Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Apetece-me pensar a Avenida da Praia deslocalizada para o Mar da Palha

a5junho 021.JPG

 

Cada um de nós tem, sem dúvida, o dever de dar o seu contributo para legar ao futuro um mundo melhor, e, de facto, abdicar da nossa acção é não só abdicar de fazer futuro, mas, acima de tudo é abdicar de fazer presente.

Tenho procurado acompanhar e manter-me, dentro do possível, informado sobre esse projecto de construção do Terminal de Contentores do Barreiro, facto que, desde a primeira hora, todos sabemos é um negócio e que só avançara se existirem investidores privados disponíveis. Igualmente, também sabemos ou sentimos, que, também devido a negócios, desde a primeira hora, existem outros que não estão interessados que o projecto se concretize no Barreiro. Percebi isso no debate que assisti em Lisboa, na Ordem dos Engenheiros.

Termina hoje, dia 16 de Junho, o período de discussão pública do estudo de impacte ambiental.
Quando o mesmo foi disponibilizado de imediato surgiram as fotografias procurando dar uma visão da implantação do Terminal no território do Tejo, frente ao Barreiro.
Nunca tinha ficado com aquela visão, pelo que foi sendo apresentado, nas várias acções promovidas no período do governo PSD/CDS –PP.
Interroguei-me. E pensei: Adeus Avenida da Praia!?
Sou, sempre fui, um apaixonado da varanda do Tejo, hoje, Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita.
Adoro sentar-me por ali e beijar o Tejo com os meus olhos.

Por essa razão, interroguei Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, sobre o projectos que era referido no Estudo de Impacto Ambiental, ele, de forma convicta me disse: “Não é aquilo que nós defendemos. Achas que eu ia aceitar uma coisa daquelas”.
Depois, em conversa com o Vereador Rui Lopo, responsável pelo Planeamento, este proporcionou-me a visão que a Câmara Municipal do Barreiro vai defender no âmbito do Estudo de Impacto Ambiental, e, acrescentou-me que essa, também, é a visão do Governo liderado pelo PS.
Recorde-se que a construção do Terminal de Contentores do Barreiro está inserido no Plano Estratégico Portuário, apresentado pela Ministra do Mar do Governo PS.

Rui Lopo, salientou que o Estudo de Impacto Ambiental não é o projecto de construção do Terminal de Contentores, visa apenas clarificar e definir se existem, ou não, condições para a implementação do projecto.
Quanto à construção essa será a fase seguinte que irá desenvolver-se em duas fases. Numa primeira fase o porto terá os seus limites, aproximadamente, na zona frente ao Clube de Vela do Barreiro, nascendo uma área de ligação ao rio com uma faixa de cerca de 200 metros que vai criar uma zona verde e lazer de vivência pelo rio a dentro, um promontório que vai situar-se na zona que dá para o Mar da Palha.
Pelas explicações e informação que obtive, porque acredito que o Rui Lopo e Carlos Humberto gostam do Barreiro, senti que aquele projecto tem pernas para andar e poderá, efectivamente, ser o ponto de partida para que o território da Baía do Tejo, tenha um equipamento âncora que, finalmente, possa dar um contributo positivo para atrair empresas e fixar população no Barreiro.
O território da Baía do Tejo precisa de equipamentos âncora.
O Barreiro precisa de criar condições de desenvolvimento económico, estratégico e de futuro.
Para mim, de há muito que considero que aquela pérola - o território da Baía do Tejo – deve ser dinamizada e enquadrada no território do concelho e, até, defendo que o município devia fazer parte integrante do Conselho de Administração.
Ali é possível criar emprego, criar habitação, criar espaços lúdicos - culturais, recreativos e desportivos.

A discussão e a importância do Terminal de Contentores que, considero, em boa hora, o actual governo contemplou como projecto de interesse nacional, dando-lhe dimensão estratégica de âmbito nacional enquadrando-o no Plano Portuário, vai colocar o território da Baía do Tejo como de referência na AML, e, simultaneamente, por essa via, pode ser ampliada a sua ligação à cidade.
Acho positivo que neste contexto se defenda a deslocalização do Terminal Ferro-Rodo- Fluvial para aquela zona do concelho, com as devidas ligações ferroviárias.
Isto para mim é pensar futuro.

Depois, fica em aberto, a discussão da segunda fase de construção do Terminal, que aponta-se poderá avançar lá para o ano 2050.
Naturalmente, o projecto que for lançado nos dias de hoje irá condicionar e definir a construção da segunda fase. Mas essa é uma discussão em aberto, que certamente poderá entrar em fase de conceptualização, de forma séria e objectiva, no período pré- eleitoral das eleições autárquicas daqui a 4 anos e não nas actuais.

Agora, a discussão que por ai anda em voga, são meras subjectividades. Consta. Diz-se. Defendo. Vou defender. A exploração de emoções.

E, por aí, surgem todas a vozes, todas, num coro, que devemos preservar a paisagem da Avenida da Praia. Ela é linda e todos dela gostamos de beneficiar.
Uma discussão, afinal, feita apenas de subjectividades, como se diz nos tempos de hoje, todos os tempos têm palavras em voga, agora são «percepções».

É aqui, que, cá estou eu, feito visionário, recordei uma discussão que houve no Barreiro, pelos anos 80, quando se sugeria em termos de planeamento do território que toda a frente ribeirinha – a Avenida da Praia – fosse deslocalizada para a zona do Mar da Palha.
Permitindo à cidade fruir de toda aquela zona que em maré baixa é um imenso lodaçal.

Ocorreu-me isto ao pensamento, porque, afinal, durante décadas, a CUF foi comendo o rio, aterrando enormes fatias do Rio Tejo – onde está a FISIPE, a Tanquipor, a EDP. e onde estavam os Polios, o Zinco Metálico, toda aquela faixa enorme foi «comida» ao Tejo, para fins industrias.

Então, cá com os meus botões, pensava, e, se - lá para o ano 2050 ou 2080 - a cidade decidir aterrar toda aquela faixa frente à actual Avenida da Praia, criando nessa zona o maior parque urbano dentro do Rio Tejo, fazendo nascer uma nova Avenida da Praia junto ao Mar da Palha. Abrindo por ali uma zona de canais, de forma, até, criar um amplo lençol de rio frente ao actual Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita, onde podia funcionar uma enorme pista de remo, e, junto ao Clube de Vela do Barreiro, um amplo lago e uma marina.

Imaginem o que seria aquela ampla frente, hoje de lodo, sendo uma grande parque urbano, que ira gerar um enorme areal no mouchão que existe lá à frente, ligando-se ao Mexilhoeiro e Alburrica, criando a maior praia fluvial do Tejo.
Imaginem o que seria aquela ampla zona com canais naturais, para práticas de desportos como remo, a vela e passeios lúdicos e até uma marina, zonas verdes.
E a fechar essa zona verde, uma nova Avenida da Praia, na frente do Mar da Palha, a fruir toda a paisagem do Tejo,
Uma zona de fazer inveja aos Lisboetas, única, onde podiam ser criadas condições para equipamentos de restauração e desporto.
Uma zona verde que se ligava ao Mexilhoeiro, a Quinta Braancamp e Alburrica, criando uma área de atractividae turística de grande dimensão metropolitana, valorizando o Barreiro Velho e todo o território do concelho do Barreiro.

Estava nesta minhas deambulações visionárias.
E pensava, estamos nós a discutir hoje, de forma emocional, algo que poderá, eventualmente, nascer lá para 2050.
Mas, é uma discussão, em principio, vazia, porque os promotores do projecto, desde o governo PSD, passando agora pelo governo PS e a Câmara CDU, todos afirmam que a nossa Avenida da Praia no essencial vai manter-se nos próximos anos.
E, nisto tudo, ocorre-me que as emoções versus percepções são sempre, na verdade um bom argumentário eleitoralista e populista.

Estamos para aqui a discutir o sexo dos anjos e, fica esta minha reflexão visionária, já que toda esta discussão não passa de argumentos visionários.
Digam, lá se os barreirenses e os governos lá para 2050 ou 2080, acharem que esta minha visão é realizável e permite dar ao Barreiro uma a escala metropolitana, dando-lhe dimensão para se integrar na cidade de duas margens, atraindo Lisboa e Lisboa atraindo o Barreiro.

Se tudo isto de momento não passam de discussão de emoções. Para que serve todo este burburinho local?
Ah, é verdade, estão perto as eleições autárquicas!

E, afinal, porque termina hoje o prazo de discussão pública do Estudo de Impacto Ambiental, aqui fica esta minha reflexão.

António Sousa Pereira

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

COMUNICAÇÃO SOCIAL

AUTARQUIAS

ESCOLAS

EMPRESAS

BLOGUES DO BARREIRO

ASSOCIAÇÔES E CLUBES

BLOGUES DA MOITA

SAPO LOCAL

PELO DISTRITO

CULTURA

POLITICA

TWITTER

FACEBOOK ROSTOS