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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Indignação

Deito-me nas palavras, como quem se deita no areal, junto ao mar, esticando os braços ao sol, olhando o infinito azul, ali, numa paz de eternidade, feita de faúlhas que saltitam nas ruas do pensamento.

Ali, as palavras são marfim e todas as coisas, são coisas reais, forjadas nos nervos - passado, presente, futuro – um encontro com a história vivida, em contraponto com o tempo que vivo, uma corrente de personagens, reais e imaginários, que são todas as escolhas, fotografadas em palavras, que registam os diamantes do pensamento. O pensar nasce na realidade. Ler a vida nas experiências, é como pintar uma tela onde está sempre presente o nosso amor. Não perder tempo com invenções, apenas inventar com e no vivido, esse fio condutor do que fomos e somos.

É por isso que gosto de me deitar com as palavras, porque nelas sinto a força e o silêncio das engrenagens que forjam os dias.

 

Olho o mar. Voo nas ondas. Delicio-me a imaginar a vida. Todos os instantes, como quem escava uma mina. A vida é uma mina que escavamos todos os dias. Para encontrar as pepitas de ouro, que fazem sorrir, ou a negritude da lama que nos faz chorar.

Quando viajamos pela memória, escavamos, vasculhamos, vamos ao encontro de lugares, onde encontramos palavras de cristal, essas, que brilharam no sangue a explodir nos gritos de esperança. Aprendemos, com o bem e com o mal. Aprendemos.

Nesse escavar nas minas da memória sentimos todas as palavras que dissemos, que nos disseram, até as que inventaram que nós dissemos.

Sentimos como o mundo mudou quando entramos nas minas da memória. Os cristais de hoje não são os cristais de ontem, nem pérolas, nem sequer pedra pomes, para lavar as mãos e rasgar os nervos.

 

De repente, acordamos, com naturalidade, numa manhã de nevoeiro, observamos o voo de uma gaivota, e, então, como um fio de seda, o nosso pensamento, nasce de dentro de um casulo, vulcânico, em lava de vida, uma crisálida que se abre no céu humedecido e faz nascer a poesia. Uma borboleta com asas douradas.

Vamos. Voamos. Lá de cima, a visão do mundo é muito diferente. A paisagem estende-se num amplo horizonte, acima, muito acima, de olhar cristalizado, esse, tisnado com o lodo dos pés na terra.

Ajustamos as palavras à vida. A mina do tempo. É nesse equilíbrio que o passado se encontra com o presente. O futuro nasce nessa mina da história, porque nada nasce por acaso, infalivelmente, todos os acasos são a pura necessidade de voar e ser.

Nenhum de nós ignora a vida que viveu, os acasos que vincaram a mina do nosso tempo. O que mais dói, por vezes, não são os acasos, nem as consequências. Na vida o que dói, apenas o que dói é a ingratidão. Esse outro lado que espelha as formas de sentir - o dar e receber.  

Gosto de me deitar com as palavras. Descansar nelas os sentimentos nocturnos. Encontrar-me. Voar na minha mina escura com a certeza que há sempre uma brecha onde brilha o sol…e uma borboleta, uma simples borboleta que dá asas à indignação!

 

S.P.

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Chegar

Chegar, é encontrar um ponto que pode ser o lugar que desejamos, ou apenas, um ponto que marca um compasso de tempo, um ponto de chegada, pode ser um ponto de partida quando olhamos para além desse lugar.

Só quando chegamos tomamos consciência do lugar onde estamos, por isso, chegar e ter a consciência da chegada, é saber sentir o caminho percorrido. Aprender a lição do tempo e do espaço.

Cada dia é sempre um chegar, um alcançar e simultaneamente um partir, um recomeçar. O tempo não espera e é pelo tempo, mais além, o outro dia, o outro nascer do sol, que descobrimos como chegar é sempre partir. Tão simples.

Chegar é começar, é partir, alcançar, atingir… caminhar, numa partida por dentro de todas as chegadas, sem limites.

Eram três da tarde, o sol aquecia os nervos, o azul imenso estendia-se serenamente. Respirei o sol. Escutei os sons dos pássaros. Olhei as gaivotas em círculo, rodopiando no azul. O comboio rasgou o silêncio. O telefone tocou e trouxe-me para a vida, com afectos, naquele lugar, onde muitas vezes estico o corpo na rotina dos dias.

Levantei-me, eram três da tarde, com o sol a brilhar e uma gaivota a acenar-me adeus, sorrindo no seu voo de asas livres.

Olhei e pensei – se cheguei aqui, a este futuro, então, tudo irei fazer para chegar ao presente de amanhã.

Sorri. Sim, só tens que viver fazendo tudo o que és capaz de fazer, tudo que podes fazer, tudo o que a paixão pela vida te coloca como desafio para fazer. Faz. Tudo o que não fizeres, sabendo que podes fazer, é tudo o que não fazes para partir e chegar aqui, chegar ali, chegar além…isso chegar, apenas chegar, porque chegar é sempre partir!

 

S.P.

 

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Envelhecer

O tempo passa. Fugidio. Os dias, os anos. Lentamente. Sentimos o seu movimento, constante, nesse ciclo que percorremos, tocando os nervos dos acontecimentos que forjam os dias. Cada dia, cada hora. Tudo se transforma. A vida move-se como uma vela que vai ardendo, brilhante, iluminando o espaço, assim, entre as sombras e a luz. Uma fotografia. Uma tela. Sentimos a vida pulsar. Festejando. Chorando.

Viver os factos. Sentir a história escrever-se, inscrever-se, no tempo que partilhamos. É belo.

Nascer. Morrer. A vida real, essa, vai para além do imaginário, é, nela, sim nela, que tocamos a vida. Afinal, um dia seremos apenas a saudade e silêncio.

O tempo passa, silenciosamente. Agarramos o futuro, quando sentimos a harmonia das cores, o ritmo dos sons, o timbre das palavras e descobrimos que de repente, no aqui e agora, num turbilhão de acontecimentos que se forjam em catadupa, nos neurónios, nós estamos lá, nós estávamos lá, nós estamos cá, presentes, num lado, ou no outro, estamos e fazemos. Porque o futuro só nasce fazendo. Não se inventa. Nasce.

Nasce, sempre que fazemos o possível, o que podemos, real, para que nesse fazer, um dia, o impossível brilhe, iluminado nos nossos actos.

Fazer tudo o que é necessário para sentirmos o futuro nascer em cada presente é, sem dúvida, esse o desafio.

No final, sempre no final, o que vai ficar é essa história que inscrevemos no tempo, com os outros, sempre com os outros.

Os filhos. Os actos. Os factos. As memórias. As histórias. As estórias. Erros. Virtudes. Todos temos.

O tempo passa, passa, passa, mesmo quando não o vivemos ele passa, passa…lentamente.

Parece que foi ontem que nasceste - dizemos. Hoje, já choras, sorris. Envelhecemos.

O belo do envelhecer é sentir que crescemos, descobrimos, construímos. Uma vida feita de factos e actos. Uma vida feita de uma imensidão de alegrias, tristezas, mas, sempre, sempre, com valores a pulsar no coração. Sorrindo. Isso é que é envelhecer, nascendo e morrendo todos os dias. A vida é isto, apenas isto…no final a saudade e silêncio.  

 

S.P.

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Olhos que sabem a mar

Fecha os olhos. Cola-te ao teu silêncio. Esse sentir que toca o teu coração. Sorri. Olha o brilho dos teus olhos. Mergulha nas ondas do mar, essas, que podem ser as tuas lágrimas. Sente os teus pensamentos claros e lúcidos, esculpidos em bronze de eternidade.

Imagina-te ao pôr-do-sol com os teus olhos estendidos no mar. É lindo. Foi lindo. Vai ser lindo. É sempre lindo olhar o sol do silêncio.

Acorda. Olha-te ao espelho e não tenhas vergonha. Não vejas no outro lado do espelho, do lado de lá de ti, sempre os outros, estando eles sem amigos, sem paixões, sem consciência.

Descobre-te para além de ti e vive…sê tu!

Gosto do brilho dos olhos que sabem a mar, esses que são cristais a espelhar a alma, para quem tem alma, quem não a quiser ter, então, que fique com a mente, essa que dá vida por dentro – dá alma – enquanto vivermos na descoberta do infinito.

Nunca morras enquanto vives. Nesse dia matas o silêncio do teu coração. Esse é o nosso problema existencial, morrer em vida, estar sem existir.

Vive até que os ossos te doam e as lágrimas sangrem, assim, florindo, em tudo que colocas para te fazeres a ti mesmo. Descobre essa alma que há em ti, ou outra coisa qualquer, partilha, com quem contigo quer partilhar, porque, de uma vez por todas, enquanto vives, aprende, que haverá sempre quem te odeie, quem te invente, quem te molde – ao seu próprio espelho. Ironicamente.  E esse não és tu, nunca serás tu, porque tu és esse, que não teme o seu próprio espelho, nem o seu grilo falante. Envelhece. Toca teus cabelos brancos e sente a suavidade da brancura dos pensamentos. A pureza de ti mesmo. A beleza do tempo. Sorrindo.

 

Hoje, cheguei cinco minutos atrasado ao pôr-do-sol e chegar atrasado é como não chegar a tempo, por meros instantes, por meros acasos, coisas simples, podem mudar o rumo da história e da vida. Situações. Toca teus dedos e neles encontrarás, pequenos gestos que te dão energia, para amanhã, chegares a tempo, antes do sol se deitar no Tejo.

Acorda sente as ideias, mobiliza o teu coração, e encontrarás as forças geradoras que te levam a – escolher, decidir, fazer!

Tenta ser um artesão de ideias, de poesia e gere esse silêncio que fragmenta a vida. Entrega-te ao combate entre os contrários, com respeito por ti e pelas diferenças.

Repudia esse apelo à resignação, que por vezes quer transformar a democracia “numa paz de cemitérios” e fazer da Liberdade uma verdade teoricamente consolidada.

A Liberdade é infinita e inacabada, por isso, sim por isso, ela é a eterna Liberdade. Incertezas. Aprendizagem do viver em diversidade.

Viver é ser firme na perseverança de ideais, dar grandeza aos sonhos e não ser escravo do passado.

Só assim, sim só assim, no final do caminho te encontras contigo e, no fim, esse é o encontro com o que tu pensas e com tudo o que foste fazendo o teu pensamento. Vivendo. Construindo. Aprendendo. Fazendo cidadania.

Não esqueças – sorri e olha o brilho dos teus olhos!

Sim, só os teus olhos, a brilhar por dentro de ti, sabem a mar…amar!

 

S.P.

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Ser humano

Muitas vezes tenho comentado com a minha Lurdes, que não gosto, ou que me é indiferente aquela frase, por vezes repetida, com convicção – “Quanto mais conheço os homens, mais gosto dos animais”. Respeito os seus utilizadores. Mas não é frase que  entre na minha forma de olhar a vida, o mundo, a natureza.

Sei, foi já dito e escrito, muitas vezes – “o homem é o lobo do próprio homem”. Sei, sim sei.

Mas, para mim, com todas as tristezas, mágoas, sofrimento, tragédia, que o ser humano causa ao ser humano. Não sou capaz de colocar um animal acima de um ser humano.

Digo mesmo, quanto mais conheço o ser humano, quanto mais me descubro e procuro, com todos os meus erros e deficiências, descobrir-me e afirmar-me como ser humano, mais, muito mais, gosto da humanidade.

Todos temos experiências dolorosas nas vivências deste tempo que faz as nossas vidas. Dói. Sofremos. Causa angústias. Lamentamos. Perdoamos. Ignoramos. Esquecemos. Amamos.

Mas, cada vez mais, acredito que é, de facto, com os seres humanos que me realizo como ser humano, em todas as aprendizagens, em todos os defeitos, em todos os erros, em todas as certezas.

Quanto mais conheço o ser humano, mais gosto do ser humano, porque é com eles que sou, aprendo, apreendo, descubro, enfrento a vida. Amo o sol, a natureza e os animais. Sofro. A vida também é sofrimento.

Gosto dos animais. Gosto da natureza. Gosto do ser humano, esse, que eu sou, que todos somos, com erros, imperfeições, tristezas, lágrimas, mas, também criatividade, emoção, paixão, amor, alegria, musicalidade, arte, cultura. Vida!

É vivendo humanidade que humanizamos. Este ser, único, que sabe - nasce, vive e vai morrer, e, sozinho no universo, é capaz de se projectar no infinito, em toda a sua cosmicidade e infinitude –  em ideologia, religiosidade, filosofia.

É por isso que coloco nas minhas vivências «três Dês» de «três direitos e três deveres», esses, que só o ser humano é capaz de negar ou viver – Direitos Humanos, Direitos da Natureza, Direito à Diferença.

É por isto, só por isto, que quanto mais conheço o ser humano, mais gosto, mais, muito mais, sempre muito mais… do ser humano. 

Chamem-lhe utopia…a vida sem utopia é um deserto!

 

S.P.

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Livre, livre, livre!

O passado inscreve-se na vida. O teu passado. O meu passado. O nosso passado. Ele emerge. Está aí, real, sempre que a história nos julga. Há os que são julgados, porque agem. Há os que nunca serão julgados porque nunca agiram. Estiveram.

Existirão sempre leituras. Existirão sempre investigadores. Existirão sempre críticos. Analistas. Intérpretes. Os que estiveram perto de nós e viveram as mesmas emoções com a intensidade da vida. E os outros. Existirão sempre os que te adoram, os que te odeiam e os indiferentes.

Porque tu, eu, nós, somos tudo, o que vivemos e construímos. O passado é o que nos trouxe até este presente. Ter um passado é ter existência. Existir. Ser. Não devemos ignorar o passado. Mas, não vale a pena viver com o passado, porque, um dia, qualquer dia, todos, mesmo todos, seremos isso, apenas isso – o passado. Vamos indo.

Mas, de facto, por vezes, vale a pena parar e pensar, desbravar o tempo, por dentro do tempo, e sentir, que um dia haverá gente, como nós, que será apenas um passado, outros serão um passado, mas um passado que se inscreve no futuro.

É por isso, só por isso, que vale a pena olhar para o passado e viver com ele, plenamente, sentindo-o no peso da nossa consciência, fluindo em Liberdade, no que fomos e somos. Verticalmente!

O passado conta, conta mesmo muito quando ele é essa flor a florir, flor que gera semente, semente que gera fruto, erguida ao vento – livre, livre, livre!

Sentindo o vento no rosto. O nosso rosto. Único.

 

S.P.

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A Noite

A noite está a deitar-se nos meus olhos,

desce em palavras, sonolenta, serena,

uma ternura que semeia beijos, aqui,

onde o meu coração pulsa, tic-tac,

nas horas, nos segundos, nos minutos,

uma cadência, intemporal, vibrante,

o ritmo do silêncio, uma luz, neblina,

que se curva feita diamante ao luar.

 

Fecho os olhos. Penso. Adormeço.

A noite é linda para viver e amar!

 

S.P.

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Sorrindo!

Na minha frente, em veludo

vermelho, de braços abertos,

vejo-te, ali, presente nas imagens,

que vagueiam por dentro de  mim.

 

Vejo-te correr, na noite escura,

ali, junto ao rio da memória,

entre gotas cintilantes, prateadas,

verdadeiras lágrimas  de ternura.

 

Olho os braços cromados, pregados.

na madeira da esperança e amor,

onde emergem teus gritos de dor.

 

Um eco que rasga o tempo,

quando recordo o teu sorriso,

gravado no cristal do teu olhar!

 

Vejo-te, sorrindo, sempre sorrindo,

quando te recordo, ao fechar os olhos,

por dentro de todo o tempo, distante,

longo, eterno, onde está tua ausência!

 

S.P.

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O leit motiv!

A vida é uma sinfonia que vamos construindo em diversos movimentos. Uns mais suaves. Outros mais intensos. São sucessivos andamentos.

O importante é na sua sucessão de sons e silêncios, descobrir a nossa própria sonoridade. É ela que nos dá a nossa identidade. Vivermos, todos os dias, com a nossa melodia, essa onde nos inscrevemos. Parando. Avançando.

Assim, sempre, caminhando com o nosso próprio ritmo, esses movimentos que marcam as nossas potencialidades, a nossa linguagem, os nossos valores, os nosso sonhos. Equilíbrio.

E, afinal, nos contrapontos do quotidiano, neste tempo que vivemos, sentirmos a beleza das diferenças, esse espaço onde desbravamos a harmonia,  essa, que equilibra todos os sons, todas  as cores, todos os sabores, todos os odores. A totalidade das emoções, causas – acção!

A vida é mesmo uma sinfonia. Nós só descobrimos o sentido sinfónico da vida, quando nela encontramos, todos os dias – o seu ritmo, a sua melodia, a sua harmonia.

Pois, como sempre dizia o Mestre Augusto Cabrita, é preciso encontrar e viver – o leit motiv! – o fio condutor, só assim é que vivemos e somos.

 

S.P.

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Olhar o sol

Gosto, gosto mesmo, começar o dia, sentado, em silêncio, mergulhando por dentro de palavras. Ler para concordar ou discordar. Confrontar o meu pensamento com outros pensamentos.

Colocar os neurónios a exercitarem, correndo por dentro de palavras, ditas, sentidas, vividas. Apreender, reapreendendo. Ginástica mental.

Hoje, pela manhã, naveguei pelas palavras de Agostinho da Silva. Ontem estive com Antero Quental.

Ir ao encontro de experiências vividas, noutros tempos, noutras circunstâncias, e, afinal, descobrir que, em todos os tempos, há sentimentos que se repetem, formas de olhar e sentir o mundo que em nada mudaram.

São estas experiências que nos enriquecem e permitem sentir, que demos muitos passos em frente, evoluímos em tecnologias, em ciências, em comunicações, em acumulação de saber, crescemos…mas continuamos a ser o que somos e sempre seremos – humanos.

E ser humano é estar de forma permanente perante desafios e escolhas, num confronto sucessivo entre passado e futuro, por isso, muitas vezes, mesmo muitas vezes, não vivemos o presente.

Muitas vezes, não somos capazes de acordar, olhar o sol, e, apenas, sim apenas – sorrir!

 

S.P.   

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