no nosso bairro.

 

Não se trata de substituir o papel dos serviços municipais, trata-se de promover uma pedagogia, que começa na escola, motivando os alunos para sentirem e serem protagonistas do embelezamento do espaço que lhes pertence e, ali, pela sua dedicação, sentirem que a escola fica mais bonita para o futuro.

Uma iniciativa que envolvia alunos, professores, auxiliares, pais e avós. Só vendo. Eu vi. Muito humanismo ao vivo, sem percepções.

 

Acredito que muitas daquelas crianças, daqui a uns anos, ao passarem nas suas escolas, vão olhar e vão recordar aquelas pinturas que embelezam o espaço, os pilaretes de todas as cores, como uma acção criativa na qual estiveram envolvidos, que viveram com alegrai, que começou na sala de aula e tornou-se realidade. Aprendizagens.

 

Eu recordo, que um dia escrevi, só por ver aquele clima de festa ali, na Cidade Sol e no Bairro da Quinta da Mina, de crianças, mães, pais e avós a embelezar e limpar o espaço público, só por isso, valeu a pena o DIA B.

 

Ver na rua milhares de escuteiros, dando o seu contributo numa acção voluntária, numa prática de solidariedade e de serviço público, pintando bancos de jardins ou os muros da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro.

 

É isto o DIA B, isto e muito mais, aqueles fuzileiros a preparar terrenos, os bombeiros, ou os trabalhadores da Câmara Municipal do Barreiro, de forma voluntária, neste dia a preparar os almoços, num clima festivo onde se forjam amizades.

 

Amar o Barreiro. Sentir o Barreiro. Viver o Barreiro.

Era isto o DIA B, um  projecto inovador, em construção e, acredito que, sobre ele, era necessário avaliar, até, retirar-lhe alguma carga de híper valorização, mas dar-lhe, sem dúvida a devida importância numa politica de motivação, numa pedagogia de co-operação, no construir cdadania de mãos dadas, sentir que é possível fazer cidade para além, muito para além das percepções estimuladas nas redes sociais, unindo vontades e diferenças. O DIA B não era um ismo ideológico, quanto muito era um barreirismo - de quem faz e ama viver Barreiro.

 

Era isto o DIA B. Um projecto de uma proposta de ligação inovadora dos políticos aos cidadãos, às escolas ao movimento associativo, às empresas.

  

Repito, não vejo mal nenhum que o novo executivo municipal, na sua nova orientação politica, optasse por considerar que esta não é a sua estratégia, nem o seu modelo de fazer cidade.

Compreendo. Até que isto é ser coerente, com o que dizia na oposição.

E, agora ao acabar como modelo de DIA B que existiu ao longo de vários anos, reconhece que assume essa atitude porque, afinal, receia essa percepção, que anteriormente na oposição tinha e valorizava, e, agora, não querem ser acusados pelas pessoas que absorveram essa perceção que – são como os outros – fazem o Dia B, para suprir algumas obrigações que a Câmara Municipal tenha de fazer, nomeadamente algumas intervenções no espaço público.

Admite, portanto, com este ponto final no modelo, que é esta a leitura que tinha e continua a ter do DIA B.

Então acabe-se com o DIAB.

 

Embrulhar o DIA B, numa nova metodologia de acção de solidariedade social, é, uma atitude que só pode ser compreendida como uma provocação, não ao anterior executivo municipal, mas aos cidadãos que se envolveram no DIA B, que o fizeram por paixão e amor ao Barreiro e, na verdade, não o fizeram para suprir carências ou deficiências dos serviços municipais.

Viver o DIA B, foi isso agarrar uma ideia, um projecto, um fazer cidade.

 

 

Acabem com o Dia B. Não mantenham o Dia B, com outra filosofia.

Relançar o Dia B, agora como movimento de solidariedade, é gerar confrontos sociais, é gerar divisões artificias na vida da comunidade – até aqui eram os muristas, os passadistas, os retrógrados,  do outro lado os antimuristas, os futuristas os progressistas.

Pronto, agora estimula-se mais uma nova guerrilha – os solidários contra os não solidários.

 

 

Percebia e estava de completamente de acordo, com essa opção politica de acbar com o DIA. Podia discordar, mas percebia e respeitava a coerência e, digo, até admirava a coragem politica e ‘sentido de estado’, de ser tomada a decisão de ruptura politica – acabar com o DIA B.

Era uma opção politica que se respeita e entende, afinal, sempre assim foi, nos tempos de mudanças.

 

Mas não é nada disso, não se acaba como o Dia B, reinventa-se.

O problema não é a reinvenção do DIAB, o problema é que tudo isto é uma constante, esta intencionalidade permanente de criar pseudo factos politios, de colocar cidadãos contra cidadãos, por coisas meramente – estas sim ideológicas que coloca interesses políticos, acima dos interesses da cidade e do fazer cidade.

 

Não acabar como o DIA B e reinventá-lo, parece ser mais uma acção, das muitas que vão acontecendo, inseridas numa estratégia politica que tem por base as ideias força - desconstruir, demolir e dramatizar.

 

É essa estratégia que faz, aqui e agora que vivamos num permanente clima de confronto, de guerrilha urbana, gerando tensões desnecessárias na vivência do fazer cidade e cidadania.

 

É, portanto, uma metodologia de acção e, na verdade, está entendido que vai ser assim sempre, até às próximas eleições autárquicas. Todos os dias são dias de campanha eleitoral, dias marcados por uma gestão que opta pela sua afirmação na comunidade, explorando percepções, criando conflitualidades, atraindo a principal força da oposição para esse combate, um combate ausente de ideias, que assenta em visões, percepções e auscultações.

 

O importante e necessário é manter uma tensão negativista - de um lado estão os futuristas, os que querem o desenvolvimento; do outro os passadistas, afinal, os que os culpados do estado a que isto chegou – a tal decadência que tem um culpado.

 

Afinal, essa estratégia permite a vitimização, porque a tensão gera confronto e, tudo isso, é um caldo cultural para a dramatização.

Este clima proporciona os conflitos laterias, Desvia de discussões abrangentes.

 

O DIA B da solidariedade, vai transformar-se, infelizmente, no DIA B da conflitualidade, onde, infelizmente, já se mistura tudo, caridade, trazendo para a liça, outras dimensões do debate de ideias. É mau, muito mau.

 

 

Já percebi, que todas as tácticas circunstanciais se inserem na estratégia, que tem por base essas três ideias força – desconstruir, demolir e dramatizar.

 

Mas, enfim, é vida e de politica quem tem percepção são os políticos...e, de facto, cada vez mais se percebe que para vencer eleições, não contam ideias, nem estratégias, o que contam são as percepções, são elas que conduzem às visões e ambições!

 

António Sousa Pereira  

Hoje dia 1º de Maio apeteceu-me ter uma visão Não estraguem o potencial!

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Hoje, dia 1º de Maio, ali, sentado na esplanada dos Dadores de Sangue, olhando o Tejo, esse Tejo, onde Antero e Fontana, debateram ideias de futuro e sonharam Portugal, construído como terra de solidariedade e marcado com a existência de comunidades desenvolvidas com qualidade de vida – social e ambiental.

Estou ali sentado, e, de facto, pelas redes sociais chegam até mim os rumores, dessa coisa que por aí prolifera, sobre muros, quedas de muros e muros que se erguem. Coisas efémeras que transforma o debate de ideias e a reflexão sobre a cidade, numa banalidade, como se o futuro de uma cidade se discutisse, com base num combate, entre aqueles que erguem muros e os que derrubam muros.
De tantos muros é feita a cidade, O pior muro é aquele que quebra as asas ao voar da cidadania, não promovendo debates abertos, sem filtros.
Não me venham com a treta que ninguém discutiu a compra, nem que não houve debate sobre a compra.
Mesmo que, em parte, isto seja verdade, justificar os meus erros com os erros dos outros, é não querer mudar a forma de fazer cidade.
Provem sem problemas a razão das opções. E, então, quem não concorda perante argumentos válidos terá que se render.

Hoje, assistimos a uma banalização do debate de ideias. O preto e branco. Os maus os bons. Os muros ideológicos. Dividir para reinar.
Não me admiro nada que, um destes dias, dando continuidade a certos textos produzidos por agenciados, para abrir o caminho, a uma estrutura de “pensamento estratégico”, de um marketing que carece de promover um negócio, o mais certo, é que seja editado um vídeo, para ser amplamente divulgado.
Estava por ali sentado a olhar o Tejo, e pensei, deixar uma sinopse para produção do dito vídeo.

Primeiro umas cenas de construção de um muro, erguido, por activistas do «murismo», todos vestidos com um guarda roupa bem determinado que permita identificar a ideologia.
O muro ergue-se imponente, pela calada da noite, com a frase: Não vendas a Braamcamp!
No segundo momento, por trás desse muro dos «muristas», com um drone, filma-se a Quinta o seu estado actual, com as imagens mais degradantes que possam permitir o repúdio e a indignação. de forma quem vê, em poucos segundos, fica triste e diz: É isto que estes querem, que isto fique assim, que continue ao abandono. E, se necessário, nas entrelinhas, fala-se de um passado longo.
Enfim, de tal forma que fique claro que aquele é o pior dos mundos, o defendido pelos «muristas», o tal mundo que os maus querem manter, que já foi anunciado, aos poucos, com os tais dos muros das lamentações e outras coisas mais, que faz dos ditos muristas uns verdadeiros «mentecaptos».

Depois, dando continuidade ao filme, surgem ao nascer do sol, tem que ser ao nascer do sol, os anti-muristas, que, ali, em pleno dia, não pela calada da noite, vão derrubar o muro, num clima de festa, muita cerveja, bandeiras, e música pop.
O muro cai, em imagens de câmara lenta, tijolo a tijolo, as letras vão sendo destruídas, escuta-se a música de Vangelis, uma gaivota rasga o azul, e, em contra luz, vão surgindo imagens do futuro, tridimensionais, que dão a visão do que vai nascer após o derrube dos muros – os muros reais, os muros ideológicos.
Imagens, com visão, agora já sem roda gigante, agora apenas um tempo novo – um campo de futebol, um palacete transformado em Hotel, 180 fogos, em prédios de três pisos, caldeiras transformadas em pistas de remo, crianças a correr a abraçar os pais, em sorrisos. Um mundo novo, sem muros, num tempo novo.
Um bom vídeo. Fica aqui esta sinopse – uma visão de marketing.

São estes, afinal, os clichés do debate que alimenta as narrativas em torno da Braamcamp .
É, neste patamar e “caldo cultural” que se quer manter a discussão. Os bons e os maus.
Há os que são contra os investimentos. Retrógados. Muristas.
Há os que são a favor dos investimentos. Progressistas. Anti-muristas.

Estou ali, na Avenida da Praia, neste dia 1º de Maio de 2019. Sentado, olho o Tejo. Imagino que ainda não há muitos anos, existia um muro de sebes verdejantes que separava a «Avenida da Praia» do rio, e, também que ali, ao fundo da avenida, existiam muros, que separavam as fábricas da cidade.
O Barreiro era uma cidade murada. Não olhava para o Tejo, porque o Tejo era, apenas a via que ligava as duas margens, para os que trabalhavam na outra margem. Os outros, os milhares que trabalhavam nas fábricas da CUF, ou nas Oficinas ferroviárias, esses, viviam dentro da cidade, porque a cidade era a fábrica a fábrica era a cidade.

Dou comigo a remexer os pensamentos, neste dia 1º de Maio, que é um marco dentro das minhas memórias, dentro, bem dentro do tempo que sou, na comunidade onde cresci e sonhei.

Dou comigo a pensar que esta pseudo-discussão sobre a Braamcamp, será, para sempre o marco que vai determinar o futuro do concelho do Barreiro.
E como também gosto de ter visões, dou comigo a pensar na cidade que imagino e sonho.
Não há na Área Metropolitana de Lisboa, um concelho que tenha o potencial do Barreiro.
Um potencial que só pode ser dinamizado com uma estratégica enquadradora do papel deste território na região, quer na Península de Setúbal, quer na AML.
Isso exige, afinal, que o Poder Local tenha uma ideia para o concelho, que seja capaz de juntar vontades em torno de uma ideia de cidade, que seja capaz de exigir ao Poder central que coloque o Barreiro na sua agenda, quer no que diz respeito a acessibilidades e mobilidades; quer no assumir uma estratégia de desenvolvimento para os territórios da sua área de gestão. Isto estava a ser feito, vinha a ser feito nos últimos dezasseis anos.>

E, voltando a minha visão de cidade e de concelho. Em primeiro lugar afirmo que não defendo o desenvolvimento do concelho com base no actual PDM, que prevê cerca de 200 mil habitantes para um território de 36Km 2. O actual PDM é para rasgar.
Tenham coragem de meter este PDM no caixote do lixo da história. Ele foi o que foi, no tempo que foi, na sua realidade epocal.
Tudo o que se quiser fazer e justificar com o actual PDM é justificar um documento que foi ultrapassado pela história. Seja a construção de um Centro de Saúde no Alto do Seixalinho, seja a construção de 180 fogos na Quinta de Braamcamp.

Imagino o Barreiro como uma cidade que aposta na requalificação do seu tecido urbano. Que dinamiza espaços públicos de convívio. Porque o Barreiro é um concelho de lugares e sítios. Por isso acho um erro os argumentos e as opções tomadas em torno do Bairro Alves Redol. São falácias. São um exemplo de opções, neste caso, pela não pela requalificação urbana.

Uma cidade que em cooperação com a Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, estuda, faz projectos de requalificação urbana, de forma a estimular zonas de comércio local, a ocupação das ruas, porque esta é das melhores acções para dinamizar a segurança urbana – dar vida às ruas da cidade, dar vida aos seus espaços de cidadania – o associativismo.
Reconstruir o degradado em vez de estimular novas construções.

Sonho com esta cidade- concelho que se desenvolva com polos de criatividade – dos polos artísticos – teatro, música - aos polos de novas tecnologias, fotografia, cinema, digital.
Uma cidade que se aproxime do rio. Uma cidade que cultive a sua ligação ao seu «Grande Parque Central» que é a Mata da Machada. Apostava numa ciclovia ao longo da IC21, de forma a colocar a Mata da Machada ligada ao polos urbanos do concelho.
Promovendo o desporto do lazer, uma cidade verde, ambientalista, com uma Mata e um Sapal marcados pela biodiversidade – uma riqueza actual e histórica para a região – que podem colocar o Barreiro como referência nacional.
E, neste contexto, como era de grande valia a ponte pedonal, adiada.

Uma cidade que tem espaços museológicos únicos, ao nível ferroviário e industrial, que podem ser espaço de visitação. Onde são necessários investimentos pensados e debatidos com o Poder Central e, atraindo investidores, tendo estudos e sugestões que motivem os potenciais interessados.

Uma cidade que tem que sair do gueto em que está há décadas. Se antes isso não se sentia, até, porque o Barreiro, para muitas terminava na «passagem de nível», porque havia trabalho e comércio no centro da cidade, hoje, é uma das principais causas do seu atraso – a falta de ligação rodoviária ao Seixal, a continuidade da IC21 rumo a Sesimbra, a Terceira Travessia do Tejo – só ferroviária – deixando para outras eras a possibilidade da rodoviária (invertendo o processo vivido com a ponte 25 de Abril).
A ponte ferroviária pode trazer de novo para o Barreiro a sua centralidade na ligação norte-sul, e, desde já apontar, como foi dito, que as oficinas do futuro TGV, se instalassem aqui no concelho.

Dispenso o Terminal de Contentores, se ele, for isso, apenas isso, um depósito de contentores. E, não estou a ver que Setúbal, Sines, ou Leixões, estejam disponíveis a não crescer para dar espaço ao Barreiro.
Ali, naquele território da Baía do Tejo, pode continuar-se a estratégia de promoção do território através da marca « Lisbon South Bay», atraindo empresas, criando espaços de lazer e de criatividade e apostando na criação do «cluster artístico».
Debater com os governos, como quis Emidio Xavier e Carlos Humberto, a instalação de serviços centrais aqui no Barreiro.
Há muito espaço para construir, até, porque não pensar para ali Habitação, como um dia escrevi, nos anos 90, temos ali a nossa zona expo, e, portanto, diga-se, mais uma vez, é preciso para tal rasgar o PDM, que ali prevê zero de construção de habitação.

Na zona norte do Barreiro, em torno do centro da cidade e espaços urbanos consolidados a estratégia tem que ser – requalificação, do espaço público e do edificado, em simultâneo, apostar em programas de valorização da vida local, da cultural local, dar qualidade de vida urbana.
Sim, é verdade, para isto, mais que as preocupações com a construção de um Centro de Saúde, que é da responsabilidade do Poder Central, apostar na melhoria das condições de tratamento dos espaços públicos, recolha de resíduos urbanos, melhorias no abastecimento de água e no saneamento básico, com planos estruturais, porque o dinheiro não chega para tudo, apesar da autarquia, em sequência da troika e da gestão rigorosa, hoje, respirar saúde e permitir tranquilidade, que nunca outros antes tiveram e, recordo, tanto sofreram, para legar tanto que foi feito, que só não vê quem não quer. Eu vi e vivi.

Na zona sul do concelho, se for aceite o que está no PDM, há muito território para se optar por uma estratégia de expansão urbana – podem nascer ali, algumas urbanizações estilo Fidalguinhos , para garantir a entrada de taxas da construção. O Santo Graal do Barreiro.
Um território que está localizado a 30 minutos de Lisboa, por via ferroviária, mas que é necessário avaliar a mobilidade, num plano conjunto com as Câmara de Palmela, Sesimbra e Seixal.
Um território onde, também, pode localizar-se uma plataforma logística-industrial contribuindo de forma indirecta para reactivar a Quinta das Rebelas.

Pronto, hoje, dia 1º de Maio, apeteceu-me ter uma visão, e, como isto de visões é só por no papel, fazer um vídeo, só tenho pena não ter condições de fazer um vídeo, com um drone a voar da Ilha do Rato até Coina.
O concelho do Barreiro é um território que é um mimo, uma pérola, que pelas suas características e potencial, de facto, aqui, podia ser construído um modelo de cidade e cidadania único e de referência na AML.
É isso que não se discute. Porque, ou muito me engano a opção está tomada, pelos vistos o PDM em vigor serve para justificar o que era injustificável.
Um dia destes vou, certamente, ouvir defender a construção de prédios, na zona das Oficinas da CP. O PDM prevê, qual é o problema.

Entre um concelho de qualidade e um concelho dormitório, eu gostava que se optasse por um concelho de qualidade. São opções.

É que, na verdade, enquanto se banaliza as conversas em torno da «guerra dos tronos» - de mortos e vivos – aqui no Barreiro escrita, por agora, com a palavra Braamcamp, o resto do território não se discute, e projectar uma ideia para o concelho e cidade, essa, fica enterrada no lodo do Mexilhoeiro, porque, sem dúvida, o PDM em vigor, serve para justificar tudo…construa-se!

Fico a pensar no potencial que é este concelho e limito-me a deixar uma nota de reflexão, neste 1º de maio de 2019 – Não estraguem o potencial. Avancem com um novo PDM, e, por favor, promovam um debate sobre a estratégia para o concelho.

Viva o 1º de Maio!

António Sousa Pereira

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