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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Sofia Martins, Vice Presidente da Câmara Municipal do Barreiro No Barreiro não existe o ‘elitismo de género”

. No Barreiro sempre assistimos a uma presença da mulher muito forte

“O Barreiro tem uma tradição da presença da mulher na vida associativa e no Poder Local. No Barreiro não existe o ‘elitismo de género” que aponta que para governar tem que se ser homem. A participação no Poder Local não é uma questão de género”- sublinhou Sofia Martins, Vice Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, no decorrer da apresentação dos livros sobre «Governação no Feminino”, que decorreu no Café Bar da SFAL.

No Café Bar da SFAL, foram apresentados os livros«Toponímia no feminino na Região de Setúbal» e «Um mapeamento de boas práticas na região de Setúbal – Governação no Local no Feminino», uma iniciativa que contou com a presença de Regina Marques, do MDM - Movimento Democrático das Mulheres e Rute Pina, que coordenou as referidas obras.

Luta pela defesa dos direitos das mulheres

Regina Marques, sublinhou a importância do MDM – Movimento Democrático das Mulheres, em diversos momentos da vida nacional e no distrito de Setúbal, na luta pela defesa dos direitos das mulheres.
Recordou que a edição das obras «Toponímia no feminino na Região de Setúbal» e «Um mapeamento de boas práticas na região de Setúbal – Governação no Local no Feminino», resultam de uma candidatura apresentada ao nível europeu, para desenvolvimento de um projecto relacionado com o estudo de situações no contexto da «Igualdade de Género».
“A região de Setúbal tem a particularidade de ter uma governação local com muitas mulheres” – sublinhou Regina Marques. 

Península de Setúbal faz a diferença em relação ao país

Na sua opinião a presença das Mulheres no Poder Local na Península de Setúbal – “faz a diferença” em relação ao país.
Referiu que é “importante trazer à superfície os direitos das mulheres” e “dar realce à participação das mulheres na vida pública”.
Por outro lado, referiu a importância do levantamento que foi efectuado sobre a presença de mulheres na toponímia da Península de Setúbal.

Mulheres na região uma longa tradição de luta

Rute Pina, coordenadora do projecto, sobre a obra relacionado com a toponímia esclareceu o facto de puderem existir algumas ruas com nomes de mulheres que não constem, mas tal resulta do período temporal em que o levantamento foi realizado.
Referiu que este projecto foi um contributo para efectuar um registo de “muita tradição e força das mulheres na região”.

Distrito de Setúbal um exemplo de boas práticas

Sobre a obra «Um mapeamento de boas práticas na região de Setúbal – Governação no Local no Feminino», salientou que era um contributo para “prestar uma homenagem ao Poder Local, uma homenagem aos autarcas” e um registo da participação da mulher no Poder Local, como exemplo de “boas práticas”.
Referiu que a recente redução de autarquias, foi negativo, porque veio contribuir para – “uma diminuição das mulheres nas autarquias”.
Referiu que percentagem nacional de Presidentes de Câmara Municipal do sexo feminino é de 7,5% -“bastante baixa”, no Distrito de Setúbal a percentagem situa-se nos 30,8%.

Na CDU Barreiro são as mulheres que governam

No decorrer do debate, Sofia Martins, Vice Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, salientou que “é difícil ser mulher e participação na governação”, porque as “mulheres têm que partilhar diversas tarefas”.
“Faço o que gosto, disponho do meu tempo para ajudar a crescer a minha terra”- sublinhou.
“Na CDU Barreiro são as mulheres que governam” – referiu, recordando que em cinco eleitos na Câmara Municipal do Barreiro, três são mulheres, e no conjunto do executivo em 9 eleitos, 4 são mulheres.

No Barreiro sempre assistimos a uma presença da mulher muito forte

“No Barreiro sempre assistimos a uma presença da mulher muito forte, com intervenção na comunidade e influenciando a vida em geral” – sublinhou a autarca.
“O Barreiro tem uma tradição da presença da mulher na vida associativa e no Poder Local. No Barreiro não existe o ‘elitismo de género” que aponta que para governar tem que se ser homem. A participação no Poder Local não é uma questão de género”- sublinhou Sofia Martins.
A autarca, referiu que “a mulher pode dar um contributo enriquecedor na gestão do Poder Local”.

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Barreiro - «O Templo de Borkudan» de Helder Martins Um livro que ajuda o leitor a enfrentar os dias

No Café Bar da SFAL - Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense realizou-se a apresentação do livro "O Templo de Borkudan”, de Helder Martins.

“O país imaginário deste livro é o nosso dia-a-dia. O livro ajuda-nos a enfrentar os dias, a escolher, a decidir, o que queremos fazer, o que devemos fazer, para sermos melhores pessoas, é isso que procuro com estes meus livros” – sublinha Helder Martins.

 

No Café Bar da SFAL - Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense realizou-se a apresentação do livro "O Templo de Borkudan” de Helder Martins, um evento integrado no ciclo «Aos domingos pela manhã», uma iniciativa conjunta daquela colectividade em colaboração como o jornal «Rostos».

Forte componente humana

Márcia Correia, oradora convidada, salientou que no livro "O Templo de Borkudan”, destaca a “sua forte componente humana”.
Recordou que a obra trata a história de um rapaz, que vive numa aldeia, que cedo perde o pai, sendo obrigado a assumir a responsabilidade de encaminhar a mãe e a irmã- “uma responsabilidade muito forte”.
“O jovem vive vários conflitos internos, com ele próprio, em relação à sua pessoa e com as pessoas da aldeia.A história desenvolve-se muito em torno das ideias – o que queremos fazer, ou o que temos que fazer, numa grande ligação com a lealdade, amor, respeito ”- sublinhou.
“É um livro com o qual nós nos identificamos ao ler e ao mesmo tempo nos descontraímos pela sua história fantástica e repleta de aventuras. Acho que é um livro que toda a gente vai gostar de ler” – referiu Márcia Correia.

Estabelecer uma ligação com o leitor

Helder Martins, o autor, recordou que a sua escrita tem por base “um contexto metafórico”, que se desenvolve “num jogo de palavras, para estimular a concentração na leitura”.
“Ao escrever este livro procurei estabelecer uma ligação com o leitor, de forma que as pessoas se identificassem com as várias peripécias que decorrem ao longo do livro, porque apesar de ser fantasia, é apenas meramente ilustrativo, é apenas um cenário.” – referiu.
“Sou um fan de literatura épico-fantástica, porque envolve várias dimensões literárias, drama, acção o espanto. Neste livro trato situações do dia-a-dia, olhar para as situações e perceber de que forma tudo influencia a nossa vida.Quero abranger um público o mais vasto possível.” – acrescentou.

Só consigo escrever nos cafés

“Esta história sempre esteve na minha mente, lembro-me de ver estas personagens, nas formas como se relacionavam, na escola e no trabalho. A determinada altura da minha vida senti que tinha as ferramentas para partir para este projecto” – refere Helder Martins.
“Para descobrir o caminho, optei por escrever em espaços públicos. Só consigo escrever nos cafés, porque tudo o que se passa à minha volta, enquanto estou a escrever vai influenciar a história. São pessoas que não conheço, nas com as suas acções, dão-me ideias, para o nome de uma terra que tem que ser inventada, ou para dar nome a um personagem. 
Eu escrevo nos espaços públicos, no Barreiro ou em Setúbal, porque sinto como isso influencia a escrita” – recorda.

Quero ser mais um autor nesta área

Helder Martins, nasceu no Barreiro, a 10 de Março de 1986, no Hospital do Barreiro.
É trabalhador da empresa Barão e Costa, na Baixa da Banheira.
Optou pela literatura do fantástico, um género que está a nascer em Portugal.
“ Quero ser mais um autor nesta área” – salienta.
“Tenho tido uma reacção muito boa das pessoas, tem sido fantástico. Muitas pessoas, por simpatia ou por interesse têm adquirido o livro.
E já existem pessoas a perguntar, quando sai o próximo volume. Isso é fantástico. Após lerem gostam” – sublinha .

O livro ajuda-nos a enfrentar os dias

"O Templo de Borkudan”, segundo referiu o autor, é o primeiro de um conjunto de obras, a história tem continuidade - “dentro de um ano espero lançar o 2º volume. Já está encaminhado” – divulga. 
“O país imaginário deste livro é o nosso dia-a-dia. O livro ajuda-nos a enfrentar os dias, a escolher, a decidir, o que queremos fazer, o que devemos fazer, para sermos melhores pessoas, é isso que procuro com estes meus livros” – sublinha Helder Martins.

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TEB abre portas ao sonho…Ao domingo à tarde «No Reino de El Rei Papão I»

O TEB – Teatro de Ensaio do Barreiro, estreou a peça infantil «No Reino de El Rei Papão I», de José Jorge Letria, com encenação de Graciano Simões.

Fica aqui o convite, para as famílias, aos domingos à tarde, pelas 16 horas, vão dar um passeio até à Avenida da Praia, no Barreiro, e, depois de olhar o Tejo, tal como dizia o poeta, ali, procurarem “encontrar tudo o que lá não está”, desloquem-se até à Oficina de Teatro Mário Pereira, para assistir a uma brilhante peça de teatro infantil, onde poderão continuar a sonhar…e sentir que “é pelo sonho que vamos”.

O teatro é esse espaço de criatividade onde o texto, as personagens, a encenação, a música, a luz, são um todo, dinâmico, que nos colocam de súbito entre o real e o imaginário.
Nesta peça tudo isso existe e funciona.
O texto, muitas vezes, é um elemento central, e, nesta peça, sem dúvida, contribui para a sua riqueza e dar força à imaginação.
Um texto que coloca ao espectador a exigência de pensar o tempo que vive, proporcionando aos mais novos o sonho, e, aos mais velhos, um reencontro com as memórias de tempos vividos.
Um texto marcado de pureza de sentimentos, que nos faz sentir humanos.
Um texto que é enriquecido pela energia dos personagens.

A peça levada a cena pelo TEB tem um texto de uma riqueza poética e simplicidade que contribui para a criação de um conjunto de personagens vivas, todas elas, sem dúvida, interpretadas com perfeição, os actores e actrizes, sublinhe-se, assumem com naturalidade e muita expressão corporal os seus papeis, dando-lhes a sua plena dimensão psicológica. 
O Guarda Roupa é cinco estrelas.
O tempo dramático é intenso, com ritmo, marcado pela cadência da narradora – Graciete Pereira – que está muito bem, com graça e jovialidade. 
O D. Papão I – interpretado por Pedro Fona - está excelente, muito enérgico, sendo a sua interpretação central, de grande importância e estruturante no contexto da peça. Um personagem, que, sublinhe-se, está, de facto, impecável.

Um registo especial, porque foi uma agradável surpresa, para o personagem do Palhaço, interpretado pela minha amiga Vanda Mano, com muita beleza e muito à vontade. Desconhecia este seu dote, uma interpretação muito rica, com dimensão estética, no burlesco e no sentimental. Gostei. Gostei de ver os personagens no diálogo com o público. Gostei de ver transmitida ao público a responsabilidade de agir e expressar a sua partilha com as personagens.

O TEB está de parabéns. Regressa com uma equipa renovada, uma nova geração, que, sem dúvida, com este trabalho renasce de forma sublime.
Os pormenores de pequenos atrasos na abertura do pano que deu tempos mortos, ou um ou outro problema, pontual, não tem significado, porque, afinal, são meros problemas técnicos que o tempo e a presença no palco, resolve.

Fica aqui o convite, para as famílias, aos domingos à tarde, pelas 16 horas, vão dar um passeio até à Avenida da Praia, no Barreiro, e, depois de olhar o Tejo, tal como dizia o poeta, ali, procurarem “encontrar tudo o que lá não está”, desloquem-se até à Oficina de Teatro Mário Pereira, para assistir a uma brilhante peça de teatro infantil, onde poderão continuar a sonhar…e sentir que “é pelo sonho que vamos”.

Num tempo marcado por ausência de sonhos, perda de valores, num tempo que celebramos os 40 anos do 25 de Abril, é, na verdade, muito agradável ver esta peça, porque, ela, nos coloca a reflectir entre os sonhos de ontem e as miragens dos tempos de hoje, fazendo-nos sentir que Abril está vivo e, sem dúvida, continuará vivo enquanto existir no coração de cada um de nós essa certeza que o TEB nos transmite – “é pelo sonho que vamos”.
Uma boa peça, sem dúvida para assinalar os 40 anos de Abril. Parabéns TEB. Parabéns ao Graciano Simões que, mais uma vez, grita bem alto que o sonho continua vivo no seu amor ao teatro…a sua vida!

António Sousa Pereira

O Teatro de Ensaio do Barreiro (TEB) vai manter em cena a peça infantil« No Reino de El Rei D. Papão I» , aos domingos, pelas 16h00, na Oficina de Teatro Mário Pereira (Rua Conselheiro Joaquim de Aguiar, 337), até ao final de maio.

Quotidianos – Barreiro Marcelo (a)tirou o Coelho da cartola.

Paulo Rangel cabeça de lista nas Europeias. Francisco Assis o cabeça de lista do PS. Duas cabeças, um pensamento – Europa. Não sair da Europa. Aguentar com a Europa. Ponto final.
Marcelo Rebelo de Sousa retoma a sua posição na linha de partida para as Presidenciais.

Estava sentado, ali, na Oficina de Teatro Mário Pereira, no meio da plateia, aguardava o começo da peça de teatro do TEB – Teatro de Ensaio do Barreiro - «No Reino de El Rei D. Papão I». As pessoas ao meu lado conversavam. Eu fechei os olhos e recostei-me para trás na cadeira.
Uma senhora falava, com outra, que tinha tido um problema com uma empresa. 
“Dirigi-me à Câmara do Barreiro. Tem lá, há mais de vinte anos, um Gabinete de Apoio ao Consumidor. Fui recebida por uma senhora muito simpática que tudo me esclareceu” – escutei. 
A conversa continuou. Pelo que me apercebi, graças ao apoio do CIAC – Centro de Informação Autárquica ao Consumidor, a senhora viu o seu problema resolvido.
Desliguei deste assunto. Passei a ouvir outra conversa, esta vinha de trás. Era só escolher. As conversas cruzavam-se e chegavam até mim com nitidez absoluta, naquele silêncio, momentâneo, de olhos fechados.

“Ele tirou um Curso de História, mas ainda não conseguiu emprego. Agora resolveu tirar outro Curso, no ISCTE, de Antropologia. É mais um curso para não encontrar emprego. Ele devia era tirar um curso que lhe desse emprego” – comentava alguém, numa conversa, onde eram referidos nomes, de rapazes e raparigas, com referência aos comportamentos de alunos, namoros, os bons e maus alunos – “ele anda por lá, a passear livros pela escola”.
Por fim chegou a voz, a solicitar- “Desliguem, por favor, os vossos telemóveis”.
Abri os olhos. E preparei-me para ver o espectáculo. Na primeira cena, entra um palhaço, sorridente, a distribuir balões. Depois começa a falar de sonhos e sorrisos. 
“Eh pá, parece que conheço esta voz. Será ela?” – pergunto a mim mesmo. Fui ficando com a certeza. E só no final, já na rua, confirmei com o seu filho.
Gostei. Gostei mesmo de ver a Vanda, ali, no centro do palco, numa faceta que não lhe conhecia, de actriz, criativa e sonhadora. Parabéns!

Após a peça, cheguei a casa. Escuto os ecos do Congresso do PSD. 
Paulo Rangel cabeça de lista nas Europeias. Francisco Assis o cabeça de lista do PS. Duas cabeças, um pensamento – Europa. Não sair da Europa. Aguentar com a Europa. Ponto final.
Marcelo Rebelo de Sousa retoma a sua posição na linha de partida para as Presidenciais. Até pode, de facto, nem vir a ser candidato. 
Mas, com a sua presença no Congresso disse, objectivmante, a Passos Coelho, que, quem decidirá se ele, vai, ou não, ser candidato à Presidência da República, será ele próprio, queira, ou não queira, Passos Coelho. Marcelo (a)tirou o Coelho da cartola. Este homem é mesmo um às de factos políticos.

É assim, a nossa vida politica, um jogo de xadrez. É por isso que, cada vez mais, acredito que, de certeza, há, tem que haver, mais vida para além destes malabarismos. 

António Sousa Pereira

 

Sem palavras

Nem sempre é fácil sorrir,

quando sentimos que há muito silêncio no olhar

 e muitos sons na ternura dos lábios.

 

Sim, há coisas que se inscrevem,

 na vida da gente,

ameaças sentidas,

que são giras,

vindas de  Lobos Maus.

 

São assim…doces,

muito doces,

tão doces,

que guardamos,

eternamente,

num canto do coração.

 

Sem palavras!

 

António Sousa Pereira

Barreiro – 22 de Fevereiro 2014

Pergunto à gaivota que voa no Tejo...

Pergunto à gaivota que voa no Tejo,

se sabe de tudo, o que lá não está,

das naus que fizeram este país,

dos homens que rasgaram o mar,

de todas estas forças que fizeram,

este país, de história milenar,

de muito longe, à beira mar florido.

 

Pergunto à gaivota que voa no Tejo,

que descubra em voos rasantes,

os sonhos do meu país, esta minha pátria,

terra sóbria, nascida em terra própria,

de planícies, de serras, rios e mar,

que lá do alto do monte fez-se lusa!

 

Pergunto à gaivota que voa no Tejo,

pelos versos de escárnio e maldizer,

pelos homens bons, senhores medievais,

símbolos deste povo que se levantou,

que rasgou o peito e afirmou em gritos,

todos os sonhos de ser país inventado!

 

Pergunto à gaivota que voa no Tejo,

se sabe do mês de Abril, e peço-lhe,

que traga um flor vermelha, de amor,

 dando cor aos sonhos da LIBERDADE,

fazendo do cravo a força da SOLIDARIEDADE!

 

António Sousa Pereira

Quotidianos – Barreiro Descoberta a razão da crise…é a «hormona do stress»!

É, na verdade, assim como manter um “espirito positivo” nesta prisão, acreditando que, o importante é manter viva a criatividade…porque é isso, sim é isso, que nos faz humanos.

 

A minha amiga Gisa, um destes dias, num comentário no facebook, a propósito de um texto «Quotidianos», interrogava –«Os ‘pés’ estão de regresso?».
Não sei se os “pés” estão de regresso. Sinto. isso sim, uma necessidade, interior, de retomar a «escrita sobre os dias», a «escrita por dentro dos dias», que, de facto, era uma característica da tal rúbrica «Com pés de Veludo», editada durante anos no «Jornal do Barreiro», desde o início dos anos 90 até aos anos 2000. 
Talvez, estes «Quotidianos» sejam um retorno a essa vontade interior, retomando o título de uma rúbrica idêntica que mantive no jornal «O Setubalense», quando nos anos 70 integrei a redacção daquele tri-semanário.
O que me interessa é partilhar os dias. Olhar sobre os dias e neles redescobrir as emoções que fazem este tempo que vivo.

Às vezes, penso que neste tempo que tenho pela frente – agora é só a descontar – tenho que ocupar, cada vez mais, os dias com a ternura que marca o coração. Já estou naquela fase que olho para mim próprio e vejo-me a mim, por dentro dos nervos dos dias, e pouco me importa com as máscaras que colam no corpo.
Houve um tempo que me incomodava. Revoltava-me. Fervia. 

Hoje pela manhã, caminhava pela rua e de repente dou comigo a pensar porque ia com os passos tão apressados. Travei o passo. Pensei: “Vai com calma. Olha o céu azul tão lindo. Hoje está um dia de sol primaveril. Vive o dia”.
É cada vez mais este sentimento que marca os passos dos meus dias, neste meu país, que viveu a mais longa ditadura da Europa.

Sento-me a ler o jornal, vou reflectindo sobre as diversas noticias , e, sinto, como todas elas são uma cadeia de factos que dificilmente conseguirei mudar, quanto muito ajudam-me a perceber o tempo que vivo.
Passos Coelho fala de diálogo com António José Seguro. António José Seguro fala de anti-diálogo de Passos Coelho.
No decorrer de uma visita a uma empresa, Passos Coelho, cumprimenta um empresário, que nas suas costas comentou : “O outro que vier a seguir é igual a gente é que se ilude”, divulga uma nota do jornal «Público».
Em Bruxelas, a Ministra das Finanças, refere que “a disciplina orçamental terá que se prolongar por muitos anos”.
Escuto os ecos da entrevista de Vítor Gaspar e do seu livro que fala de um país feito de números, onde as soluções são cortes e mais cortes.
Entretanto, o Ministério Público da Madeira, pede a condenação de deputados por desvio de dinheiro, cerca de 2 milhões de euros. Mas que é isso? Uma gota de água no deficit.
Por outro lado, o IMTT - Instituto dos Transportes, exige 2.8 milhões de euros a cerca de 300 trabalhadores, alguns já estão reformados, que terão que devolver uma parte do salário que receberam, pois, refere-se, terão recebido ilegalmente um «suplemento remuneratório».
Na Europa, discute-se a criminalização de «clientes da prostituição», com o objectivo de “reduzir a procura”, isto, como parte de uma estratégia integrada contra o tráfico de pessoas.

Por fim, é revelado que um estudo sobre a «hormona do stress» conclui que as crises financeiras produzem efeitos fisiológicos de stress que reduzem a apetência dos corretores da bolsa por optarem por «jogadas arriscadas», propiciando o afundamento dos mercados.

Chego mesmo à conclusão que é isso a “hormona do stress” que aprofunda a minha “crise financeira”.
Não são os cortes feitos pelo José Sócrates, pelo Passos Coelho, nem esta politica europeia de austeridade, que tem que continuar por muitos anos, como todos vão dizendo em Itália, na França, na Holanda, na Alemanha…

Não, é, nada disso. É de facto a «hormona do stress» que me leva a perder a calma, a não sentir o futuro como coisa real. 
Por isso, vou começar a controlar a «hormona do stress», andar na rua com muita calma, não discutir de forma acelerada, controlar o meu «mau feitio», e, cá dentro, bem dentro do meu coração, manter uma força de vontade de ferro, repetindo diariamente: “Deprimido, sim. Vencido, não!”.
É, na verdade, assim como manter um “espirito positivo” nesta prisão, acreditando que, o importante é manter viva a criatividade…porque é isso, sim é isso, que nos faz humanos.

António Sousa Pereira 

Foto - Mercado Municipal do Lavradio

Um poema para ti…mulher.

Sabes, hoje descobri, que tu,
és verbo que se conjuga,
com o sol e com o mar.

Sei, afinal, que dentro do teu corpo,
tudo começa, num fruto que cresce,
suavemente, força da ternura,
energia esplêndida do nosso olhar. 

Sei, afinal, que a vida é plantada,
crescendo suavemente, gota a gota,
um ciclo de futuro, passado e presente,
no silêncio do teu ventre a sonhar.

Tudo começa, afinal, dentro de ti,
onde flor rima com amor.

Tudo começa, afinal, dentro de ti,
onde coração rima com paixão.

Tudo começa, afinal, dentro de ti
onde saudade rima com liberdade.

Se a vida é nascer e crescer,
aprendi contigo essa verdade,
só conjugando homem e mulher,
damos sentido à humanidade!

 

António Sousa Pereira

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