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Controlar o tempo

Quarta-feira, 07.12.16

Apetece-me apenas escrever para descansar os olhos e adormecer com palavras. Uma despedida. Um até amanhã!

Por exemplo, que sinto uma profunda tranquilidade nos dias, como hoje, que trabalhei, dei passos em frente, geri o tempo, construi, conclui e abri caminhos.

Ou seja, consegui dominar o tempo em vez de por ele ser consumido. Às vezes o tempo domina-nos. Mesmo que achemos que o controlamos. Nesses dias sentimos um cansaço que emerge, sôfrego, do tempo não vivido.

São, afinal, estes dias, aqueles que eu gosto, quando sinto que ocupo o tempo fazendo. Enriquecendo o tempo que vivo. Lendo. Escrevendo. Falando. Ouvindo. Sentindo o tempo a pulsar. Uma sensação de plena liberdade, sendo senhor do tempo que vivo. Vivendo.

E, por fim, quando chego à noite, antes de adormecer, sinto que estou sem cansaço, apenas com uma sensação de leveza, de tal forma que sinto o tempo esvoaçar numa nuvem, real, a deslizar no espaço entre os meus olhos e o cachimbo. Calmamente.

Decido escrever estas breves notas, apenas para ter a certeza que, foi real esse sentimento, sentido. Não é imaginação. É uma paz, enorme, enorme, que se estende na planície dos nervos.

Registo. A vida é para registar. Enquanto o tempo o permitir, assim deve ser, de facto, enquanto tivermos pela frente tempo para sermos, decididamente, o melhor que nós podemos ter na vida é sermos senhores do tempo que somos.

É por isso, talvez, que sinto, esta noite, o tempo deslizar no fumo do meu cachimbo. Brincando com os meus pensamentos. Sorrindo.

 

S.P.

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por entretejoesado às 01:06

O Belo

Terça-feira, 06.12.16

Ontem, ao fim da tarde, descobri beleza num recanto da minha rua, ali, no lugar onde vivo, onde passo todos os dias, observei, real, uma beleza que emergia de um lamaçal. Olhei. Assim, de olhos abertos, bem abertos, para sentir os reflexos da luz, na penumbra do dia a descer no horizonte.

É belo. Isto é mesmo bonito. Podia passar, nem olhar, nem sentir, nem ver, passar apenas na rotina do tempo e do dia. Deslumbrei-me com aquele espelho. Um lago. Uma paisagem. Real. Ou tudo apenas fruto da imaginação.

A vida é isto – o real, verdadeiramente real. O imaginário – que nasce no real, ou é inventado.

Seja como for, mesmo inventada, ela, a vida, a natureza, as ideias, só fazem sentido quando nascem da realidade. São vida. Forjam-se na vida. Brotam da vida.

De repente, dei comigo a pensar, que, este era um exemplo real, como é sempre possível encontrar a beleza nos dias e na vida. Ela existe. Mas, de facto, é preciso sentir e descobrir nos ritmos dos dias.

Há sempre um espelho que reflecte a paisagem.

Há sempre um espelho onde podemos olhar os nossos olhos.

A beleza da vida é descobrirmos os espelhos, e, neles, descobrirmos a beleza da vida. Olhando com os nossos olhos – o real e o imaginário.

Então, aí, dentro desse olhar, feito de harmonia e de sublime beleza, descobrimos o belo. Sim, o belo está presente na vida, descobri-lo…é viver!

 

S.P.

 

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por entretejoesado às 02:12

A vaidade

Segunda-feira, 05.12.16

Gosto de pessoas vaidosas. Daquelas que são vaidosas pelo que fazem, pelo prazer que colocam naquilo que as realiza e realizam.

Aquela vaidade sentida como expressão da alegria de ser e fazer. Uma vaidade que brota do feito e não do dito. Uma vaidade feita de pureza.

Uma vaidade que não é outra coisa senão esse olhar para uma realização, uma afirmação, nesse ser senhor de si mesmo. Único.

Ter vaidade naquilo que fazemos, é ter autoestima, é sentir a satisfação de ser o que somos, pelo qual lutamos, trabalhamos, treinamos, para fazer mais, para fazer novo, para fazer melhor.

Fazer cometendo erros e aprendendo com esses erros, sem medo de os assumir. Fazer e ter consciência das limitações e insuficiências.

Saber, claramente, que com outras condições, outros recursos, outras circunstâncias, então, outros patamares seriam possíveis de alcançar, e, assim, com essa consciência, nunca desistir.

Assim, com essa energia de quem sabe - não tem cão, caça com gato. Trabalhar. Trabalhar. Treinar. Treinar. Só com trabalho, trabalho, treino, treino, se concretizam os objectivos. Ser.

Manter o possível, fazendo o possível. Olhando para nós próprios, como quem se observa nos seus limites, possíveis e impossíveis. Aguentar. Aguentar.  

Sentir a vaidade como quem ergue um cravo a florir na Primavera. Uma vaidade florida.

Sentir a vaidade como quem voa, como quem coloca asas e encontra a beleza no voo de uma gaivota, rasgando o céu azul e as tempestades.

Gosto de todas as pessoas que são vaidosas porque sentem o prazer de viver  a pensar, conscientes que é no pensar que tudo começa – os sonhos, as ilusões e as certezas e incertezas!

A vaidade de olhar e ver, a vaidade de sentir e pensar, a vaidade de ser e fazer, a vaidade que se mistura e consolida com essa vontade, na qual somos  - participando, agindo.

Gosto de pessoas vaidosas aristocratas, nobres, snobes, até, de um snobismo feito de gentileza, com gestos que nascem no coração, na beleza dos seus actos que transmitem veracidade.

São essas pessoas vaidosas, de quem eu gosto, merecem ser vaidosas, porque têm o direito adquirido de o ser, pelo que são e fazem, seja o operário, o intelectual, o actor, o artista, o jardineiro, o carpinteiro, o professor, todos aqueles que amam o que fazem e, de facto são, sendo. Essa é uma vaidade pura.

  

Não gosto de pessoas vaidosas que fazem da vaidade um encanto, um modo, um estilo, uma forma de superioridade, um olhar distante de sabedoria. Uma vaidade donde emerge inveja, que detesta, que menospreza, que desvaloriza. Odeia. O ódio nunca foi bom conselheiro. Nunca encontram nada de bom nos outros, seja por razões ideológicas, politicas, religiosas, académicas, culturais, sociológicas, étnicas  – eles são superiores.   

Essa vaidade de saber absoluto. Essa vaidade que esmaga com o seu saber e reduz a cinzas todos os ignorantes que os rodeiam. Existem eles e o povão. Essa vaidade de tão perfeita que é, afinal, recusa uma das coisas mais belas que nós temos na humanidade – as diferenças.

Essa vaidade costumo classificar de pedantismo.  Futilidade. Superioridade imbecil.

É por isso, que prefiro, sentar-me na última carruagem do comboio e, nesse lugar, usar o olhar, observar serenamente, procurando a cada instante, descobrir o sentido – das palavras, dos acontecimentos, da vida. Sim, repito, das palavras.

Adoro palavras. As palavras nascem dentro dos meus gestos e são a expressão do que vejo, vivo e sinto. Procuro descobrir palavras no quotidiano. Viver por dentro das palavras. Sentir.

Afinal, é tão simples, são as palavras que permitem sentir e encontrar essa diferença, mínima, que existe entre a vaidade e o pedantismo.

Basta escutar, ler e observar…descubram!

 

S.P.

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por entretejoesado às 00:33

Paragem

Domingo, 04.12.16

Uma paragem na vida,

nunca é tempo perdido,

é de certeza a partida,

para dar novo sentido.

 

S.P.

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por entretejoesado às 01:38

A pedra angular

Sábado, 03.12.16

A cidade é esse lugar onde, afinal, os nossos passos são as marcas inscritas na sonoridade dos dias. A cidade pulsa, como sinfonia, com ritmos, movimentos, rasgando as penumbras do que foi, do que é, do que será, existe, real, transforma-se. Nunca é igual. A cidade tem memórias, mas as memórias já não são a cidade, elas são os ecos, de sons vibrantes que soam por dentro dos seus heróis. Os seus construtores. Uns anónimos. Outros glorificados.

Todos nós construímos a cidade. Ninguém vive uma cidade destruindo, porque ninguém quer destruir o lugar onde quer viver e gosta de viver.  

É por isso que uma cidade, de facto, só é sentida quando a escutamos vibrando como um coro polifónico, na sua multiplicidade de vozes que se misturam com todas as suas partes distintas, em contraponto, melódico, com a diversidade de texturas, preservando as identidades e afirmando a identidade – ela a cidade!

Há, sem dúvida, diversas formas de olhar, sentir, pensar, viver e até amar uma cidade. A história de uma cidade é longa, perde-se no tempo, de tempos vividos.

O primeiro passo para sentir a cidade é conhecer a sua história urbana, o seu percurso, os seus percursos, as marcas inscritas no tempo. As razões. As causas. Os efeitos. As transformações. As géneses. A cultura.

Sim, porque uma cidade tem uma cultura – tudo o que está inscrito no seu território. As pessoas. As ruas. Os edifícios. As memórias. As histórias e estórias.

Há cidades que se movem. Há cidades que perecem. Há cidades que se reconstroem.

O desafio dos tempos de hoje é construir cidades humanizadas, cidades onde seja possível trabalhar, viver e fruir o lazer, sentir o prazer de gozar os seus espaços, paisagens – o rio, a natureza, as actividades económicas, com serviços de saúde, de ensino, que todos servem, porque todos deles precisam, na suas diferenças e diversidade.

 

Penso e escrevo tudo isto, enquanto escuto o «Requiem» de Mozart, vou sentindo os sons e especulo, meramente especulo, ao mesmo tempo que tento, por dentro desta sonoridade, encontrar um ponto, onde, sinta no fazer cidade, esta sinfonia, de instrumentos e vozes, que possam dar aos dias uma dimensão de harmonia.

A cidade é de todos e por todos deve ser construída! Paro ao escutar este eco, repetido, repetido, no pensar e sentir cidade. Dou comigo a pensar que as diferenças no fazer cidade estão, na verdade, aí, nessa «pedra angular», na forma de estar e fazer cidadania.

As estratégias. As tácticas. A propaganda. O marketing. Os conflitos. As diferenças. Os ideais. Os modos. Os estilos. Tudo isto e muito mais são formas de olhar e pensar a cidade. Visões.

Mas, pensar e viver a cidade colocando no centro essa «pedra angular» do fazer cidadania, essa, sem dúvida, será a forma principal de fazer cidade e fazer futuro. Conhecendo. Não inventando. Sentindo. Não imaginando.

Construindo. Não destruindo. Valorizando. Não desfazendo.

Propondo. Agindo. Amando.

 

Sim, só amando, porque, afinal, só amando a cidade e as pessoas da cidade, com a cidade, pela cidade, se faz nascer já, no presente, o futuro, com todas as suas memórias.

Pensem nisso, na «Pedra angular». Eu penso muitas vezes, nesse, sim, nesse ponto iniciático de construção, como sendo a primeira e essencial referência para fazer cidade e sentir cidadania.

Tudo o resto…são circunstâncias. Coisas que, de facto, fazem lembrar a eterna história do velho, o rapaz e o burro. Pois!

 

S.P.  

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por entretejoesado às 00:10

As escórias da vida

Sexta-feira, 02.12.16

Parei, ali, naquele lugar, e, por momentos, mergulhei em imagens gravadas no tempo. Recordo aquele movimento matinal, a entrada no portão, para começar mais um dia na fábrica. Na altura, o portão por onde entrava era junto à Praceta dos Lusíadas. Bicicletas. Motorizadas. Pessoal a pé, uns para a Sotinco, outros para a Equimetal, havia o Forno Cal, o Zinco Metálico, os Poliois, a «Kovaseiko» e muitos outros, Adubos, Metalurgia e até o último dos Contactos, que ainda funcionava, esse, que fazia cair uma intensa «chuvinha», uma neblina, mesmo quando não estava a chover e criava um ambiente único, telúrico e sulfuroso.

 

Recordo, algumas ruas esventradas, porque estavam a colocar uma nova rede de esgotos, com uma fibra, anticorrosiva. A fábrica agitava- se e agitava.

Parei. Fiquei por ali uns instantes a olhar e a recordar o tempo, quando este era um espaço fechado, completamente vedado à cidade. A Fábrica era a fábrica. A cidade era a cidade. Mas estavam ligadas por cordão umbilical de sentimentos.

 

Olhei aquele edifício, agora abandonado, e, senti o pulsar da vida que fervilhava no seu interior de descoberta e aprendizagens. Recordei o Salo, que algumas vezes encontrei a sair, junto àquelas portas, onde, ele, formava muitos jovens, que ali sonhavam um futuro de electricistas, soldadores ou outras actividades fabris. Ali começavam a sua formação. Ele sorria. Comentava um ou outro artigo que estava a escrever para o «Jornal Daterra». Trocavamos opiniões.

Eu, lá seguia, rumo à fábrica do Zinco Metálico, aquele mundo que estava em construção, prestes a produzir lingotes de zinco. Ali vivi os meus dias de operário. Entre a zona das células, uma zona de temperaturas baixas, frio, mesmo frio, onde era preciso entrar de máscara. Como quem entra numa atmosfera imprópria para o ser humano. Cheguei a ver companheiros a sangrar do nariz. Ali, era, de facto, mesmo, mesmo, quase impossível respirar.

 

Ou, então, trabalhava junto aos fornos, com temperatura elevadas. O líquido corria, como se fosse lava, escorrendo para dentro de formas, que giravam de forma permanente, num tapete rolante.

Quando o líquido, prateado, corria para as formas, no cimo ficava uma escória que era preciso retirar, rapidamente, para não solidificar, então, com movimentos rápidos e maquinais, automáticos, os braços tinham que acompanhar o ritmo do tapete, sempre a circular. Quando ali estava, muitas vezes, ocorria-me à memória as cenas do filme – Tempos Modernos – do Charlot.

De máscara, luvas de protecção ao calor e de avental, para proteger o corpo, ali, horas e horas, de ritmo intenso. Um trabalho isolado, que nos transformava em mera peça de um forno a fumegar zinco. Ali, sem ninguém para trocar qualquer diálogo, apenas, usando os braços, funcionando em automático, um movimento constante, retirando a escórias. Foi talvez, aí que aprendi a sentir e a descobrir as escórias da vida e nelas encontrar a beleza de todos os tempos que vivemos.

 

Ao fundo do tapete, pouco a pouco, num ritmo regular, calculado, lá iam caindo os lingotes de zinco metálico, pouco depois, transportados por um empilhador para um parque, onde se acumularam, acumularam, acumularam… porque, afinal, nunca chegaram a ser comercializados.

A fábrica de Zinco Metálico acabou por encerrar. Foi uma experiência. Um investimento do estilo «elefante branco». Hoje é um espaço vazio, ali, junto ao Tejo. O que resta são uns pilares dos tanques e o silêncio.

Quando por ali passo, ainda sinto o pulsar do tapete e o cheiro dos ácidos a penetrar os pulmões.

 

A fábrica. Sim, a fábrica, também faz parte deste tempo que vivi e senti, aqui, nesta margem do Tejo.

Tantas estórias e memórias. Recordações. Sons. Cheiros. Conversas. Lutas. Sonhos. O operário que fui, e não fui, cerca de dois anos da minha vida, que estão gravados em zinco no coração.

Foi isso que recordei, ao passar, ao fim da tarde, enquanto o sol descia no horizonte e, de olhos postos nas chaminés, parei a olhar a fábrica, as fábricas e a imaginar uma manhã…perdida num tempo que foi e, na altura, já se sentia que era isto que estava anunciado. O silêncio. A escória. As escórias da cidade. As escórias da vida.  

 

S.P.

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por entretejoesado às 00:44

A contagem decrescente

Quinta-feira, 01.12.16

Está na hora de adormecer. Fechar os olhos. Começar a contagem decrescente. Chegámos à última estação. E, por estes dias, começamos a fazer balanços. A lançar projectos. Nas ruas escutamos os sons natalícios. Aquela musicalidade que nos transporta à infância. A festa. O tempo de festa.

O ciclo que encerra. O ciclo que começa. A repetição por dentro de todas as recordações.

Neste tempo, ocorre-me sempre à memória, aquele som que escutava ali na esquina, entre a Miguel Bombarda e a Alfredo da Silva, aquele ceguinho, remexendo a caixa negra e clamando : “É naataal, é naataaal..”.

Ao mesmo tempo, naquele lugar, o chilrear dos pássaros ecoava pela rua. Um som que me apaixonava.

 

Este é sempre um tempo de reflexão, um tempo que olhamos para dentro do próprio tempo e para dentro de nós, pensando, que este é um tempo de recomeçar, porque achamos sempre que há sempre um tempo para recomeçar. Renascer.

Para o ano vou fazer, sim vou fazer, pensamos e prometemos aos nossos botões.

Hoje, começa a contagem decrescente, rumo a um tempo que desejamos ver chegar e festejar. Ali, quando tocarem as badaladas da meia noite e por milagre, de repente, pensamos. Chegou um novo tempo. Acreditamos. Queremos acreditar.

Depois, acordamos. Ligamos a televisão e o mundo continua igual, as guerras, as tragédias, os conflitos, os gestos de amor, os beijos, a alegria de partilharmos a vida com quem gostamos de ter ao nosso lado. Sorrimos. E partimos para um novo ciclo. Igual. Diferente. A sonhar com as sextas- feiras. Ou a pensar nas férias de Verão.

Uma coisa é certa, essa certeza, todos devemos descobrir, em cada tempo que passa, cada dia, cada hora, cada mês, cada ano, nós vamos mudando, porque acumulamos tempo ao tempo vivido. Aprendemos. Compreendemos. Ignoramos, porque, por vezes, o melhor é mesmo ignorar, ou, em último recurso, tentar ignorar. Parar. Olhar as luzes brilhantes da árvore de Natal e, rebuscando nos cristais que iluminam o nosso sentido da vida, lá nesse brilho que faz pulsar o coração, recomeçarmos a contagem, contando ao contrário, assim como quem vai ao encontro daquele instante, único, onde estamos mergulhados nas águas da vida. Remexemos os braços e as pernas. Abrimos os olhos. Choramos. E, então, nesse momento, sabemos que vamos começar a nascer…vivendo!

Só vivendo é que nascemos em cada ano que esperamos, com vontade de recomeçar. Sem ilusões temporais, ou desejos de mudança. A mudança existe se não abdicarmos de ser o que queremos ser, sendo.

É, aí, nesse lugar, que começa sempre um novo ano. Comecemos pois a contagem decrescente…

 

S.P.

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por entretejoesado às 01:43

Fazendo, sempre fazendo!

Quarta-feira, 30.11.16

O tempo passa. Os dias saltam pelos dedos. A vida. Este lugar. A cidade. O rio. Os discursos. Os sons dos pássaros. O colorido do céu azul. O som do comboio. O gemido do «Jaquim», como eu lhe chamo, junto à janela a dizer-me: «Miauu. Estou aqui…». Olhamo-nos, olhos nos olhos. Sorrimos. Ele agita a cauda. Salta. Assim, como o tempo, esse eterno encontro com os dias.

De repente, sentimos que mais um ano está prestes a culminar. Deslocamos o pensamento por dentro dos dias e reencontramo-nos, a olhar e a sentir, esse tempo perdido ou vivido. Crescemos, ou não crescemos. Mudámos. Aprendemos.

O tempo é isso mesmo, uma permanente aprendizagem e descoberta. Encontros e reencontros.

Sonhos vividos. Sonhos adiados. Esperança.

 

Afinal, nenhum dia é igual, quando vivemos a intensidade do fazer, assim, preenchendo as horas, os minutos, os segundos na paixão de viver.

Mas, há dias que nascem por dentro dos nervos da memória. Tocam. Agitam. Sentimos a ausência. Recordamos, de súbito, que o telefone deixou de tocar, e, do outro lado, escutarmos uma voz, suavemente, irreverente, agarrada ao tempo, agitada e viva. Construindo os dias em palavras. Sempre com opinião.

Depois, sentimos, que, hoje, este, é o dia do poeta – um dos dias do poeta – porque todos os dias são dias do poeta. Ele que nos diz, que somos nada e, apesar de tudo o que somos e não somos, mantemos vivos todos os sonhos do mundo. Mesmo dormindo no chão. Somos, sempre crianças. Nada mais belo que ser sempre criança. E, com esse olhar de criança, amar os dias e o tempo. Todo o tempo!

A poesia, é aquilo que nasce nos dias, transformando os seus resíduos e as suas escórias, em palavras, que procuram encontrar um sentido para a vida.

Amanhã, qualquer dia, amanhã, seremos uma mera recordação. Uma saudade. Um voo na imaginação.

E, será isso, que irá manter a nossa presença, até um dia, mais tarde, quando essa recordação for esquecida, como muitos já ficaram perdidos no tempo e foram esquecidos. Recordamos os que se inscreveram no nosso tempo vivido.

É por isso que, todos os dias, ao acordar, sejam dias do poeta, ou sejam os dias que na memória emerge uma saudade feita de silêncio, vale a pena, sentir, viver, sorrir e, porque não, até chorar, porque as lágrimas lavam por dentro os pensamentos humedecidos de ternura. Essa ternura que nos move e permite voar, voar, voar, navegar, navegar, navegar nas ondas dos dias, assim, agitadamente, fazendo e mergulhando até aos confins da natureza! Nesta cidade. Neste lugar. Neste tempo. Fazendo, sempre fazendo!

 

S.P.

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por entretejoesado às 01:59

Medo

Terça-feira, 29.11.16

Diz-se que um homem forte,

não tem medo de morrer,

ele não perde o norte,

mata a morte ao viver!

 

S.P.

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por entretejoesado às 23:34

Parar

Segunda-feira, 28.11.16

Quando se pára no tempo,

será como hibernar,

quando pára o pensamento,

pára também o sonhar!

 

S.P.

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por entretejoesado às 01:20


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