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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Há acontecimentos que rasgam a memória do tempo

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O tempo corre, passa pelos dedos como areia que se esvai. Vivemos o tempo entre emoções, vivências, agindo, ora nos acontecimentos, ora parando para sentir e escutar os movimentos da vida.

Quando paramos e recuamos no tempo, mesmo este que foi ontem, encontramos as memórias de dias que forjámos. Esta semana que findou, partiu o meu amigo Tomé, inesperadamente, e, com a vivência das emoções da sua partida, muitas memórias rasgaram o pensamento, de tempos vividos numa azáfama semanal de produzir informação, fazer noticia, dar vida à cidade, aqueles dias que nunca irei esquecer que vivi – uma experiência única – no extinto «Jornal do Barreiro», quer como Chefe de Redacção, quer como Director.

O Tomé era uma peça na máquina administrativa, um homem dedicado, que vivia com uma intensidade enorme a produção semanal do jornal, um rosto que marcou todos que por ali viveram, os dias de fazer jornalismo regional, quer pela sua humildade, quer pelo seu imenso saber acumulado. Aqui o recordo. Até sempre Tomé!

 

No Dia da Cidade – 28 de Junho – vivi aquele momento, que vou guardar para sempre, da entrega da distinção «Barreiro Reconhecido» à SFAL- Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense, a Colectividade que abriu as portas para me integrar nesta comunidade, que adoptei como minha terra, que não é minha, mas é a terra dos meus filhos.

A SFAL faz parte da minha vida, ali exerci os mais diversos cargos associativos, na presidência da Mesa da Assembleia Geral, da Direcção, do Conselho Fiscal, membro da Comissão Cultural, Director do jornal «O Cachaporreiro», nela descobri a vida, na diversidade de relações humanas, nas amizades, nas adversidades, no amor, na solidariedade, nas invejas, foi para mim uma grande escola de vida e de cidadania.

Vivi, ali, momentos que nunca irei esquecer e sinto um grande orgulho e, porque não dizer, até vaidade, de fazer parte da sua história, de ter contribuído para escrever páginas da sua história, quer liderando equipas dedicadas, realizando obra e dinamizando actividades, quer, noutras circunstâncias ajudando outros quando lideravam a colectividade, dando sugestões, fazendo propostas, lançando desafios, sempre, mas sempre, não tenho qualquer dúvida, numa total e plena lealdade e solidariedade.

A SFAL este ano assinala os seus 150 anos, uma efeméride que lhe dá a dignidade de ser a mais antiga colectvidade do concelho do Barreiro.

A entrega da distinção «Barreiro Reconhecido» à SFAL, no Dia da Cidade, foi, sem dúvida um gesto que todos aqueles que viveram momentos que guardam na memória naquela casa, e, todos que contribuíram para lhe dar vida e a manter viva, sentem reconhecidamente. É uma distinção a todos os homens e mulheres, famílias inteiras, que durante todo este tempo viveram a SFAL e continuam a viver a SFAL.

Tenho orgulho de ser Sócio Honorário da «Velhinha». Tenho orgulho em fazer parte da sua história.

Repito, ali, aprendi a viver cidadania, ali, aprendi o que é gratidão e ingratidão, ali vivi alegrias e tristezas, ali aprendi a receber elogios e calúnias, ali, vi crescer os meus filhos e os filhos de outros. Ali teci laços de amizade. Esses é que contam, o resto são as escórias da vida.

Obrigado SFAL por tudo que me permitiste aprender sobre o ser humano e sobre a vida, por tudo que de ti recebi, por tudo o que te dei de forma voluntária e apaixonada, porque ser associativista – é dar e receber, é ter direitos e deveres. Vivi assim, sempre, a vida associativa e isso dá-me uma grande vaidade e orgulho.  

Parabéns SFAL!

 

É isto na vida, por vezes, há acontecimentos que rasgam a memória do tempo. Este tempo que vivemos. E, cada um de nós, quando olha para o tempo e sente o tempo por dentro de si, é, aí, na verdade, que sente a tranquilidade de estar bem consigo e recordar – o bom e o mau – que faz a vida, essa que construímos com os nossos actos, porque a vida são os nossos actos e não as nossas palavras.

Os nossos actos, de facto, só cada um de nós os sabemos e são eles que nos dão serenidade nos dias e nos fazem viver o presente e sonhar futuro.

 

António Sousa Pereira

 

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