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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Uma terra onde as pessoas não podiam falar

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Eu estava sentado na mesa. Ao lado tinha o meu cravo de Abril. Ao meu lado brincava uma menina.

Hoje andei com o cravo de Abril ao peito. Há alguns anos que não colocava o cravo de Abril ao peito, limitava-me a andar com ele na mão. Coisas que decidimos. Esta decidi, um dia, naquele que optei por fazer do meu coração um cravo de Abril, no qual quero que pulse sempre a Liberdade.

Hoje andei com o cravo ao peito, porque a Regina Janeiro, num impulso, ali, no decorrer do içar das bandeiras, na extinta Junta de Freguesia do Lavradio, dirigiu-se a mim e colocou-me o cravo na lapela do casaco. Sorri. E, assim, de novo, por este mero acaso, lá andei com o cravo a palpitar no meu peito, florindo como um grito.

 

Mas, regressando ao início, eu estava, ali, sentado na mesa, com o cravo ao meu lado. Uma menina brincava por ali, sorrindo. A Inês de 6 anos. Parou. Olhou o cravo e tocou nele.

Perguntei-lhe: Sabes que flor é esta? Sabes porque tenho esta flor?

Ela, pegou no cravo e disse-me: “Há muitos milhões de anos, havia uma terra onde as pessoas não podiam falar. Até que um dia, uma senhora colocou uma flor numa arma dos soldados. A partir daí as pessoas puderam começar a falar e dizer tudo uma às outras.”

 

Foi esta a história que a Inês, de 6 anos, me contou, hoje, 43 anos após o 25 de Abril. Peguei no meu cravo e juntos de cravo nas mãos fizemos um “selfie” que vou guardar.

Para recordar esta história de uma terra, onde, há “milhões de anos”, as pessoas tinha medo de falar, eram presas e perseguidas por terem opções politicas diferentes do senhores do poder, e, num dia de Abril, com cânticos a rasgar a noite e flores a sangrar nas armas, sentimos chegar esse dia de chamas, gritos e sorrisos, numa energia tão forte e tão linda, que ficou inscrita no coração.

Aquele dia que anunciou o fim da guerra colonial, o fim da censura, a Liberdade a voar, voar, em cânticos de gaivotas.

Sim, Inês, foi há 43 anos, parece que foi ontem e pode ter sido mesmo isso uma epopeia com milhões de anos, todos esses que fazem a história da humanidade – um permanente caminhada que se diz e faz amor à Liberdade.

 

Obrigado Inês. E, não esqueças, é isso o 25 de Abril, uma flor que deves colocar no teu coração para que a Liberdade seja sempre um espaço aberto que nos permita conversar, conversar, dialogar, construir…viver, voar, crescer!

 

António Sousa Pereira

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