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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

TESFAL - Teatro de Ensaio da SFAL estreia « A menina Feia» A vida vale pelas aparências ou pelos seus valores reais?

O Grupo de Teatro TESFAL - Teatro de Ensaio da SFAL, estreou a peça ‘A Menina Feia’, de Manuel Frederico Pressler, com encenação de Lurdes Sales. 

O TESFAL está de parabéns. A Lurdes Sales está de parabéns. Gostei da peça, pelas interpretações sóbrias, num contexto de grande exigência teatral, pela encenação que supera a contextualização do texto, pelo riso e pelo calor humano.

 

“Afinal, o que é a beleza? Quantas vezes nos deixamos enganar pelas aparências? E o amor? Que sacrifícios estaremos dispostos a fazer pelo "verdadeiro amor"?” – são perguntas colocadas pelo Grupo de Teatro Palha de Abrantes, no seu programa, quando levou à cena a peça ‘A Menina Feia’.
“Estas são as questões que alimentam "A Menina Feia", de Manuel Frederico Pressler , onde assistimos a uma galeria de personagens únicas que dão corpo a situações caricatas, por vezes hilariantes, que, embora provoquem o riso, não deixam de nos fazer pensar...”- refere o grupo Palha de Abrantes.
Subscrevo integralmente estas perguntas e estes comentários, porque, de facto, são reflexões que traduzem as interrogações que coloquei a mim mesmo ao ver a peça, e o sentimento que recolhi no final do espectáculo.

Diverti-me. Interroguei-me. Senti a actualidade do tema, a intemporalidade das interrogações. De facto, hoje, tal como antes do 25 de Abril quando esta peça esteve em cena em Lisboa, temos consciência que existe um mundo real e um mundo feito de aparências. E, cada vez mais, sentimos, que neste aspecto, pouco ou nada mudou. 

Ainda recentemente esta peça passou na RTP Memória, num registo que contou com a participação de Laura Alves, Costinha e Irene Isidro no elenco, de que também faziam parte Paulo Renato, Henrique Santana, Henrique Viana, Nicolau Breyner, Henrique Santos, Alma Flora, António Marques, Lia Gama, Irene Cruz, Luís Horta, Helena Vieira e Maria Candal.
Que por acaso tive oportunidade de ver, até porque tinha conhecimento que este era o trabalho que o TESFAL estava a encenar. 
Pensei que este era um grande desafio que o TESFAL estava a abraçar. Uma grande responsabilidade. 
Por esta e outras razões estava com muita curiosidade de saborear esta peça do TESFAL, tanto mais que, todos sabemos, num grupo de teatro de amadores, levar um espectáculo a cena é sempre fruto de um trabalho árduo, dedicado e de grande persistência e amor ao teatro.

Esta é uma peça muito exigente no plano da interpretação, porque o texto é elemento estruturante e a acção dos actores em cena é decisiva para o sucesso do espectáculo.
O teatro, como diz António Pedro, que nunca esqueço, é “arte no espaço”. Uma peça é fruto de um trabalho de equipa, cada personagem tem uma razão e contribui para o desenvolvimento do contexto dramático e o «drama» sociológico.
Criar uma personagem exige autenticidade, sentir e viver o papel. E neste registo, nesta peça do TESFAL, quero sublinhar que todos estiveram muito bem na interpretação.
Para aqueles que pela primeira vez estiveram em palco, de registar a capacidade expressiva, com alguns registos vocais a trabalhar, mas, sublinhe-se não colocaram em causa a dinâmica da peça.

Para aqueles que já são repetentes, demonstraram todos uma evolução, cresceram como actores, viveram com intensidade os seus papeis e deram força ao texto e à-vontade às suas personagens com perfeita segurança no palco. Estão todos de parabéns.

Quero, no entanto, registar, muito particularmente, a interpretação genial de Sandra Chambel, no papel de Gilberta «A Menina Feia», que viveu a personagem de forma viva, com expressividade, com perfeita dicção, nos dois momentos de caracterização diferenciados, e com intensidade, com a eloquência do seu corpo, naquele momento de silêncio e transformação.

O quadro da mudança de «personalidade» da «menina feia» é diga-se um momento na peça de criatividade ao nível de encenação, com dimensão estética, dando ao contexto da estória, uma visão que supera a visão de quem olha para o texto como uma mera estória de cinderela – ali a personagem assume a dimensão humana, plenamente humana, da pintura, da escultura, da poesia, da nudez… do amor.

O envolvimento dos actores com o público, no arranque da segunda parte do espectáculo, é, também, uma forma de colocar os espectadores em cena, dando autenticidade e actualidade ao tema da peça – este é o mundo real, o teatro é a vida.
A sonoplastia com as pequenas falhas registadas, e a iluminação, com os recursos existentes, são contextualizadores e estão equilibrados. 
O enquadramento de abertura e fecho da peça – com dança - são duas notas coerentes que permitem sentir como o teatro, para além do texto, é invenção, arte no espaço, com registos de musicalidade e dinâmicas estéticas.

O TESFAL está de parabéns. A Lurdes Sales está de parabéns. Gostei da peça, pelas interpretações sóbrias, num contexto de grande exigência teatral, pela encenação que supera a contextualização do texto, pelo riso e pelo calor humano.
E, também, porque este texto deixa aquela pergunta no nosso coração: A vida vale pelas aparências ou pelos seus valores reais? 
É assim, as estórias e os textos, podem ser sempre interpretados, do ponto de vista onde nos colocamos, mas, pessoalmente, desde que, um dia, li Bruno Bettelheim, na sua obra «Psicanálise dos Contos de Fadas», aprendi a descobrir, que há mais estórias, por dentro das «histórias de carochinha».
A peça vai voltar a cena em Fevereiro, e vai marcar presença no Mês do Teatro, promovido pela Câmara Municipal do Barreiro.

António Sousa Pereira

Sinopse 

Uma jovem procura emprego na empresa do homem por quem está apaixonada, no entanto, este, por considerá-la feia, recusa prestar-lhe atenção. 
Uma transformação, ao estilo dos contos de fadas, vai fazer com que ele finalmente repare na ‘menina feia’…

Ficha Técnica

. “A menina Feia” , de Manuel Frederico Pressler 

. Encenação e adaptação do texto – Lurdes Sales 

. Cenografia – Elias Guerreiro e António Pequito

. Luz e Som – Marta Pequito, Ivo Almeida, Vítor Batista 

. Figurinos e Adereços – TESFAL 

. Caracterização – Luisa Reis 

. Interpretação – Paula Vilela, Pedro Vilela, Rui Pinto, João Noronha, Ruben Sequeira, António Pequito, Ana Martins, Lurdes Sales, Filipa Miguel, Sandra Chambel, Mário Guedes, José Miguel, Luisa Miguel 

. Design Gráfico – Cartaz e Programa – Alexandra Antunes

. Fotografia – Marta Pereira

Sobre o Autor

Manuela Frederico Pressler nasceu em Lisboa em 1907. Fez a sua estreia como autor dramático em 1942, com a peça ‘Horizonte’, seguindo-se ‘Labirinto’. As suas facetas de autor integram obras dos mais diversos géneros, desde a alta comédia, à farsa e ao drama histórico.
‘A Menina Feia’ foi considerada a sua peça de maior êxito, tendo sido apelidada na altura, pela crítica, como uma «comédia brilhante, pelo desenvolvimento do tema e pela agilidade e elegância do diálogo». 

A peça «A Menina Feia» é uma produção TESFAL/SFAL, com o apoio da Câmara Municipal do Barreiro e União de Freguesias do Barreiro e Lavradio.

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