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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

É preciso nunca desistir!

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Um destes dias vi um programa, na TVI, que abordava o tema de «assédio moral». Era referido que em Portugal serão cerca de 350 mil pessoas que são afectadas por esta realidade nas suas vivências quotidianas – empresarias ou sociais.

São, por exemplo, aquelas pessoas que, sem mais nem menos e sem qualquer justificação, são retiradas, de um momento para o outro, do seu posto de trabalho e da sua função. Apenas porque sim…

São aquelas pessoas que são colocadas num qualquer gabinete, ali, sem trabalho, apenas para consumirem o tempo e no fim do mês receberem o seu ordenado, em silêncio, porque precisam de sobreviver.

São aquelas pessoas que apresentam propostas e projectos às suas chefias e, nem respostas lhes dão, mas, depois, de súbito, essas propostas surgem com outros rótulos, para serem realizadas por uma qualquer assessoria, bem remunerada. E o autor sabe e sofre em silêncio.

São aquelas pessoas a quem lhes é negado a distinção, normal de tempo de serviço, que todos recebem, mas a elas é negada, apenas porque sim, como forma de as inferiorizar e afectar a sua dignidade.

São aquelas pessoas a quem são atribuídas funções, apenas para que tenham alguma coisa para fazer, mesmo que insignificante e que, em nada, correspondem à sua função ou méritos de uma vida que dedicaram à empresa. Um castigo. Assim como quem lhes diz – “o teu ciclo de vida acabou nesta casa”.

São aquelas pessoas a quem lhes é retirada qualquer hipótese de construir futuro, levando-os á degradação psicológica e motivando-os a desistir da vida e dos sonhos.

São aquelas pessoas sobre quem é exercido um autêntico terrorismo psicológico, acusando-o, de complexos de perseguição e descriminando-o de direitos e de dignidade humana.

São aquelas pessoas a quem se dá um grande gabinete, com muito espaço, mas a quem se filtra tudo de forma que se sinta inútil.

São aquelas pessoas, até, sujeitas a ameaças e agressões por parte de esbirros ao serviço da entidade empregadora.

São aquelas pessoas sobre as quais se inventam inverdades, que são piores que mentiras, forjam-se calúnias. Inventam-se factos. Destruição de carácter.

 

É tudo isto, e muito mais aquilo que, nos dias de hoje se define como “assédio moral”, considerada uma situação muito grave. Mas que, de facto, aqueles que a elas estão sujeitos, hoje, como ontem, calam-se e aguentam, aguentam porque, nestas situações, mais que viver é preciso sobreviver .

Escutava o programa e sorria. Limitava-me a sorrir.

Pensava na paz e na guerra. A paz interior que dá um sentir sereno aos agredidos por assédio moral. A guerra interior que é, afinal, o estado neurótico que agita a consciência do agressor porque não consegue derrotar e isso incomoda.

 

E, no final, conclui, que todas as pessoas que vivem ou viveram situações desta natureza, conseguirão sempre sobreviver e sonhar futuro, se, acima de tudo, nunca desistirem de acreditar na vida.

É verdade, o limite do aguentar, só surge quando se começa a deixar de acreditar na vida.

Isso marca. Isso dói. E, por muito que se queira, mesmo superando as situações, as marcas do assédio moral, ficam sempre a marcar a personalidade e inscrevem-se na vida.  

Para saltar em frente, é necessário todos os dias, sim, todos os dias, ao acordar, olhar o espelho e gritar bem alto: Bom Dia!

Sentir o sol e sorrir. Ser feliz com a doçura dos nervos, assim, como quem vive Abril em Maio.   

Viver o dia. Acreditar no dia…porque, afinal, acreditem, está provado, o futuro dá sempre razão aos que nunca desistem de lutar e só é derrotado quem desiste dos seus sonhos!

É preciso nunca desistir!

 

António Sousa Pereira

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