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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Os dias cheios de palavras!

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É uma alegria enorme, essa, sentirmos os dias cheios de palavras. As palavras que nascem vivas numa simples de troca de olhares, palavras que florescem nos sorrisos, palavras humedecidas nos lábios, vestidas de vermelho, essas que falam no silêncio do azul dos olhos – sorrindo.
As palavras podem ser tulipas. As palavras podem ser rosas. As palavras podem ser cravos. As palavras são tudo o que nós quisermos, sempre que as palavras são a energia de nós mesmos, esses sons que gritam, e, afinal, são eles que nos acordam para sonhar e, mais que sonhar, pra viver vivendo.
Viver o sabor das palavras, não é viver a amargura das palavras.

As palavras são o vento norte, esse que arrasta as folhas, ali, na Avenida da Praia, o lugar que pode ser o ponto de encontro com tudo o que nós somos, fomos ou desejamos ser, esse lugar mitico, que abre as portas ao mundo – o Tejo.

É isso, os dias estão cheios de palavras. As palavras que nos fazem pensar e sentir, sempre que rasgam os caminhos dos nervos, ecoando por dentro das memórias, porque nós não somos memória. Nós somos memórias.
O problema ao longo dos séculos é esse, sim, esse, quando querem que sejamos memória, uma memória, ou quando alguns só têm memória, são nesses momentos que as palavras se transformam em silêncio. Reduzem-nos a uma memória.
Na vida, não basta ter memória. É preciso ter memórias, e, essas, as memórias, afinal, são aquelas que sentimos vivendo, fazendo, com os outros. Nós só vivemos com os outros.
E, digo-vos, viver com os outros é viver e sentir as palavras. Todas as palavras.
A minha memória não é a tua memória. A tua memória não é a minha memória. É por isso, apenas por isso, que fico com medo e temo aqueles que querem impor a sua memória como a memória, que simboliza a verdade, essa, que todos temos que aceitar como verdade. Quando querem que as suas recordações, sejam as minhas recordações. Uma cidade é uma eternidade de recordações, vivenciadas e partilhadas.

As memórias que forjam verdades, que querem vender verdades, que acham que ter opinião é submeter à vontade do poder – comer e calar. Essas são as memórias do caminho único. Cansei-me.
Estou mesmo cansado das memórias que apontam o mundo perfeito. São tantas que até já fazem doer as memórias reais , que guardei nos nervos.
Nunca acreditei em mundos perfeitos. Mas, é verdade, tenho que confessar. Cheguei a acreditar, candidamente falando, que, lá longe, como diz a canção, estava a nascer uma cidade junto ao rio, a florir em nascentes. Sonhos.

Hoje, digo-vos, já deixei para trás tudo isso, hoje, à tarde, em conversa com umas amigas, dizias-lhe vivi desejando sempre ser feliz, a partilhar os dias querendo ser feliz, sonhando, por vezes que era possivel mudar o mundo, e, disse-lhes – agora, cada vez mais, só quero isso, apenas isso, ser e viver feliz.

Deixo a missão de construir o mundo perfeito aos vindouros. E, sei,cada vez mais, que nos tempos de hoje esse mundo perfeito, feito de coisas perfeitas, são coisas de videos, ambições, visões, coisas de marketing para criar ilusões. Depois, a vida real, o que conta é vender e comprar. Viver agora. Fazer já.
A memória começa no nascer do sol e morre ao por do sol. Um dia de memória de cada vez, e basta. É este o tempo da modernidade, do pós industrialização.

Sim, é verdade, os dias estão cheios de palavras, e, nós, por vezes passamos dias e dias, muitos dias, sem tocar o seu sabor, sem comer os seus sons.

A alegria, a grande alegria é quando nós sentimos as palavras saltar na nossa frente, naquelas lágrimas que deslizam, através dos lábios a tremelicar, ou quando as palavras deslizam nos dedos, cruzam por dentro do peito, tocam os nervos e ficam guardadas no coração. Essas são as palavras que escrevem a palavra amizade. Dignidade.
Essas são as palavras que percorrem o tempo, por dentro de todo o tempo vivido – escrevem-se amor, escrevem-se saudade, escrevem-se presente, escrevem-se viver.

Hoje, encontrei duas amigas. Estivemos por ali a trocar palavras. Falamos da vida. Falamos de amor. Falamos de sonhos. Falamos de nervos. Falamos de palavras. Falamos de gente de palavra e de gente sem palavra. Falamos de gente que é gente e gente que faz a cidade. E todos nós somos cidade, quando nos olhamos.
Comentámos a gente sem rosto, que diz que é, mas não é, porque não tem ética, nem moral. Nem sabem o que é lutar na clandestinidade, para abrir as portas à Liberdade, e depois falam de máfias. Tristes.
Falamos de pessoas com ideias e valores que lutam por essas ideias e valores.
Falamos de pessoas que afirmam ter ideias e valores e que afirmam lutar por tudo, mas afinal, para eles não contam ideias, nem valores. Usam palavras de rancor. Usam palavras vazias, palavras que ficam gastas pela repetição, pelo esgotamento. São palavras que vivem de fantasmas.
Iludem, mas são palavras gastas. São palavras pavovlianas. Estas palavras morrem dentro de si mesmas. Não são palavras que se dizem, nem são palavras que se sentem.
Essas são palavras da retórica. Górgias explicou isso muito bem, há milénios, antes de Cristo.

E estou para aqui a escrever tudo isto, com palavras que cantam nos meus nervos, tudo isto fruto de encontros, de conversas, de sentir que os dias estão cheios de palavras.
Pela manhã, alguém que tem os olhos de amêndoa, ao ver-me, disse: “Estava à sua espera, para sentir algum colorido neste meu dia a preto e branco”.
Depois as palavras transformaram-se em tulipas.
Ao fim da tarde, entre as gotas que polvilhavam a rua com o cheiro de terra a sangrar, afaguei o gato branco, que mirava os meus olhos, em silêncio.

Mas, de facto, este texto não tinha nascido se, ali, no Forum Barreiro, não tivesse sentido as palavras a saltar das memórias. Palavras, brotando do tempo, por dentro do coração, com saudade de ausências.
As palavras essas que nos dão certezas que, nos dizem, silenciosamente, que não há nada mais belo que viver, caminhar e sentir - olhos nos olhos – como, na realidade, para ser feliz, estar feliz e viver feliz, só há um caminho, esse, de sentirmos que a vida, toda a nossa vida, é tudo o que nós somos...sendo.
Foi isso que senti naquela conversa com duas amigas, numa tarde, de vida real, de memórias, onde senti que a vida só faz sentido quando...os dias estão cheios de palavras!

António Sousa Pereira

A distância entre pensar Barreiro e pensar ‘barrerinho’

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A nossa vida pulsa no pulsar que nos envolve. A paisagem integra os nossos sentimentos. Nas ruas estão inscritas memórias. Habituei-me a ‘tocar com os olhos da memória’ as emoções que estão vivas nos lugares, esses, onde inscrevo os meus passos.
Estou numa idade, que só me apetece viver, divertir-me, sorrir. Olhar a luz das manhãs e sentir que estar vivo é mais, muito mais, que acordar e existir.
Hoje, pela manhã, fui dar um passeio junto ao Tejo, de mão dada com a Lurdes, lá fomos, sentindo a maresia, o vento, e, até escutámos aqueles ‘gritos estridentes’ de gaivotas.
O Tejo é lindo. Caminhamos pelas margens e sentimos o silêncio. Lisboa, na outra margem, brilhante e terna.

Encontrei no seu rodopio diário o ‘Má Raça’. É ali o seu território, junto à Piscina Municipal, na muralha do Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita, e, nos últimos dois anos, também, ali, naquela ‘praça’ da Quinta Braamcamp que se abriu ao mundo e ao Tejo.
O Má Raça faz parte da paisagem. O Tejo faz parte da sua vida.
Tudo que nos toca emocionalmente traduz-se em pensamentos, quando temos raízes e essas raízes contam mais, muito mais que, pensar um milhão de euros.

O Má Raça estava por ali, com o seu boné de marinheiro, dando voltas, naquele local onde esteve instalado o palco das Festas do Barreiro, os limites da Quinta Braamcamp.
Um território que, afinal, graças à decisão unânime – CDU, PS e PSD - na Câmara Municipal do Barreiro foi adquirido e faz parte do dominio público.
Mas, pelos vistos, dizem – ‘para bem do Barreiro’ - está previsto que vai ser vendido, no âmbito de uma operação imobiliária. Aquele território, hoje público, vai passar de novo para o dominio privado. Agora, certamente, pelo que se sabe, não por decisão unânime, mas por decisão do PS e PSD.
Mas, pasme-se, consta que depois, quando o novo e futuro proprietário apresentar uma proposta de urbanização, este território, irá voltar de novo ao dominio público.

Olho o Má Raça. Dou a mão à Lurdes e sigo o meu caminho, sorrindo. Isto só dá mesmo para sorrir.
E não escrevo o que penso. Fico pelo pensar. Espero que ao menos, ainda exista liberdade de pensar.
Volto, na distância, a observar o Má Raça, ele continua a passear naquele recanto, onde outrora existiram muros.
É verdade, tenho mais de quarenta nos de vida no Barreiro, e, na realidade, sempre ali conheci um muro. Só nos últimos dois anos recordo, de facto, o muro não tem sido reconstruído, após as Festas do Barreiro. Valeu alguma coisa a CMB ter comprado a Quinta. Até imagino que, ali, pode nascer o nosso Terreiro do Paço.

Enquanto vou dando o meu passeio. Olho a outra margem. Daquele lugar observo o Terreiro do Paço. O centro do poder. O lugar onde começou a cair a monarquia. O lugar onde começou a cair o salazarismo. O poder é sempre o poder.
Os lugares, são sempre o que lá está e o que lá esteve, nunca sabemos é o que vai lá estar – são memória e são presente.
O futuro está sempre por escrever e fazer, mas, quando escolhemos no presente, as nossas escolhas abrem o caminho de futuro. Por isso o futuro escolhido, está escolhido.
Acredito que para pensar e sentir uma cidade é preciso pensar e sentir o que está inscrito na paisagem e nas pessoas que fazem a paisagem.
Por isso é belo, pensar e sentir cidade e viver cidadania. Sendo. Fazendo.

Volto para o carro. Olho o ‘Má Raça’ e pergunto-lhe: “Qual é o caminho para o Barreiro?”. Ele sorri. - "Não tem nada que enganar. Vá sempre em frente e vai ver que daqui a pouco está no Seixal!”.
Olho, de novo, aquele recanto sorrindo.
Apetece-me mesmo sorrir. Não sei se é sorriso triste, se de mera irreverência. Lá vou sorrindo.
Aqui é a Quinta Braancamp - hoje do dominio público, amanhã vai ser de novo privada, e, depois volta de novo ao dominio público. Neste ir e vir, a Câmara Municipal do Barreiro, encaixa um milhão de euros.

Olho o Má Raça e sinto o seu sorriso vivo e natural. Olho o Terreiro do Paço, ali em frente. Penso. Limito-me a pensar. O melhor é ficar é pelo pensamento, ‘sinta quem lê’.

Meto-me no carro. Vou até à Universal, aquele espaço de gente simpática no Bairro Operário. Gente de trabalho. Dos resilientes que vão mantendo a cidade com alguma vida. Brinco com a Marina. Converso com a Lili. Faço uma festa no Gabriel, que se prepara para nascer.
Volto à rua. “Dê-me uma moedinha”, diz o utente da Persona.
O Bairro Operário. O velho Bairro Operário, desse Barreiro feito de vizinhanças. O Barreiro que agora está anunciado é, na verdade, aquele que vai ter vida ‘à noite’, e, portanto, não se vai comparar com o Parque da Cidade. Fico de novo a sorrir. Também gosto de sorrir. Retórica. Górgias.

Estou por ali, e, aproveito para visitar o Kira, no seu novo espaço de criatividade. Passo junto à Escola Profissional Bento Jesus Caraça. Os alunos dão vida ao bairro. Potencial. Isto é potencial. Enfim.
O Kira continua a sonhar. Um sorriso de grande senhor, que resiste, resiste... existe porque sonha. Só deixamos de existir, quando deixamos de sonhar.
Quando o nosso sonho se resume a pensar milhões e a vida se resume aos euros. Retornos. Lá se vai o potencial.
E, afinal, até, é, quando se vai a visão, lá se vai a ambição, em suma, nada mais nos resta que essa realidade de ficarmos reduzidos a um parque de merendas, um campo de futebol, um parque infantil. Vendemos os aneis e ficamos felizes porque não nos levam os dedos.
Isto é afinal a distância que vai entre pensar Barreiro e pensar ‘barrerinho’. Pensar ‘Barreirinho’ é pensar um lugar onde se regressa após um dia de trabalho - o dormitório, o lar doce lar, das tais 180 habitações. Pensar Barreiro é pensar um lugar com visão, ambição...é isso com Rodas Gigantes, e, afinal acreditar que temos mesmo potencial para ser referência na região.

É que pensar o ‘Barreiro na AML’, sem dúvida, é muito diferente de pensar o ‘Barreiro da AML’. Uma única letra muda o ‘conceito’ de pensar e fazer estratégia no pensar e fazer cidade.
É assim, sempre assim foi, tem sido assim, década após década, o meu país vai hipotecando o futuro de sucessivas gerações.
Até já divirtam-se!

António Sousa Pereira

 

É frequente familias começarem a falhar o pagamento de empréstimos

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Pela manhã, regularmente a primeira coisa que costumo fazer é deslocar-me para comprar o jornal diário. Sou leitor do jornal «Público» desde a sua primeira edição, faz parte das minhas vivências diárias. Senti a partida de alguns cronistas, que me deliciavam matinalmente. Um deles recordo com saudade Eduardo Prado Coelho.
As minhas primeiras conversas matinais começam com o diálogo que estabeleço com as páginas impressas. Gosto de sentir nas mãos as páginas e folhear.
Vou lendo. Interrogando. Pensando. É uma conversa interior que permite, calmamente, sem preocupações. Estar ali, ler. Viver.

Hoje, a manchete alertava para o aumento de familias a pedir ajuda, perante o incumprimento no pagamento de prestações.
Referia-se que entre Janeiro e Setembro cresceram o número de pedidos de apoio e cresceu a “infidilidade financeira”, que é dito ‘são cada vez mais frequentes’.
O aumento de rendas altas, nos centros das cidades, levam familias a não pagar o crédito ao consumo. Mas, acrescenta-se que o fenómeno já se estende às periferias, é frequente as familias começarem a falhar o pagamento de empréstimos, sendo de destacar os atrasos dos empréstimos relacionados com prestações da habitação. Empréstimos sobre empréstimos, para manter a vida, ou a aparência de vida.E, por fim, surgem as penhoras de ordenados e de outros bens.
Leio. Penso. Pois, foi assim que tudo começou, naqueles tempos antes da entrada da troika. O crescendo de situações desta natureza, definida depois nas teses – ‘os portugueses vivem acima das suas posses’, são o sinal de um futuro anunciado.

Vou caminhando. Na escola do ensino básico, escuto os gritos das crianças brincando, saltitando, felizes, alheias aos movimentos da vida e da história. Sim, aprendi isso vivendo, a história está a fazer-se todos os dias.
Olho a parede da escola e reparo que as pinturas feitas pelos pais, tenho a ideia que foi numa das jornadas do Dia B, desapareceram, a nova pintura tapou os trabalho que, pelo que soube na altura, foi feito com carinho e uma grande paixão pelos pais.
Enfim, reparou-se o telhado e retirou-se o amianto. Colocou-se o alpendre na entrada. Muito bom. Pintou-se a escola. Aquelas pinturas, pelos vistos, estavam ali a mais. Incomodavam ? Eu gostava, gostava acima de tudo por terem nascido do amor e voluntariado de pais, de querem dar cor e alegria ao espaço do recreio. Estava giro. Era naif e criativo.
Mas, enfim, é talvez, a tal ‘modernidade’ que desconstrói o passado e faz nascer um futuro inócuo, sem a presença dos sentimentos que nascem no coração.
Quando ali passava olhava aqueles desenhos infantis e sentia as suas cores misturadas nas crianças a saltitar. Agora sinto o silêncio das imagens apagadas. Faz-me lembrar aquela pintura que foi pintada num Dia Mundial da Criança, na Piscina Municipal do Barreiro e, um dia, igualmente, por um critério de ‘modernidade caviar’, em vez de recuperar, decidiram apagar, destruindo a memória e uma das primeiras obras de arte urbana existente no Barreiro, que, por acaso, o seu autor foi Rogério Ribeiro, um dos grandes nomes da Arte Portuguesa contemporânea.

Pela rua de mão dada lá vão, o pai e a mãe da Elsa. Sorriem, Cumprimenta-mos. Um abraço e um beijo. Tudo bem. Trocas breves de palavras. Afinal são momento destes que nos fazem sentir o território onde vivemos, como parte da nossa consciência, donde viemos, o que somos. É isto que somos. Sim, é isto que somos, humanos de sorriso no rosto. Gente com história e memória, gente que fez esta terra chegar aqui, com filhos e netos e muita esperança. Vale a pena encontrar rostos que nos fazem sorrir e sentir que somos.

Uma das coisas que, por razões da actividade de jornalismo local que mantenho, diariamente vou tomando contacto com as redes sociais. Por vezes é interessante, outras vezes é arrepiante.
Na verdade, se há espaço onde a desconstrução social e da sociabilidade é uma marca da vida quotidiana é por ali, especialmente, no facebook, onde proliferam perfis falsos, anónimos, ou semi-anónimos, cuja ‘virtude’ é difamar e caluniar.
Há mesmo quem pense que estas redes sociais vieram para retirar espaço ao jornalismo, por isso existem agências que são pagas para manter páginas, vocacionadas para o ‘terrorismo urbano’. São a voz das estratégia dos donos. Eles não vivem, sobrevivem.
Não os costumo ler, nem lhes passo cartão. Mas sei que existem, pelo que, por vezes, os meus amigos vão comentando.
Os amigos não percebem e dão-lhes troco. O que eles querem é que falem deles, falem bem, ou falem mal, falem deles, só assim se sentem vivos. Eles são faciopatas!

Há uma grande diferença entre as redes sociais anónimas e o jornalismo local. O jornalismo tem rostos, está sujeito ao cumprimento de regras deontológicas, é um dos pilares da democracia.
Até já, divirtam-se!

António Sousa Pereira

 

Quinta Braamcamp – a nossa «Ribeira das Naus»

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Tempo de recomeçar. Um novo ano pela frente. A vida começa a agitar-se. Gosto sempre deste reencontro com as ruas da cidade, após uns tempos de ausência.
Encontrei um amigo que comentou, alguns artigos que publiquei recentemente. Gostei, disse ele – “bons artigos, continua”.
Dei um volta pelo centro da cidade. Sentei-me a tomar café, ali, junto ao Parque Catarina Eufémia.
Fui mergulhar os olhos no Tejo. Ali, naquele espaço da Quinta de Braamcamp, que, considero pode tornar-se a mais bela «Praça» do estuário. O Terreiro do Paço, da Margem Sul.
Olho em volta, e dou comigo a imaginar que, ali, mesmo ao lado, naquela caldeira que faz parte da Quinta de Braamcamp, está a nossa «Ribeira das Naus», dando continuidade de forma integrada à «Praça do Tejo».

Enquanto me delicio a imaginar e sonhar com um arranjo urbanístico e paisagístico que ligue a «Praça do Tejo» à «caldeira», numa continuidade da Avenida da Praia e ligada ao Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita. Olho para a outra margem e recordo a forma como, ao longo das últimas décadas, a Câmara Municipal de Lisboa, tudo tem feito para ligar a cidade ao Tejo. Aquela zona da Ribeira das Naus é um exemplo. E, nós, hoje, graças a decisões do anterior executivo municipal, aprovadas por unanimidade, estamos a dois passos do futuro, porque aquela caldeira é municipal, não se justificando a sua venda a privados, para, depois, num qualquer ‘caderno de encargos’ definir as formas de fruição pela comunidade.

Achei maravilhoso pensar o enquadramento urbano da caldeira, com o espaço envolvente da Escola Alfredo da Silva e da Igreja da Nª Srª do Rosário. Está ali, sem dúvida, a nossa Ribeira das Naus.
Ao olhar aquele espaço recordei, quando no ano de 2016, no âmbito das Jornadas Parlamentares do Partido Socialista, num tempo que a Câmara Municipal do Barreiro era liderada pela CDU, os dirigentes do Clube Naval Barreirense divulgaram aos deputados socialistas como naquela caldeira podia ser criada uma «Pista de Formação», que abria portas para ali serem realizadas provas ao nível nacional. Era possível realizar naquele espaço a Taça nacional de remo, foi dito.

Esta pista de formação podia evitar a regular deslocação dos atletas do Clube Naval Barreirense, para treinos, para a Freguesia do Torrão, no concelho de Alcácer do Sal
O Clube Naval Barreirense tinha um projecto de construção da pista de formação, com o apoio de um privado, para o qual já existia uma memória descritiva, visando a recuperação do plano de água e, saliente- se, na altura nem se fazia ideia que a Câmara Municipal do Barreiro ia adquirir a Quinta Braamcamp.
Este projecto de criação de uma «Pista de Formação» de actividades náuticas, segundo foi revelado contava com o “apoio verbal” do Clube de Vela do Barreiro, dos Ferroviários e do Fabril.
Este foi um assunto debatido com os deputados socialistas, porque era uma mais valia para o concelho do Barreiro e para a AML.
Recorde-se que as condições de formação actuais “são condicionadas pelas marés” e a criação da Pista de Formação na Caldeira iria criar condições de treino com muitas vantagens, não só para o remo, mas também para a vela, canoagem ou kitsurf.

Olhava aquele espaço e recordava estas Jornadas Socialistas, as propostas do Clube Naval Barreirense, a existência de investidores privados, num tempo que a Caldeira não era propriedade municipal. Hoje está meio caminho andado.
Porque não se reabre este dossier? Porque tem que ser vendida a caldeira? A nossa «Ribeira das Naus», real, linda, com ligação ao Tejo.
Um cidade que conta com a existência de clubes que desenvolvem actividades náuticas, com campeões nacionais, europeus, mundiais e olimpicos. Uma cidade que tem um Agrupamento de Escuteiros Maritimos, tem ali, naquela caldeira o seu verdadeiro potencial de afirmação como cidade de desportos náuticos.
Esta, até, podia ser uma vertente educacional, inovadora e de dimensão metropolitana a dinamizar na, e pela, Escola Alfredo da Silva.
Uma cidade que tem nas suas mãos este enorme potencial, agora opta por vender,e, com a venda irá definir com o privado definir as regras de utilização. É isto que não consigo perceber, numa cidade que tem o desporto no seu coração.
Era isto que pensava, hoje, pela manhã, ao dar a minha primeira volta junto ao Tejo, junto ao nosso Terreiro do Paço e nossa Ribeira das Naus.
Até já, divirtam-se!

António Sousa Pereira

 

Na próxima próxima legislatura não há ponte Barreiro – Chelas

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Ao escutar as palavras de António Costa, paro a pensar, e, em seguida escuto um imenso silêncio, ninguém se ergue a levantar a voz, a interrogar, a dar um sinal de discordância, e, apenas, lembrar ao Primeiro-ministro que a Terceira Travessia do Tejo não é um problema da margem sul, nem sequer é um problema de Lisboa, é uma necessidade imperiosa para o país se ligar à Europa e para que Portugal seja um todo de norte a sul.
O próprio Rui Rio, que defende um comboio de alta velocidade como prioridade, é incapaz de refutar e dizer ao Primeiro Ministro que o comboio de alta velocidade, se queremos pensar o país como um todo, não se deve limitar a ligar Lisboa- Porto, tem que ser parte integrante de uma estratégia de ligação de Portugal à Europa, e de ligação até do Norte ao sul, por isso, a Terceira Travessia do Tejo, que integra o plano ferroviário nacional é inadiável.

Até, no âmbito de estratégias de combate às alterações climáticas, Portugal precisa renovar e dar dimensão à ferrovia e Área Metropolitana de Lisboa carece de mais ligações entre as duas margens valorizando a vertente ferroviária.

A Terceira Travessia do Tejo é estratégica e estruturante para desenvolver o conceito de cidade de duas margens.
O Barreiro e a margem sul já pagaram facturas suficientes para ser a outra banda e servir Lisboa, ou ser o seu dormitório.
O Barreiro esta cidade história, merece de uma vez por todas ter um tratamento diferente e deixar de ser um guetto na AML.

Só é possível atrair investimento e empresas para o Barreiro e para a margem sul se a rede de acessibilidades for dinamizada e pensada com base no conceito «cidade de duas margens», de contrário, a margem sul vai continuar a ser assim, como sempre foi – o dormitório, o prestador de serviços, o aeroporto- apeadeiro.

É nestas alturas que me ocorre ao pensamento como o Barreiro, precisa de uma uma voz que se erga para defender a sua estratégia de desenvolvimento e o seu enquadramento no território da AML.
É nestas alturas que penso a necessidade de existir uma voz que motive os governos – sejam PS ou PSD – a colocarem o Barreiro na sua agenda politica.

Pronto, não temos Terceira Travessia do Tejo na próxima legislatura, nem, na próxima década, porque não está previsto no Programa Nacional de Investimentos.
Cá vamos estar orgulhosamente... a minha esperança é que em politica, o que hoje é verdade, amanhã é mentira.
Até já, divirtam-se!

António Sousa Pereira

 

Um recanto da Quinta Braamcamp Está aqui o nosso Terreiro do Paço - a mais bela praça no estuário do Tejo

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Este é um espaço único, que é do municipio, que devia ficar ao serviço da comunidade, um espaço para o requalificar, dar-lhe qualidade e dignidade, ligando o largo da Igreja de Nª Srª do Rosário ao Tejo.

Uma praça com um arranjo urbanistico aberto para aquela caldeira ao lado da Escola Alfredo da Silva, criando, ali, o nosso Terreiro do Paço. Uma praça que abre a cidade ao rio e com uma beleza única.

 

Por vezes, costumo dar umas «passeatas» pelo Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita. Gosto de sentir o Tejo. Vou por ali, e imagino a balbúrdia que vai na outra margem, de turistas, de rebuliço de trânsito e, ali, gozo aquele silêncio, mirando a paisagem.

Um amigo cruza-se comigo. Trocamos breves palavras. Aponto a outra margem, ali, mesmo na nossa frente, quase tocamos com os olhos o Arco da Rua Augusta.

“Que se vê aqui na nossa frente?” interrogo. Ele olha e comenta – “É o Terreiro do Paço”.

“Já viu que, aqui, neste sitio à nossa frente, pode nascer o nosso Terreiro do Paço”, disse-lhe.

“É verdade. Dava aqui uma bela praça, junto ao Tejo”, refere ele.

“Pois, mas a Câmara quer vender isto”, disse-lhe.

“Não, a Câmara acho que quer vender é a Quinta Braamcamp, que fica além”, comentou.

“Está enganado, aqui, neste sitio, onde pode nascer o nosso Terreiro do Paço, também é território da Quinta Braamcamp”, sublinhei.

“Ah, é verdade, isto tinha um muro que foi derrubado”, salientou ele.

“Sim, é isso mesmo, aqui estava um muro. Aliás, durante alguns anos, quando havia a Festa do Barreiro, o muro era derrubado e depois reconstruído. Desde que a Câmara comprou a Quinta de Braamcamp, o muro caiu e nunca mais voltou a ser reconstruído”, disse-lhe.

E ficámos por ali nesta troca opiniões.

 

Ele partiu e fiquei por ali a olhar o Terreiro do Paço. Olhei e senti, de facto, que aquele sitio da Quinta de Braamcaamp, é mesmo um espaço único naquela varanda para o Tejo.

Interroguei-me: Porque será que a autarquia que adquiriu este espaço, que pode transformar-se numa das mais belas praças para o  estuário do Rio Tejo, e, sem dúvida, ser uma referência em todo os estuário, agora pretende vender?

 

É que este é um espaço único que é do municipio, que devia ficar ao serviço da comunidade, um espaço que, não são necessários milhões para o requalificar e dar-lhe qualidade e dignidade, ligando o largo da Igreja de Nª Srª do Rosário ao Tejo, dando àquela praça um arranjo urbanistico aberto para a caldeira ao lado da Escola Alfredo da Silva.

Sem dúvida,  aqui pode nascer o nosso Terreiro do Paço. Uma praça ampla que se abre ao Tejo, ligando mais a cidade ao rio, num local de beleza única.

 

Este, hoje é um espaço do municipio. Se a quinta for vendida integralmente, no futuro, o municipio terá que acordar com a entidade compradora soluções para aquela praça.

Não se percebe porque sendo esta «Praça», este nosso «Terreiro do Paço», mesmo que vá para a frente essa opção de venda, tenha que integrar o lote total do terreno.

 

Esta Praça é nossa, é de todos. É incompreensível que após terem sido derrubados muros, agora, sejam colocados novos muros, mais não seja o muro de ter um proprietário, abrindo caminho, nunca se sabe, para que ali, possa nascer um projecto imobiliário.

Pode no tal caderno ficar algo definido, mas, para quê ficar algo definido se aquilo, hoje, aqui e agora, é propriedade do muncipio. É nosso.

 

O papel dos gestores da autarquia não são só questões ficanceiras, o municipio não precisa ter que ‘negociar’ a forma de uso com o proprietário futuro, deve, desde já alienar esta parcela da Quinta de Braamcaamp e deixa-la ficar para a comunidade.

 

Fiquei ali a olhar Lisboa. E perdi-me a imaginar aquele recanto da Quinta de Braamcamp, único, de uma beleza ambiental e paisagistica que, repeti para mim mesmo, é inacreditável que se queira vender esta parcela da Braamcamp.

Nada justifica que a cidade perca este sitio, que lhe pertence, que é nosso, de todos – socialistas, comunistas, bloquistas, panistas, sociais democratas, democratas cristãos, de todas as cores politicas e de todos os credos. Com ou sem partido. Com ou sem religião.

Aquele é o nosso Terreiro Paço. Uma praça única.

Convidem um arquitecto paisagista a olhar o espaço. Convidem artistas plásticos.

 

  É bem verdade aquela frase de Giovanni Pico della Mirandola – só se ama aquilo que se conhece.

 

Estava ali sentado a olhar o Terreiro do Paço e imginava como ali, naquele local, pode nascer, uma das mais belas praças do estuário do Tejo. Um Praça onde a arte, pode ser miradouro, e, sem dúvida, este ser um local, que faz a ponte para o Barreiro do século XXI que se  redescobre no Tejo.

Os passeios junto ao Tejo, fazem sentir que há mais vida para além dos números e que, afinal, um dos males da humanidade é sucumbir perante o el dorado.

Divirtam-se. Vão até lá e imaginem sentir que, ali, está - o nosso Terreiro do Paço.

 

 S.P.

Aeroporto do Montijo vai ter impacto nas habitações da Moita e Barreiro Serão afectadas pelo ruído dos aviões cerca de 50 mil pessoas.

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. Zonas mais afectadas pelo ruído serão Urbanização dos Fidalguinhos, Urbanização dos Loios, Lavradio e Baixa da Banheira

Sobre mobilidade para o Barreiro, ou seja lá o que for que se fala ou comenta, na verdade, é só conversa, porque neste que é um documento decisivo para que o aeroporto do Montijo possa avançar, o Barreiro apenas é referido pelos impactos negativos do ruído.
Quanto a emprego, se nem ligações estão previstas em termos de mobilidade, existe, certamente mais potencialidade para empregabilidade no Montijo e Alcochete, ou Palmela e até Moita que no concelho do Barreiro.
 
 

Em tempos idos quando, por vezes, a poluição era de tal forma intensa que motivava protestos da população, várias vezes escutei argumentos oriundos das empresas, principalmente no Lavradio, que não foi a empresa que foi construída ao redor das casas de habitação, foram as casas de habitação que foram construídas ao redor das fábricas. 

Ou seja, justificava-se em termos de planeamento urbano que foi a vila que se aproximou das fábricas e não as fábricas que foram construídas na proximidade da vila. O argumento era uma espécie de forma de “minimizar” ou desculpabilizar os impactos negativos de indústrias poluentes que se recusavam a investir de forma a evitar os elevados níveis de poluição e, até, investir na criação de «barreiras sonoras» que reduzissem os impactos do ruído das fábricas. 

Recordo que para serem atingidos alguns melhoramentos, com investimentos por parte das empresas, a ASDAL – Associação de Defesa do Ambiente do Lavradio e o contributo do Delegado de Saúde Pública foram, na verdade, decisivos, quer para mobilizar a população, quer para que as empresas reconhecessem um interlocutor em situações negativas e um colaborador na procura de soluções positivas. Um exemplo as barreiras sonoras.

Recordo isto porque está neste momento em debate o Estudo de Impacto Ambiental do novo aeroporto do Montijo e, nestes dias até setembro, seria importante esclarecer os municípes do concelho do Barreiro, sobre os impactos desta infraestrutura na vida do concelho, nomeadamente, nas zonas que vão ser afectadas pelo cone de aterragem, desde Coina até ao Lavradio.
É que neste caso, as casas foram construídas longe de uma zona com aeroporto na sua proximidade, por essa razão não sujeitas aos efeitos de um aeroporto, que sabemos vai movimentar milhões de passageiros, e, que, diariamente dezenas de aviões vão sobrevoar a baixa altitude rumo à pista do Montijo.

Um destes dias estive em Lisboa, na zona do Campo Grande ( corresponde no futuro à Urbanização dos Fidalguinhos, Urbanização dos Loios, Lavradio e Baixa da Banheira) e vivi, de perto, o efeito da passagem de dezenas de aviões, a baixa altitude, quase de 10 em 10 minutos, passava uma aeronave, com um ruído ensurdecedor. Ao sentir na pele apercebi-me as razões que motivam milhares de Lisboetas no protesto contra a ampliação do aeroporto de Lisboa.
"É isto que vou viver. É isto que nós vamos viver diariamente", pensei.

Como refere o Estudo de Impacto Ambiental serão 6.555 pessoas que vão sofrer perturbações de sono, na fase de construção, e, cerca de 12.455 pessoas irão sofrer diariamente uma “elevada incomodidade” devido ao ruído dos aviões, quando começar o seu funcionamento que se aponta para 2022.
No global serão afectadas pelo ruído dos aviões cerca de 50 mil pessoas.

A Moita já expressou que está contra a construção do aeroporto no Montijo e defende a solução de Alcochete.
O Barreiro refere-se que está a favor, porque considera que vai ser uma infraestrutura que contribui para o desenvolvimento, quer ao nível de emprego, quer em mobilidade. 
O Estudo de Impacto Ambiental sobre mobilidade em nada são referenciadas melhorias para o Barreiro, apenas, sublinha melhorias de ligações fluviais do Montijo para o Cais Sodré, com aumento de frota da Transtejo, e, a criação de um nova faixa na Ponte Vasco da Gama, destinada a transportes públicos. 

Sobre mobilidade para o Barreiro, ou seja lá o que for que se fala ou comenta, na verdade, é só conversa, porque neste que é um documento decisivo para que o aeroporto do Montijo possa avançar, o Barreiro apenas é referido pelos impactos negativos do ruído.

Quanto a emprego, se nem ligações estão previstas em termos de mobilidade, existe, certamente mais potencialidade para empregabliidade no Montijo e Alcochete, ou Palmela e até Moita que no concelho do Barreiro. Empresas que possam prestar serviço ao aeroporto gerem no tempo e o tempo, as acessibilidades e mobilidade são estruturantes, e, o que se pode concluir é complexo, nem o Parque Empresarial da Baía do Tejo, pode vir a ser uma plataforma logistica, para isso será mais fácil Poceirão.

Mas pronto, nós estamos a favor. Até seria politicamente mais útil como estratégia reivindicativa estar contra, para a partir do não, se o dito aeroporto vier a ser uma realidade, desde já, colocar na mesa exigências, que se considerem essenciais para o desenvolvimento do concelho do Barreiro.
Assim, não pode, nem deve ser desligado do aeroporto do Montijo que sejam tomadas medidas pelo Poder central, que contribuam para retirar o Barreiro do guetto que está há décadas.

O guetto da mobilidade só superável pela construção da ponte Barreiro – Seixal, que contribuiria para valorizar a centralidade da zona logistica de Sete Portais e fazer de Coina uma plataforma logistica, central na Península, até mesmo, permitindo o desenvolvimento urbano do concelho do Barreiro.

Esta e a Terceira Travessia do Tejo só ferroviária, são exigências inseparáveis de uma visão de futuro do concelho do Barreiro e do potenciar o aeroporto do Montijo como estruturante, para o concelho. Sem isto acho que vale pouco mais que aquilo, que, afinal, já definido no Estudo de Impacto Ambiental, é apenas uma zona que vai sofrer negativamente os impactos do ruído.
E, pronto, vamos ficar por aqui os aviões a passar! 

Só com a implementação de medidas de mobilidade o Barreiro sai do guetto e, até, o território da Baía do Tejo pode ser valorizado e ser uma plataforma no contexto aeroportuário.
Com aquilo que está no Estudo de Impacto Ambiental refenrenciado, o Barreiro está fora da «cidade aeroportuária», mas não está fora de ser uma zona onde as habitações vão sentir os efeitos dos aviões e a população vai sofrer.

Gostava de ver, por exemplo, uma exigência dos autarcas que gerem os nossos destinos, caso o aeroporto avance, no sentido de ser criada uma linha de apoio e de crédito amplamente bonificado para todos aqueles que vão sentir os efeitos do ruído e que para mitigar vão ter que fazer investimentos nas suas habitações.
Gostava de estar a escutar reivindicações para os investimentos que vão ter que ser feitos nas escolas, sobre as quais os aviões vão passar intensamente, desde a Escola de Santo António, escola de Casquilhos, Escola Augusto Cabrita, Escola Álvaro Velho e Escola Padre Abilio Mendes. Quem frequentou a cidade universitária em Lisboa, sabe do que estou a falar.

E no Hospital do Barreiro, não vão ser feitos investimentos para mitigar os impactos do ruído dos aviões.
Isto não é um problema para depois, é para ser colocado já, hoje, no âmbito dos pareceres sobre o Estudo de Impacto Ambiental.
Não é amanhã que se mobiliza a comunidade para os efeitos negativos. Mesmo quem diz sim, sabe, ou deve saber, que, aqui e agora, deve saber dizer não, ao que tem que ser dito: Não! 
O nosso Primeiro Ministro, António Costa, deve escutar a nossa voz e não o nosso silêncio. A voz da comunidade, mesmo daqueles que estão de acordo com o aeroporto no Montijo, não devem silenciar os impactos negativos. É o nosso futuro e o que vamos legar aos vindouros.´

Portanto, retomando o inicio do texto, neste caso, não foram as casas que foram construídas ao redor do aeroporto, é o aeroporto que vai, talvez, ser construído junto às casas que já cá estão e vai diminuir a nossa qualidade de vida.
Para já, pelo que se vê, não vamos ter nada em troca, nem mobilidade, nem empregos...ficamos com os ruídos e os resíduos. 
Se não é assim, demonstrem com projectos e factos reais. 
O Barreiro já foi muito castigado. Basta! 

António Sousa Pereira

 

BARRIND projecto «âncora» de desenvolvimento do Barreiro e da região

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Hoje, a BARRIND exposição industrial e comercial, pode transformar-se num outro projecto, renascendo como BARRIND - Barreiro Inovaçao e Desenvolvimento, podendo, na verdade, ser um motor de marketing, de coesão social, de desenvolvimento, de inovação, no fazer cidade e cidadania.
 

Há por aí, uma geração de 40, filhos daqueles que hoje têm 70, que vivem o drama de ter sido filhos de gente que tinha tudo quanto bastasse para viver e dar-lhes perspectivas de vida, numa vila, depois cidade, que de pois deixou de ser uma terra de trabalho, habitação, pão e educação, para se transformar numa terra sem trabalho, de tempos sem pão, com habitação em decadência inscrita em espaços urbanos a carecer de requalificação, mas, oinde não há pão, todos ralham e ninguém ter razão.

Por muito que se fale em potencial, e, até, esses filhos dos ditos homens e mulheres, que hoje contam com 70 anos, enfim, culpem os pais e avós de todas as desgraças que cairam sobre a vila-cidade em decadência, desde os anos 70, fruto da desindustrialização, da quimica e da ferroviária, que destruiu milhares de postos de trabalho e arrastando atrás de si um comércio e serviços de grande qualidade, porque, afinal tudo se resolve mais facilmente com um culpado e gerando estigmas, que procurar soluções.

Era nisto que pensava, ao olhar ali na Avenida da Praia, o ver nascer a ideia de fazer renascer a BARRIND, que acho uma boa ideia, aliás, até acho que esta podia ser uma ideia mobilizadora da cidade e da cidadania, e, não ficar por “operação de gestão de emoções” dando continuidade ao iniciado o ano passado, quando se disse que o objectivo era recuperar o projecto BARRIND, agora, dando continuidade à ideia e como há dinheiro para investir, de novo a autarquia, pode dar o seu contributo para dinamizar a vida económica e cultural da cidade. Porque economia é tudo, e, tem que ser tudo, numa cidade que bateu no fundo da sua auto-estima e precisa mobilizar e mobilizar-se para ser e não para para parecer que é uma referência na região.

No tempo que nasceu a BARRIND – quando eu fiz nascer no meu cérebro esta marca, enquadrando a ideia fomentada por um autarca do PS, Manuel Pina, e acarinhada por um associativista que foi o seu braço direito Emidio Esteves. Afinal uma ideia que retoma da história as iniciativas promovidas na SDUB «Os Franceses», liderança por Manuel Feio; e pelas exposições iniciadas por Augusto Valegas, no âmbito das Festas do Barreiro e no Luso Futebol Clube.
Nesse tempo que nasceu a BARRIND esta foi considerada, pelos promotores da FIL, em Lisboa, como o maior certame desta natureza a sul do Tejo. Depois nasceu a FATACIL, que ainda hoje existe e a MONTIAGRI, assim como esboçou-se um projecto pela ARSET, em Azeitão.

Recordo isto porque, apesar dos sinais da decadência industrial serem visivies, nesse tempo anos 80 e 90, a vila -cidade ainda era uma cidade com esperança e uma economia com empregabilidade.
A BARRIND exposição industrial e comercial era disso um exemplo, sendo a grande montra da actividade económica e de fomento de novas actividade. Algumas empresas tiveram o seu nicho de nascimento e desenvolvimento na BARRIND.

Hoje, a BARRIND exposição industrial e comercial, pode transformar-se num outro projecto, renascendo como BARRIND - Barreiro Inovaçao e Desenvolvimento, podendo, na verdade, ser um motor de marketing, de coesão social, de desenvolvimento, de inovação, no fazer cidade e cidadania.

A BARRIND se nascer, ou renascer, como arma de arremesso, para demonstrar que os outros, que tinham muitas ideias, nunca retomaram a BARRIND, será, logo à partida um “nado morto” porque demonstra que não tem por trás de si ideias criativas.
Os anteriores mandatos não dinamizaram a BARRIND, após a sua última realização, porque os recursos financeiros da autarquia eram insuficientes, por essa razão, de forma inteligente, no mandato de Emidio Xavier, nasceu a ideia de promover a MEI – Mostra Empresarial e Institucional, que foi mantida nos mandatos de Carlos Humberto, mesmo com dificuldades, perante a maior situação adversa que a autarquia viveu desde o 25 de Abril.

A ideia de fazer renascer a BARRIND, sempre defendi, mas o fazer renascer esta ideia e este projecto, será um erro se ficar por uma iniciativa de âmbito municipal. 
Este é um debate que deve ser feito, com coragem e sem estigmas, colocando em torno do debate todos os cenários, se, de facto se pretende que a BARRIND seja um projecto de marca, de referência, de projecão.
A BARRIND nunca foi um projecto acabado, nem nunca se chegou a conclusões objectivas de qual o cenário, o programa de seu desenvolvimento e implementação anual.

Uma discussão nunca acabada, nem nunca concluída, porque, de facto, igualmente nunca se concluiu estrategicamente o que devia ser a BARRIND enquanto projecto dinamizador da actividade económica e de desenvolvimento do concelho do Barreiro e da região.
Por essa razão nunca se clarificou se a sua realização era em torno das Festas do Barreiro, como complementaridade das Festas – como foi – ou se era um evento âncora, como foi, para dar dimensão à celebração do Dia da Cidade.

O debate de ideias e o conflito sobre a essa definição centrava-se em torno de duas reflexões centrais, por um lado, a realização da BARRIND em simultâneo com as Festas, em Agosto, era complicado para o envolvimento do tecido empresarial, por coincidir com as férias, sendo uma data em alguns aspectos negativa para envovler empresários.

Por outro lado, se a realização fosse em torno do Feriado Municipal – 28 de Junho – isso permitira um projecto que podia contar com mais envolvimento dos empresários.

Os debates nunca se consolidaram se a ideia de BARRIND era um exposição de dimensão local ou regional, ou até, se podia transformar-se num evento, na época, único no país, sendo o grande certame nacional do mundo das tecnologias informáticas.
Em suma a discussão dos caminhos a percorrer pela BARRIND, aquele que durante alguns anos, foi o maior certame do género ao sul do Tejo, nunca foi concluída, ficou na memória. É um tempo de estórias e histórias.
Foi na BARRIND que abracei o Eusébio, um dia que o espaço transbordou de humanismo, graças a uma acção de um empresário, que nada teve a ver com a autarquia. O Rui, da firma Alves & Rui, Ldª.

É por tudo isto que considero não basta fazer renascer a marca BARRIND. Não basta trazer a BARRIND para a Avenida da Praia.
A BARRIND ou é um projecto que deve ser pensado e equacionado com estratégia, com visão, para ser uma alavanca e âncora do «potencial», envolvendo outros agentes locais, nomeadamente a Baía do Tejo, ou então não vai passar disto, uma exposição de complementaridade das Festas do Barreiro. Faz-se quando a autarquia tem dinheiro, porque o emocional conta, e, vai existindo.

A BARRIND não é, não deve ser mais um projecto de municipalização, embora, sem dúvida o papel do município como dinamizador é nuclear.
Por essa razão, hoje, quando penso a ideia e o projecto BARRIND olho-o com uma visão de Inovação e Desenvolvimento.
Não penso só BARRIND, penso equacionando com outras ideias que nascem isoladas – é isso que temo.
Penso BARRIND, Multiusos, Start up XXI, Braamcamp...pois, é isso que penso, mas para juntar ideias é preciso debate de ideias e envolver a comunidade no fazer futuro.

Divirtam-se!
António Sousa Pereira

Nome do autor esse de facto é importante e conta para a história

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Após cerca de 20 anos - há quem diga que não são 20 anos, que são menos, uma coisa é certa, sem dúvida que há mais de década e meia, mas, para o caso isso pouco interessa, o que conta para a nossa vida real é que a estátua do Salineiro voltou de novo ao convívio da comunidade lavradiense.
Uns gostam da opção. Outros não gostam São formas de sentir e pensar. É isto que faz a democracia. 
A escultura de Pedro Miranda da Silva, duas vezes vandalizada, acabou por ficar estes anos no armazém da junta de Freguesia.
Houve quem tivesse anunciado que seria feita uma estátua em bronze, servindo esta de modelo. Nunca se concretizou. Nunca saíu do armazém, nem sequer foi recuperada.
A estátua do Salineiro não tem condições de ser colocada na via pública, porque facilmente é destruída. Esta foi, portanto, uma boa opção.
Em boa hora, é de louvar e aplaudir, a quem teve a ideia de trazer a arte para o centro do Mercado Municipal do Lavradio. Fica o registo e o reconhecimento.

Mas, quando da cerimónia de instalação da estátua do Salineiro no espaço central do Mercado do Lavradio, fiquei com um «bichinho» a morder por trás da orelha. E, na verdade, só hoje, foi possível passar por lá e confirmar.
Fiquei triste. E não gostei.

Lê-se na placa a assinalar o evento

“O Salineiro”

Recuperada pela União de Freguesias do Barreiro/Lavradio, pela Presidente em exercício Gabriela Guerreiro.
Lavradio, 27 de Julho de 2019»

Li. Voltei a ler e reler. Para quem por ali passar, no futuro, fica a saber que a estátua foi recuperada pela União de Freguesias do Barreiro e Lavradio, que era presidente da junta de freguesia, Gabriela Guerreiro. 
Não fica a saber o mais importante, que na verdade, ali, devia estar bem claro, quem é o autor da escultura, e, até, já que se fala em quem recuperou que, na prática, a sua intervenção foi essencial para realizar o trabalho de dar vida à escultura vandalizada.
Enfim, coisas da vida... 
Por favor, coloquem na base da escultura o nome do autor, esse,de facto é importante e conta para a história.

Pedro Miranda da Silva nasceu na Baixa da Banheira, concelho da Moita, reside há décadas no Barreiro, é um artista com uma vasta obra, é ele, para que conste, o autor da escultura do Salineiro que esteva à entrada do Lavradio, e, que a partir do último sábado passou a marcar presença no centro do Mercado Municipal do Lavradio.

Outra nota, aquelas cintas á volta da estátua percebo que por ali estivessem no dia da apresentação da sua instalação, agora são um «ruído» na frente de estátua, não fazem parte da escultura e «incomodam« o olhar. Se é para que não seja tocada com as mãos, ou parta evitar que as crianças lhe toquem isso nunca será evitado e, mesmo que isso aconteça, com os anos pode dar-se um toque, ou deixar ficar como as marcas que serão uma referência à passagem de gerações. Não gosto daquelas cintas. 

António Sousa Pereira

 

Se eu tivesse um cão, talvez fosse feliz!

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Ele acorda pela manhã, sente cócegas no umbigo, esse lugar, que ele coça sempre, diariamente, quando bebe uma cerveja, sentindo que ela, a dita, desce pelo ésofago, afinal, acaba por ser o consolo de todas as suas desventuras.

Acorda. Abre a janela, que se abre para a cidade de betão, olha um gato a saltar na distância, livre, e um pássaro que voa rasgando o azul da manhã, livre.

Abre a boca, ainda ensonado. Tenta respirar. Ele não respira pelos pulmões, porque pelos pulmões só respiram os que sonham e acordam a sorrir. Ele respira com os nervos, porque acorda a respirar ética. Abre os olhos. Sente a ética nos sons que ecoam pelo esofago, assim incandescente a fervilhar e transformar-se num arroto matinal, que o faz de novo coçar o umbigo.

 

Sai da janela, percorre o corredor da sua solidão matinal. Os dias repetidos. A sobrevivência. Cansaço. Vive com a ética colada ao pijama. Ele sabe que a ética, para além de sangue e nervos, tem que ser a arma que lhe dá personalidade. Um homem sem ética é como um cão sem dono.  

Entra na casa de banho, senta-se eticamente, sim, porque só quem tem a ética colada ao corpo, sabe como deve sentar-se, eticamente, de forma a evitar os inesperados ruídos matinais, que perturbam a sua intensa criatividade.

 

Mas, ele, afinal. é indiferente ao que possam pensar, tem uma certeza, naquele recanto a sua imaginação é infinita. É ali, que, diariamente, ele sabe que pode sentir-se um gato ou um pássaro. Pode saltar. Pode voar. Sonha, sonhos únicos. Livre, livre, livre...

É aquele o momento, único, na vida quotidiana, que apesar de estar eticamente bem sentado, ele esquece a ética que molda o seu pensar e forja a imagem que tem de si mesmo e quer manter perante o  mundo. Parecer mais que ser, basta!

 

É nesse instante, quando ele, por segundos, ignora e esquece a tal ética profunda que, na verdade, a sua vida real, autêntica, emerge em explosões. Sente-se livre. O seu pensamento confunde-se com a sonoridade dilacerante, que rasga a solidez do seu corpo húmido e flácido.

Ali, de súblito, ele sente explodir e explodir-se, por momentos a palavra ética dilui-se nos sons em sucessivas explosões. Ele sabe, que a velocidade do som é menor que a velocidade da luz. Eticamente a luz é para esquecer, isso é coisa de iluminados.

O que conta é o som. Abre os olhos. Respira.

Ali, sente que o cheiro dos seus sons em ebulição, vão solidificando e geram os seus pensamentos únicos.

A felicidade é isto, pensa, quando atinge o auge da fluidez da sua auto-sonoridade e os sons fundem-se com a criatividade. Uma felicidade única, que o faz sentir  como um ser único. Irrepetível. Poeta. Jornalista. Politico. Comentador. Ele é de tudo um pouco, a unidade na diversidade. Dialéctica pura e cristalina.  

Afinal, só um ser único, criativo como ele, é, na verdade, um ser que pode, naquele recanto, tal como na vida, sentir a sonoridade da ética, e fazer da ética uma arma, um cântico e um poema.

Parafraseando o poeta : “com ética se faz a paz, se faz guerra, com ética tudo se faz e se desfaz, com ética se faz o som, se faz a luz, se faz as trevas, com ética, faz-te à vida, porque com ética tu és capaz!”   

 

Sai da casa de banho, feliz, eticamente feliz. Volta a olhar a rua da cidade de betão, e, ali, da sua janela, olha a distância e pensa : “Se eu tivesse um cão, talvez fosse feliz!”

 

S.P.

 

Nota- Qualquer semelhança desta estória com a realidade é pura coincidência. Não tem mesmo destinatário na vida real. 

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