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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

O afecto

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Talvez porque é Primavera, com flores,

rasgando a vida de um colorido único.

 

Talvez porque ao sentir o teu abraço,

fraterno, os meus nervos cristalizaram.

 

Talvez porque mergulhei o meu olhar,

no vale do teu corpo feito esmeralda.

 

Talvez porque a vida, esta que vivemos,

tem instantes, que eternizam emoções.

 

Talvez porque para além do BES, da CGD,

dos puros que nada fizeram e falam, falam…

 

Talvez porque no Mediterrâneo, o eterno mar,

todos os dias a esperança morre feita criança.

 

Talvez por tudo isto, ao mergulhar dentro de ti,

ao sentir os meus dedos percorrer teus nervos.

 

Talvez por tudo isto, talvez, senti o afecto, ali,

nessa doçura do teu sorriso e senti – há  vida!

 

S.P.

TU

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Estás sempre presente nos dias,

no centro dos momentos, instantes,

viva nas memórias, essa energia,

que dá sentido ao viver e à vida.

 

Tu és refúgio, vento, calor, frio,

ternura, carinho, fogo, paixão,

energia, movimento, semente,

força, emoção, arma, canção.

 

Tu és esse principio feito verbo,

onde dor rima com amor, raiz,

que fecunda o ser, no sentir,

desejar, porque sonhar é amar!

 

Tu és feita de lágrimas e sorrisos,

de angústias, cravadas nos nervos,

dentro, bem dentro do que somos,

esse lugar onde nos encontramos.

 

Tu és feita do sangue que corre,

nos rios dos pensamentos, lutas,

multidões, onde somos muitos,

e, únicos na descoberta do ser.

 

Tu és essa certeza feita de sons,

que tocam, mobilizam, centelha,

que aquece, ilumina o sol, o luar,

abrindo vulcões donde jorram

lavas de amor, de amor, de amor.

 

Tu estás presente em todos os gritos

de tristeza, em todas as angústias,

és centro de todas as paixões,

semente de protestos e revolta,

cântico de hinos que emocionam.

 

Tu estás aí, presente, todos os dias,

florescendo, num abraço que cativa,

num beijo que toca os nervos,

numa espada que penetra as veias.

 

Tu estás aí, no meio da estrada,

nas paisagens verdejantes, no mar,

no alcatrão onde nascem flores,

mesmo nos dias, esses de silêncio,

quando os poetas são proibidos,

tu ressurges, renasces em verbos

mesmo estando gastos de revolta,

ou marcados de repetições inúteis,

tu emerges em sorrisos e lágrimas.

 

Tu, sempre tu, que nasces na vida,

a vida que nasce no amor, por isso,

tu estás aí, na vida e sempre no amor!

É na vida, no amor, nas paixões,

nas lutas, é aí, sim, que eu te sinto,

em abraços, beijos, memórias, tu,

que eu guardo no coração a sorrir!

 

E, hoje, neste dia, que é teu, quero,

sentir os teus nervos a tocar meu corpo,

carinhosamente, sentir-te minha,

apaixonadamente, porque só com paixão,

por dentro do coração tu és – poesia!

 

S.P.

Tranquilamente

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Hoje, ao meio da tarde, a caminhar para o final do dia, estava sentado ao sol, no meu terraço, ali, onde, por vezes, fico sentado, só para estar ali, sentindo o sol.

De repente uma borboleta cruzou o silêncio dos meus olhos. Olhei. Deslumbrei-me no colorido das suas asas. Na distância escutava o som da natureza, em trinados, melódicos.

O comboio  passou. O comboio passa todos os dias, à mesma hora, sempre, repetidamente. Ergui os olhos, como quem quer partir em viagem.

A borboleta pousou, delicadamente, no parapeito do muro . As asas sincronizadas em leves movimentos. O sol brilhava. A borboleta levantou vou e cruzou-se, na minha frente, entre mim e o brilho da luz solar, pintando o azul de cores garridas.

Senti o tempo, esvoaçando. Fechei os olhos. Mergulhei numa penumbra de cores, que emergiam nos raios que coloriam os meus pensamentos .  Abri  os olhos.  Estiquei os braços. Uma paz imensa percorria a brisa refrescante.

A vida a pulsar, serenamente. Não me apetecia fazer nada, apenas estar ali, sentado, pisando o sol com o olhar.

Tive a sensação de viver o tempo por dentro do tempo, o passado, no ritmo do comboio que se perdeu na distância. O presente no fluir das asas de uma borboleta. O futuro colorido por dentro dos meus nervos.

Senti que o passado teve ali, solenemente, o seu fim, porque o passado finda em cada instante que vivemos. Registei o presente a perder-se no silêncio das asas coloridas. E, por fim, senti  o futuro, sim, o futuro, esse futuro que falta cumprir, ali, sempre ali, à espera do fim, porque afinal, quer quieramos, quer não, o destino do futuro é sempre o mesmo do passado e do presente. Viver.

Nós, estamos sempre em cada presente a meio caminho, entre o passado e o futuro, envelhecendo e sempre que envelhecemos somos, de facto, mais passado e menos futuro. Vivendo.

É por isso, só por isso, que na vida o que vale é ter vida e sentir a vida, assim, sentindo-a, nem que seja apenas no voo colorido de uma borboleta, ela, que enche de cor o silêncio do nosso olhar e torna os dias mais belos. Vividos.

Hoje, ao meio da tarde, sentado ao sol, vi a vida passar nos impulsos que deram vida aos meus nervos. Tranquilamente.

 

S.P.

Sorrir…sorrir..sorrir.. .

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Uma menina, talvez de 12 ou 13 anos, lá ia, pela rua, saltitando, cantando, gesticulando, o mundo exterior, as pessoas que com ela se cruzavam não existiam, era ela, sorridente, feliz, dentro do seu mundo imaginário, seguia, cantarolando e fazendo movimentos de dança. Sorrindo. Sentia-se que vivia uma felicidade única e intransmissível. Olhei e também sorri.

A vida por vezes é isto, cada um faz nascer dentro de si um mundo imaginário, onde só ele se encontra consigo mesmo, gesticula, dança, sorri, diverte-se, uma vivência única. Até há, na verdade, quem transfira para a vida real esse seu imaginário querendo à força que o real se transforme no seu pensamento.

 

Há uma grande diferença entre ver o real, sentir o real, com todos os seus defeitos e virtudes, e, querer que esse real, com todas as suas insuficiências seja aquilo que impositivamente queremos que ele seja, por muitas voltas que demos, o real é o real, e a invenção do real imaginário, não é mais que a invenção do real imaginário.  A vida corre e faz-se com pessoas, reais, essas que são as cidades. Todas.

 

E, neste país, de tantas ficções, há, sem dúvida, muito espaço para a criatividade, invenção, ilusões.

Depois de ter vivido os anos da troika, deixei de acreditar em mundos perfeitos. O mundo é este, onde vivo, real, tão real, que amanhã, num instante, para o outro, pode ter fim, para mim e para muitos. É por isso, só por isso que quero viver, viver e sentir a vida. Viver.  

Pensava em tudo isto, enquanto olhava, aquela miúda de 12 ou 13 anos, a saltitar, em passos de dança, reais, tão reais como a musicalidade que vibrava dos seus lábios.

 

Cheguei ao café, sentei-me a ler, descansadamente, fumando, olhando as gaivotas e sorrindo. Pessoas passavam a sorrir. Ainda há pessoas que sabem e gostam de rir nesta cidade – mesmo quando estão fartas e cansadas – porque uma cidade sem sorrisos é uma cidade triste.

Uma das coisas que mais gosto, pela manhã, é passar junto às redes da escola do Ensino Básico e escutar aquele burburinho matinal de gritos, sorrisos, brincadeiras, e, registar aquelas trocas de mimos de mães e avós. Sinto que há vida. Sinto que há futuro.

 

As pessoas quando se fecham, num mundo fechado, naquele mundo fechado onde só se escutam a si mesmas e as suas certezas, acabam por ignorar que há mais mundo, que esse mundo, que eles cultivam, intelectualmente, tornam-se como aquela criança de 12 ou 13 anos, que sorri e só sente o seu mundo.

Gosto de escutar os sorrisos nas ruas da cidade, porque são os sorrisos nas ruas da cidade que lhe dão vida e brilho, todos os dias, mesmo em dias como o de hoje, com o sol escondido...escutei sorrisos e fortes gargalhadas.

É que, na verdade, há coisas nos dias que nos fazem mesmo rir, rir e… sorrir…sorrir..sorrir.. .

 

S.P.

Sempre Mulher!

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Talvez, sim talvez, porque dizem,

vale a pena dar vida ao dia, o teu,

porque afinal, ainda há silêncio,

muito silêncio por dentro, de ti,

em gritos calados, lágrimas, tuas,

essas, que só tu sentes, sorrindo.

 

Talvez, sim talvez, porque há flores,

nas ruas da cidade, neste dia, o teu,

como se todos os dias, não fossem,

sempre, dias teus, esses que conquistas,

correndo, gritando, sonhando, amando,

tu, que nunca desistes de correr, saltar,

superando todos os combates sorrindo.

 

Talvez, sim talvez, se tu não fosses,

o mar onde nasce a vida a florir,

o sorriso que encanta os dias,

a palavra que acaricia a dor,

o beijo que cativa o coração,

o afago de ternura no peito,

o estímulo que ilumina os nervos,

essa energia vibrante de fazer,

construir, ser, apenas isso, ser!

 

Sim talvez, se tu não fosses tudo isso,

eu, digo-te, procurava encontrar,

por dentro da luz dos teus olhos,

as razões porque dizem, ser este,

o dia teu, e nesse recanto do teu olhar,

ficava sentado, ali, a olhar-te por dentro,

não para escrever um poema,

nem sequer para te imaginar igual,

diferente, com direitos que são teus,

mas apenas para descobrir, sentir,

onde vais tu buscar tanto querer,

tanto ser, tanto amar, tanto dar,

tanto fazer, tanto calor, tanta dor,

tanta energia que se escreve amor.

 

E, só então, por dentro dos teus olhos,

viajando até ao centro do teu coração,

ali, eu seria, sim talvez, assim seria,

capaz de escrever um poema, um só,

aquele que sinto quando penso em ti,

nessa imensidão de tudo o que tu és,

imaginando-te um imenso poema,

um grito em ritmo de canção,

energia que produz trabalho,

educação que descobre a vida,

luta que abre caminho futuro,

ternura dos teus dedos a florir,

carinho suave que adormece,

sabor doce de todos os tempos,

odores que te fazem primavera,

loucuras e paixões nos nervos,

só então, dentro de ti, ternamente,

escrevia um poema , nosso filho,

escrito com todas as palavras,

em todas as línguas do mundo,

em ecos no infinito das galáxias

porque, afinal, em todas as palavras,

tu estás, ali, a nascer na natureza,

mãe, avó, filha, irmã, companheira,

luar, vento, sol, calor, mulher…

Sempre Mulher!

 

António Sousa Pereira

8 de Março de 2017

Março

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O mês de Março transporta dentro de si uma mensagem eterna, essa, que vale a pena sentir e descobrir, porque ele, é, sempre o princípio de um tempo que floresce por dentro de sementes, plantadas no tempo, essas, donde brota o colorido que rasga a natureza e faz da natureza um tempo de poemas. Flores. Cores. Sorrisos. Beijos.

Foi em Março que Abril começou a florir nos meus olhos, numa neblina ténue que permitia, ver, ali, bem perto o sol a rasgar a Liberdade.

As palavras a pulsar, tic-tac, tic-tac, cronometrando todos os silêncios. Calados. Sentidos.

Este Março que se escreve Primavera. Este Março que se escreve Mulher. Este Março que se escreve poesia.    

Renovar. Recomeçar. Reagir. Retomar. Retroceder. Reenviar. Reviver. Recordar. Reaprender. Renascer.

O eterno ciclo da semente, flor e fruto. O velho que dá lugar ao novo, um novo que transporta dentro de si o velho. A vida que começa e recomeça em cada Primavera, aqui, em Março.

Gosto de Março, do seu perfume, do seu colorido, do seu suave carinho, esse, que toca os lábios, num beijo feito de eternidade.

Toco uma flor em Março, como quem toca os sinais do teu corpo – tu mulher – a heroína, a lutadora, a inspiradora de paixões, de olhos de todas as cores e rosto de luar, esse, onde Março é sempre Primavera.

Canto um hino em Março, como quem grita as emoções, vibrantes de uma multidão em esperança e imagino-te – a ti poesia – saltitando nas ruas da cidade e escrevendo nas paredes, em todos os muros, os versos de todos os poetas, onde nunca falta essa mais bela palavra do mundo – Amor.

Gosto de Março, talvez, afinal, porque em Março, as sementes rasgam a terra e os pensamentos tornam-se sementes que iluminam a saudade do que fomos, do que somos e seremos. Renascendo. Sim, renascendo, porque só renascendo todos os dias abrimos a esperança e sentimos a alegria de viver.

Cumprindo. Cumprindo-nos!

 

S.P.

Há dias assim…

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Há dias, sentidos, que as lágrimas rasgam os nervos e tornam-se pensamentos. Mergulhamos nas caves dos neurónios, lá no fundo, onde, tudo o que vivemos está guardado. Recordamos sorrisos. Recordamos palavras. Recordamos encontros, misturados em cânticos, ali, nos milhares de gritos e risos de crianças.

 

Há dias que a vida emerge em cascata, por dentro dos olhos e tudo é tão limpo, como as gotas que caem do céu, brilhantes de luz e ternura.

Há dias que sentimos o carinho tocar o coração, pulsando, num ritmo intenso, tão intenso que as palavras são impotentes para tornar real, o real que nos cai, inesperadamente, num abraço feito canção.

 

Há dias, marcados pela palavra saudade, essa, que nos transporta às profundidades do tempo vivido.

Então, sentimos, como esta nossa presença terrena, torna-se eternidade, quando alguém parte, ou quando recordamos alguém que partiu, e, só então, tomamos consciência da nossa (in)finitude.

 

Há dias que as lágrimas tocam a memória e a memória fica, subitamente, inundada de amor, de recordações, de sorrisos, de tudo o que é belo e nos move, dando energia para superarmos as intempéries e acreditarmos na vida.

 

Há dias que a vida se mistura com a morte, e, suavemente, a morte se confunde com os sorrisos das crianças. Tristemente. Amarguradamente.

Há dias que, pela sua tristeza, as lágrimas de cristal que tocam os nervos, fazem-nos pensar e sentir, porque, afinal, chorar é também pensar com os olhos.

Há dias que o coração se enche de suor e o sangue é a escrita da saudade. Do partir. Do sentir.

Afinal, por muito que vivamos, por muito que a vida nos negue o viver, o que vale, o que sempre vale, é sentirmos que vivemos, até ao último instante, por dentro de todo o tempo, a alegria de construir a nossa paixão, todos os dias. Sonhando. Fazendo.

Porque, de repente, amanhã, depois, num dia qualquer, todos, subitamente, partimos. Fomos.

Por isso, só por isso, as lágrimas que inundam os nervos e o coração, em dias, naqueles dias, como o de hoje, são lágrimas que nos motivam a seguir os exemplos de vida, aquelas vidas, que nos legaram uma forma de estar e ser – viver apaixonadamente o que gostamos, o que somos, o que queremos, na certeza que esse viver é, sempre, uma partilha de aprendizagens, de descobertas, procurando desvendar o sentido da vida e, nele, a construção dos dias. Amando.

 

Há dias, sim há dias, que fechamos os olhos e apenas recordamos – um sorriso, ou, uma lágrima a florescer saudade, cravando-se nos sentimentos, por dentro dos nervos.

Há dias assim…

 

S.P.

Politica de Negação

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Por muito que falem que o Barreiro é “isto” e “aquilo” e “aqueloutro”, com alguns discursos, iguais aos que já escuto ao longo de muitas décadas, eu escuto essas palavras e sinto que há uma enorme distância entre o dito e o real.

Nestes anos todos aprendi uma lição muito simples – a vida são factos e não são palavras que alteram os factos, por muito que achem que os factos, são os factos expressos por certas palavras.

A vida não é marketing. A vida é real. E por muito que utilizem técnicas «pavovlianas», repetindo frases curtas e simples, de forma a condicionar o pensar sobre o real, impondo uma «interpretação», não me conseguem convencer que o Barreiro é uma terra onde não existem condições para viver e, nem mesmo, que é uma terra sem vida.

 

Desculpem, devem viver noutra terra, ou sou eu que sou um felizardo e sinto que nem tenho tempo para estar em todas e viver os muitos acontecimentos e eventos que dão vida regular a esta cidade.

E, de facto, se não vou a mais a eventos, e, também, se não escolho jantar fora ou almoçar fora muitas vezes, aqui na cidade, onde há bons restaurantes e muitas opções, não é que não gostasse, mas, apenas porque não posso e tal devo agradecer à troika que me tirou a mim e a muitos, mas esqueceu-se dos offshores.

 

Ignorar o pulsar da cidade é ignorar a vida da cidade.

Até admito, e tenho comentado muitas vezes, que a cidade podia e devia potenciar alguns eventos, que nascem pequeninos, mas têm dentro de si a semente para crescer e transformarem-se em eventos de dimensão regional, nacional ou até mesmo internacional. Mas isto também faz parte da «cultura da cidade», cada um estar por si, em vez de unir vontades e saberes.

 

Mas, depois penso, e como penso, sei que a cidade não tem uma dimensão económica que possa ser, ela mesma, também protagonista, potenciadora e dinamizadora, pelo facto do tecido económico ser essencialmente de pequenas e médias empresas, gente que arregaça as mangas, trabalha e luta para manter a sua actividade e, perante todas as dificuldades e desafios lá vai conseguindo encontrar coragem e resiliência, sendo esse, na verdade, um factor que acaba por influenciar um «modus vivendi», muito com base no – «cada um por si, próprio».

Imaginem se todos os comerciantes da zona do centro da cidade se unissem numa «plataforma de acção» e decidissem ao longo do ano criar vários eventos - «Noite Aberta», ou «Dia dos 30% de desconto», ou «Dia da Flor», estimulando a co-operação e agindo em comum no fazer negócio e fazer cidade. É um sonho.   

 

Somos uma cidade que vive com dignidade, com um tecido económico baseado em gente de trabalho, micro, médias e pequenas empresas.

Somos uma cidade com imensos voluntários que dedicam seus tempos para manter vivos espaços de cultura, formação desportiva, de lazer, de convívio, no fazer cidadania.

 

Somos uma cidade que está a sobreviver de forma nobre, que a todos nos deve orgulhar a uma desindustrialização feroz que destruiu milhares de postos de trabalho directos e outros tantos milhares indirectos. Afectando todas as vivências e a sua dimensão económica.

 

Somos uma cidade que tem vindo a recuperar as condições de vida do seu espaço urbano, herdado de uma construção desenfreada, sem regras, sem consideração pelas populações. Construíam-se casas e a habitação terminava à porta da rua. Não existiam passeios, nem estradas e inclusive, muitas vezes, sem acesso a redes de saneamento ou redes de abastecimento de água. Este tem sido um trabalho digno e impressionante do Poder Local após o 25 de Abril, onde foram gastos milhões, mesmo muitos milhões, que, certamente, davam para fazer piscinas e pavilhões multiusos e promover eventos que nos tornariam referência em Portugal, na europa e no mundo, tanta tem sido a criatividade das nossas gentes.

 

Há dias comentava os milhares de euros que vão ser investidos para dar condições de vida digna aos moradores do antigo Bairro da CUF e os milhares que foram gastos para recuperar os espaços exteriores do Bairro Alfredo da Silva, aplicados no Barreiro Rocks, ou no Out Fest, ou no desenvolvimento desportivo, que dinâmicas sociais seriam possíveis realizar, estimulando a nossa imensa criatividade. Até criando novos empregos.

E todos os anos, há décadas, que são recuperados logradouros. Uma injustiça.

 

Espero que um dia exista um plano de curto, médio e longo prazo de recuperação dos equipamentos sociais do Movimento associativo, olhando aqueles espaços não como espaços privados, mas como «praças públicas da cidadania» e de participação no fazer cidade.

 

Sim, é verdade, e todos os anos, há décadas, que são investidos milhões nos TCB para manter um serviço público, dos poucos que existem no país, fora de grandes centros urbanos. E lamentamos que não sejam melhores. Também lamento. Mas nada se faz sem dinheiro.

Eu, se tivesse dinheiro abria um canal na TV cabo.

Eu, se tivesse dinheiro fazia um Centro Interpretativo na Praia da Barra-a-barra dedicado ao período neolítico e fazia uma grande piscina natural, aproveitando aquele imenso recurso natural do Tejo que ali está ao abandono.

 

Não estou disponível para dar sentido ao «estado de negação» do fazer cidade e cidadania.

E, como não acredito que o Poder Local possa subsidiar tudo, quando grande parte do seu orçamento é direcionado para concretizar os seus programas e manter vivos os seus espaços, mantendo viva a vertente municipal de fruição cultural, isso, de facto, leva-me a não acreditar em milagres.

Embora, diga-se, apesar de tudo, ainda há muitos que vão beneficiando, dentro do possível, dos frutos que nascem nesse «milagre», e, de facto, ir criando e sonhando. Muitos, sei, até esquecem o que receberam na sua formação humana. A isso chama-se ingratidão.

 

Não gosto da política feita com a sua vertente de «politica de negação», porque ela faz-me cócegas, afinal, esta é a génese de discursos populistas e demagógicos, que só olham para o que está mal e nunca nada é bem feito.

 

Os discursos para desacreditar, os discursos feitos dos rótulos fáceis, os discursos que não visam mais nada que criar um clima de desmoralização social e gerar ondas de maledicência, baseados na deturpação da realidade factual e impondo um clima análise arruaceiro. Esses discursos estão na origem da destruição da vida democrática.

 

Sei, sim sei, que por vezes isso resulta, há exemplos muito recentes, e, de facto, não é por mero acaso que, um pouco por esse mundo, vai se impondo o «trumpismo». Isso é viver a politica sem valores, nem ideais, é o combate pela conquista do poder pelo poder. Vale tudo. Mentir. Iludir. Criar factos imaginários. Deturpar a realidade manipulando a informação. Destruindo o carácter. Criticas injustas.

É por isso que o populismo vai aumentando e talvez um dia, possa ser tarde, e, então os democratas pensem como foram longe demais com as práticas geradoras de ódios e práticas estigmatizantes.

 

É esta a «espuma cultural» que vou sentindo emergir quando vejo certas «agendas de politicas de negação» que varrem por dentro destes tempos de guerras digitais, de perfis falsos para gerar confusão e, por vezes, pressionar e lançar o medo. Estimulando a destruição e vandalismo.

 

O mundo está mal. Há milhares a morrer no Mediterrâneo. Há milhares a morrer à fome em África. Há o Brexit. Há o Donald Trump. Há o Putin. Há o Estado Islâmico. Há corrupção. Há fraudes. A política é um negócio entre outros negócios e uma rede de empregabilidade. Mas tudo isto não é o mundo. Se eu valorizar só isto, o melhor que faço é deixar de acreditar na democracia e na Liberdade.   

 

Vem tudo isto a propósito de sentir, cada vez mais, um discurso – repetido, permanentemente repetido – que me quer obrigar a olhar para esta terra, aqui, onde vivo, com um olhar marcado por um “estado de negação”, porque se diz ser esse o sentimento implantado no território. E como tal, se é esse o sentimento, aproveite-se a onda.

Recuso. Há factos e se há factos eles não me obrigam a negar as evidências. Há erros, claro que há, este não é o melhor dos mundos, nem esta é a melhor cidade.

Mas eu gosto de viver neste mundo. Adoro a europa e cultura europeia de liberdade e fraternidade. Mesmo sabendo que nesta europa existe a Hungria. Para mim a Europa não é a Hungria.

Tal como adoro viver nesta cidade e acho esta cidade uma cidade de afectos de encontros, de vida. Uma cidade onde todos nos conhecemos e encontramos em cada esquina um amigo. Uma cidade dividida entre o cosmopolitismo e o provincianismo. Uma cidade que tem tanto de vanguardista, como de conservadora.

Uma cidade que beija o Tejo. Com um imenso pulmão. Com história e com estórias e com muitos rostos. 

 

O que desejo é que aqueles que assumem a gestão dos seus destinos a amem e contribuam, pela sua acção politica, para que ela seja, hoje, como antes do 25 de Abril – uma terra de Liberdade – de respeito pelas diferenças.

Uma terra onde aprendi a viver os ideias políticos, como ideal com valores, princípios e como causa nobre e humanista.

O «estado de negação» empurra-nos para uma análise negativa da cidade e do mundo e, no limite, obriga-nos a esconder o real e a viver com um imaginário de ficção destrutivo.

 

S.P.

Resta-me sorrir!

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Eu posso ser o melhor cidadão do mundo,

um exemplo de perfeição, sem mácula,

o meu cão não suja as ruas da cidade,

eu cumpro todos os deveres de cidadania.

 

Eu posso ser o mais perfeito cidadão,

cumpro rigorosamente todas as posturas,

códigos de ética, valores filosóficos, ideais,

políticos, religiosos e até voto em liberdade.

 

Eu posso ser o melhor cidadão do mundo,

mas o melhor cidadão do mundo, não é

o mundo, nem o mundo é o melhor dos mundos.

 

Eu posso ser o melhor entre os melhores, mas,

penso, e ao pensar, sei que não há melhores,

 no mundo, porque o mundo é feito de tudo,

o que queremos, e até do muito que não queremos

– é o mundo!

 

Por isso, só por isso, sei que não sou, nem nunca serei,

o melhor cidadão do mundo, nem nunca haverá,

um mundo que seja o melhor dos mundos. Eu penso,

e, porque penso, sei que o melhor dos mundos,

é sempre um mundo anunciado, circunstancial.

 

Afinal, nós somos no tempo que vivemos, aqui,

neste mundo, real, que vai para além, muito,

mesmo muito, do tempo vivido e dito eleitoral.

 

É por isso, que sei que o mundo é real, tão real,

que muitos prometem um mundo ideal, depois,

na vida real, os cães continuarão a cagar nas ruas,

os contentores a ser vandalizados, as posturas, essas,

continuarão a existir, reais, tão reais como o sol,

e, eu, o melhor cidadão do mundo, que acalento,

essa perfeição – que sei não existe, nem sequer sou,

essa possibilidade impossível, vou sorrir, apenas,

sorrir, e dizer, aquelas palavras milenares, escritas,

e ditas: “Quem não pecou que lance a primeira pedra!”

 

É por isto, apenas por isto, que eu sei, sim sei,

que não sou, de facto, o melhor cidadão do mundo!

 

Os melhores cidadãos do mundo são os perfeitos

e esses, são os génios, porque são únicos, únicos!

Um dia que o mundo seja feito só de génios, esses,

os perfeitos, tenho medo, porque acaba a Liberdade!

 

É por isso que eu prefiro ser apenas um cidadão, isso,

apenas isso, um cidadão no mundo, acreditando que,

afinal, todos podemos contribuir para fazer um mundo,

um pouco melhor, esse, onde todos possam viver,

agir, construindo e fazendo cidadania - nas diferenças!

 

Afinal, apenas, somente, estou cansado, plenamente

cansado, desse mundo imaginário – onde só existem,

os bons, os maus, os perfeitos e os imperfeitos.

 

Eu que não sou coisa nenhuma, é verdade, é mesmo

verdade – por vezes – neste mundo tão cheio de perfeitos

fico triste, então, olho o sol, e sei, resta-me sorrir!

 

S.P.

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