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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Foi mesmo um dia especial….

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Há dias que as emoções florescem na pele, nascem em flocos de neve nos olhos, colorindo a paisagem numa penumbra, que, sentimos são os nervos a mergulhar na neblina matinal, e, lá dentro, através desse nevoeiro sonolento visualizamos as memórias, todo o tempo que vivemos.

Pode ser um abraço. Pode ser um beijo. Pode ser um sorriso. Pode ser um olhar. Pode ser um simples gesto.

 

Há dias que são mesmo dias especiais, aqueles que permitem sentir, que por mais voltas dadas na vida, de dificuldades, de adiamentos, de falta de sorrisos, de lágrimas, há sempre um tempo, aquele que abre um novo caminho, onde nascem outros novos caminhos.

E, nesse instante, podemos sonhar com o novo, mas, a experiência e a aprendizagem da vida, já permitem saber o que é a humildade, uma humildade que se faz, porque a humildade não se afirma – a humildade é um exemplo feito de acções e não de palavras.

 

Por vezes, sem querer, falamos com o coração, abrindo a mente, rasgando os nervos, fazemos isso, só, apenas, com aqueles que temos no coração.

Não por arrogância, nem por insanidade mental, fazemos, porque estamos a respirar com as palavras.

 

Hoje foi um, destes dias, levado pelas emoções que tocavam o coração senti as palavras rasgar o vento, soprando num vendaval de sentimentos.

Depois, sim depois, olhei em meu redor e, olhando a vida real, sorri! Na vida, por vezes, não há nada melhor que sorrir.

 

Hoje foi um dia especial, daqueles, que nos dizem, por mais que a vida nos ensine, há sempre mais e muito mais a aprender, essa vida feita de aprendizagens. Aprendizagens que dão a mão ao passado, ao presente, fazendo do presente esse futuro, construído diariamente, onde estamos sempre a aprender.

Sim, devemos abrir o coração, expressar os nervos em palavras, só com quem nos entende, só com quem nos abraça e, esses, são sempre os que fazem brilhar os nossos olhos e sentir que AMOR e AMIZADE, são sementes, que dão flor e fruto.

 

Hoje, senti que não há nada mais belo na vida que encontrar, nas raízes do tempo, as raízes do que somos. Aprendendo. Errando. Sorrindo.

Foi mesmo um dia especial….

Até amanhã!|

 

António Sousa Pereira

“Felizmente há luar”!

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Procuro, vou continuar a procurar, nunca vou desistir de procurar, os caminhos, os meus caminhos, sentindo o vento, o sol e o luar, porque “felizmente há luar”.

 

Olhar o Tejo. E, ali, nas suas margens pensar nas naus, ou nas pontes, ou, apenas sentir as ondas debruçarem-se nas pedras verdejantes. Sentir o cheiro de maresia. Olhar a distância.

Estar ali, apenas ali, na ternura e suavidade da minha interioridade. Pensar. É tão belo pensar. Ter pensamento próprio, que nasce nas nossas interpretações da vida e do tempo que vivemos, é lindo, muito lindo. Tudo o resto é a espuma do tempo. Sempre assim foi, sempre assim será.

É verdade – “felizmente há luar”!

 

Esta tranquilidade é a melhor energia que pode acalentar os nossos dias. A paz interior, a sensação de que não somos servos, nem escravos dos movimentos da história. Ter opinião, nos tempos de hoje é difícil, mas, que querem, essa é uma forma de caminhar, da qual nunca vou abdicar.

E ter opinião é saber perceber e entender o tempo que vivemos. Não querer ser dono da verdade, pura e única, porque a vida é feita de diversidade. É nisso que acredito.

 

As palavras são apenas palavras. Podem chocar. Podem vulgarizar. Podem ser motivação.

As palavras podem ser ódio. As palavras podem ser amor. Eu prefiro, sempre preferi, a ternura das palavras.

A maior banalidade para quem vive tranquilamente, com ideias no coração, valores que guiam os seus dias, as suas lutas e paixões,  é escutar palavras, aquelas palavras que se dizem críticas, “nobres e justas”, marcadas de superioridade intelectual, de sobranceria ideológica, essas palavras escritas e ditas, afinal, são carregadas de sal rançoso, são palavras sem sabor, inúteis, pois, de tão repetidas, não fertilizam a vida, nem incomodam quem tem sonhos e vive com a liberdade a pulsar nos nervos.

 

Vão por aí, continuem por aí, eu hei-de continuar a erguer bem alto, esta bandeira que coloquei no coração, antes de Abril nascer, vi florir com Abril, senti murchar, renascer, voltar a murchar, renascer…e, agora, nestes tempos, com estes cabelos brancos, esta bandeira – a Liberdade  - está inscrita como forma de viver.

Isso é que é lindo. Acreditem.

Afinal, ao longo da história da humanidade, em todas as épocas, em todos os tempos – “felizmente há luar”!

 

S.P.

«A democracia não é uma ideologia»

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O dia de hoje é daqueles que ficam gravados na memória. São aqueles dias que sentimos os nervos a brilhar nos olhos. A palavra amizade a fluir nos sentimentos.

A vida é um tempo de aprendizagens e constantes ensinamentos.

E, afinal, é o tempo, sempre o tempo, que tudo resolve. Acima de tudo resolve quando nós, olhando o verde dos campos, sentimos que nos encontramos com aquela energia, lá dentro, bem dentro, esse lugar que só nós, apenas nós, sentimos e nos dá uma imensa tranquilidade. Um sorriso de fraternidade.

Viver é viver. Construir. Ser capaz de ser diferente e abraçar as diferenças com o coração.

Sinto que é isto a democracia. Sinto que é isto que descobri, naquele dia de Abril, erguendo cravos de esperança.

 

Ser livre é ser, acima de tudo, capaz de estar acima de pseudo conflitos e afirmar a Liberdade, com energia criadora e motivadora. Gosto de viver assim, é lindo!

 

Há pessoas que acham que para marcar a diferença o importante é cultivar o ódio, ignorando que a democracia, é isso, apenas isso, o confronto de diferenças, a conflitualidade, o diálogo, a procura de caminhos, a descoberta de diferenças, um aperfeiçoar de rumos, pela escolha de caminhos.

A democracia não é nenhuma ideologia. A democracia são muitas ideologias. São escolhas. A democracia é cultura. É cidadania. É civismo.

 

Sempre gostei de avaliar os outros pelo que fazem e não pelo que dizem, e, sempre gostei de avaliar os outros por mim próprio e não porque alguém diz, alguém comenta ou alguém rotula.

E, para mim, viver a democracia, é viver um caminhar constante no respeito pelas diferenças.

A minha barricada é essa, aquela, onde espreita a Liberdade.

Tudo o resto…são ilusões!

Até amanhã!

 

António Sousa Pereira

 

Lavei-me meus olhos no Tejo

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Andar pelas ruas é ir ao encontro do pulsar da cidade, sentir a vida. Uma cidade tem vida com as suas gentes.

Trocamos palavras, inevitavelmente, sobre o tempo que vivemos. Uns sorriem. Outros têm um semblante triste. Acho tudo isto natural.

 

Mas digo-vos, sinto que há pessoas que inscrevem pela sua acção os seus nomes na vida, em instituições, nas cidades, no tempo que viveram, e, ficam mais, muito mais inscritos, quando as suas acções foram gestos de amor, entrega, dedicação sem limites, por vezes, superando as dificuldades com sorrisos.  

Admiro essas pessoas, com um respeito que vai para além, muito mesmo, das suas ideias politicas, religiosas ou filosóficas. Gosto, porque gosto, daquele gostar que brota de dentro do coração.

 

Sei, afinal, que será o tempo, a história, que reconhecerá, lá longe, muito longe, o significado de vidas que, de facto, pelo que foram e fizeram, plantaram sementes de futuro. Um legado.

Sinto, que alguém que vive fazendo, é, de certeza indiferente à ingratidão.

Acordar, olhar o sol, sair à rua, de cabeça bem erguida, com aquela sensação de dever cumprido, de trabalho realizado, de obra, de amor ao que se ama, é, sem dúvida, mesmo lindo.

 

Hoje, ao fim da tarde, vi um homem, nas ruas da cidade, a caminhar, levando pela mão o seu neto. Sorrindo. Cumprimentando.

A nobreza de um ser humano não está em palavras, está sem dúvida nos actos. Todos os actos. Os  erros e as virtudes. Mas o mais nobre é quando a vida é marcada pela palavra – Fazer. Fazer cidade. Fazer futuro. Um legado que, lá dentro de nós mesmos, sem vaidades, sentimos que foi a nossa acção que abriu portas e rasgou caminhos. É lindo!

Um homem, de facto, só é derrotado quando desiste de viver e sonhar. Viver a vida real. Sonhar com  amor no coração.

 

Hoje, ao fim da tarde, dei uma volta pela cidade, fui até à Avenida da Praia, ali, deliciei-me a olhar o pôr-do-sol, feito de muitas cores.

Enquanto vagueava por ali, junto ao rio, meu pensamento mergulhava em memórias.

Os lugares são referências, onde, sempre, inscrevemos os passos que marcam as nossas vidas.

 

Não sei, se, no futuro, o pôr-do-sol, vai deixar de ser pôr-do-sol e começar a chamar-se «sunset», por ser mais inovador e portador de modernidade.

Olhei a paisagem. Lavei-me meus olhos no Tejo. Sorri!

Até amanhã!

 

António Sousa Pereira

Vamos continuar a viver aqui…

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A vida é mais, muito mais, que um dia, porque afinal um dia é apenas um dia, aquele que nascemos, depois temos um percurso, uma caminhada, dias de sol e de chuva, dias de vento, dias de trovoadas, dias alegres, dias tristes, dificuldades, alegrias, metas que atingimos, metas que ficam para trás, por vezes, de repente tudo muda, um acidente, um conflito, falta de recursos e, tudo se altera, parecendo, até, que temos que recomeçar de novo.

 

É por isso, só por isso, que aqueles momentos de euforias são um bom tempo para testar e perceber intenções e intencionalidades. Por vezes, há gestos que permitem mais interpretações que muitas palavras ditas para estimular vontades.

 

Também, os tempos difíceis são lições de vida, ajudam a perceber que nem sempre é possível realizar sonhos e visões que são meras miragens.

 

Acordei, no dia de hoje, com uma enorme vontade de beber um sumo de laranja e comer uma torrada com doce de tomate. E foi o que aconteceu.

Nestes dias agitados, sabe bem tomar coisas doces para sentir a vida real, os sabores dos dias e da natureza. Olhar o sol. Olhar o rio. E dizer: Bom dia!

 

Um dia, em conversa com um amigo, eu comentava certa agitação pré-eleitoral, dizendo-lhe que vivo aqui, e, após as eleições, quero continuar a viver aqui, conversar com pessoas diferentes, que pensam de formas diferentes, que sentem de formas diferentes. Superar tempos de ansiedade.

Sempre senti que na vida, há pessoas que gostam de caminhar com os olhos no chão, outras de olhos no azul do céu, outras apenas reparando nos obstáculos e evitar encontrões. Viver a vida é isso e construir, sem pisar outros. É difícil nestes tempos.

 

Tenho lido muitas mensagens, porque hoje, afinal, foi um dia de mensagens. De lágrimas. De sorrisos. De vitórias. De derrotas.

Eu procurei sentir apenas a vida real e começar a manhã a saborear um sumo de laranja.

Não sorri. Não chorei. Estou completamente indiferente.

Limitei-me a repensar o pensado e voltar a sentir, até, coisas vividas.

Há coisas que gosto de viver por dentro do real e não no imaginário. E, no dia de hoje, já registei gente a sonhar, gente a chorar. Ódios. Amor.

E, de facto, é isso, todos vamos continuar a viver aqui, alguns vão ter dramas. Outros vão ter ilusões.

Já vivi por dentro de tudo – dramas e ilusões.

 

Há quem diga que a história não se repete. Talvez sim, talvez não.

Há quem diga que todos aprendemos com as lições da vida. Talvez sim, talvez não.

 

Por isso, apenas por isso, hoje, soube bem acordar e com a minha Lurdes, trocarmos palavras, enquanto saboreávamos no café, da nossa rua – uma deliciosa torrada com doce e um refrescante sumo de laranja.

 

Olhei as páginas do jornal e li o título – Derrocada!

Li, voltei a reler, sorri! Passei as mãos pelos meus cabelos brancos voltei a sorrir.

O dia estava com um sol a rasgar os nervos.

As árvores a florir.

Enquanto, a vida brilhar nos meus olhos, continuarei, aqui, a viver aqui, porque gosto de viver aqui…e conviver com as palavras que aquecem os meus nervos e dão energia ao meu coração.

Tudo o resto, são euforias…que passam com o tempo e, de facto, só o tempo ensina a ver o mundo real…

Até amanhã!

 

António Sousa Pereira    

Pulsar de uma cidade

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O pulsar de uma cidade sente-se pela manhã, no seu movimento ao acordar.

O sorriso das crianças rumo às escolas. Os pais e os avós.  

O movimento dos carros de gente que trabalha e arranca para mais um dia a sorrir e com o pensamento nos sonhos e desesperos.

As portas das Lojas a abrir. O tomar o café matinal. O primeiro cigarro do dia, sinal que continuamos a fumar e estamos vivos.

O cheiro matinal das torradas. O sol que aquece os nervos. Um dia que recomeça.

Uma cidade é a sua vida real, tudo o resto são visões! Sim, é verdade, em todos os tempos existirão fantasmas e bruxas, medos e ódios de estimação…

Ah é verdade, também está a decorrer aquilo a que, pomposamente, chamam campanha eleitoral …e depois querem que reduza a abstenção!

 

S.P.

Basta-me a paz!

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Enquanto o sol rasgar os nossos nervos,
as árvores florirem colorindo os nossos olhos,
os dias forem marcados pelos nossos silêncios,
e a paisagem urbana for marcada de ternura.

Digo-vos e repito, mesmo que digam,
que este é o pior dos mundos, quero,
ver os meus cabelos brancos a brilhar,
e sentir os meus passos palmilhando,
- este lugar, porque afinal, repito:
- Gosto de viver aqui!
Sim ,sou pouco exigente
- Basta-me a paz!

S.P.

Lavradio
26 de Setembro de 2017

Eu vi florir uma lágrima nos teus olhos

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Estava a li sentado, na tua frente, tu falavas da SFAL, da sua história, das suas gentes e, de súbito, senti a comoção tocar tua voz e vi florir uma lágrima nos teus olhos. Suspiraste. Contiveste os sentimentos.

“Foi emocionante, muito emocionante escutar o Hino da SFAL tocado por três bandas. Obrigado. Este dia vai ficar como marca nas comemorações dos nossos 150 anos”, sublinhaste.

Ali, sentado, na tua frente, milhares de imagens percorreram em segundos a minha memória.

Percebi a tua comoção. Percebi. Porque é preciso ter vivido, assim, como tu, hoje, vives e sentes no coração o quotidiano da vida associativa, para perceber por dentro das palavras a emoção que nascem em palavras que florescem de actos vividos à flor da pele.

 

Lá dentro, enquanto soltamos as palavras e olhamos, nos olhos, com verticalidade, a moldura humana que nos rodeia, nesse momento, sabemos porque vale a pena a dedicação o voluntariado, o fazer associativismo.

E, muitas vezes, lá dentro em segundos esvoaçam, aqueles sentimentos que levam a refutar os saudosismos, aquelas ideias que se repetem, sobre o antigamente, como se o antigamente fosse o melhor dos mundos e, o hoje, não passa de uma mera ilusão.

Nesses instantes, sentimos como vale a pena acreditar e sonhar, porque o mundo de hoje é real e real é aquela vivência que faz florir lágrimas de amor à vida e de alegria.

 

Muitos nunca vão perceber isso, o que é o viver para a comunidade e pela comunidade. É por isso que te admiro. Porque eu cansei-me de ingratidão.  

E, por isso, quando vi aquela flor a florir nos teus olhos os meus, naquele instante, humedeceram trazendo à memória momentos inesquecíveis, feitos de mim e de ti, dos nossos frutos, de muitos silêncios que forjaram o cansaço, mas, também de muitas amizades e alegrias que enchem o coração. Sorri. Porque o melhor da vida é sorrir!

 

António Sousa Pereira

A vida amanhã continua…

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Hoje foi o meu primeiro dia após as férias. Aproveitei para tomar o pulso ao tempo, sentir as ruas da cidade, olhar as paisagens, tocar no vento, ali, junto ao Tejo.

Vi, nas ruas, a presença das autárquicas, sem nada de novo, apenas os rostos já conhecidos e aquelas frases que, acho, pretendem marcar as diferenças na forma de pensar a cidade e os seus problemas.

Encontrei amigos e conhecidos. Pouco conversei.

Tratei de alguns assuntos. E, na verdade, enchi o dia com a leitura do suplemento do jornal «Público» que assinalava as suas 10.000 edições. Sou leitor do «Público» desde o seu primeiro número é um jornal que me proporciona, diariamente, os mais diversos temas para pensar e sentir o tempo que vivo. Recordo, com saudade, a rúbrica de Eduardo Prado Lourenço.

 

Um jornal que me ajuda a compreender a importância do jornalismo que motiva a pensar, que rasga caminhos, que ajuda a criticar, que promove confronto de ideias, que se insurge contra o politicamente correcto, que ajuda a sentir que ter opções, é, acima de tudo, ter um suporte de valores onde se enraíza a vida e o olhar para o presente e o futuro. E, digo-vos, ter opções é mais, muito mais, que ter opiniões. As opções estão no coração. As opiniões são feitas pelo movimento dos dias e da vida.

 

É difícil num mundo marcada por maniqueísmos, onde muitas vezes verificamos que para defender pontos de vista, mais que afirmar diferenças, opta-se por rotular e destruir carácter.

Este jornal tem sido para mim um guia para a acção e delicio-me, todos os dias, quando percorro as suas páginas. Não digo que seja a perfeição, mas isso, da perfeição é só para os perfeitos. Mas este jornal, é, sem dúvida, um jornalismo de referência.

Respeitar as diferenças é essência da democracia e a força da cultura democrática. Sinto isso nas suas páginas, na diversidade de ideias e na abordagem de temas.

Tenho pena, por vezes, que a margem sul, não mereça mais espaço nas suas páginas.

 

Enfim, mas, isto do fazer jornalismo é complicado, principalmente, quando se agudizam os conflitos da luta politica.

Nestes tempos ter opinião é o mesmo que ter opção. Porque existem os possuidores da verdade que não admitem outras verdades. Nem percebem que ter opinião é muito diferente de ter opção.

Posso concordar com alguém subjectivamente, mas não estar dispor a seguir o seu caminho objectivamente. É uma questão de critério, porque, afinal, há mais vida que aquela expressa na interpretação subjectiva.

Se valorizamos uma personalidade pela sua acção, aqueles que a combatem, apenas por combater, muitas vezes sem fundamento, apenas porque é preciso combater, erguem-se logo de dedo em riste, rotulando. Tu és isso… Coisas de puristas.

 

São estas as minhas reflexões, neste final do primeiro dia de regresso de férias, depois de andar pelas ruas da cidade e sentir a cidade. Por aqui termino. A vida amanhã continua…

 

António Sousa Pereira

Meu primeiro sonho foi surpreendente

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Neste primeiro dia que começo a deixar para trás uns dias de descanso, dedicados a escutar gaivotas, ouvir as ondas do mar, sentar-me na areia de olhos fechados e mergulhar por dentro de mim mesmo, quero começar vos contar o primeiro sonho que tive, na primeira noite que voltei ao lar doce lar. Que saudades que tinha deste meu cantinho.

 

Pois é, o meu primeiro sonho foi surpreendente. Passei a noite numa longa discussão. Usei todos os argumentos possíveis, feitos de experiência de vida, para demonstrar a uma pessoa que, não sei quem é, porque nunca a tinha visto em lado nenhum, como a vida é complicada, como há coisas que resultam de processos legais e como as burocracias são difíceis de superar. Eu explicava e voltava a explicar.

Os temas eram absurdos e reais. Desde os incêndios que se repetem, passando pelos discursos dos políticos e os sistemas de protecção civil. Era como um retorno a coisas vividas por dentro.

Por fim, a pessoa com quem conversava, sem argumentos para contestar o que, na minha paciência, procurava explicar, voltou-se para mim e disse-me – “Oh palhaço, eu é que sei este carro é meu”. Uma resposta fora do contexto, que colocou fim à conversa e à longa discussão, da qual só recordo este episódio final, porque acordei.

 

Levantei-me. Sorri, Olhei o sol e disse «Bom Dia!».

Comentei – “Tive um sonho que afinal é uma lição de vida. Não vale a pena argumentar, nem discutir com quem não nos ouve, ou com quem está completamente obcecado pela sua verdade”.

Por exemplo, não vale a pena dialogar ou querer sequer dizer ao antigo Presidente da República, seja aquilo que for, quando ele nas suas próprias palavras cai em contradição, quando afirma que a «realidade tira o tapete à ideologia».

Ele não percebe que fala contra si próprio, porque ou ele não tem «ideologia», ou então, é defensor de uma única ideologia aquela que para ele é a única que tem uma leitura correcta da realidade. E a realidade será sempre diversa e interpretada de forma diversa. Com muitos pios.

Quando estava na praia a escutar as gaivotas, reparei que, até as próprias, têm formas diferentes de piar.

Se calhar foi ele a causa do meu sonho…ou outros que também acham que possuem uma «ideologia» que é a verdadeira interpretação do tempo que vivem.

Afinal, isso sempre foi um perigo e muito trágico para a humanidade.  

 

António Sousa Pereira

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