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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Todo o associativismo é presente

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Hoje, visitei no «Espaço Memória», a exposição com o tema – «Associativismo no Barreiro – os lugares, os factos e as pessoas», num primeiro olhar, acho que, globalmente, esta exposição é um contributo subsidiário para abrir o debate sobre o território e o associativismo.

Dialogar sobre a sua estrutura, sobre o seu conteúdo pode, portanto, tornar-se o «leit motiv», para uma reflexão sobre o Barreiro e o associativismo.

Portanto, com base nesta nota de abertura, posso salientar que gostei da exposição como um «projecto», que permite abrir caminhos, dar uma visão, e, colocar o «associativismo» na agenda do “fazer a polis”.

 

Considero esta exposição uma oportunidade, quer no plano sociológico, quer no plano politico, para que a cidade pense a sua cidadania.

Por estas razões, considero esta exposição uma iniciativa positiva, se, de facto, em torno dela formos capazes de gerar um amplo debate de ideias, tornando-a um elemento dinâmico e gerador de pensamento, de e sobre associativismo.

 

No mundo de hoje, onde se pugna pelo «fait divers», pela valorização da imagem, pelo consumo rápido, manter uma exposição visitável, até ao final do ano, é, sem dúvida, um evento importante que pode e deve contribuir para valorizar o debate de ideias e promover a reflexão sobre a vida do concelho e o papel do associativismo no «fazer cidade» e no «fazer cidadania».

Esta exposição sobre associativismo, é, sem dúvida, ela mesma, portadora de um conteúdo que abre perspectivas de reflexão e coloca abordagens diferenciadas sobre o pensar e fazer associativismo.

 

Aqui ficam algumas primeiras notas de reflexão que emergiram no decorrer da visita – as minhas percepções.

A primeira percepção, foi em torno do facto de serem destacadas no núcleo central da exposição, um conjunto de associações classificadas de «presente», e, talvez, consideradas como uma nova dimensão do fazer associativismo.

Só este assunto dá pano para mangas, até porque, há novas associações que ali não estão referenciadas. dou exemplos –  EstbarrTuna, ou Miorita, ou «Escola Conde Ferreira – enquanto espaço interassciativo, ou a Cooperativa Mula, ou mesmo, algumas associações um pouco mais velhas mas são exemplo de «um novo fazer associativismo», como é  o caso da Clinica Frater, ou a Camerata do Barreiro, até mesmo a Arte Viva, e , porque não a «nova» Cooperativa Cultural Popular Barreirense.

 

A segunda percepção, foi em torno da cronologia histórica, com a valorização de alguns factos e o esquecimento de outros, como, por exemplo evocar vitória do FC Barreirense ao Benfica, e, esquecer a vitória europeia da CUF ao Milão.

Ou, ainda, não serem referenciados, momentos históricos de presença de atletas do Barreiro nos Jogos Olimpicos, desde a Halterofilia do Luso, ou vela do Clube de Vela, e, remo da CUF.

Mesmo, de nomes destacados ao nível internacional no Xadrez, ou prémios de âmbito nacional no Teatro, caso do TEB – 22 de Novembro. E, mais, e mais…

 

A terceira percepção, o excesso de «eus da vida associativa, com uma híper valorização dos agraciados com a distinção do «Barreiro Reconhecido», na área do associativismo.

Por vezes, em conversas com o anterior presidente da Câmara, Carlos Humberto, costumava tecer criticas sobre o excesso do «nós» na vida cultural e associativa, esquecendo-se, por vezes, o papel do individuo na história. O autarca replicava, sempre, que o «nós» é «um eu, mais outro eu…».  

Neste caso, nesta exposição o excesso de «eus» sobrepõe-se à ausência de «nós». Não existe uma breve nota sobre a história de algumas associações de referência, por exemplo as centenárias. As associações todas, ou quase todas, ficam reduzidas a galhardetes e a um ponto no mapa, as únicas com dados históricos, são as integradas no dito espaço que foca o «Presente».

E, já agora, salientar que, há mais, muito mais «eus» na vida associativa que esse que, em tal, ou tal momento, foram «reconhecidos» pela sua acção.

 

A quarta percepção, ali, de facto, parece que há um associativismo vivo, com actividade e dinâmica, esse é o dito como o associativismo do «presente» ou o «novo», e, há o outro associativismo, esse, talvez, considerado o do «passado», que fica registado com um galhardete e um ponto de referenciação no território.

Como considero que todo o associativismo é presente, porque todo o associativismo faz o presente do concelho, aquela distinção entre o «novo associativismo» e o «velho associativismo», fez-me algum incómodo, até porque, algum desse dito novo, existe, fazendo do velho «barriga de aluguer».

 

A quinta percepção, senti falta da valorização das práticas associativas, porque essas é que dão dimensão ao fazer associativismo.

Sei que há muitas práticas, mas dar uma visão de casos exemplares – a cidade do xadrez; a capital do basquetebol; os desportos náuticos; o futebol, O teatro, a música – do jazz ao clássico, dos corais ao experimental.

Exemplos que permitiam perceber como pelo fazer associativismo há mais vida no concelho, muito mais, que aquela que se projecta pelas redes sociais.

 

Outras notas registei após a visita à exposição, porque, na verdade, uma exposição é um livro aberto de ideias e pensamentos.

Uma exposição é uma interpretação histórica, sociológica, politica, filosófica, e, nela está contida, directa, ou indirectamente, uma visão da cidade e do fazer cidadania.

É, de facto, por isso que considero positiva esta exposição, porque pode dar um contributo essencial, para promover o debate de ideias sobre a importância estratégica do associativismo no fazer futuro – o velho e o novo associativismo. Pois.

 

A exposição vai estar patente ao público no «Espaço Memória», e pode ser visitada até ao próximo dia 31 de dezembro de 2019.

Considero que esta exposição pode ser um elemento central de debate – pensar associativismo/ pensar Barreiro.

Afinal o futuro constrói-se sempre a partir da desconstrução do passado.

Nos dias de hoje, é, cada vez mais, importante que o associativismo se afirme, todo ele, como «pontos de encontro» - de criatividade, de fazer democracia, de solidariedade, de Liberdade e de humanismo.

Será que este é o tempo de construir e desconstruir, de opor o velho ao novo?        

 

António Sousa Pereira

A Quinta de Braamcamp não é um território abandonado . O proprietário é a CMB

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É necessário começar por referir que, se existe o tema Braamcamp, hoje, na agenda politica local, deve-se à coragem de tomar decisões, mesmo com criticas – eu fui dos que critiquei, por considerar que o Barreiro tinha outras prioridades, nomeadamente a resolução dos problemas da sua rede de abastecimento de águas, do seu sistema de saneamento, até, o estado da rede viária.

Falei sobre isto com Carlos Humberto, anterior presidente da Câmara, que, objectivamente, defendeu que a ligação da cidade ao rio era um potencial de grande importância para o desenvolvimento. Aceitei as opções. Percebi. Era, afinal, dar continuidade ao trabalho que vinha a ser realizado, no âmbito do programa REPARA, com a construção dos passadiços e, até a compra de parcelas de terrenos e património em Alburrica, agora, com esta decisão da compra da Quinta da Braamcamp, alargando essa visão para outro espaço do território, numa linha de continuidade e valorização da zona ribeirinha.

Sei que estava tudo em aberto, mas, feita a compra, concretizado um negócio que levou alguns anos, era necessário reflectir, dialogar com a população, abrir o dossier, avaliar caminhos e opções.
As eleições autárquicas foram ganhas por outra força politica, que defendia visões para o território – a roda gigante está na memória. Enfim, o importante era criar uma visão.

Depois, conquistado o poder, torna-se pública a opção de venda, e, até ao dia de hoje, não conheci argumentos plausíveis sobre as razões dessa opção. Nunca entendi a ligação ao conceito de cidade que se projecta. Existe uma ideia central adquirida e, portanto, sobre essa opção, pelos vistos, não há nada a fazer, antes pelo contrário, o que se faz é gerar correntes de opinião, de forma a tornar irreversível esta opção e colocá-la na opinião pública como uma espécie de “galinha dos ovos de oiro”, que vai criar emprego e vai atrair uns milhares de turistas. Portanto, quem não estiver de acordo, é porque não tem visão de futuro.
Criam-se contextos que não correspondem à realidade para induzir opiniões. O que considero mais grave é apontar-se a ideia de um espaço ao abandono. Iludindo a realidade.

Na última reunião da Câmara Municipal do Barreiro, os vereadores da CDU e o vereador do PSD, questionaram sobre um estudo de opinião promovido pela autarquia, nomeadamente que gostavam de conhecer as perguntas feitas através do dito inquérito. Foi referido que oportunamente o dito e os resultados seriam divulgados.

E, na verdade, no dia seguinte, já circulavam nas redes sociais algumas perguntas e os resultados das percentagens às respostas, veiculadas pelo Partido Socialista.
Isto é de bradar aos céus. É apenas, e só, uma falta de respeito por quem foi eleito, com os votos dos barreirenses, que representam – a CDU- 11.448 eleitores; o PSD – 3.912 eleitores. O PS que venceu com a maioria relativa obteve o apoio de 12.913 eleitores.
O desrespeito institucional não é pelos vereadores da CDU e PSD, é pelos eleitores, é pelos cidadãos que elegeram aqueles autarcas.

Afinal, cada vez mais de se confunde guerrilhas politicas partidárias com o funcionamento do órgão municipal.
Fiquei perplexo. Mas, de facto, cada vez, fico mais apreensivo e nada me espanta. Acho que, nos dias de hoje, tudo é permitido, desde que sirva para estimular o conflito partidário – tácticas e politiquices.

A politica local está a atingir o nível da vulgaridade, do diz que diz-se, das provocações sem respeito, as ofensas veladas, num casino politico onde, afinal, a roleta do fazer politica, gira em torno do apanágio da palavra democracia – de bons e maus democratas. Sim, e depois há, também. o culpado de tudo - o mensageiro.

Li com atenção, aquelas perguntas divulgadas e os resultados. Até pensei, sem outra informação complementar, se estas perguntas me tivessem sido feitas, certamente, era capaz de responder sim, porque, de facto, considero que aquele território é uma mais valia para o concelho. Eu, certamente, estaria nos 90% que concorda que a requalificação é uma mais valia para o Barreiro e para a zona ribeirinha. É natural.
Igualmente, considero essencial a requalificação urbana da zona ribeirinha. Obviamente.

O que me indignou naquelas perguntas foi aquela nota, relativa à recuperação de uma vasta zona do território de 21 hectares - HOJE ABANDONADOS. O que está abandonado não é de ninguém. Está degradado, e todos sabemos as razões.
Um dia em tempos idos, num debate filosófico, com um amigo, eu dizia-lhe, que as perguntas trazem, sempre, dentro de si as respostas.
E, neste caso, isso é óbvio, se os territórios estão HOJE ABANDONADOS, só alguém sem nexo, e sem visão, pode estar contra a requalificação e venda – 5% habitação e 95% para zonas desportivas e espaços verdes.

O problema de fundo, a questão politica central, sem qualquer dimensão de avaliação partidária, apenas no pensar politicamente a polis, a verdade é que aqueles territórios HOJE NÃO ESTÃO ABANDONADOS. HOJE SÃO PROPRIEDADE DO MUNICIPIO DO BARREIRO.
Aliás, sabemos que deixaram de estar abandonados quando foi assinado o Contrato Promessa de Compra, em 8 de Fevereiro de 2016. A assinatura da escritura foi em 19 de Dezembro de 2016. Desde estas datas pela acção politica liderada por Carlos Humberto, deixaram de estar abandonados.
Desde estas datas é que foi possível começar a pensar uma estratégia. Desde essas datas que não estão ao abandono.

E, já agora, que se saiba foi feita uma candidatura para uma primeira intervenção de limpeza do espaço e recuperação do território de forma a permitir a sua fruição. Essa candidatura não avançou. Dizem porque impedimentos atrasos do Tribunal de Contas e porque a correção da candidatura era negativa em termos de custos. Não se deixou cair, foram as exigências do Tribunal de Contas que levaram à queda. Mas, diz-se, até, que se tivesse caído a candidatura e avançado uma nova, então, seria mais benéfico.
Então, se assim era, porque não caiu mesmo e avançou uma nova? Porque, talvez, já estava decidido o que está decidido. Sim, não é vender, é alienar.

Nunca esquecer, e isso deve ser dito à população, aos inquiridos, que aquele território já não está ao abandono e, de facto, o seu estado actual de degradação, deve-se, em primeiro lugar à a falência da empresa, depois ao declínio do imobiliário.
Recordo que, mesmo que em tempos idos, se pretendeu avançar com construção do que era possível urbanizar. Isso, recordo, foi defendido na gestão de Emídio Xavier. Não avançou porque o mercado imobiliário já estava em ruptura.
Não avançou isso, nem tanta coisa – a TTT, o Masterplan, a Cidade do Cinema, o POLIS, e tanta coisa ficou pendurada.

Hoje, repito, a Quinta de Braamcamp não está ao abandono, está degradada, o que é muito diferente, mas, tem um proprietário – Câmara Municipal do Barreiro. Que não sabe o que fazer do que recebeu do anterior executivo. E a única opção que vê, e aponta como caminho é a venda. Ponto final.

Repetir, para que conste e faça fé, aqueles territórios estiveram, em sequência da falência dos seus proprietários e processos de insolvência, sem soluções, sem opções, até, mesmo, sem qualquer viabilidade de construção. O mercado imobiliário viveu nos últimos anos das crises mais dramáticas. Não sabem que existiu a troika?

Degradaram-se. Incêndios. Roubos. Sim, era uma propriedade privada ao abandono e a degradar-se. O municipio agiu para lhe dar qualidade e dar qualidade de vida à zona ribeirinha.

Aqueles territórios são hoje parte integrante de uma visão de aproximar a cidade do rio, como foi feito em Alburrica. – onde também foi necessário comprar parcelas privadas, para se chegar ao que hoje chegou e fruir com qualidade a zona ribeirinha.
Sobre Alburrica, Braamcamp, Mexilhoeiro, Clube Naval, não devia ser colocado o carro à frente dos bois, nem induzir respostas, nem fugir de uma amplo debate público, em torno da revisão do PDM, ou na construção de um Plano de Pormenor.
“A precipitação tudo destrói, porque é cega”, disse Tito Livio. Esta é a frase de hoje no jornal «Público». Fica o registo.
O problema é que o executivo municipal na sua maioria PS- PSD, apontam a venda como a melhor solução. E, para al´me da venda, até ao momento, não se percebe o conceito estratégico.

A CDU está contra, e, não diz quais as suas opções concretas. Fala, e, todos sabemos, hoje, pelas campanhas de rotular as suas posições politicas tudo o que vem da CDU, são considerados comportamentos de aziados. A CDU está estigmatizada, mas tem posições justas, que são aquelas que enquanto força politica tomou a decisão de comprar a Quinta de Braamcamp.
Se alguém tem autoridade moral para levantar a voz sobre esta matéria é a CDU. Mas, as correntes de opinião geradas e induzidas nas redes sociais, levam muitos a considerar que age porque tem azia, ou não tem visão, ou é retrograda.
E, na prática, hoje, quem defende posição verosimilhantes à CDU, fica na mesma rota de classificação mental.
O nível da discussão, conduz a estes contextos.

Faz lembrar aqueles tempos quando quem criticava a autarquia, era logo rotulado de reaccionário. Hoje quem critique recebe logo o rótulo de comunista.
Procura-se colar toda a gente ao PCP. Já gora, por acaso, ontem, estive a falar com um socialista, que me disse discordar das opções do executivo municipal. E sei que há mais. Se calhar, fazem parte dos tais 200 que, generosamente, são referenciados, como os críticos existentes. E se fossem 200, não merecem ser ouvidos?

O PSD exige uma definição estratégica, a ligação do território ao centro da cidade, e, tem opções, até naturais pela solução de venda apontada, porque vai de encontro à sua visão ideológica dos mercados.
Mas, de facto, está nas mãos do PSD, que as decisões que venham a ser tomadas sobre esta matéria, tenham por base com alguma visão estratégica. É o voto charneira.

A esquerda da geringonça aqui no Barreiro não funciona, aqui, a esquerda é incapaz de dialogar, e vive uma luta fratricida.
O PSD, cada vez mais, está a sentir que este conflito permite-lhe construir o seu futuro. Não me admira nada, que nas próximas eleições, pela primeira vez suba fortemente e, se calhar, entre na luta pela presidência. Já nada me admira no Barreiro. Se calhar até merece.

Voltando ao inquérito, o que registo da leitura das perguntas divulgadas, é que, qualquer uma delas contêm dentro de si os sinais que induzem a resposta, directa ou indirectamente.
A Quinta do Braamcamp não pode ser mais apenas uma “obra” para dar nas vistas, não pode ser uma matéria de uma decisão casuística. Não pode ser um mero negócio que prevê 5% de habitação.

A polémica a preto e branco sobre o vender ou não vender. É uma falsa polémica.
Não há qualquer inconveniente que se pense a venda de alguma parte. Eu não tenho. Porque não, se isso viabilizar outros projectos.
O problema não é polémica vender versus não vender, isso é para desviar o sentido do debate principal. O problema é de saber porque existe a opção de vender tudo. Isso origina que o municipio não vai ter qualquer decisão futura sobre aquela parcela do território, só terá com o acordo com o proprietário. E os acordos blindados ´desblindam-se´ em Tribunal, basta um qualquer acontecimento que coloque em causa o acordado. O proprietário tem direitos inalianáveis.

A polémica dos bons e maus, dos que estão contra e os que estão a favor. Os que querem o bem e os que querem o mal. É outra falsa questão.
Uma cidade não se constrói para socialistas, nem para sociais democratas, nem para comunistas, nem para bloquistas. A cidade é de todos, é construída para todos. O que for feito de bom beneficia todos, o que for feito de mal prejudica todos.

Interrogo-me. Porquê um campo de futebol? Só para diversão. Destinado à competição? Quantos lugares? Que estacionamento vai ser necessário? Que acessos vão ser construídos?

Um amigo, um destes dias, perguntava-me: ´Estás com o grupo Não vendas a Braamcamp´?.
Respondi não estou com grupo nenhum. Estou na defesa do melhor para o Barreiro.
Quero perceber. Quero entender. E, na verdade, há muita coisa confusa neste processo. Inquéritos. Falta de debate. Ilusões. Falsas polémicas. Excesso de politiquice. Falta uma liderança que motive o diálogo entre opções.
O que tenho assistido é uma constante barragem de propaganda, de marketing, de conversas a preto e branco, sem debate de ideias, nem de futuro.

A Quinta da Braamcamp está na agenda politica autárquica porque o executivo anterior tomou a decisão histórica de comprar aquele território.
Carlos Humberto teve um papel de referência, com base num pensar cidade e fazer cidade. Pensamento que hoje não vejo ser equacionado.

O actual executivo recebeu uma herança…e agora, por vezes parece querer deitar fora o menino conjuntamente com a água do banho. O menino lá dentro – é um menino chamado potencial - ambiental, económico e cultural.
O mais certo é o actual executivo ficar na história como aquele o que tomou a decisão histórica de vender a Quinta de Braamcamp. Vendeu está vendido.

Afinal, esta decisão, já o disse, é uma decisão que vai ser, sem dúvida, a porta que abre o caminho para a linha condutora e ideias-força para elaboração da estratégia de revisão do PDM. Não está aqui em causa a Quinta de Braamcamp, está aqui em causa a estratégia para o desenvolvimento. O resultado final é que vai anunciar o futuro.

Um concelho de expansão urbana, ou um concelho que se quer requalificado e revotalizado, que recupera estrategicamente os milhares de fogos que estão por construir e os outros que estão fechados. Um concelho centralizado na «vila», ou um concelho de sitios e lugares.
O futuro deste território de 36Km 2 vai começar naquilo que forem as decisões do processo Braamcamp!

Afinal, o Barreiro na sua história teve três patrões – o da CP/ferroviários, o da CUF e, o da expansão urbana - a Construção Civil.

Hoje, infelizmente, está reduzido ao patrão estado…mas, pelos vistos, a opção que está de novo na agenda dos políticos locais é apostar no regresso do patrão construção civil.
É isso, já se vêem gruas no Barreiro!
E, certamente, em breve existirão gruas na Braamcamp.
É o futuro anunciado. Construa-se!

António Sousa Pereira

O Dia B e as percepções

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Só quem não viveu o Dia B, por dentro, pode considerar que a percepção que existe na comunidade sobre este evento é que a autarquia, com esta motivação de cidadania, pretendia, que os cidadãos realizassem obra que era sua competência. Essa era, sempre foi, de forma directa ou indirecta, a percepção de algumas forças da oposição e, até, a narrativa que era veiculada nas redes sociais, por protagonistas políticos, com intencionalidade de desvalorizar a iniciativa e gerar em torno dela estigmas.

 

Não via mal nenhum e, até, achava coerente que a actual maioria municipal optasse, em coerência com a percepção que sempre teve e valorizou de não dar continuidade ao Projecto do Dia B. Era normal e natural.

 

Porque o DIA B tem um modelo próprio, tem uma visão de politica de participação do fazer cidade, do apaixonar cada um de nós pela nossa rua, por motivar cada um de nós a sentir que a nossa casa continua na nossa rua, na nossa colectividade, no nosso bairro.

 

Não se trata de substituir o papel dos serviços municipais, trata-se de promover uma pedagogia, que começa na escola, motivando os alunos para sentirem e serem protagonistas do embelezamento do espaço que lhes pertence e, ali, pela sua dedicação, sentirem que a escola fica mais bonita para o futuro.

Uma iniciativa que envolvia alunos, professores, auxiliares, pais e avós. Só vendo. Eu vi. Muito humanismo ao vivo, sem percepções.

 

Acredito que muitas daquelas crianças, daqui a uns anos, ao passarem nas suas escolas, vão olhar e vão recordar aquelas pinturas que embelezam o espaço, os pilaretes de todas as cores, como uma acção criativa na qual estiveram envolvidos, que viveram com alegrai, que começou na sala de aula e tornou-se realidade. Aprendizagens.

 

Eu recordo, que um dia escrevi, só por ver aquele clima de festa ali, na Cidade Sol e no Bairro da Quinta da Mina, de crianças, mães, pais e avós a embelezar e limpar o espaço público, só por isso, valeu a pena o DIA B.

 

Ver na rua milhares de escuteiros, dando o seu contributo numa acção voluntária, numa prática de solidariedade e de serviço público, pintando bancos de jardins ou os muros da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro.

 

É isto o DIA B, isto e muito mais, aqueles fuzileiros a preparar terrenos, os bombeiros, ou os trabalhadores da Câmara Municipal do Barreiro, de forma voluntária, neste dia a preparar os almoços, num clima festivo onde se forjam amizades.

 

Amar o Barreiro. Sentir o Barreiro. Viver o Barreiro.

Era isto o DIA B, um  projecto inovador, em construção e, acredito que, sobre ele, era necessário avaliar, até, retirar-lhe alguma carga de híper valorização, mas dar-lhe, sem dúvida a devida importância numa politica de motivação, numa pedagogia de co-operação, no construir cdadania de mãos dadas, sentir que é possível fazer cidade para além, muito para além das percepções estimuladas nas redes sociais, unindo vontades e diferenças. O DIA B não era um ismo ideológico, quanto muito era um barreirismo - de quem faz e ama viver Barreiro.

 

Era isto o DIA B. Um projecto de uma proposta de ligação inovadora dos políticos aos cidadãos, às escolas ao movimento associativo, às empresas.

  

Repito, não vejo mal nenhum que o novo executivo municipal, na sua nova orientação politica, optasse por considerar que esta não é a sua estratégia, nem o seu modelo de fazer cidade.

Compreendo. Até que isto é ser coerente, com o que dizia na oposição.

E, agora ao acabar como modelo de DIA B que existiu ao longo de vários anos, reconhece que assume essa atitude porque, afinal, receia essa percepção, que anteriormente na oposição tinha e valorizava, e, agora, não querem ser acusados pelas pessoas que absorveram essa perceção que – são como os outros – fazem o Dia B, para suprir algumas obrigações que a Câmara Municipal tenha de fazer, nomeadamente algumas intervenções no espaço público.

Admite, portanto, com este ponto final no modelo, que é esta a leitura que tinha e continua a ter do DIA B.

Então acabe-se com o DIAB.

 

Embrulhar o DIA B, numa nova metodologia de acção de solidariedade social, é, uma atitude que só pode ser compreendida como uma provocação, não ao anterior executivo municipal, mas aos cidadãos que se envolveram no DIA B, que o fizeram por paixão e amor ao Barreiro e, na verdade, não o fizeram para suprir carências ou deficiências dos serviços municipais.

Viver o DIA B, foi isso agarrar uma ideia, um projecto, um fazer cidade.

 

 

Acabem com o Dia B. Não mantenham o Dia B, com outra filosofia.

Relançar o Dia B, agora como movimento de solidariedade, é gerar confrontos sociais, é gerar divisões artificias na vida da comunidade – até aqui eram os muristas, os passadistas, os retrógrados,  do outro lado os antimuristas, os futuristas os progressistas.

Pronto, agora estimula-se mais uma nova guerrilha – os solidários contra os não solidários.

 

 

Percebia e estava de completamente de acordo, com essa opção politica de acbar com o DIA. Podia discordar, mas percebia e respeitava a coerência e, digo, até admirava a coragem politica e ‘sentido de estado’, de ser tomada a decisão de ruptura politica – acabar com o DIA B.

Era uma opção politica que se respeita e entende, afinal, sempre assim foi, nos tempos de mudanças.

 

Mas não é nada disso, não se acaba como o Dia B, reinventa-se.

O problema não é a reinvenção do DIAB, o problema é que tudo isto é uma constante, esta intencionalidade permanente de criar pseudo factos politios, de colocar cidadãos contra cidadãos, por coisas meramente – estas sim ideológicas que coloca interesses políticos, acima dos interesses da cidade e do fazer cidade.

 

Não acabar como o DIA B e reinventá-lo, parece ser mais uma acção, das muitas que vão acontecendo, inseridas numa estratégia politica que tem por base as ideias força - desconstruir, demolir e dramatizar.

 

É essa estratégia que faz, aqui e agora que vivamos num permanente clima de confronto, de guerrilha urbana, gerando tensões desnecessárias na vivência do fazer cidade e cidadania.

 

É, portanto, uma metodologia de acção e, na verdade, está entendido que vai ser assim sempre, até às próximas eleições autárquicas. Todos os dias são dias de campanha eleitoral, dias marcados por uma gestão que opta pela sua afirmação na comunidade, explorando percepções, criando conflitualidades, atraindo a principal força da oposição para esse combate, um combate ausente de ideias, que assenta em visões, percepções e auscultações.

 

O importante e necessário é manter uma tensão negativista - de um lado estão os futuristas, os que querem o desenvolvimento; do outro os passadistas, afinal, os que os culpados do estado a que isto chegou – a tal decadência que tem um culpado.

 

Afinal, essa estratégia permite a vitimização, porque a tensão gera confronto e, tudo isso, é um caldo cultural para a dramatização.

Este clima proporciona os conflitos laterias, Desvia de discussões abrangentes.

 

O DIA B da solidariedade, vai transformar-se, infelizmente, no DIA B da conflitualidade, onde, infelizmente, já se mistura tudo, caridade, trazendo para a liça, outras dimensões do debate de ideias. É mau, muito mau.

 

 

Já percebi, que todas as tácticas circunstanciais se inserem na estratégia, que tem por base essas três ideias força – desconstruir, demolir e dramatizar.

 

Mas, enfim, é vida e de politica quem tem percepção são os políticos...e, de facto, cada vez mais se percebe que para vencer eleições, não contam ideias, nem estratégias, o que contam são as percepções, são elas que conduzem às visões e ambições!

 

António Sousa Pereira  

Hoje dia 1º de Maio apeteceu-me ter uma visão Não estraguem o potencial!

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Hoje, dia 1º de Maio, ali, sentado na esplanada dos Dadores de Sangue, olhando o Tejo, esse Tejo, onde Antero e Fontana, debateram ideias de futuro e sonharam Portugal, construído como terra de solidariedade e marcado com a existência de comunidades desenvolvidas com qualidade de vida – social e ambiental.

Estou ali sentado, e, de facto, pelas redes sociais chegam até mim os rumores, dessa coisa que por aí prolifera, sobre muros, quedas de muros e muros que se erguem. Coisas efémeras que transforma o debate de ideias e a reflexão sobre a cidade, numa banalidade, como se o futuro de uma cidade se discutisse, com base num combate, entre aqueles que erguem muros e os que derrubam muros.
De tantos muros é feita a cidade, O pior muro é aquele que quebra as asas ao voar da cidadania, não promovendo debates abertos, sem filtros.
Não me venham com a treta que ninguém discutiu a compra, nem que não houve debate sobre a compra.
Mesmo que, em parte, isto seja verdade, justificar os meus erros com os erros dos outros, é não querer mudar a forma de fazer cidade.
Provem sem problemas a razão das opções. E, então, quem não concorda perante argumentos válidos terá que se render.

Hoje, assistimos a uma banalização do debate de ideias. O preto e branco. Os maus os bons. Os muros ideológicos. Dividir para reinar.
Não me admiro nada que, um destes dias, dando continuidade a certos textos produzidos por agenciados, para abrir o caminho, a uma estrutura de “pensamento estratégico”, de um marketing que carece de promover um negócio, o mais certo, é que seja editado um vídeo, para ser amplamente divulgado.
Estava por ali sentado a olhar o Tejo, e pensei, deixar uma sinopse para produção do dito vídeo.

Primeiro umas cenas de construção de um muro, erguido, por activistas do «murismo», todos vestidos com um guarda roupa bem determinado que permita identificar a ideologia.
O muro ergue-se imponente, pela calada da noite, com a frase: Não vendas a Braamcamp!
No segundo momento, por trás desse muro dos «muristas», com um drone, filma-se a Quinta o seu estado actual, com as imagens mais degradantes que possam permitir o repúdio e a indignação. de forma quem vê, em poucos segundos, fica triste e diz: É isto que estes querem, que isto fique assim, que continue ao abandono. E, se necessário, nas entrelinhas, fala-se de um passado longo.
Enfim, de tal forma que fique claro que aquele é o pior dos mundos, o defendido pelos «muristas», o tal mundo que os maus querem manter, que já foi anunciado, aos poucos, com os tais dos muros das lamentações e outras coisas mais, que faz dos ditos muristas uns verdadeiros «mentecaptos».

Depois, dando continuidade ao filme, surgem ao nascer do sol, tem que ser ao nascer do sol, os anti-muristas, que, ali, em pleno dia, não pela calada da noite, vão derrubar o muro, num clima de festa, muita cerveja, bandeiras, e música pop.
O muro cai, em imagens de câmara lenta, tijolo a tijolo, as letras vão sendo destruídas, escuta-se a música de Vangelis, uma gaivota rasga o azul, e, em contra luz, vão surgindo imagens do futuro, tridimensionais, que dão a visão do que vai nascer após o derrube dos muros – os muros reais, os muros ideológicos.
Imagens, com visão, agora já sem roda gigante, agora apenas um tempo novo – um campo de futebol, um palacete transformado em Hotel, 180 fogos, em prédios de três pisos, caldeiras transformadas em pistas de remo, crianças a correr a abraçar os pais, em sorrisos. Um mundo novo, sem muros, num tempo novo.
Um bom vídeo. Fica aqui esta sinopse – uma visão de marketing.

São estes, afinal, os clichés do debate que alimenta as narrativas em torno da Braamcamp .
É, neste patamar e “caldo cultural” que se quer manter a discussão. Os bons e os maus.
Há os que são contra os investimentos. Retrógados. Muristas.
Há os que são a favor dos investimentos. Progressistas. Anti-muristas.

Estou ali, na Avenida da Praia, neste dia 1º de Maio de 2019. Sentado, olho o Tejo. Imagino que ainda não há muitos anos, existia um muro de sebes verdejantes que separava a «Avenida da Praia» do rio, e, também que ali, ao fundo da avenida, existiam muros, que separavam as fábricas da cidade.
O Barreiro era uma cidade murada. Não olhava para o Tejo, porque o Tejo era, apenas a via que ligava as duas margens, para os que trabalhavam na outra margem. Os outros, os milhares que trabalhavam nas fábricas da CUF, ou nas Oficinas ferroviárias, esses, viviam dentro da cidade, porque a cidade era a fábrica a fábrica era a cidade.

Dou comigo a remexer os pensamentos, neste dia 1º de Maio, que é um marco dentro das minhas memórias, dentro, bem dentro do tempo que sou, na comunidade onde cresci e sonhei.

Dou comigo a pensar que esta pseudo-discussão sobre a Braamcamp, será, para sempre o marco que vai determinar o futuro do concelho do Barreiro.
E como também gosto de ter visões, dou comigo a pensar na cidade que imagino e sonho.
Não há na Área Metropolitana de Lisboa, um concelho que tenha o potencial do Barreiro.
Um potencial que só pode ser dinamizado com uma estratégica enquadradora do papel deste território na região, quer na Península de Setúbal, quer na AML.
Isso exige, afinal, que o Poder Local tenha uma ideia para o concelho, que seja capaz de juntar vontades em torno de uma ideia de cidade, que seja capaz de exigir ao Poder central que coloque o Barreiro na sua agenda, quer no que diz respeito a acessibilidades e mobilidades; quer no assumir uma estratégia de desenvolvimento para os territórios da sua área de gestão. Isto estava a ser feito, vinha a ser feito nos últimos dezasseis anos.>

E, voltando a minha visão de cidade e de concelho. Em primeiro lugar afirmo que não defendo o desenvolvimento do concelho com base no actual PDM, que prevê cerca de 200 mil habitantes para um território de 36Km 2. O actual PDM é para rasgar.
Tenham coragem de meter este PDM no caixote do lixo da história. Ele foi o que foi, no tempo que foi, na sua realidade epocal.
Tudo o que se quiser fazer e justificar com o actual PDM é justificar um documento que foi ultrapassado pela história. Seja a construção de um Centro de Saúde no Alto do Seixalinho, seja a construção de 180 fogos na Quinta de Braamcamp.

Imagino o Barreiro como uma cidade que aposta na requalificação do seu tecido urbano. Que dinamiza espaços públicos de convívio. Porque o Barreiro é um concelho de lugares e sítios. Por isso acho um erro os argumentos e as opções tomadas em torno do Bairro Alves Redol. São falácias. São um exemplo de opções, neste caso, pela não pela requalificação urbana.

Uma cidade que em cooperação com a Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, estuda, faz projectos de requalificação urbana, de forma a estimular zonas de comércio local, a ocupação das ruas, porque esta é das melhores acções para dinamizar a segurança urbana – dar vida às ruas da cidade, dar vida aos seus espaços de cidadania – o associativismo.
Reconstruir o degradado em vez de estimular novas construções.

Sonho com esta cidade- concelho que se desenvolva com polos de criatividade – dos polos artísticos – teatro, música - aos polos de novas tecnologias, fotografia, cinema, digital.
Uma cidade que se aproxime do rio. Uma cidade que cultive a sua ligação ao seu «Grande Parque Central» que é a Mata da Machada. Apostava numa ciclovia ao longo da IC21, de forma a colocar a Mata da Machada ligada ao polos urbanos do concelho.
Promovendo o desporto do lazer, uma cidade verde, ambientalista, com uma Mata e um Sapal marcados pela biodiversidade – uma riqueza actual e histórica para a região – que podem colocar o Barreiro como referência nacional.
E, neste contexto, como era de grande valia a ponte pedonal, adiada.

Uma cidade que tem espaços museológicos únicos, ao nível ferroviário e industrial, que podem ser espaço de visitação. Onde são necessários investimentos pensados e debatidos com o Poder Central e, atraindo investidores, tendo estudos e sugestões que motivem os potenciais interessados.

Uma cidade que tem que sair do gueto em que está há décadas. Se antes isso não se sentia, até, porque o Barreiro, para muitas terminava na «passagem de nível», porque havia trabalho e comércio no centro da cidade, hoje, é uma das principais causas do seu atraso – a falta de ligação rodoviária ao Seixal, a continuidade da IC21 rumo a Sesimbra, a Terceira Travessia do Tejo – só ferroviária – deixando para outras eras a possibilidade da rodoviária (invertendo o processo vivido com a ponte 25 de Abril).
A ponte ferroviária pode trazer de novo para o Barreiro a sua centralidade na ligação norte-sul, e, desde já apontar, como foi dito, que as oficinas do futuro TGV, se instalassem aqui no concelho.

Dispenso o Terminal de Contentores, se ele, for isso, apenas isso, um depósito de contentores. E, não estou a ver que Setúbal, Sines, ou Leixões, estejam disponíveis a não crescer para dar espaço ao Barreiro.
Ali, naquele território da Baía do Tejo, pode continuar-se a estratégia de promoção do território através da marca « Lisbon South Bay», atraindo empresas, criando espaços de lazer e de criatividade e apostando na criação do «cluster artístico».
Debater com os governos, como quis Emidio Xavier e Carlos Humberto, a instalação de serviços centrais aqui no Barreiro.
Há muito espaço para construir, até, porque não pensar para ali Habitação, como um dia escrevi, nos anos 90, temos ali a nossa zona expo, e, portanto, diga-se, mais uma vez, é preciso para tal rasgar o PDM, que ali prevê zero de construção de habitação.

Na zona norte do Barreiro, em torno do centro da cidade e espaços urbanos consolidados a estratégia tem que ser – requalificação, do espaço público e do edificado, em simultâneo, apostar em programas de valorização da vida local, da cultural local, dar qualidade de vida urbana.
Sim, é verdade, para isto, mais que as preocupações com a construção de um Centro de Saúde, que é da responsabilidade do Poder Central, apostar na melhoria das condições de tratamento dos espaços públicos, recolha de resíduos urbanos, melhorias no abastecimento de água e no saneamento básico, com planos estruturais, porque o dinheiro não chega para tudo, apesar da autarquia, em sequência da troika e da gestão rigorosa, hoje, respirar saúde e permitir tranquilidade, que nunca outros antes tiveram e, recordo, tanto sofreram, para legar tanto que foi feito, que só não vê quem não quer. Eu vi e vivi.

Na zona sul do concelho, se for aceite o que está no PDM, há muito território para se optar por uma estratégia de expansão urbana – podem nascer ali, algumas urbanizações estilo Fidalguinhos , para garantir a entrada de taxas da construção. O Santo Graal do Barreiro.
Um território que está localizado a 30 minutos de Lisboa, por via ferroviária, mas que é necessário avaliar a mobilidade, num plano conjunto com as Câmara de Palmela, Sesimbra e Seixal.
Um território onde, também, pode localizar-se uma plataforma logística-industrial contribuindo de forma indirecta para reactivar a Quinta das Rebelas.

Pronto, hoje, dia 1º de Maio, apeteceu-me ter uma visão, e, como isto de visões é só por no papel, fazer um vídeo, só tenho pena não ter condições de fazer um vídeo, com um drone a voar da Ilha do Rato até Coina.
O concelho do Barreiro é um território que é um mimo, uma pérola, que pelas suas características e potencial, de facto, aqui, podia ser construído um modelo de cidade e cidadania único e de referência na AML.
É isso que não se discute. Porque, ou muito me engano a opção está tomada, pelos vistos o PDM em vigor serve para justificar o que era injustificável.
Um dia destes vou, certamente, ouvir defender a construção de prédios, na zona das Oficinas da CP. O PDM prevê, qual é o problema.

Entre um concelho de qualidade e um concelho dormitório, eu gostava que se optasse por um concelho de qualidade. São opções.

É que, na verdade, enquanto se banaliza as conversas em torno da «guerra dos tronos» - de mortos e vivos – aqui no Barreiro escrita, por agora, com a palavra Braamcamp, o resto do território não se discute, e projectar uma ideia para o concelho e cidade, essa, fica enterrada no lodo do Mexilhoeiro, porque, sem dúvida, o PDM em vigor, serve para justificar tudo…construa-se!

Fico a pensar no potencial que é este concelho e limito-me a deixar uma nota de reflexão, neste 1º de maio de 2019 – Não estraguem o potencial. Avancem com um novo PDM, e, por favor, promovam um debate sobre a estratégia para o concelho.

Viva o 1º de Maio!

António Sousa Pereira

Deixa-me sentir Abril no meu coração!

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Há os que gostam de comemorar o 25 de Abril.
Outros gostam de celebrar o 25 de Novembro.
Acredito que também há aqueles que preferiam festejar o 11 de Março.
Como outros optariam por celebrar o 28 de Setembro.
No meio destas datas, quantos e quantas terão datas na memória para recordar, umas com alegria, outras com tristeza. A norte e a sul. Tantas datas de um tempo feito de tantas mudanças, na derrocada de uma cultura de silêncio. Um tempo feito de sonhos e ilusões, num mundo, marcado por dois mundos, no próprio mundo.

 

E, neste tempo que vivemos, assim como ontem, também há os que gostam de festejar o 16 de Março, outros o 28 de Maio.
As datas são as marcas de um tempo inscrito no tempo que vivemos.
Cá por mim, enquanto for permitido, continuarei a festejar e recordar essa data única – limpa – o 25 de Abril.
É isso que prefiro, guardar, sentir, reviver e manter vivas todas as recordações, lutas e combates que floriram nesse momento único, de cânticos escritos com a palavra Amor.
Amor a Portugal!
Amor à Liberdade!

É esta data que festejo, celebro e canto, depois, para trás e para a frente, cada um que festeje o que entender e lhe faça bem ao seu ser e estar no mundo.
Cada qual guarda no coração aquilo que tem escrito no seu sangue.
Já vivi tanta coisa, já vi tanta coisa, que enquanto for vivo, basta-me festejar o 25 de Abril, dar o meu contributo para que essa efeméride passe como um testemunho para gerações futuras escrita com duas palavras – Liberdade e Democracia. Esta é a força, a energia, o sentir nascido, na canção – “o povo é quem mais ordena, dentro de ti ó cidade!”.
Porque a Liberdade é o sangue da Democracia.
É isto que eu celebro sempre que celebro Abril.

 

Sabes, neste tempo vivido aprendi que a minha Liberdade, não acaba onde começa a tua Liberdade. Porque a minha Liberdade não pode acabar porque começa outra qualquer Liberdade.
Senti na pele, antes e depois do 25 de Abril, o que é a minha Liberdade acabar onde começava a de outro, que me impunha a sua Liberdade!
Sabes, sou daqueles que acredita que a minha Liberdade começa, onde começa a tua Liberdade. A minha Liberdade não termina em ti, em ti começa a minha Liberdade. Só tenho Liberdade se tu também tiveres Liberdade.

 

É por isso, só por isso que a minha Liberdade se escreve 25 de Abril, esse dia de Primavera a florir, o dia que foi semeada a palavra Liberdade.
A Liberdade é Amor. A Liberdade é esperança. A Liberdade é paixão.
E, digo-te, no mundo de hoje, cada vez mais marcado pela intolerância, pelo populismo, pelo fanatismo, cada vez sinto mais importante erguer o cravo de Abril, contra o ódio, contra a intolerância, contra os ditos «novos democratas», que acham que eles são a pureza da democracia, e, batem com a mão no peito, orando ao Deus do Amor e, no quotidiano, cultivam o racismo, xenofobia, misogenismo, valorizando um pensamento único, sem respeito pelas diferenças e o direito de opinião.
É, isso, por vezes querem fazer aos outros aquilo que criticaram durante anos, que diziam que lhes faziam. Depois queixem-se de nascerem extremismos.
Há cada vez mais, um novo ismo, feito de purismo, que tende para o “voxismo”. É Democracia.

 

É por tudo isto, digo e repito, que festejo Abril – o 25 de Abril – o antes e o depois, que não esqueço e onde aprendi tanta coisa, tanta coisa, de tanta gente, por isso, esse antes e depois, deixo para os que gostam de festejar passado.
Eu quero festejar em cada presente, o 25 de Abril com futuro. Só assim festejo a Liberdade e a Democracia.

Olha, até podia, apenas festejar, aqui e agora, o dia 2 de Abril. Afinal é, ainda, o garante dos sonhos e esperanças do 25 de Abril.

Repito, quero festejar, sempre, em cada Abril, um Abril de futuro, o Abril que se escreve LIBERDADE e DEMOCRACIA.
Este é o legado que recebi do 25 de Abril. Tudo o resto, é o resto, e, digo-te, há tanto ainda por saber…talvez um dia, talvez um dia.

 

Quero que as crianças e jovens de hoje, os meus filhos, aprendam que o 25 de Abril abriu os caminhos ao meu país de reencontro consigo mesmo, que, um dia, depois de um dia ter partido a desbravar o mundo, de novo, agora, com o 25 de Abril, como referência histórica, voltou a ser o cantinho Lusitano, esse lugar, onde foi cultivada uma das línguas mais faladas no mundo.
Gosto do meu Portugal que está prestes a celebrar 900 anos de história.
Olha, se eu não estiver cá e tu festejares essa efeméride em 2043, nesse ano lança por mim um cravo ao Tejo, se, então, ainda te for permitido. Dá, às Tágides, por mim, um beijo de Liberdade!

 

Quero que as crianças e jovens de hoje, os meus filhos, aprendam que o 25 de Abril abriu os caminhos ao mais belo que existe na humanidade, essa energia que permite criar, crescer, sonhar – a Liberdade. E sem Liberdade, que permite as diferenças, não há democracia.
Por isso festejo o 25 de Abril que abriu as portas à Liberdade.
Não confundas o resto. Porque se confundires o resto, tens que ver e pensar, tudo, mesmo tudo, de todos, no antes e depois do 25 de Abril. Não sejas reduccionista. A história não se limita a uma data.
Mas, cá por mim há uma data que é história – 25 de Abril, será, hoje e sempre, um marco para Portugal. Pensa apenas, por exemplo, no seu território, a história de Portugal antes e depois do 25 de Abril.

E, pensa, esta data como o encerrar de um capítulo da história da humanidade, do sentir a europeização.
E, por fim, coloca esse cravo de Abril no teu coração e sente como és mais homem, mais humano, mais senhor de ti mesmo, se escutares a voz da Liberdade, a pulsar no teu corpo e a florir nos teus neurónios.

Nunca esqueças, a Liberdade é essa flor que é preciso regar todos os dias, para que floresça em todas as Primaveras, permitindo que exista democracia como a corrente de um rio, aí, onde navegam todas as ideologias.

 

Um abraço para ti. Festeja a data que entenderes. És livre.
Deixa-me, a mim, festejar Abril e sentir Abril no meu coração!

 

António Sousa Pereira

Das teorias da provocação ao jornal com «rostos»

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Hoje, dia 1 do ano 46 da Liberdade, reinicio a edição regular da «Rota 66», um espaço de diversão, ironia e democracia, porque a democracia, é o direito de ter opinião e divulgar de forma livre pensamentos.

Numa terra onde há tantos muros a cair, onde se respira, afinal, como nunca se respirou, onde o desenvolvimento já faz crescer a água na boca, a terras da região, onde a imprensa regional tem todas as condições para ser livre, e, afirmar-se como um pilar da democracia, aqui e agora, reanimar e editar com regularidade a «Rota 66», é um acto de Liberdade.

 

Teoria da Provocação

 

Quando o pessoal era criança tinha aquelas cenas de “ajuste de contas”, então, para desafiar o adversário, ou, o tal que nos tinha eventualmente ofendido, a regra era com um dedo tentar “colocar cuspo na orelha” do dito. Assim, atingido esse objectivo, o “adversário” estava provocado e tinha que aceitar o desafio de uma luta corpo a corpo, para se confirmar, ou, quem era o mais forte, ou apenas para que, na luta pública, quem assistia, pudesse, apenas e só, confirmar que nem o provocado, nem o provocador eram cobardes.

 

Por vezes, esta “teoria da provocação” parece que anima certos actores da vida politica. Ou, usam esta técnica do “colocar cuspo na orelha” para gerar conflitos, ou usam uma espécie de toque e foge.

Parece que há mesmo quem se delicie em viver de forma permanente a jogar este jogo.

E, depois, escuta-se o tal grito do Scolari: “E o pirata sou eu”.

 

A provocação como arma para picar o adversário, mesmo que o adversário não vá à luta, serve para que se fale das provocações. Esta concretização serve para que, na prática, se verifique a tal velha e desejada forma  de afirmação : “Falem de  mim, falem bem ou falem mal, eles que falem de mm”.

 

E, parece que esta táctica, que, acredito, por vezes já não é táctica, mas é mesmo estratégia, de uso regular da provocação não é nada, mesmo nada inocente. São diversos os actores desta metodologia. Pode ser um polvo, como pode ser um muro, tudo serve, desde que enfureça o outro. Ora dizes tu, ora digo eu. Um ping-pong. Há quem marque mais pontos.

   

Os resultados são visíveis – provocação feita, gera o efeito em cadeia. As conversas giram à volta do perfil do provocador, que passa a herói e perseguido. Os provocados que reagem, e, na verdade, nem se apercebem que dão lenha para que o dito cujo, se transforme numa vitima, alimentam o jogo dos bons e dos maus. O discurso desenvolve-se entre verdades, meias verdades e fantasmas, dá para todos os gostos.

 

Assim, levando-se o debate de ideias para esta dimensão, na verdade, fecha-se o campo, e não há espaço para que o nível da discussão suba, fica-se pela banalização, ou por uma espécie narrativas de terrorismo verbal, de bombardeamentos etico-morais. É este o clima que as provocações pretendem alimentar. Há quem goste de estar nesta dimensão.

  

Ao principio estranha-se, depois entranha-se. Uma vez parece acaso, como sendo um desabafo. Duas vezes, parece estranho, mas, regista-se, que já é um caso de «livro de estilo», ou um «manual de gestão ideológico».

Enfim, a repetição após repetição, essa, é como o algodão, já não engana. Ou por outra, pode enganar quem opta por entrar nesse jogo do toque e foge e do cuspo na orelha, quem se sente bem nesse patamar, porque sente-se como o anti-herói.

São verdadeiros Robin dos Bosques que uns roubam, outros vendem aos ricos, uns ajudar, outros para dar alegria aos pobres.

 

De facto a “teoria da provocação, usada com calculismo, inteligência mediática, com  maquilhagem prévia, para que o rosto saia bem nas filmagens, directas ou indirectas, contribui para manter o “actor” no centro das atenções.

O provocador  como não se consegue afirmar pela positiva, porque ou faltam argumentos ou capacidade de diálogo, usa o jogo do gato e do rato, procurando afirmar-se pela negativa, o objectivo é colocar-se no centro, ser o sol à volta do qual tudo gira – “Je suis le roi”.

Uma boa provocação até, de facto, pode dar uma boa manchete.

     

O «Rostos» e o Google

 

Encontrei, hoje, ao fim da tarde, num café, um leitor do jornal «Rostos» que comentou: “Então, o jornal «Rostos» deixou de aparecer nas notificações do Google”.

Disse-lhe que sim – “Foi há cerca de um ano. Sei mais ou menos a data que isso começou. São coisas de algoritmos.”, disse-lhe.

“São coisas que acontecem”, comentei. Sorri.

“Eu continuo a ler o Rostos todos os dias. Só que gostava de receber as notificações”, sublinhou.

Registei. É isso que dá prazer, o jornal «Rostos» tem leitores. Obrigado.

 

Sou leitora há muitos anos

 

Fui um destes dias à Penalva. Quando entrei na Colectividade uma senhora dirigiu-se a mim – “Você é do jornal Rostos?». Interrogou. Disse-lhe que sim. Sou vossa leitora diária há muitos anos.

Agradeci e fiquei feliz. Afinal há quem leia o jornal «Rostos», com notificações, ou não, do Google.

 

Pronto, por hoje, fico por aqui, um abraço, do vosso  irreverente,  

 

António Sousa Pereira

Barreiro é uma terra onde «em cada esquina há um amigo» O cravo simboliza o nosso coração

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Hoje, pela manhã, participei no programa «Histórias Vividas e Contadas do 25 de Abril», numa iniciativa que decorreu na Escola do Ensino Básico nº 7, na Verderena.

Há vários anos que sou convidado para, nestes dias de Abril, conversar com alunos sobre essa data memorável que se escreve com a palavra Liberdade.

Ali estava de novo, frente a 23 alunos, com idades entre os 9 e 10 anos.

Comecei por dizer que mais que conversar com eles sobre o que foi o dia 25 de Abril, gostava que eles sentissem e conhecessem o significado do dia 25 de Abril, nos dias de hoje.

Levei comigo um cravo. Coloquei o cravo junto ao meu coração e disse-lhes que era ali, no coração, que cada um de nós tinha que sentir o 25 de Abril, nos dias de hoje, este cravo é o nosso coração a bater, e, perguntei-lhes se estavam a escutar o que ele dizia, quando está a pulsar dentro do peito.

Tentem escutar. Eles colocaram as mãos no coração e, suavemente, começaram, baixinho, muito baixinho, comigo a sentir e a escutar a voz do coração que dizia: “Liberdade. Liberdade. Liberdade”.

Repetiam todos, em coro ténue, suavíssimo, aquele som que nascia de um cravo a bater no coração : Liberdade! Liberdade! Liberdade!

 

É este o significado do 25 de Abril nos dias de hoje, foi isso que nos legou, esse direito de podermos ser homens e mulheres livres, com direitos e deveres. A Liberdade é o sangue da democracia, disse-lhes.

Recordei-lhes o que era Portugal, antes do 25 de Abril, um país em guerra, um país com censura na imprensa, um país onde não existia democracia, Fui explicando, de forma simples, com exemplos diversos. Eles perceberam. Escreveram frases e fizeram desenhos, no decorrer da conversa, num pequeno livrinho, que foi passando de mão em mão, onde, afirmaram, por palavras deles, que – 25 de Abril é Liberdade! 25 de Abril é Amor!

Porque Abril é uma palavra que começa com «A» de amor e termina com «L» de Liberdade!

Sim, no meio está o «B» de Barreiro. Cantámos a Grândola Vila Morena. Eu disse-lhes: «Vocês já reparam nos vossos dias, que o nosso Barreiro, é uma terra onde, ‘em cada esquina há um amigo’.» Somos uma terra pequenina onde quase todos nos conhecemos.

Um ergueu o dedo e disse: “É verdade, eu no domingo fui ao cinema ao Forum e encontrei lá um amigo”.

Outro disse, todo feliz: “Eu fui ao Parque do Barreiro. Ali, ao voltar uma esquina, é verdade, encontrei um amigo”.

Nós somos amigos. Na nossa rua temos amigos.

Então, falamos que o 25 de Abril, também é importante, nos dias de hoje, para que exista amizade. Ser amigos nas diferenças. Respeitarmo-nos uns aos outros.

 

“O cravo simboliza o nosso coração”, é uma das frases escritas no caderno que, disse-lhes : “vou guardar este caderno, para ler as vossas palavras quando o 25 de Abril celebrar 50 anos.”.

Espero que, também eles, festejem os 50 anos do 25 de Abril e, também, que comemorem o 25 de Abril nos 900 anos de Portugal.

É este o meu país, que pulsa, com um cravo no coração.

Somos um país lindo, dos mais antigos do mundo, com uma das línguas mais faladas pela humanidade.

Eles gostaram da conversa. Alguns acompanharam-me até ao portão e abraçaram-me. Senti a vossa ternura a bater no meu coração. Obrigado!

Não esqueçam, Abril está vivo no nosso coração: BOM DIA!

 

António Sousa Pereira

Imaginação é mais que percepção!

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As palavras colam-se nos nervos,

saltitam pelas veias dos neurónios.

derrubam os muros da intolerância,

vestida de democracia e Liberdade.

 

Sinto o ar ofegante rasgar a solidão,

no colorido de palavras sufocadas,

cravos a florir na calçada do poder,

respiram no silêncio e são esperança.

 

Com azul a brilhar neste dia de Abril,

pinto uma tela de cânticos em chama,

a psicose que abre caminho à neurose.

 

Penso Freud! Penso Marx! Penso tu!

E tu, não és a Liberdade, a Liberdade,

és tu, sou eu, somos todos, somos nós!

 

E por isso Liberdade se escreve Abril,

que dá esse direito de escolher, decidir,

ser insubmisso ao senhor do metal vil!

 

Penso Freud! Penso Marx! Penso tu!

Penso a loucura por dentro do nervos,

onde imaginação é mais que percepção!

 

Acredita!

 

António Sousa Pereira

25 de Abril de 2019

Sinto que és tu Liberdade!

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De cravo ao peito, nariz eriçado ao vento,

dedo em riste apontado ao negro da noite,

canta-se democracia e liberdade em Abril.

 

Meu coração explode em lágrimas de sangue,

estendo o meu braço aos homens e mulheres,

esses que rasgaram os caminhos na escuridão.

 

Fico em silêncio com palavras cravadas no olhar,

perco-me na memória no resistir, fazer, agir, ser,

sinto Abril florescer numa festa de todas as cores.

 

Tempo de sonho. Tempo de memória. Aqui Abril.

Aqui Barreiro. Tempo de festa. Tempo de Amor.

A cidade que se escreve com a palavra Liberdade.

 

Escuto os sons da memória. A Grândola emoção.

Vozes em eco erguendo o cravo que nasce no peito.

Barreiro erguido afirma a sua luta pela Liberdade!  

Sinto que és tu Barreiro!

Sinto que és tu Liberdade!

 

António Sousa Pereira

25 de Abril de 2019

Beijo nos lábios vermelhos de Abril – o sabor da palavra Liberdade

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Nestes 45 anos de Abril, hoje, não vou recordar o 25 de Abril de ontem, quero afirmar o 25 de abril de hoje, aqui e agora, nesta terra, que não é minha, mas que é a terra dos meus filhos, onde, nos tempos idos, na noite escura descobri o sentido da palavra Liberdade.

Recordo, por exemplo, nos anos 90, quando na minha actividade profissional, numa das actividades marcadas para as comemorações do 25 de Abril, uma iniciativa era uma conversa sobre o 25 de Abril, tendo como convidado José Saramago. Quando falei ao telefone com o escritor, convidando-o para uma conversa no âmbito do 25 de Abril, ele respondeu que não vinha, porque estava cansado de conversas sobre o 25 de Abril.
Então, disse-lhe que o tema da conversa era :”O sabor da palavra Liberdade”.
De imediato, José Saramago respondeu – “podem contar com a minha presença”.
Gostou do tema. E marcou presença no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, onde falou “sobre o sabor da palavra Liberdade”, conversa que, pelo facto de ter sido gravada, foi, posteriormente editada num brochura, e, se fosse escutada, nos dias de hoje, era muito actual. Um dos temas centrais da conversa foi a Europa.

 

Recordo isto, apenas para dizer, isso mesmo, que hoje, neste ano de 2019, 45 anos após o 25 de Abril não quero falar do passado, porque esse passado não deixou saudades, desse tempo o que fica na minha história e na história de todos nós, é, essa herança que, afinal, continua presente, e, escreve-se com a palavra «Democracia» e vive-se com a palavra «Liberdade».

Foi isso que sugeri a José Saramago, conversar sobre o «sabor da palavra Liberdade», essa liberdade que beijo nos lábios vermelhos de Abril – o sabor da palavra Liberdade, que pulsa no coração, aí, onde floresce a energia que dá vida à vida.

 

A nossa responsabilidade individual, neste 25 de Abril do século XXI, é sermos, cada um de nós, um pássaro Colibri, que transporta no bico a gota da Liberdade, para apagar as chamas do ódio, da intolerância, dos estigmas.
A nossa responsabilidade é sermos capazes de olhar por cima, como pássaro que voa e mantém em atitudes, em acção, no fazer, esse valor recebido naquela madrugada de Abril – a Liberdade!

Não há Liberdade sem tolerância.
Não há Liberdade quando se cultiva o ódio.
Não há Liberdade quando em vez de discussão há ilusão.
Não Liberdade quando a publicidade é quem define as regras da felicidade.

 

Não há Liberdade quando os tais três “Dês» que deram dimensão politica ao 25 de Abril, não se afirmarem como linha de pensamento politico e modelo de gestão da polis.
Quando olho para trás sinto que esses três dês, felizmente, com erros e virtudes, foram cumpridos e continuam a ser uma linha de acção para fazer futuro.

O «dê» de Democracia, que está viva, porque democracia é confronto de diferenças, debate de ideias, afirmação de valores, lutar por aquilo que se acredita. Ela está aí é preciso dar-lhe força.
Sim, é verdade que há quem em nome da democracia espalhe o ódio à democracia, cultive a afronta e o populismo. Isso é a luta pelo poder, apenas pelo poder, esse poder que se conquista com outdoor’s, marketing, ilusões, floreados, inimigos de estimação. Mas, isso, até o mundo está a viver experiências dessas.

 

O «dê» da descolonização. Foi cumprido. Portugal voltou a dar novos mundos ao mundo. E, nos dias de hoje´, é essencial valorizarmos a multiculturalidade e a diversidade como elementos de enriquecimento da comunidade. Somos essa terra feita de muita gente, vinda de muitos lados. 

 

O «dê» do Desenvolvimento, só a má-fé, o populismo fácil, o ódio pode negar como Portugal se transformou e evoluiu após o 25 de Abril, como, de facto, em cada cidade, graças à acção do Poder Local as terras sofreram profundas transformações e melhorou a qualidade de vida.
Ainda muito está por fazer, mas havia tanto caminho para andar. Basta olhar para trás e sentir.

É por tudo isto que, não quero falar do 25 de Abril de ontem, quero falar do 25 de Abril de hoje, que se pode escrever com a palavra «Braamcamp», em tudo o que uma discussão séria sobre este tema pode motivar para viver cidadania e fazer cidade.

 

Que se pode escrever com a palavra «Alburrica», com tudo o que a vida real nos pode motivar a sentir e ter percepção da cidade que somos, essa feita de passadiços e de moinhos, de praias, de destruição e de renovação, num reencontro constante entre o que fomos e somos. Porque a cidade é de todos e para todos.

 

Que se pode escrever com a palavra Barreiro, terra que está inscrita na memória de um país que morreu no Tarrafal, foi silenciado em Peniche ou Caxias, e, sempre foi exemplo de resistência e amor à Liberdade.
Esse Barreiro feito por homens e mulheres forjados na luta, que, honraremos, se soubermos manter viva nesta terra a chama da Liberdade e o saber da Democracia.


Hoje e aqui, enquanto os meus braços o permitirem, cá estarei, com o meu pequeno contributo, procurando, neste mundo onde as ideias são subvertidas por slogans, onde os valores são calibrados por spots publicitários, em cada dia, manter viva uma voz que dê voz aos silenciados.
O meu pequeno contributo neste mundo, de populismo em crescendo, onde o importante é parecer, é, afinal, tal como o Colibri, procurar ser uma gota de Liberdade e Democracia, que são o contrário do ódio e da arrogância.

Agora, na verdade, espero nos 50 anos de Abril, estar cá e continuar a cantar a Liberdade e a viver Democracia.

 

António Sousa Pereira

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