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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

IPS no pensar e ser Barreiro no século XXI

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Há dias, aqui no Barreiro, assisti às celebrações do DIA DO IPS, um momento de referência para o percurso do ensino superior no concelho do Barreiro.

Um dos tais momentos que contribuiu para que consolide o «Campus Barreiro».

 

Escutei com atenção as palavras de Inês Silva, da Associação de Estudantes, recordando que os últimos anos não têm sido fáceis para o ensino superior, apelando à realização de maiores investimentos no ensino público e sugerindo mudanças na legislação de forma que os Institutos Politécnicos pudessem atribuir o grau de doutoramento, porque formam com qualidade, sendo o IPS um exemplo.

 

Paula Ferreira, ex-aluna do IPS, hoje Presidente do Conselho Geral, recordou que no seu tempo de estudante, há 40 anos, não existiam telemóveis e como o mundo mudou, com orgulho expresso o contributo das aprendizagens que recebeu no IPS – de qualidade - para afirmar a o seu desenvolvimento profissional.

 

O presidente do IPS, Pedro Dominguinhos, defendeu que a denominação de Instituto Politécnico fosse repensada, passando a designar-se Universidade Politécnica, dando ao ensino politécnico a dimensão universitária e permitindo manter a diferença que o sistema binário exige.

 

No final a Secretária de Estado da Ciência e Ensino Superior salientou o contributo do IPS para o desenvolvimento da região de Setúbal, muito particularmente dos concelhos de Setúbal e Barreiro.

 

Foi, assim um dia que senti o Barreiro colocado no patamar da academia, e, registei este pormenor, de como sonhos e ideias, lançadas nos tempos da gestão de Pedro Canário, semeadas numa visita do Presidente da República, Jorge Sampaio, e, apoiadas por António João Sardinha, então responsável da DREL, como esta “gerigonça dos anos 90”, funcionou deu frutos e trouxe até aos dias de hoje, passando pela Quimiparque, este sonho, hoje uma realidade, que é estar vivo e dinâmico o «ensino universitário» na cidade do Barreiro.

 

E, escrevo tudo isto, a propósito dos 40 anos do IPS que vão celebrar-se em 2019.

O Barreiro vai estar presente nas comemorações desta efeméride.

Na sessão foi apresentado o logotipo que vai ser a marca das comemorações.

Tenho por hábito, quando olho para um logotipo, entrar por dentro das suas cores e grafismo, e, sentir o que aquele elemento de design me transmite, que emoções, que reflexões.

 

A primeira sensação foi um registo de temporalidade. Sentir o tempo, aquele pulsar de um relógio digital. Um tempo que parece ser uma marca mas que toca com aquela forma de pensar o tempo agostiniana – de chegada e partida, infinitude.

Depois, parece que estou perante um retrovisor, um espelho que permite pensar o tempo que ficou para trás e foi percorrido, mas que alerta para a necessidade de olhar em frente e ver o futuro. Um novo caminho.

O espelho é, afinal, aquele espaço em branco onde se escreve o futuro, olhando e não esquecendo passado.

As cores são a realidade que se inscreve no campus do IPS, inscrito no tempo, real, a suas cores e futuro que pulsa no digital.

Gostei do logotipo, pela sua simplicidade, e, simultaneamente, pela sua imensa potencialidade, essa de nos fazer pensar e sentir o tempo, porque afinal é no tempo que nós somos, individual e colectivamente.

E o tempo do IPS é, de facto esse, o dos 40 anos de história e de estórias.

O Barreiro faz parte dessa história, isso, é mesmo um registo que faz parte do novo paradigma do pensar e ser Barreiro no século XXI.

 

António Sousa Pereira

LER

https://www.rostos.pt/inicio2.asp?cronica=1002999&mostra=2&seccao=inferencias&titulo=A-nota-mentos-IPS-no-pensar-e-ser

Afinal, cada dia é uma viagem!

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Hoje, quando acordei, dei comigo a pensar por dentro das palavras. As palavras foram e são em todos os tempos os reflexos de mim e das minhas circunstâncias, nascem no pulsar quotidiano, sejam com pés de veludo, sejam por dentro dos dias, meros quotidianos.

A vida é uma viagem. Um percurso com paragens. Pontos de chegada e partida, onde vamos nos encontrando e redescobrindo.

A viagem não tem regresso. Viemos do silêncio e vamos para o silêncio.

Vamos no caminho escutando gritos. Tudo são palavras. Esses registos que se inscrevem no tempo.

Palavras ditas ao sol. Palavras vividas na neve. Palavras cantadas na cidade. As palavras somos nós e a vida.

 

Hoje acordei a pensar em palavras. Porque há pessoas que partem, porque há crianças que começam a dar os primeiros passos.  

Pensei que neste tempo que vivo, está todo o tempo.

Recordei o filme que fui ver ontem à tarde, no Forum Barreiro – “Assim nasce uma estrela”.

Gostei. Diverti-me. E trouxe de lá uma lição em quatro ideias de reflexão.

Primeiro, se queremos mudar, temos que mudar os hábitos.

Segundo, se temos talento, ter talento, é, de facto, dedicar a vida a fazer o que gostamos.

Terceiro, para fazermos o que gostamos temos que fazer o que queremos ser.

Quarto, para alcançarmos o patamar do viver a fazer o que gostamos. Temos que deixar para trás o que não gostamos. Mudar e acreditar.

 

Foi, talvez por isso que hoje acordei a pensar em palavras, dizendo para mim mesmo, é assim, procura sempre viver sendo o que és.

Isso, sente a felicidade de te encontrares todos os dias contigo mesmo.

Pois, diverte-te com as tuas loucuras e ignorância.

Ignora-os. Liberta-te. Faz a tua própria história!

 

Hoje, acordei a sonhar com palavras, porque, afinal, cada vez mais, é com estas palavras que vivo todos os dias…acordo, divirto-me, faço, leio, passeio, divirto-me, amo. sorriu..e, caminho.

Afinal, cada dia é uma viagem!

 

António Sousa Pereira

 

Liberdade rima com dignidade.

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Os dias são carregados de memórias, por vezes passam ao lado, nem recordamos. Outros dias estão inscritos no tempo vivido. São aqueles dias que festejamos, ou que recordamos.

Hoje, este dia toca o meu coração, e viajo, por ele, como quem descobre a eternidade que espreita, ali, no Torrão, naquela planície que se estende até ao Sado. Ou naquela casa florida.

Ou, apenas sentindo, aquele dia que comprei no ITAU, para oferecer à Lurdes, aquele livrinho de cor amarela, com a pureza da criança e a vida. Então, longe de mim, pensar que um dia, ela, a Maria Rosa Colaço, iria ser uma das pessoas que se inscreveria na minha vida, para me dar a coragem e motivar-me para descobrir a poesia nos meus nervos.

Faz hoje 14 anos que nos despedimos dela com um poema, ali, de pé, frente à urna. Eu e Manuela da Fonseca. Um dia e um momento que gravei neste viver a partilha dos dias com amor.

 

Hoje, decidi ir almoçar e, ao mesmo tempo, saborear o Tejo. Levei comigo, intencionalmente três livros de Maria Rosa Colaço, para ter uma companhia, ali, no Praia Norte – a Lurdes estava ocupada na SFAL.

Sentei-me e comecei a folhear, ao acaso, neste prazer enorme que é reviver as suas palavras, coloridas de sentimentos, aquelas páginas escritas com paixão, onde o amor é um cântico aos momentos que fazem os dias, e, a ternura se escreve com os olhos azuis a fugir entre as nuvens, no voo de um pássaro até à eternidade.

 

Abri uma página ao acaso. Leio o seu texto que é uma melodia à vida, e, ali, redescubro nas suas palavras o Barreiro a pulsar no fumo da paisagem e os rostos tisnados da vida. Ela recorda um Dia Internacional da Mulher que viveu no Barreiro. Curiosamente foi num Dia da Mulher que nos cruzámos pela primeira vez, na SFAL.

 

Leio, releio as palavras, perdido, por dentro daqueles símbolos, vividos com cheiros, marcados de sons e rasgados de cores.

 De repente, levanto os olhos. Percorro a paisagem. No outro lado Lisboa e Almada.

De repente, emociono-me, dou comigo, com os olhos presos naqueles prédios, que sinto bem na minha frente, ali, em Almada, junto à Lisnave, onde vivia Maria Rosa Colaço.

De sua casa, em Almada, várias vezes olhei o Barreiro e, ela, dizia, é ali - e, escreveu num livro seu – lá na outra margem o Barreiro onde o Sousa Pereira, escreve poemas à flor da pele.

 

Todos nós, temos na nossa vida um jardim, uma flor, uma rua, um banco de jardim, um rio, uma paisagem, um lugar, um cheiro, um perfume, um poema, que são, aquele símbolo de um instante gravado nas veias – ali onde a emoção toca o coração – o livro «A criança e a Vida», tem para mim esse simbolismo de um dia que partilhei um beijo com amor. Ela a Maria Rosa estava ali comigo, naquele pássaro azul que voa na madrugada.

 

Com ela aprendi, e, isso, nunca vou esquecer que, de facto - Liberdade rima com dignidade.

Maria Rosa Colaço foi sempre, para mim uma referência de vida, minha irmã-poeta.

Hoje, que passam 14 anos da sua partida, recordo, e, como ontem, vou continuar a encontrar nas suas páginas, escritas a fogo e com ternura de uma cerzideira, a palavra mais linda que ela me ensinou, como mote para viver - AMOR!

 

António Sousa Pereira

Fixando a vida em palavras

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Viver é tecer o tempo, fixando a vida em palavras, sentidas na história que somos. 

O tempo que fomos. O tempo que sonhámos. O tempo que fazemos.

Somos os tempos, todos os tempos, esses, que sentimos, no entrelaçar, por dentro dessa linguagem, que brota daquela energia – uns chamam karma, outros força da mente, ou outra coisa qualquer, mas, há mesmo quem lhe chame amor, só amor, apenas amor – essa fonte, onde, digam o que disserem, é aí, só aí, que nós nos encontramos e tecemos as mais doces palavras, da arte, da poesia, do ser, que nada tem a ver com o parecer.

É, esse lugar, onde somos espelho de nós mesmos, de tudo o que inventámos, de tudo o que construímos, do orgulho de nós, serenamente, é sempre aí, que olhamos a nossa obra, essa, que dá o sentido da nossa felicidade, a maior obra que legamos, que fica – pelo bem ou pelo mal -  é, acreditem, essa, a nossa vida.

 

A nossa vida não somos só nós, a nossa vida somos nós e todos os outros que se cruzaram no tempo que vivemos. A vida que fizemos com aqueles que vivemos. A vida feita com dar e receber.

Essa vida, na verdade, nada tem a ver com a vida inventada por outros – os que gostam de saber da nossa vida mais que nós mesmos, por inveja, ou, apenas por maledicência. E o mais que aconteceu na nossa relação com eles foi termos pisado, talvez, as pedras dos mesmos caminhos.

Esses que nada sabem das nossas lutas, da resiliência, das nossas lágrimas, da nossa fome, das nossas dores, das nossas angústias, de todas as circunstancias em que gritámos não, para colocar bem alto e acima de tudo a valorização da nossa dignidade. Os nossos protestos. As nossas derrotas. As nossas vitórias. São poucos aqueles a quem abrimos a nossa vida por dentro. São poucos os que entraram dentro de um canto do nosso coração.

 

Podemos ser pedantes, imaginando que somos o centro do mundo, cantando vitórias únicas, que sem nós o mundo era outro mundo.

Podemos ser humildes, achando que somos o que somos na nossa circunstância e temporalidade, na nossa realidade, que, pensem bem, nos coloca como pó que somos, e, diz-nos que em pó nos vamos transformar.

 

A nossa vida, por tudo o que é, por tudo o que foi, com todos os erros e virtudes, é a nossa grande obra de arte. Gostamos ou não gostamos. É, de facto, aí que reside a tranquilidade.

Tudo é belo quando tudo o que fizemos contribui para tecermos palavras, vivermos as palavras, sentindo que elas nascem de dentro do coração, o lugar, onde, como diz a canção – só entra quem tu quiseres - escrevendo todas as histórias, de todos os instantes, que fazem a nossa vida ser, porque a vida é, apenas, sem dúvida, quando nós somos e estamos em todo o tempo que vivemos. É isso que dá sentido à palavra felicidade. Sentir todo o tempo, sentido.

 

É tecendo e entrelaçando, desocultando, indo para além das percepções, que nós vamos vasculhando a força que nós somos, fazendo humanidade. Tu e eu. Nós. Neste confronto permanente entre o medo, o silêncio, e, todos os gritos que fazem a vida nascer em chamas.  

 

É por isso, que por vezes para sentir a vida, basta a ternura de um abraço matinal, um sorriso feito do colorido que nasce no brilho dos olhos, sorrindo.  

Imaginem, sintam, a energia que brota de dentro dos olhos num sorriso. Olhos nos olhos.
E nesse olhar sentir o dia nascer, florido.

É, nessa fonte que tudo flui e fervilha tocando os nossos ossos, lá no fundo, bem fundo, onde está toda a nossa temporalidade.

É, afinal, essa energia que nos move e gera outras vidas, renovando, renascendo. Sendo.

 

E, neste tempo, onde, cada vez mais, o medo é um sopro que faz nascer a escuridão dentro do corpo e da mente, digo-vos, é preciso erguer, bem alto essa bandeira da vida – o amor - essa energia que nos torna humanos e faz que sejamos capazes de continuar a sonhar e viver, conscientemente, todos os dias, dando sentido a esta palavra que, pela sua eternidade, só por si, é a prova que não chegámos ao fim da história.

 

É linda, uma história de vida, de toda uma vida, que se faz e escreve com a palavra amor – amor ao que fomos, amor ao que somos, amor ao que fazemos, amor ao que gostamos, amor ao que damos, amor ao que recebemos, amor à humanidade, amor ao que legamos.

Afinal, é pelo amor que vamos!

 

S.P.

És um rio

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És um rio onde mergulho, em ondas. És um rio onde navego, em movimentos.
És um rio onde flutuo, em beijos. És um rio onde viajo, em sonhos.
És um rio entre margens, um leito de nervos, onde me deito, em gritos de silêncio, rasgando o luar, por dentro das estrelas que fazem eternidade.

 

És um rio, feito de sangue, um abraço, sem fronteiras, nem limites, entre os ossos.
És um rio, um espelho, onde a paisagem, emerge a brilhar, com todas as cores, riscos no tempo, esses, que fazem nascer sorrisos, telas e poemas.

 

És um rio onde um moinho, transforma a vida. És um rio esse lugar onde uma gaivota, rasga o azul, para tocar o recomeço de um dia, renascendo a sorrir. E tu, ali, entre as margens, sorris.

 

És um rio, sempre a sorrir, por dentro dos dias, bem dentro do tempo, todo o tempo, aquele, que é, afinal o tempo de um rio que corre, vindo da nascente mais pura, essa fonte onde tudo começa, sempre, esse rio feito de amor.
És um rio, que se faz no tempo, primeiro é riacho, e, depois, em ti, desde criança, jovem, mulher, mãe, és um rio que se faz ribeiro, rasgando socalcos, abrindo brechas, construindo caves, fazendo sapais, lagoas e rasgando as margens até ao oceano. Vivendo a vida, sim porque a vida só é bela, quando se vive a viver.
És um rio, de loucura intemporal, a gritar na noite, de branco a sorrir, um rio feito ribeiro, e, afinal, sendo ribeiro, esse ribeiro que és tu, e, sim, só porque és tu, é teu, esse rio, feito ribeiro, é, pois, o rio mais belo. Um rio, que é um riso. Um rio que é um sorriso.

 

És um rio, e não há rio mais belo, que um rio, esse, que é um ribeiro a nascer dentro do teu querer e ser, aí, no coração, feito de todo o tempo que foste, rasgando os temporais, sorrindo nas bonanças e navegando sempre entre as ondas – a sorrir, sempre a sorrir.
O rio que és, o rio que fomos. O rio que somos. Um rio. Um mar. A vida.
Afinal, a vida é bela!

 

 

António Sousa Pereira
9 de Outubro de 2018

Pensar o tempo em que o Tejo era uma «rua da vila»…

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Por vezes, em certas narrativas (gosto mais de narrativas que de percepções, porque ao menos na narrativa toca-se a linguagem, nas percepções fica-se só no sentir), mas, dizia, nos tempos de hoje, quando se quer valorizar a centralidade no Barreiro, escuta-se muitas vezes, de forma serena e convicta, aquela afirmação: “O Barreiro está a 15 minutos de Lisboa”.

Sim, teoricamente é esse o tempo que, por via fluvial, demora a viagem entre Lisboa e Barreiro, e, vice-versa. Sim, teoricamente, porque na prática para poupança de custos de combustível, todos sabemos que o tempo é superior, e, para além disso, o tempo não começa na viagem, começa no tempo de espera, no número de carreiras, frequência e regularidade, diferente ao longo do dia e da semana para os fins-de-semana, depois, a acrescentar, a viagem não termina no cais, prolonga-se pelas ruas da cidade, e, no caso do Barreiro, de há muitos somos uns privilegiados, porque contamos com os TCB’s, mesmo com as suas insuficiências e lacunas, que, afinal, acabam por ser um custo no orçamento municipal que vale muito, mesmo muito e, foi, certamente um dos factores que mais contribuiu para evitar uma maior sangria de população, no período pós-industrial.

É por isso que quando se diz que Lisboa está a 15 minutos de Lisboa, eu prefiro que se diga o tempo real da travessia fluvial, que normalmente se situa mais próximo dos 25 minutos. Porque de nada serve viver de ilusões, ou querer mudar a vida por passos mágicos. A realidade é o que é, é vida.
Eu, até sou do tempo que a viagem demorava 30 minutos. Era um tempo que a viagem era feita e quando dávamos por nós já se estava a atracar na outra margem.

Era um tempo que o pessoal conversava no barco. Existiam tertúlias, de jogos de cartas, de beber cerveja, de conversa politica, de fumadores, de fazer crochet, de trocas de livros ou discos.
Era um tempo que muitos se apaixonavam nos barcos e rasgavam caminhos para a vida. Era um tempo onde, até, os amantes cruzavam as pernas a sorrir para o lado, porque os bancos estavam frente a frente, e, quase sempre todos metiam conversa com todos. O barco era assim, como um «largo da vila», ou uma «jangada da vila», a navegar diariamente entre as duas margens. A vida das ruas continuava nos barcos, conversava-se, sorria-se, coscuvilhava-se, beijava-se, a vida tinha um sabor humano. Olhava-se olhos nos olhos.

É verdade, não havia telemóveis, nem tablets. Hoje a viagem que demora os tais “15 minutos” parece mais longa, não há espaço para conversar, viajamos todos de costas uns para uns outros. Ninguém se olha nos olhos. E todos se dedicam aos likes. A viagem perdeu os sorrisos entrou na modernidade, o mundo virtual. A viagem é feita de silêncio.
No outro tempo, no tempo em que eu viajava no barco, pelo Tejo, havia um silêncio que era mais forte que a repressão, que nos calava, antes do 25 de Abril, e, ali, escutavam-se palavras que eram mais, muitos mais que sons de uma terra virada para o protesto, eram palavras de esperança. Uma esperança que se esfumava na desindustrialização – no Barreiro e em Lisboa. Sim, porque a desindustrialização não foi só no Barreiro, também se sentiu em Lisboa. Só que em Lisboa, nasceu o Parque das Nações, e, no Barreiro, ainda surgiu a Quimiparque, que se tornou uma bolsa de resiliência, evitando que se transformasse em absoluto num espaço fantasma.

Nesse tempo, dessas viagens de 30 minutos de barco, Lisboa olhava para o Barreiro e via aquela nuvem de fumo a marcar a paisagem, por isso, o Barreiro ficou marcado por essa mancha de trabalho e milhares de postos de trabalho a marcar a sua paisagem e a sua vida.

Hoje, muitas vezes, quando olhamos para Lisboa, ao fim da tarde, somos nós que vimos aquela mancha de «smog», as fumaças da poluição, fruto de milhares de carros que entram na cidade e podiam não entrar, se existisse melhor e mais eficaz serviço público de transporte fluvial e ferroviário. Se existisse a TTT do Tejo, ligando Barreiro a Lisboa, por via ferroviária e colocando, de facto, em verdade, o Barreiro a 10 minutos de Lisboa e dentro da sua linha de Metro.
Penso em tudo isto, quando escuto aquele frase, feita de ilusões e marketing, mas eles lá sabem o mundo que constroem nas suas cabeças, eu apenas penso, e como penso, interrogo-me. Isso, apenas isso.

É que Lisboa não está a 15 minutos. Lisboa está ali, mesmo ali, nós olhamos e vemos.
Mas, depois, sentimos que Lisboa está, na verdade além, sim além, no outro lado.
Lisboa quando olha para o Barreiro, não diz: o Barreiro está ali, nem sequer pensa, ou se incomoda que o Barreiro esteja a 10, 15 ou 25 minutos. O Barreiro para Lisboa ainda continua a estar além, e quem para cá viver, e começam a ser muitos, vem com saudade de Lisboa, porque em Lisboa está tudo, tal como dizia o poeta – “pelo Tejo (que é de Lisboa) vai-se para o mundo”.

O problema é que o Tejo continua a ser de Lisboa e enquanto o Tejo for apenas o rio de Lisboa, nós continuamos a estar além, na outra margem, o outro lado – a margem sul.
A margem sul é cada vez mais, o Barreiro, Seixal, Moita e um pouco Sesimbra.
É isso, o que fica para além – Barreiro, Moita, Seixal e Sesimbra.

Lisboa quando olha para Almada, não diz que Almada está além, diz Almada está ali – Almada é ali, está aqui, a 10 minutos, é por isso que não é preciso fazer muito esforço para colocar diariamente milhares de turistas de Lisboa, ali, em Cacilhas.
E, Almada abraça Lisboa, faz parte de Lisboa, e, pelo que me consta, um destes dias, nos próximos anos, até a Costa da Caparica vai começar, para Lisboa, a estar ali, mesmo ali, pois, já se fala que pode arrancar o túnel pelo Tejo, que vai ligar a Trafaria a Algés. Pois, e, de facto, se assim for a Caparica fica mais dentro de Lisboa que Cascais. Força, Inês Medeiros!

Alcochete e Montijo, que em tempos estavam também além, desde que foi construída a Ponte Vasco da Gama, deixaram de estar além, para Lisboa, já estão ali, um ali da outra Lisboa, aquela que nasceu no Parque das Nações. Se não tivesse sido a crise da troika, Montijo e Alcochete, hoje, eram mais, muito mais, uma complementaridade dessa Lisboa renovada, porque estão ali...

Mas, enfim, está aberta a porta ao futuro. E esse futuro, daqui a uns 60 anos ( pelos vistos) vai ser, inevitavelmente, o Aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete, para dar dimensão a Lisboa, aqui, nesta cidade aeroportuária. Até lá, fica essa transição dita BA6, mas isso faz parte do país que somos. Gastamos. Falimos. Recomeçamos.

E tudo, de facto, tudo isto, a propósito do Barreiro estar a “15 minutos de Lisboa”.
Porque afinal, há uma grande diferença do tempo em que a viagem de barco no Tejo, era fazer do Tejo uma rua da vila e, aquilo que é a realidade actual, onde , a viagem no Tejo é como percorrer um «túnel silencioso», que liga as duas margens…

António Sousa Pereira

Pensar o tempo em que o Tejo era uma «rua da vila»…

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Por vezes, em certas narrativas (gosto mais de narrativas que de percepções, porque ao menos na narrativa toca-se a linguagem, nas percepções fica-se só no sentir), mas, dizia, nos tempos de hoje, quando se quer valorizar a centralidade no Barreiro, escuta-se muitas vezes, de forma serena e convicta, aquela afirmação: “O Barreiro está a 15 minutos de Lisboa”.

Sim, teoricamente é esse o tempo que, por via fluvial, demora a viagem entre Lisboa e Barreiro, e, vice-versa. Sim, teoricamente, porque na prática para poupança de custos de combustível, todos sabemos que o tempo é superior, e, para além disso, o tempo não começa na viagem, começa no tempo de espera, no número de carreiras, frequência e regularidade, diferente ao longo do dia e da semana para os fins-de-semana, depois, a acrescentar, a viagem não termina no cais, prolonga-se pelas ruas da cidade, e, no caso do Barreiro, de há muitos somos uns privilegiados, porque contamos com os TCB’s, mesmo com as suas insuficiências e lacunas, que, afinal, acabam por ser um custo no orçamento municipal que vale muito, mesmo muito e, foi, certamente um dos factores que mais contribuiu para evitar uma maior sangria de população, no período pós-industrial.

É por isso que quando se diz que Lisboa está a 15 minutos de Lisboa, eu prefiro que se diga o tempo real da travessia fluvial, que normalmente se situa mais próximo dos 25 minutos. Porque de nada serve viver de ilusões, ou querer mudar a vida por passos mágicos. A realidade é o que é, é vida.
Eu, até sou do tempo que a viagem demorava 30 minutos. Era um tempo que a viagem era feita e quando dávamos por nós já se estava a atracar na outra margem.

Era um tempo que o pessoal conversava no barco. Existiam tertúlias, de jogos de cartas, de beber cerveja, de conversa politica, de fumadores, de fazer crochet, de trocas de livros ou discos.
Era um tempo que muitos se apaixonavam nos barcos e rasgavam caminhos para a vida. Era um tempo onde, até, os amantes cruzavam as pernas a sorrir para o lado, porque os bancos estavam frente a frente, e, quase sempre todos metiam conversa com todos. O barco era assim, como um «largo da vila», ou uma «jangada da vila», a navegar diariamente entre as duas margens. A vida das ruas continuava nos barcos, conversava-se, sorria-se, coscuvilhava-se, beijava-se, a vida tinha um sabor humano. Olhava-se olhos nos olhos.

É verdade, não havia telemóveis, nem tablets. Hoje a viagem que demora os tais “15 minutos” parece mais longa, não há espaço para conversar, viajamos todos de costas uns para uns outros. Ninguém se olha nos olhos. E todos se dedicam aos likes. A viagem perdeu os sorrisos entrou na modernidade, o mundo virtual. A viagem é feita de silêncio.
No outro tempo, no tempo em que eu viajava no barco, pelo Tejo, havia um silêncio que era mais forte que a repressão, que nos calava, antes do 25 de Abril, e, ali, escutavam-se palavras que eram mais, muitos mais que sons de uma terra virada para o protesto, eram palavras de esperança. Uma esperança que se esfumava na desindustrialização – no Barreiro e em Lisboa. Sim, porque a desindustrialização não foi só no Barreiro, também se sentiu em Lisboa. Só que em Lisboa, nasceu o Parque das Nações, e, no Barreiro, ainda surgiu a Quimiparque, que se tornou uma bolsa de resiliência, evitando que se transformasse em absoluto num espaço fantasma.

Nesse tempo, dessas viagens de 30 minutos de barco, Lisboa olhava para o Barreiro e via aquela nuvem de fumo a marcar a paisagem, por isso, o Barreiro ficou marcado por essa mancha de trabalho e milhares de postos de trabalho a marcar a sua paisagem e a sua vida.

Hoje, muitas vezes, quando olhamos para Lisboa, ao fim da tarde, somos nós que vimos aquela mancha de «smog», as fumaças da poluição, fruto de milhares de carros que entram na cidade e podiam não entrar, se existisse melhor e mais eficaz serviço público de transporte fluvial e ferroviário. Se existisse a TTT do Tejo, ligando Barreiro a Lisboa, por via ferroviária e colocando, de facto, em verdade, o Barreiro a 10 minutos de Lisboa e dentro da sua linha de Metro.
Penso em tudo isto, quando escuto aquele frase, feita de ilusões e marketing, mas eles lá sabem o mundo que constroem nas suas cabeças, eu apenas penso, e como penso, interrogo-me. Isso, apenas isso.

É que Lisboa não está a 15 minutos. Lisboa está ali, mesmo ali, nós olhamos e vemos.
Mas, depois, sentimos que Lisboa está, na verdade além, sim além, no outro lado.
Lisboa quando olha para o Barreiro, não diz: o Barreiro está ali, nem sequer pensa, ou se incomoda que o Barreiro esteja a 10, 15 ou 25 minutos. O Barreiro para Lisboa ainda continua a estar além, e quem para cá viver, e começam a ser muitos, vem com saudade de Lisboa, porque em Lisboa está tudo, tal como dizia o poeta – “pelo Tejo (que é de Lisboa) vai-se para o mundo”.

O problema é que o Tejo continua a ser de Lisboa e enquanto o Tejo for apenas o rio de Lisboa, nós continuamos a estar além, na outra margem, o outro lado – a margem sul.
A margem sul é cada vez mais, o Barreiro, Seixal, Moita e um pouco Sesimbra.
É isso, o que fica para além – Barreiro, Moita, Seixal e Sesimbra.

Lisboa quando olha para Almada, não diz que Almada está além, diz Almada está ali – Almada é ali, está aqui, a 10 minutos, é por isso que não é preciso fazer muito esforço para colocar diariamente milhares de turistas de Lisboa, ali, em Cacilhas.
E, Almada abraça Lisboa, faz parte de Lisboa, e, pelo que me consta, um destes dias, nos próximos anos, até a Costa da Caparica vai começar, para Lisboa, a estar ali, mesmo ali, pois, já se fala que pode arrancar o túnel pelo Tejo, que vai ligar a Trafaria a Algés. Pois, e, de facto, se assim for a Caparica fica mais dentro de Lisboa que Cascais. Força, Inês Medeiros!

Alcochete e Montijo, que em tempos estavam também além, desde que foi construída a Ponte Vasco da Gama, deixaram de estar além, para Lisboa, já estão ali, um ali da outra Lisboa, aquela que nasceu no Parque das Nações. Se não tivesse sido a crise da troika, Montijo e Alcochete, hoje, eram mais, muito mais, uma complementaridade dessa Lisboa renovada, porque estão ali...

Mas, enfim, está aberta a porta ao futuro. E esse futuro, daqui a uns 60 anos ( pelos vistos) vai ser, inevitavelmente, o Aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete, para dar dimensão a Lisboa, aqui, nesta cidade aeroportuária. Até lá, fica essa transição dita BA6, mas isso faz parte do país que somos. Gastamos. Falimos. Recomeçamos.

E tudo, de facto, tudo isto, a propósito do Barreiro estar a “15 minutos de Lisboa”.
Porque afinal, há uma grande diferença do tempo em que a viagem de barco no Tejo, era fazer do Tejo uma rua da vila e, aquilo que é a realidade actual, onde , a viagem no Tejo é como percorrer um «túnel silencioso», que liga as duas margens…

António Sousa Pereira

Quais as marcas dos mandatos autárquicos? (II)

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Depois das notas, no artigo anterior, sobre os mandatos de Helder Madeira e Pedro Canário, façamos agora uma reflexão sobre o mandato de Emídio Xavier.

Em primeiro lugar, referir que foi o primeiro presidente da Câmara, eleito após o 25 de Abril, que não é natural do Barreiro, e, até hoje, assim continua, porque de facto foi o único “não autóctone” a exercer o cargo.

 

Emídio Xavier sentiu a sua eleição de forma inesperada, mas, pode dizer-se que foi uma vitória fruto de um trabalho politico que teve como base uma ampla discussão de temas sobre o concelho, um trabalho politico de envolvimento de sectores sociais diversos, para além, muito para além do PS. Um trabalho politico que tinha na sua essência colocar em debate uma visão de cidade, um projecto para o concelho. Uma abordagem das potencialidades do território no contexto da AML.

Um trabalho que, diga-se, teve por trás a criação de condições politicas fruto da liderança de Aires de Carvalho que, na verdade, soube unir e criar um “dique de contenção” ao nível interno de forma a conter ambições. O seu falecimento afectou todo o processo de consolidação politica – o dique rebentou – e, então, Emidio Xavier ficou com dois meninos nas mãos o PS e a CMB, misturando-se, de facto, muitas vezes, as lutas internas com a gestão autárquica. Foi aquilo que se viu…

 

As propostas eleitorais de Emidio Xavier eram visionárias e inovadoras. Colocou, por exemplo, a temática do Turismo como uma força dinamizadora da vida económica local, num tempo, em que ainda Lisboa começava a abrir as portas a esse futuro. Daí o projectar-se a marina na zona do Rio Coina.

Lançou o repto propondo de desconcentração de serviços regionais ou mesmo ministérios para o Barreiro, dando ao território da Quimiparque uma utilização de ligação à cidade e afirmar-se como continuidade do centro da cidade.

 

Emidio Xavier, tal como os seus antecessores, encontrou uma autarquia com debilidades financeiras e, seguiu as politicas que já eram prática corrente de pedido de empréstimos e de orçamentos inflacionados. Só que as receitas baixaram. As urbanizações começavam a entrar em retrocesso e com menos receita geram-se desequilíbrios.

 

A gestão de Emídio Xavier de maioria relativa contou a solidariedade de Mendes Costa, eleito pelo PSD, mas esta relação nunca foi pacifica para certos sectores do PS. O PSD era combatido como “inimigo” e não como um aliado.

Por exemplo, Mendes Costa , através do seu pelouro, geriu a concretização de umas das obras mais importantes do mandato de Emídio Xavier, a abertura da avenida que liga Casquilhos à Quinta da Lomba. Uma via estruturante e com visão de futuro. Um investimento de 690 mil euros.

Quando da abertura desta via, em vez de se valorizar a obra estruturante a nova via geradora de mobilidade e fluidez alternativa de trânsito a obra que tinha dimensão, optou-se por inaugurar os 400 metros de ciclo via. Coisas.

Na Urbanização dos Loios foi feita uma das maiores e melhores intervenções, no centro do bairro, com criação de zonas verdes, estacionamentos, passeios, onde não existiam, uma obra do pelouro de Mendes Costa, não foi inaugurada, nem sequer foi noticia. Enfim.

 

O mandato de Emidio Xavier abriu no terreno o dossier POLIS, aceitando que fosse feita uma redução do espaço de intervenção que estava planeado pela gestão de Pedro Canário , criaram-se as condições para avançar com a primeira fase da obra, o prolongamento da Avenida da Liberade.

Emidio Xavier inaugurou o AMAC – Auditório Municipal Augusto Cabrita, obra que estava lançada por Pedro Canário.  

Outra marca do seu mandato foi a construção da Passagem desnivelada da Recosta, pondo ponto final à situação que condicionava o trânsito e o acesso ao Terminal Rodo- Ferro-Fluvial.

 

Foi inaugurada a escola do Ensino Básico dos Fidalguinhos, o Centro Comunitário do Lavradio – que já vinha do mandato de Pedro Canário.

Uma intervenção nos passeios da Avenida Alfredo da Silva, com calçada portuguesa, visando a qualificação do espaço público, é, outra das marcas da gestão de Emidio Xavier.

 

Outra matéria inovadora, dando passos decisivos para abrir a agenda da Mata da Machada na vida local, foi a criação do Centro de Educação Ambiental da Mata da Machada.

 

No mandato de Emidio Xavier arrancou a construção da Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, nos Fidalguinhos.

Outro investimento que começou a ser projectado na sua gestão foi a Urbanização do Campo das Carvoarias, onde, posteriormente, nasceria o Forum Barreiro.

 

Uma das marcas politicas de grande importância nesta primeira gestão socialista foram os debates inovadores em torno da revisão do Plano Director Municipal, ou, até da elaboração do Plano  Municipal do Ambiente.

Neste mandato acabaram as barracas no concelho do Barreiro, com a finalização dos realojamentos de famílias na Quinta da Mina, na Cidade Sol, que começou na gestão de Pedro Canário. Uma situação que gerou um problema sociológico e alguma conflitualidade.

 

Foi o tempo do nascimento da Feira Pedagógica, de gestação de um novo conceito de Festas do Barreiro, assumindo um tema anual e a vertente de Festas de Nª Srª do Rosário, assim como a criação da zona de Tasquinhas, e, a MEI – Mostra Empresarial e Institucional, agora, pomposamente dita BARRIND.

Foi o tempo da criação da UTIB – Universidade da Terceira Idade do Barreiro.

Foi o tempo da criação do Espaço J, inicialmente  no espaço da antiga Biblioteca Municipal.

Foi o tempo da Ilustrarte, uma iniciativa que acabou perdida porque, afinal, nunca se encontrou com as estratégias da “vida cultural municipal”, vivida pelos serviços autárquicos.

Foi o tempo da implementação do conceito «Barreiro Cidade Desportiva», que ficou pelo caminho em gestões seguintes, mas, que, na verdade, era uma matéria merecedora de uma ampla reflexão.

 

Foi o tempo em que chegaram, ao nível da Higiene Urbana os Moloks e as Ilhas Ecológicas, foi o tempo de ruas floridas e um grande empenhamento no embelezamento dos espaços públicos.

 

E, por fim foi o tempo de arranque da SIMARSUL que foi o pontapé de saída para a construção da ETAR.

 

Estas, são algumas das marcas da gestão liderada por Emídio Xavier, que falhou em termos de comunicação, de relação com a comunidade, que se perdeu em guerrilhas internas, não se sabendo muitas vezes onde começava a CMB e acabava o PS e vice versa.

Havia um mundo real e um mundo imaginário, essa dicotomia, culminou com a apresentação, em véspera de eleições do projecto «Cidade do Cinema».

Apesar de uma ideia força de Emidio Xavier ter sido – “o melhor do Barreiro são os barreirenses”, o diálogo com a população foi pouco eficaz.

Entretanto, talvez um ano antes das eleições Carlos Humberto, que seria o candidato que lhe retira a presidência, andou pelo terreno, falando com as pessoas e instituições, fazendo um trabalho de formiguinha, enquanto o PS fazia um trabalho de cigarra, que, na verdade, sendo útil, em politica de cidade não é tudo – é preciso falar e fazer.

Ou por outra, é preciso ter visão e projectar futuro, mas, não esquecer de fazer cidade quotidianamente.

 

Emidio Xavier, teve o mérito de abrir vários dossier’s que, sem dúvida, foram marcantes, e, ainda são nos dias de hoje, sendo referências que foram continuadas e desenvolvidas no pensar e fazer Barreiro  – o dossier da ligação do Barreiro ao rio; o dossier das potencialidades do território da Quimiparque/ Baía do Tejo; o dossier da importância do desporto na vida económica e social do concelho; o dossier do Turismo; o dossier da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina.

São tudo temas em aberto, portas de futuro.

Emidio Xavier deu contributos para a importância de se pensar um projecto de cidade, contando para tal, neste caso, com o saber de Luis Pedro Cerqueira. Mas, na verdade, quase tudo ficou ao nível da percepção.

Emidio Xavier era muitas vezes um bombeiro de piquete, com constantes saídas de emergência a apagar fogos. Faltava-lhe o suporte de retaguarda de Aires de Carvalho.

E, como se costuma dizer a CDU não ganhou as eleições, foi o PS que perdeu.

 

Um dia em conversa com Emidio Xavier disse-lhe: “Saiu-lhe a sorte grande ter pedido as eleições”.

Ele sorriu…

 

António Sousa Pereira

 

Nota – Em próximo artigo abordarei os mandatos de Carlos Humberto que, desde já sublinho, foi o presidente da Câmara Municipal do Barreiro que, neste anos de Poder Local, mais contribuiu para levar as agendas do Barreiro aos governos – quer do PSD/CDS, quer do PS  - motivando o Poder Central para colocar o Barreiro na agenda de desenvolvimento da AML e do país.

 

Será que vamos ter aumento tarifário por o Barreiro estar a avançar sozinho?

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Isto não é um problema de uma decisão, estar tomada pelo executivo municipal.
Esta é uma matéria que pode afectar os orçamentos familiares e das empresas.
Isto não é um problema de guerrilha partidária, porque é uma matéria se for uma má opção, não irá afectar comunistas ou bloquistas, socialistas, sociais democratas ou pessoas sem partido. Toca a todos.
Na cidade de todos é preciso que todos saibam conscientemente que estamos no caminho certo. Para isso, não é preciso teatralizar, o que é necessário é esclarecer.

Isto não é conflito PS/ CDU. Isto é um assunto que vai ter reflexos sobre a vida de todos.
Deixemos as politiquices e vamos aos factos com informação e esclarecimento.

 

O jornal «Público» de hoje, dia 26 de Setembro, no seu espaço «Economia» edita uma peça com o título :«Mudanças nas redes municipais ameaçam preços de electricidade».
Sublinha-se que os concursos para atribuição de novas concessões municipais da distribuição de electricidade em baixa tensão prevista para 2019 – “vão ser fonte de muitas polémicas nos próximos meses”.

 

No Barreiro este é já uma matéria que está na agenda politica. E o confronto de opiniões está ao rubro.
Um dos assuntos que me chamou a atenção na peça do jornal «Público», e que, de facto, ainda não foi matéria abordada, quando o assunto está na ordem de trabalhos nas reuniões de Câmara, é, concretamente, referido na peça do jornal, que este processo “acarreta riscos, como de criar mais custos para os consumidores e o de limitar a concorrência na actividade de distribuição eléctrica durante as duas décadas em que, segundo a lei, deverá durar cada novo contrato de concessão.

Salienta o jornal «Público» que o operador de distribuição em BT é responsável pela rede que leva a luz à casa das famílias e pequenos negócios.
Refere-se que os consumidores suportam os custos de exploração do operadores.
Alerta-se para o impacto muito negativo sobre os custos suportados pelos consumidores.

 

Na noticia é referido que os 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa estão a aguardar a conclusão de um estudo para “decidir se é mais vantajosa a distribuição directa assegurada por cada município ou a participação no concurso único. O Barreiro não está a aguardar, já avançou sozinho.
Sublinha-se que se a opção for concurso único então, será sempre a Área Metropolitana de Lisboa a concorrer sozinha, com todos os municípios.

 

Ao ler esta noticia e pelas abordagens do tema que escutei nas reuniões de Câmara fica a pergunta: Afinal porque avança a Câmara Municipal do Barreiro sozinha quando esta é uma matéria que conta, e muito, a economia de escala?

E, ainda, de facto o que mais incomoda, ficar com a interrogação, porque ninguém deu certezas, se, nas próximas décadas, pelo facto do Barreiro avançar sozinho, e, eu, como munícipe, vou ter que pagar esta decisão com o eventual aumento do custo do tarifário. É que nada é dito em contrário. Pode ser. Talvez. O que se diz é que vamos ter boa iluminação pública.

Será que os 10 ou 15 euros anuais que eventualmente vou poupar no IMI, afinal, vou depois perder, mais, muito mais, porque poderei vir a pagar em triplicado com o aumento mensal do tarifário da electricidade? Tenho o direito de saber. Ser esclarecido eu e, naturalmente, todos os municipes.

 

Pode acontecer isto, enquanto, aqui, ao redor noutros concelhos da AML – Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra, Alcochete, Almada – vão ter menos custos porque entram no concurso único da AML?
Esta, na verdade, uma matéria que devia ser debatida com os munícipes e plenamente esclarecida, sem problemas de confronto de opções, porque está em causa o custo de vida das pessoas e das empresas.
Isto não é uma guerra de bons e maus, é o custo do nosso futuro, na próxima década.

É isto que importa esclarecer. Se a decisão tomada garante que não vamos ter aumento tarifário. Que avance.

 

António Sousa Pereira

Sonhando sempre sonhando!

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Os dias não são todos iguais. Os dias transportam, sempre, dentro de si, uma memória. E, todos os dias, os dias são mais belos, sempre, mas sempre, mais muito mais belos, sempre que nós acrescentamos novas memórias ao futuro.

A beleza de cada dia está num encontro que se veste de carinhos. Num sabor que guardamos, pela companhia e pelo gosto único, aquele paladar que se sente com prazer.

A beleza de um dia pode estar numa simples palavra: Parabéns!  

Quando vivemos os dias com sabores, carinhos e muita ternura nos nervos, basta um olhar, um simples olhar por dentro dos olhos, ou uma palavra doce, a tocar o coração e, isso, apenas isso – uma palavra – faz sentir como a vida é feita de todos os dias que nos transportam até aqui, e, sorrindo, afirmamos: valeu a pena! 

 

 

Ontem à noite, quando acabei de escrever o texto para assinalar o 16º aniversário da edição de «Rostos on line», emocionei-me com uma coisa muito simples.

Normalmente, enquanto escrevo tenho por hábito escutar, suavemente, alguns sons, especialmente aqueles que compõem «a minha mix» no Youtube.

São sons de fundo que são uma companhia. Uma muleta onde encosto os meus neurónios, porque ao mergulhar por dentro de sons, vou navegando e deixo-me fluir, assim, num constante de diálogo entre os sons e as palavras. Delicio-me. Divirto-me.

 

Curiosamente, ontem à noite, no instante que fechei o texto, sobre os 16 anos do «Rostos on line», comecei a escutar a voz de Zeca Afonso, no concerto do Coliseu, um coro a cantar a «Grândola Vila Morena».

Acaso. Coincidência. Emocionei-me. Parei e cantei por dentro da minha mente, juntando-me ao coro.

Afinal, este tem sido o cântico que ao longo dos anos, tem forjado a minha consciência neste estar e fazer jornalismo, neste estar e fazer democracia.

Foi sempre acreditando que democracia é confronto e diálogo, é navegar contra ventos e marés, com tempestades e bonanças, que vivi o fazer jornalismo.

Viver e fazer Liberdade, essa mais bela herança de Abril!

 

Tenho vivido, há mais de 45 anos, este prazer enorme de fazer jornalismo de proximidade – em Setúbal, no Barreiro.

Aqui, no Rostos, estou a caminhar para as duas décadas e, de facto, espero lá chegar, sempre vivendo os dias com paixão, construindo e sonhando, porque sem sonho os dias perdem sentido.

Quer o viver esta actividade, com erros de ortografia, com gralhas, errando e corrigindo, porque só os perfeitos não erram. Eu como não sou perfeito, gosto de ir sempre aprendendo com os erros.

Continuar esta entrega para manter viva um voz ao serviço da região, vivendo sempre, mas sempre, os dias com a alegria de dar um contributo para fazer cidade.

 

Enquanto sentir esta energia no meu coração, enquanto as forças não faltarem, cá estarei, como que cumprindo uma missão cívica, nessa nobre missão de ajudar a fazer democracia.

 

É difícil fazer democracia num tempo marcado pelas mais diversas formas de culturas populistas, de manipulação da opinião, de «politicas de viagra», essas, que criam mundos virtuais, essas que querem ser sempre o que não são, repetindo, repetindo e iludindo, assim como quem acredita que chegámos ao melhor dos mundos. Iludindo sempre!

 

Fazer jornalismo neste tempo é muito complicado, mas, dá muito gozo. Aquele gozo de sentir que é pela luta que chegamos ao futuro. E, estarmos conscientes que o futuro está, por desocultar, presente, bem presente nos dias de hoje, vivo nas palavras que constroem o presente.  

 

Mas, digo-vos, o mais complicado é fazer jornalismo livre, e, acima de tudo, um jornalismo livre mas com valores. Afinal , ninguém é livre sem valores.

E, certamente, é isso, apenas isso, que incomoda. Porque, de facto, ter valores é ter memória. Memória e História. História e Futuro.

 

Obrigado. A todos os que no dia de hoje, com uma simples palavra contribuíram para fazer deste tempo que vivo, um tempo onde me encontro e reencontro – sonhando sempre sonhando! 

Afinal, uma prova viva, autêntica, que os dias não são todos iguais, porque, hoje como ontem, “há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não”.

 

António Sousa Pereira

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