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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

É por isto que gosto de viver aqui…

Na escola da vida, aquela que nos ensina e nos faz descobrir os valores que guiam os nossos dias, tenho como referência duas vivências que ao longo do tempo vivido influenciaram a minha forma de estar e ser – as experiências na vida associativa e as experiências na vida cooperativa.

Uma das principais lições destas duas experiências foi aprender a viver com as diferenças, cultivar o respeito pelas diferenças e viver uma cultura de partilha e solidariedade.

Foi esta riqueza humanista que, afinal me permitiu, nas circunstâncias, mais diversas, ao longo do tempo superar, contextos e adversidades. Saber qual o meu lugar no mundo.

 

Recordo isto, hoje, que são assinalados os 150 anos da aprovação do primeiro Código Cooperativo, como refere num artigo o meu amigo Dourado Mendes, aliás, homem com quem partilhei momentos inesquecíveis, que guardo nas minhas vivências associativas, principalmente, aquele 1º Congresso das Colectividades de Cultura e Recreio, após o 25 de Abril, no ano de 1992, em Almada. Que riqueza foi, na verdade, para mim, ter integrado a Comissão Organizadora e ter vivido por dentro os bastidores de um evento desta natureza de âmbito nacional. Aprendi.

 

O associativismo e o cooperativismo ensinaram-me a estar, na acção quotidiana, lado a lado, a trabalhar por objectivos comuns, com pessoas de diferentes opções politicas, religiosoas ou sociais – valorizar a vida da comunidade, construir um mundo melhor - sem abdicar das minhas ideias e valores.

É por isso que, sinto algum nervosismo, passageiro, quando escuto ou vejo alguns protagonistas, ao defenderem o que consideram melhor para a terra onde todos vivemos e onde todos queremos viver, que todos dela gostamos de uma forma ou outra, por motivações diferenciadas, achem necessário cultivar o ódio, promover o rancor, para atingirem os seus objectivos ou se colocarem como os verdadeiros defensores de um projecto que vai transformar a vida e mudar o futuro.

 

Viver em comunidade é viver com as diferenças. A democracia é a cultura das diferenças, faz-se no respeito pelas diferenças. A democracia, aprendi, não é uma ideologia, é o terreno onde se forjam e confrontam as ideologias, no respeito pelas diferenças. Não há democracia sem o respeito pelos outros, sem aceitar as escolhas dos outros, mesmo que essas não nos agradem, foi isto que aprendi na vida associativa e no cooperativismo.

Uma cultura de Liberdade. Uma cultura de gestão democrática. Uma cultura de solidariedade. Uma cultura de comunidade.

 

Tenho vivido de forma intensa estes anos de construção de democracia. Procurei, sempre, dar o meu contributo para fazer democracia.  

 

A história da humanidade dá-nos grandes lições. Podem existir valores. Mas há o ser humano, esse que, em nome de valores – da razão ou da fé – na prática, muitas vezes, destrói sonhos. Mata. Tortura.

 

É por isso, que a minha experiência associativista e cooperativista, foi para mim de grande importância, porque aprendi no fazer quotidiano, a viver com o ser humano real, em todas as suas dimensões – do ser, do estar, do parecer, do fazer, da solidariedade, do egoísmo, do amor, do ódio, do elogio, da calúnia, da invenção, da destruição, da manipulação, da amizade, da inimizade, da vaidade, da inveja, da entrega plena, do servir, do enganar, do retirar, do criticismo, das intrigas, dos sonhos, dos projectos, do construir, do errar, do dar, do receber, isto, e tanto mais, vivi, muitas vezes, senti e aprendi, reconhecendo que tudo isto é apenas isso - o ser humano real, tão real, como é a vida.

Muitas vezes senti na pele – invenções, calúnias, algumas gostava mesmo de responder, olhos nos olhos. Mas optei, sempre por ignorar, esquecer e, até, perdoar!

Tudo isto a propósito dos 150 anos da aprovação do primeiro Código Cooperativo em Portugal, em 1867, neste ano que foi fundada a SFAL, a mais antiga Colectividade do concelho do Barreiro. A minha escola de vida associativa.

Querem melhor escola de vida que aquela que nos faz descobrir e aprender a vida, com os nossos erros e virtudes?!

Hoje, passados anos, sinto que tive a felicidade de ter uma experiência de vida que me permite, olhar à volta e sentir que, afinal, com tudo de bom e de mau, nada há melhor que o ser humano para dar sentido à vida.

É por isto que gosto de viver aqui…uma terra que ao longo de décadas sempre se agitou, e, simultaneamente sempre foi conservadora – humana intensamente humana! Um laboratório de vida.

 

António Sousa Pereira

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