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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

As raízes da Liberdade

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Há dias muito importantes nas nossas vidas. Há momentos importantes nas nossas vidas. Há dias que guardamos nas nossas vidas.

Há dias que nos sentamos, silenciosamente, num lugar, ali, entre as flores e o rio, a olhar o céu azul e vagueamos por dentro dos pensamentos. Sentimos uma cascata de emoções.

Hoje, dei comigo, de novo a pensar por dentro dos dias, das coisas que fazem os dias. Pousei as mãos no rosto. Toquei os nervos. Há coisas que nos empurram para as margens da loucura.  

Penso. Se eu não tivesse valores, princípios, opções, dentro, bem dentro de mim, de certeza, sucumbia perante o snobismo intelectual, essa superioridade que dá origem ao bullyng egocêntrico e manipulador.

Mas penso e, como penso, sinto, sinto o cheiro de uma flor, olho o reluzir de uma vela, aqui, na minha frente, onde encontro o silêncio, esse silêncio construído com convicções, onde me recrio todos os dias – sorrindo.

Sei, convictamente onde estou, para onde vou, e, também sei, tudo, que exijo de mim, por isso, luto, luto com tenacidade, em todos os contextos, decididamente, contra os conformismos, na certeza que o direito à diferença é o meu primeiro passo na descoberta do ser um cidadão que ama a Liberdade.

A riqueza de uma sociedade reside nessa capacidade de cada um afirmar a sua cidadania, essa energia que faz de cada individuo uma força motriz catalisadora de renovação.

Quem constrói uma vida com base em convicções, em lutas, que já sentiu na pele, tantas e tantas vezes os predadores de circunstância, sabe, sim sabe, muito bem, que ser livre é ser homem de corpo inteiro.

Enquanto a vida o permitir, enquanto o direito à diferença e à indignação, enquanto acreditar que é possível vivermos no confronto e construirmos a vida em comum, cá estarei, para servir e não para me servir. Esta, afinal, é uma grande diferença que me dá energia  - vontade – para manter o meu rosto erguido, olhando o sol, cheirando flores e sorrindo, superando, todos os dias, os canibalismos morais.

Há dias importantes nas nossas vidas, hoje, é um destes dias, aquele que aqui escrevo, em silêncio de nervos. Sentindo as convicções no coração.   

É só para dizer, que não ando à procura de nada, mesmo nada, não tenho nada, nem quero ter nada, o meu desejo, é este, apenas este, que afirmo e acredito, esse de continuar esta caminhada, de cidadania e amor à vida. Ser feliz, fazendo e vivendo.

Quero contribuir, com o que conseguir, repito, com isso, apenas isso, ajudar, no possível a deixar este mundo um pouco melhor que o encontrei, e, aqui e agora, continuarei a lutar até aos limites pelo direito à diferença e pela democracia pluralista – as raízes da Liberdade.

 

S.P.

Um beijo a florir

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Quero matar saudades

dos teus olhos, iluminados,

entrar por dentro dessa brancura

de luar, perder-me no brilho

feito de platina, sentir  as palavras

que nascem a  florir, lentamente,

nas tuas pétalas cristalinas.

 

Quero matar saudades

dos teus olhos, coloridos,

sentir o ritmo da luz,

criar correntes de emoção,

uma cascata de lágrimas

sorrisos da natureza,

suavemente, num impulso

de cores, rasgando a noite,

tocando os nervos do dia,

sentindo teu nervo sensorial,

beijando tuas pálpebras, assim,

só assim, cristalizando instantes,

únicos, esses que somos nós,

– num beijo a florir no olhar! 

 

S.P.

O afecto

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Talvez porque é Primavera, com flores,

rasgando a vida de um colorido único.

 

Talvez porque ao sentir o teu abraço,

fraterno, os meus nervos cristalizaram.

 

Talvez porque mergulhei o meu olhar,

no vale do teu corpo feito esmeralda.

 

Talvez porque a vida, esta que vivemos,

tem instantes, que eternizam emoções.

 

Talvez porque para além do BES, da CGD,

dos puros que nada fizeram e falam, falam…

 

Talvez porque no Mediterrâneo, o eterno mar,

todos os dias a esperança morre feita criança.

 

Talvez por tudo isto, ao mergulhar dentro de ti,

ao sentir os meus dedos percorrer teus nervos.

 

Talvez por tudo isto, talvez, senti o afecto, ali,

nessa doçura do teu sorriso e senti – há  vida!

 

S.P.

TU

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Estás sempre presente nos dias,

no centro dos momentos, instantes,

viva nas memórias, essa energia,

que dá sentido ao viver e à vida.

 

Tu és refúgio, vento, calor, frio,

ternura, carinho, fogo, paixão,

energia, movimento, semente,

força, emoção, arma, canção.

 

Tu és esse principio feito verbo,

onde dor rima com amor, raiz,

que fecunda o ser, no sentir,

desejar, porque sonhar é amar!

 

Tu és feita de lágrimas e sorrisos,

de angústias, cravadas nos nervos,

dentro, bem dentro do que somos,

esse lugar onde nos encontramos.

 

Tu és feita do sangue que corre,

nos rios dos pensamentos, lutas,

multidões, onde somos muitos,

e, únicos na descoberta do ser.

 

Tu és essa certeza feita de sons,

que tocam, mobilizam, centelha,

que aquece, ilumina o sol, o luar,

abrindo vulcões donde jorram

lavas de amor, de amor, de amor.

 

Tu estás presente em todos os gritos

de tristeza, em todas as angústias,

és centro de todas as paixões,

semente de protestos e revolta,

cântico de hinos que emocionam.

 

Tu estás aí, presente, todos os dias,

florescendo, num abraço que cativa,

num beijo que toca os nervos,

numa espada que penetra as veias.

 

Tu estás aí, no meio da estrada,

nas paisagens verdejantes, no mar,

no alcatrão onde nascem flores,

mesmo nos dias, esses de silêncio,

quando os poetas são proibidos,

tu ressurges, renasces em verbos

mesmo estando gastos de revolta,

ou marcados de repetições inúteis,

tu emerges em sorrisos e lágrimas.

 

Tu, sempre tu, que nasces na vida,

a vida que nasce no amor, por isso,

tu estás aí, na vida e sempre no amor!

É na vida, no amor, nas paixões,

nas lutas, é aí, sim, que eu te sinto,

em abraços, beijos, memórias, tu,

que eu guardo no coração a sorrir!

 

E, hoje, neste dia, que é teu, quero,

sentir os teus nervos a tocar meu corpo,

carinhosamente, sentir-te minha,

apaixonadamente, porque só com paixão,

por dentro do coração tu és – poesia!

 

S.P.

Tranquilamente

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Hoje, ao meio da tarde, a caminhar para o final do dia, estava sentado ao sol, no meu terraço, ali, onde, por vezes, fico sentado, só para estar ali, sentindo o sol.

De repente uma borboleta cruzou o silêncio dos meus olhos. Olhei. Deslumbrei-me no colorido das suas asas. Na distância escutava o som da natureza, em trinados, melódicos.

O comboio  passou. O comboio passa todos os dias, à mesma hora, sempre, repetidamente. Ergui os olhos, como quem quer partir em viagem.

A borboleta pousou, delicadamente, no parapeito do muro . As asas sincronizadas em leves movimentos. O sol brilhava. A borboleta levantou vou e cruzou-se, na minha frente, entre mim e o brilho da luz solar, pintando o azul de cores garridas.

Senti o tempo, esvoaçando. Fechei os olhos. Mergulhei numa penumbra de cores, que emergiam nos raios que coloriam os meus pensamentos .  Abri  os olhos.  Estiquei os braços. Uma paz imensa percorria a brisa refrescante.

A vida a pulsar, serenamente. Não me apetecia fazer nada, apenas estar ali, sentado, pisando o sol com o olhar.

Tive a sensação de viver o tempo por dentro do tempo, o passado, no ritmo do comboio que se perdeu na distância. O presente no fluir das asas de uma borboleta. O futuro colorido por dentro dos meus nervos.

Senti que o passado teve ali, solenemente, o seu fim, porque o passado finda em cada instante que vivemos. Registei o presente a perder-se no silêncio das asas coloridas. E, por fim, senti  o futuro, sim, o futuro, esse futuro que falta cumprir, ali, sempre ali, à espera do fim, porque afinal, quer quieramos, quer não, o destino do futuro é sempre o mesmo do passado e do presente. Viver.

Nós, estamos sempre em cada presente a meio caminho, entre o passado e o futuro, envelhecendo e sempre que envelhecemos somos, de facto, mais passado e menos futuro. Vivendo.

É por isso, só por isso, que na vida o que vale é ter vida e sentir a vida, assim, sentindo-a, nem que seja apenas no voo colorido de uma borboleta, ela, que enche de cor o silêncio do nosso olhar e torna os dias mais belos. Vividos.

Hoje, ao meio da tarde, sentado ao sol, vi a vida passar nos impulsos que deram vida aos meus nervos. Tranquilamente.

 

S.P.

Sorrir…sorrir..sorrir.. .

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Uma menina, talvez de 12 ou 13 anos, lá ia, pela rua, saltitando, cantando, gesticulando, o mundo exterior, as pessoas que com ela se cruzavam não existiam, era ela, sorridente, feliz, dentro do seu mundo imaginário, seguia, cantarolando e fazendo movimentos de dança. Sorrindo. Sentia-se que vivia uma felicidade única e intransmissível. Olhei e também sorri.

A vida por vezes é isto, cada um faz nascer dentro de si um mundo imaginário, onde só ele se encontra consigo mesmo, gesticula, dança, sorri, diverte-se, uma vivência única. Até há, na verdade, quem transfira para a vida real esse seu imaginário querendo à força que o real se transforme no seu pensamento.

 

Há uma grande diferença entre ver o real, sentir o real, com todos os seus defeitos e virtudes, e, querer que esse real, com todas as suas insuficiências seja aquilo que impositivamente queremos que ele seja, por muitas voltas que demos, o real é o real, e a invenção do real imaginário, não é mais que a invenção do real imaginário.  A vida corre e faz-se com pessoas, reais, essas que são as cidades. Todas.

 

E, neste país, de tantas ficções, há, sem dúvida, muito espaço para a criatividade, invenção, ilusões.

Depois de ter vivido os anos da troika, deixei de acreditar em mundos perfeitos. O mundo é este, onde vivo, real, tão real, que amanhã, num instante, para o outro, pode ter fim, para mim e para muitos. É por isso, só por isso que quero viver, viver e sentir a vida. Viver.  

Pensava em tudo isto, enquanto olhava, aquela miúda de 12 ou 13 anos, a saltitar, em passos de dança, reais, tão reais como a musicalidade que vibrava dos seus lábios.

 

Cheguei ao café, sentei-me a ler, descansadamente, fumando, olhando as gaivotas e sorrindo. Pessoas passavam a sorrir. Ainda há pessoas que sabem e gostam de rir nesta cidade – mesmo quando estão fartas e cansadas – porque uma cidade sem sorrisos é uma cidade triste.

Uma das coisas que mais gosto, pela manhã, é passar junto às redes da escola do Ensino Básico e escutar aquele burburinho matinal de gritos, sorrisos, brincadeiras, e, registar aquelas trocas de mimos de mães e avós. Sinto que há vida. Sinto que há futuro.

 

As pessoas quando se fecham, num mundo fechado, naquele mundo fechado onde só se escutam a si mesmas e as suas certezas, acabam por ignorar que há mais mundo, que esse mundo, que eles cultivam, intelectualmente, tornam-se como aquela criança de 12 ou 13 anos, que sorri e só sente o seu mundo.

Gosto de escutar os sorrisos nas ruas da cidade, porque são os sorrisos nas ruas da cidade que lhe dão vida e brilho, todos os dias, mesmo em dias como o de hoje, com o sol escondido...escutei sorrisos e fortes gargalhadas.

É que, na verdade, há coisas nos dias que nos fazem mesmo rir, rir e… sorrir…sorrir..sorrir.. .

 

S.P.

Sempre Mulher!

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Talvez, sim talvez, porque dizem,

vale a pena dar vida ao dia, o teu,

porque afinal, ainda há silêncio,

muito silêncio por dentro, de ti,

em gritos calados, lágrimas, tuas,

essas, que só tu sentes, sorrindo.

 

Talvez, sim talvez, porque há flores,

nas ruas da cidade, neste dia, o teu,

como se todos os dias, não fossem,

sempre, dias teus, esses que conquistas,

correndo, gritando, sonhando, amando,

tu, que nunca desistes de correr, saltar,

superando todos os combates sorrindo.

 

Talvez, sim talvez, se tu não fosses,

o mar onde nasce a vida a florir,

o sorriso que encanta os dias,

a palavra que acaricia a dor,

o beijo que cativa o coração,

o afago de ternura no peito,

o estímulo que ilumina os nervos,

essa energia vibrante de fazer,

construir, ser, apenas isso, ser!

 

Sim talvez, se tu não fosses tudo isso,

eu, digo-te, procurava encontrar,

por dentro da luz dos teus olhos,

as razões porque dizem, ser este,

o dia teu, e nesse recanto do teu olhar,

ficava sentado, ali, a olhar-te por dentro,

não para escrever um poema,

nem sequer para te imaginar igual,

diferente, com direitos que são teus,

mas apenas para descobrir, sentir,

onde vais tu buscar tanto querer,

tanto ser, tanto amar, tanto dar,

tanto fazer, tanto calor, tanta dor,

tanta energia que se escreve amor.

 

E, só então, por dentro dos teus olhos,

viajando até ao centro do teu coração,

ali, eu seria, sim talvez, assim seria,

capaz de escrever um poema, um só,

aquele que sinto quando penso em ti,

nessa imensidão de tudo o que tu és,

imaginando-te um imenso poema,

um grito em ritmo de canção,

energia que produz trabalho,

educação que descobre a vida,

luta que abre caminho futuro,

ternura dos teus dedos a florir,

carinho suave que adormece,

sabor doce de todos os tempos,

odores que te fazem primavera,

loucuras e paixões nos nervos,

só então, dentro de ti, ternamente,

escrevia um poema , nosso filho,

escrito com todas as palavras,

em todas as línguas do mundo,

em ecos no infinito das galáxias

porque, afinal, em todas as palavras,

tu estás, ali, a nascer na natureza,

mãe, avó, filha, irmã, companheira,

luar, vento, sol, calor, mulher…

Sempre Mulher!

 

António Sousa Pereira

8 de Março de 2017

Março

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O mês de Março transporta dentro de si uma mensagem eterna, essa, que vale a pena sentir e descobrir, porque ele, é, sempre o princípio de um tempo que floresce por dentro de sementes, plantadas no tempo, essas, donde brota o colorido que rasga a natureza e faz da natureza um tempo de poemas. Flores. Cores. Sorrisos. Beijos.

Foi em Março que Abril começou a florir nos meus olhos, numa neblina ténue que permitia, ver, ali, bem perto o sol a rasgar a Liberdade.

As palavras a pulsar, tic-tac, tic-tac, cronometrando todos os silêncios. Calados. Sentidos.

Este Março que se escreve Primavera. Este Março que se escreve Mulher. Este Março que se escreve poesia.    

Renovar. Recomeçar. Reagir. Retomar. Retroceder. Reenviar. Reviver. Recordar. Reaprender. Renascer.

O eterno ciclo da semente, flor e fruto. O velho que dá lugar ao novo, um novo que transporta dentro de si o velho. A vida que começa e recomeça em cada Primavera, aqui, em Março.

Gosto de Março, do seu perfume, do seu colorido, do seu suave carinho, esse, que toca os lábios, num beijo feito de eternidade.

Toco uma flor em Março, como quem toca os sinais do teu corpo – tu mulher – a heroína, a lutadora, a inspiradora de paixões, de olhos de todas as cores e rosto de luar, esse, onde Março é sempre Primavera.

Canto um hino em Março, como quem grita as emoções, vibrantes de uma multidão em esperança e imagino-te – a ti poesia – saltitando nas ruas da cidade e escrevendo nas paredes, em todos os muros, os versos de todos os poetas, onde nunca falta essa mais bela palavra do mundo – Amor.

Gosto de Março, talvez, afinal, porque em Março, as sementes rasgam a terra e os pensamentos tornam-se sementes que iluminam a saudade do que fomos, do que somos e seremos. Renascendo. Sim, renascendo, porque só renascendo todos os dias abrimos a esperança e sentimos a alegria de viver.

Cumprindo. Cumprindo-nos!

 

S.P.

Há dias assim…

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Há dias, sentidos, que as lágrimas rasgam os nervos e tornam-se pensamentos. Mergulhamos nas caves dos neurónios, lá no fundo, onde, tudo o que vivemos está guardado. Recordamos sorrisos. Recordamos palavras. Recordamos encontros, misturados em cânticos, ali, nos milhares de gritos e risos de crianças.

 

Há dias que a vida emerge em cascata, por dentro dos olhos e tudo é tão limpo, como as gotas que caem do céu, brilhantes de luz e ternura.

Há dias que sentimos o carinho tocar o coração, pulsando, num ritmo intenso, tão intenso que as palavras são impotentes para tornar real, o real que nos cai, inesperadamente, num abraço feito canção.

 

Há dias, marcados pela palavra saudade, essa, que nos transporta às profundidades do tempo vivido.

Então, sentimos, como esta nossa presença terrena, torna-se eternidade, quando alguém parte, ou quando recordamos alguém que partiu, e, só então, tomamos consciência da nossa (in)finitude.

 

Há dias que as lágrimas tocam a memória e a memória fica, subitamente, inundada de amor, de recordações, de sorrisos, de tudo o que é belo e nos move, dando energia para superarmos as intempéries e acreditarmos na vida.

 

Há dias que a vida se mistura com a morte, e, suavemente, a morte se confunde com os sorrisos das crianças. Tristemente. Amarguradamente.

Há dias que, pela sua tristeza, as lágrimas de cristal que tocam os nervos, fazem-nos pensar e sentir, porque, afinal, chorar é também pensar com os olhos.

Há dias que o coração se enche de suor e o sangue é a escrita da saudade. Do partir. Do sentir.

Afinal, por muito que vivamos, por muito que a vida nos negue o viver, o que vale, o que sempre vale, é sentirmos que vivemos, até ao último instante, por dentro de todo o tempo, a alegria de construir a nossa paixão, todos os dias. Sonhando. Fazendo.

Porque, de repente, amanhã, depois, num dia qualquer, todos, subitamente, partimos. Fomos.

Por isso, só por isso, as lágrimas que inundam os nervos e o coração, em dias, naqueles dias, como o de hoje, são lágrimas que nos motivam a seguir os exemplos de vida, aquelas vidas, que nos legaram uma forma de estar e ser – viver apaixonadamente o que gostamos, o que somos, o que queremos, na certeza que esse viver é, sempre, uma partilha de aprendizagens, de descobertas, procurando desvendar o sentido da vida e, nele, a construção dos dias. Amando.

 

Há dias, sim há dias, que fechamos os olhos e apenas recordamos – um sorriso, ou, uma lágrima a florescer saudade, cravando-se nos sentimentos, por dentro dos nervos.

Há dias assim…

 

S.P.

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