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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Eu vi florir uma lágrima nos teus olhos

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Estava a li sentado, na tua frente, tu falavas da SFAL, da sua história, das suas gentes e, de súbito, senti a comoção tocar tua voz e vi florir uma lágrima nos teus olhos. Suspiraste. Contiveste os sentimentos.

“Foi emocionante, muito emocionante escutar o Hino da SFAL tocado por três bandas. Obrigado. Este dia vai ficar como marca nas comemorações dos nossos 150 anos”, sublinhaste.

Ali, sentado, na tua frente, milhares de imagens percorreram em segundos a minha memória.

Percebi a tua comoção. Percebi. Porque é preciso ter vivido, assim, como tu, hoje, vives e sentes no coração o quotidiano da vida associativa, para perceber por dentro das palavras a emoção que nascem em palavras que florescem de actos vividos à flor da pele.

 

Lá dentro, enquanto soltamos as palavras e olhamos, nos olhos, com verticalidade, a moldura humana que nos rodeia, nesse momento, sabemos porque vale a pena a dedicação o voluntariado, o fazer associativismo.

E, muitas vezes, lá dentro em segundos esvoaçam, aqueles sentimentos que levam a refutar os saudosismos, aquelas ideias que se repetem, sobre o antigamente, como se o antigamente fosse o melhor dos mundos e, o hoje, não passa de uma mera ilusão.

Nesses instantes, sentimos como vale a pena acreditar e sonhar, porque o mundo de hoje é real e real é aquela vivência que faz florir lágrimas de amor à vida e de alegria.

 

Muitos nunca vão perceber isso, o que é o viver para a comunidade e pela comunidade. É por isso que te admiro. Porque eu cansei-me de ingratidão.  

E, por isso, quando vi aquela flor a florir nos teus olhos os meus, naquele instante, humedeceram trazendo à memória momentos inesquecíveis, feitos de mim e de ti, dos nossos frutos, de muitos silêncios que forjaram o cansaço, mas, também de muitas amizades e alegrias que enchem o coração. Sorri. Porque o melhor da vida é sorrir!

 

António Sousa Pereira

A vida amanhã continua…

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Hoje foi o meu primeiro dia após as férias. Aproveitei para tomar o pulso ao tempo, sentir as ruas da cidade, olhar as paisagens, tocar no vento, ali, junto ao Tejo.

Vi, nas ruas, a presença das autárquicas, sem nada de novo, apenas os rostos já conhecidos e aquelas frases que, acho, pretendem marcar as diferenças na forma de pensar a cidade e os seus problemas.

Encontrei amigos e conhecidos. Pouco conversei.

Tratei de alguns assuntos. E, na verdade, enchi o dia com a leitura do suplemento do jornal «Público» que assinalava as suas 10.000 edições. Sou leitor do «Público» desde o seu primeiro número é um jornal que me proporciona, diariamente, os mais diversos temas para pensar e sentir o tempo que vivo. Recordo, com saudade, a rúbrica de Eduardo Prado Lourenço.

 

Um jornal que me ajuda a compreender a importância do jornalismo que motiva a pensar, que rasga caminhos, que ajuda a criticar, que promove confronto de ideias, que se insurge contra o politicamente correcto, que ajuda a sentir que ter opções, é, acima de tudo, ter um suporte de valores onde se enraíza a vida e o olhar para o presente e o futuro. E, digo-vos, ter opções é mais, muito mais, que ter opiniões. As opções estão no coração. As opiniões são feitas pelo movimento dos dias e da vida.

 

É difícil num mundo marcada por maniqueísmos, onde muitas vezes verificamos que para defender pontos de vista, mais que afirmar diferenças, opta-se por rotular e destruir carácter.

Este jornal tem sido para mim um guia para a acção e delicio-me, todos os dias, quando percorro as suas páginas. Não digo que seja a perfeição, mas isso, da perfeição é só para os perfeitos. Mas este jornal, é, sem dúvida, um jornalismo de referência.

Respeitar as diferenças é essência da democracia e a força da cultura democrática. Sinto isso nas suas páginas, na diversidade de ideias e na abordagem de temas.

Tenho pena, por vezes, que a margem sul, não mereça mais espaço nas suas páginas.

 

Enfim, mas, isto do fazer jornalismo é complicado, principalmente, quando se agudizam os conflitos da luta politica.

Nestes tempos ter opinião é o mesmo que ter opção. Porque existem os possuidores da verdade que não admitem outras verdades. Nem percebem que ter opinião é muito diferente de ter opção.

Posso concordar com alguém subjectivamente, mas não estar dispor a seguir o seu caminho objectivamente. É uma questão de critério, porque, afinal, há mais vida que aquela expressa na interpretação subjectiva.

Se valorizamos uma personalidade pela sua acção, aqueles que a combatem, apenas por combater, muitas vezes sem fundamento, apenas porque é preciso combater, erguem-se logo de dedo em riste, rotulando. Tu és isso… Coisas de puristas.

 

São estas as minhas reflexões, neste final do primeiro dia de regresso de férias, depois de andar pelas ruas da cidade e sentir a cidade. Por aqui termino. A vida amanhã continua…

 

António Sousa Pereira

Meu primeiro sonho foi surpreendente

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Neste primeiro dia que começo a deixar para trás uns dias de descanso, dedicados a escutar gaivotas, ouvir as ondas do mar, sentar-me na areia de olhos fechados e mergulhar por dentro de mim mesmo, quero começar vos contar o primeiro sonho que tive, na primeira noite que voltei ao lar doce lar. Que saudades que tinha deste meu cantinho.

 

Pois é, o meu primeiro sonho foi surpreendente. Passei a noite numa longa discussão. Usei todos os argumentos possíveis, feitos de experiência de vida, para demonstrar a uma pessoa que, não sei quem é, porque nunca a tinha visto em lado nenhum, como a vida é complicada, como há coisas que resultam de processos legais e como as burocracias são difíceis de superar. Eu explicava e voltava a explicar.

Os temas eram absurdos e reais. Desde os incêndios que se repetem, passando pelos discursos dos políticos e os sistemas de protecção civil. Era como um retorno a coisas vividas por dentro.

Por fim, a pessoa com quem conversava, sem argumentos para contestar o que, na minha paciência, procurava explicar, voltou-se para mim e disse-me – “Oh palhaço, eu é que sei este carro é meu”. Uma resposta fora do contexto, que colocou fim à conversa e à longa discussão, da qual só recordo este episódio final, porque acordei.

 

Levantei-me. Sorri, Olhei o sol e disse «Bom Dia!».

Comentei – “Tive um sonho que afinal é uma lição de vida. Não vale a pena argumentar, nem discutir com quem não nos ouve, ou com quem está completamente obcecado pela sua verdade”.

Por exemplo, não vale a pena dialogar ou querer sequer dizer ao antigo Presidente da República, seja aquilo que for, quando ele nas suas próprias palavras cai em contradição, quando afirma que a «realidade tira o tapete à ideologia».

Ele não percebe que fala contra si próprio, porque ou ele não tem «ideologia», ou então, é defensor de uma única ideologia aquela que para ele é a única que tem uma leitura correcta da realidade. E a realidade será sempre diversa e interpretada de forma diversa. Com muitos pios.

Quando estava na praia a escutar as gaivotas, reparei que, até as próprias, têm formas diferentes de piar.

Se calhar foi ele a causa do meu sonho…ou outros que também acham que possuem uma «ideologia» que é a verdadeira interpretação do tempo que vivem.

Afinal, isso sempre foi um perigo e muito trágico para a humanidade.  

 

António Sousa Pereira

O Tejo

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No final do dia, sorrindo,

lavamos o olhar nas águas,

por dentro da distância

onde a vida reluz colorida.

 

Sentimos o movimento

do tempo a brilhar, ali,

nas tuas ondas suaves,

produzindo memórias,

as naus… ou um beijo.

 

O Tejo toca o coração

com energias a florir,

ali, no dia que parte,

anunciando o tempo

que tudo transforma!

 

S.P.

20 de Julho de 2017

Acabei de chegar à idade dita terceira!

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Hoje dei comigo a pensar que atingi um novo tempo, por dentro do tempo que sou, esta linda idade de 65 anos. Dizem ser o tempo do começo da terceira idade.  Acho, mesmo, que é uma idade linda. O tempo de sermos intensamente tudo o que somos, com tudo o que fomos, porque tudo isso,  é, afinal, tudo o que seremos.  Como é lindo sentir o tempo a brilhar nos olhos e a sorrir no coração.  

Recebi a saudação de muitos amigos. A todos fica aqui a minha gratidão, um abraço, um beijo, uma fraterna saudação. A vida sem a emoção de sentir a vossa amizade não tinha sabor. A amizade é o sal da vida. Obrigado!

Mas, acima de tudo, o mais belo foi ter, ao meu lado, aqueles que deram o maior sentido à minha vida e, foram, sem dúvida, sempre, a principal motivação de todas as escolhas que fizeram de mim o homem que sou, com todas as dúvidas e certezas, com tudo o que faz o tempo que vivemos, sempre que vivemos a vida intensamente, sendo,  e,  também, sempre, construindo os dias com uma enorme vontade de amar , viver e fazer vida. VIVER!

Acordar, olhar o sol e gritar – BOM DIA!

Pronto, agora, vamos lá viver a terceira idade!

 

S.P.

Uma tarde entre palavras e fotografias

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Hoje, à tarde, num momento de pausa, daqueles que nós gostamos de ter para nós mesmos, sentei-me a ler, o livro «Sintonias», de Rute Pio Lopes. Mergulhei por dentro das suas palavras-poemas e nas suas fotografias. Fui folheando suavemente, assim como quem está a ler, ver e sentir.

Suas palavras-poemas tocam por dentro dos dias, desnudam sentimentos. Suas imagens prendem o olhar, em espaços que fazem parte do quotidiano. É uma leitura suave por dentro de palavras e lugares. Paisagens que são motivo para reflexão. Emoções. Pensamentos.

Sente-se a forma simples e serena como Rute Pio Lopes se debruça sobre os dias e sobre a vida. Um pensar forjado em palavras que nascem de imagens vividas pela sua objectiva. Gostei da pureza das palavras e da força das imagens,

 

Depois, levado neste encontro com a fotografia e as palavras, voltei a reler , o livro que vai ser lançado no próximo dia 9 de Julho, pelas 16 horas, na Igreja de Santo André.

É um livro que podemos abrir uma página, ao acaso, e, nele, mergulhamos, de forma serena numa energia que nos envolve, pelo encanto das fotografias, pelos pensamentos que são propostos para reflexão.

Um livro que permite sentir o tempo, por dentro do tempo, que funciona como um motor que trabalha ao ritmo de sentimentos – a fé!

A fé que pode ser uma crença, ou até mesmo, uma vontade que nos move para agir – Nunca desistas!

Percorremos as páginas e sentimos a força da fotografia – registo de um instante – que se eterniza, no espaço e na vida.

Lemos o pensamento e cruzamos o pensar com o olhar, a imagem refresca os olhos, o pensamento estimula os nervos.

É um livro que nos ajuda, que auto-motiva. Um livro que podemos dizer -  vemos, ouvimos e lemos – e sentimos no coração.

Um livro que é um conselheiro. Um livro que pode ser o ponto de partida de um qualquer dia, acordamos, abrimos uma página - lemos e vemos – e mergulhamos por dentro dos desafios da vida. Uma vida que seja ela aquilo que for, Isabel Mateus Braga no deixa um desafio para ser e fazer o quotidiano, existe uma «arma» essencial – a fé!

Esta algarvia, minha conterrânea, é mesmo uma marfada!

Está lindo! Beijos.

 

António Sousa Pereira

É por isto que gosto de viver aqui…

Na escola da vida, aquela que nos ensina e nos faz descobrir os valores que guiam os nossos dias, tenho como referência duas vivências que ao longo do tempo vivido influenciaram a minha forma de estar e ser – as experiências na vida associativa e as experiências na vida cooperativa.

Uma das principais lições destas duas experiências foi aprender a viver com as diferenças, cultivar o respeito pelas diferenças e viver uma cultura de partilha e solidariedade.

Foi esta riqueza humanista que, afinal me permitiu, nas circunstâncias, mais diversas, ao longo do tempo superar, contextos e adversidades. Saber qual o meu lugar no mundo.

 

Recordo isto, hoje, que são assinalados os 150 anos da aprovação do primeiro Código Cooperativo, como refere num artigo o meu amigo Dourado Mendes, aliás, homem com quem partilhei momentos inesquecíveis, que guardo nas minhas vivências associativas, principalmente, aquele 1º Congresso das Colectividades de Cultura e Recreio, após o 25 de Abril, no ano de 1992, em Almada. Que riqueza foi, na verdade, para mim, ter integrado a Comissão Organizadora e ter vivido por dentro os bastidores de um evento desta natureza de âmbito nacional. Aprendi.

 

O associativismo e o cooperativismo ensinaram-me a estar, na acção quotidiana, lado a lado, a trabalhar por objectivos comuns, com pessoas de diferentes opções politicas, religiosoas ou sociais – valorizar a vida da comunidade, construir um mundo melhor - sem abdicar das minhas ideias e valores.

É por isso que, sinto algum nervosismo, passageiro, quando escuto ou vejo alguns protagonistas, ao defenderem o que consideram melhor para a terra onde todos vivemos e onde todos queremos viver, que todos dela gostamos de uma forma ou outra, por motivações diferenciadas, achem necessário cultivar o ódio, promover o rancor, para atingirem os seus objectivos ou se colocarem como os verdadeiros defensores de um projecto que vai transformar a vida e mudar o futuro.

 

Viver em comunidade é viver com as diferenças. A democracia é a cultura das diferenças, faz-se no respeito pelas diferenças. A democracia, aprendi, não é uma ideologia, é o terreno onde se forjam e confrontam as ideologias, no respeito pelas diferenças. Não há democracia sem o respeito pelos outros, sem aceitar as escolhas dos outros, mesmo que essas não nos agradem, foi isto que aprendi na vida associativa e no cooperativismo.

Uma cultura de Liberdade. Uma cultura de gestão democrática. Uma cultura de solidariedade. Uma cultura de comunidade.

 

Tenho vivido de forma intensa estes anos de construção de democracia. Procurei, sempre, dar o meu contributo para fazer democracia.  

 

A história da humanidade dá-nos grandes lições. Podem existir valores. Mas há o ser humano, esse que, em nome de valores – da razão ou da fé – na prática, muitas vezes, destrói sonhos. Mata. Tortura.

 

É por isso, que a minha experiência associativista e cooperativista, foi para mim de grande importância, porque aprendi no fazer quotidiano, a viver com o ser humano real, em todas as suas dimensões – do ser, do estar, do parecer, do fazer, da solidariedade, do egoísmo, do amor, do ódio, do elogio, da calúnia, da invenção, da destruição, da manipulação, da amizade, da inimizade, da vaidade, da inveja, da entrega plena, do servir, do enganar, do retirar, do criticismo, das intrigas, dos sonhos, dos projectos, do construir, do errar, do dar, do receber, isto, e tanto mais, vivi, muitas vezes, senti e aprendi, reconhecendo que tudo isto é apenas isso - o ser humano real, tão real, como é a vida.

Muitas vezes senti na pele – invenções, calúnias, algumas gostava mesmo de responder, olhos nos olhos. Mas optei, sempre por ignorar, esquecer e, até, perdoar!

Tudo isto a propósito dos 150 anos da aprovação do primeiro Código Cooperativo em Portugal, em 1867, neste ano que foi fundada a SFAL, a mais antiga Colectividade do concelho do Barreiro. A minha escola de vida associativa.

Querem melhor escola de vida que aquela que nos faz descobrir e aprender a vida, com os nossos erros e virtudes?!

Hoje, passados anos, sinto que tive a felicidade de ter uma experiência de vida que me permite, olhar à volta e sentir que, afinal, com tudo de bom e de mau, nada há melhor que o ser humano para dar sentido à vida.

É por isto que gosto de viver aqui…uma terra que ao longo de décadas sempre se agitou, e, simultaneamente sempre foi conservadora – humana intensamente humana! Um laboratório de vida.

 

António Sousa Pereira

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Há acontecimentos que rasgam a memória do tempo

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O tempo corre, passa pelos dedos como areia que se esvai. Vivemos o tempo entre emoções, vivências, agindo, ora nos acontecimentos, ora parando para sentir e escutar os movimentos da vida.

Quando paramos e recuamos no tempo, mesmo este que foi ontem, encontramos as memórias de dias que forjámos. Esta semana que findou, partiu o meu amigo Tomé, inesperadamente, e, com a vivência das emoções da sua partida, muitas memórias rasgaram o pensamento, de tempos vividos numa azáfama semanal de produzir informação, fazer noticia, dar vida à cidade, aqueles dias que nunca irei esquecer que vivi – uma experiência única – no extinto «Jornal do Barreiro», quer como Chefe de Redacção, quer como Director.

O Tomé era uma peça na máquina administrativa, um homem dedicado, que vivia com uma intensidade enorme a produção semanal do jornal, um rosto que marcou todos que por ali viveram, os dias de fazer jornalismo regional, quer pela sua humildade, quer pelo seu imenso saber acumulado. Aqui o recordo. Até sempre Tomé!

 

No Dia da Cidade – 28 de Junho – vivi aquele momento, que vou guardar para sempre, da entrega da distinção «Barreiro Reconhecido» à SFAL- Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense, a Colectividade que abriu as portas para me integrar nesta comunidade, que adoptei como minha terra, que não é minha, mas é a terra dos meus filhos.

A SFAL faz parte da minha vida, ali exerci os mais diversos cargos associativos, na presidência da Mesa da Assembleia Geral, da Direcção, do Conselho Fiscal, membro da Comissão Cultural, Director do jornal «O Cachaporreiro», nela descobri a vida, na diversidade de relações humanas, nas amizades, nas adversidades, no amor, na solidariedade, nas invejas, foi para mim uma grande escola de vida e de cidadania.

Vivi, ali, momentos que nunca irei esquecer e sinto um grande orgulho e, porque não dizer, até vaidade, de fazer parte da sua história, de ter contribuído para escrever páginas da sua história, quer liderando equipas dedicadas, realizando obra e dinamizando actividades, quer, noutras circunstâncias ajudando outros quando lideravam a colectividade, dando sugestões, fazendo propostas, lançando desafios, sempre, mas sempre, não tenho qualquer dúvida, numa total e plena lealdade e solidariedade.

A SFAL este ano assinala os seus 150 anos, uma efeméride que lhe dá a dignidade de ser a mais antiga colectvidade do concelho do Barreiro.

A entrega da distinção «Barreiro Reconhecido» à SFAL, no Dia da Cidade, foi, sem dúvida um gesto que todos aqueles que viveram momentos que guardam na memória naquela casa, e, todos que contribuíram para lhe dar vida e a manter viva, sentem reconhecidamente. É uma distinção a todos os homens e mulheres, famílias inteiras, que durante todo este tempo viveram a SFAL e continuam a viver a SFAL.

Tenho orgulho de ser Sócio Honorário da «Velhinha». Tenho orgulho em fazer parte da sua história.

Repito, ali, aprendi a viver cidadania, ali, aprendi o que é gratidão e ingratidão, ali vivi alegrias e tristezas, ali aprendi a receber elogios e calúnias, ali, vi crescer os meus filhos e os filhos de outros. Ali teci laços de amizade. Esses é que contam, o resto são as escórias da vida.

Obrigado SFAL por tudo que me permitiste aprender sobre o ser humano e sobre a vida, por tudo que de ti recebi, por tudo o que te dei de forma voluntária e apaixonada, porque ser associativista – é dar e receber, é ter direitos e deveres. Vivi assim, sempre, a vida associativa e isso dá-me uma grande vaidade e orgulho.  

Parabéns SFAL!

 

É isto na vida, por vezes, há acontecimentos que rasgam a memória do tempo. Este tempo que vivemos. E, cada um de nós, quando olha para o tempo e sente o tempo por dentro de si, é, aí, na verdade, que sente a tranquilidade de estar bem consigo e recordar – o bom e o mau – que faz a vida, essa que construímos com os nossos actos, porque a vida são os nossos actos e não as nossas palavras.

Os nossos actos, de facto, só cada um de nós os sabemos e são eles que nos dão serenidade nos dias e nos fazem viver o presente e sonhar futuro.

 

António Sousa Pereira

 

Amor

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Se eu pudesse viajar entre estrelas,
por galáxias, sorrindo ao infinito,
viajava no silêncio interestelar,
para encontrar as cores do sol,
misturava vermelhos, azuis,
rosas, todas as tonalidades,
raios de ouro, deslizantes,
que guardo feitas de ti, ali,
nesses teus lábios vermelhos,
ponto de encontro de espirais,
o buraco negro da vida, núcleo,
dessa eternidade dita -. Amor!

S.P.

Apetece-me pensar a Avenida da Praia deslocalizada para o Mar da Palha

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Cada um de nós tem, sem dúvida, o dever de dar o seu contributo para legar ao futuro um mundo melhor, e, de facto, abdicar da nossa acção é não só abdicar de fazer futuro, mas, acima de tudo é abdicar de fazer presente.

Tenho procurado acompanhar e manter-me, dentro do possível, informado sobre esse projecto de construção do Terminal de Contentores do Barreiro, facto que, desde a primeira hora, todos sabemos é um negócio e que só avançara se existirem investidores privados disponíveis. Igualmente, também sabemos ou sentimos, que, também devido a negócios, desde a primeira hora, existem outros que não estão interessados que o projecto se concretize no Barreiro. Percebi isso no debate que assisti em Lisboa, na Ordem dos Engenheiros.

Termina hoje, dia 16 de Junho, o período de discussão pública do estudo de impacte ambiental.
Quando o mesmo foi disponibilizado de imediato surgiram as fotografias procurando dar uma visão da implantação do Terminal no território do Tejo, frente ao Barreiro.
Nunca tinha ficado com aquela visão, pelo que foi sendo apresentado, nas várias acções promovidas no período do governo PSD/CDS –PP.
Interroguei-me. E pensei: Adeus Avenida da Praia!?
Sou, sempre fui, um apaixonado da varanda do Tejo, hoje, Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita.
Adoro sentar-me por ali e beijar o Tejo com os meus olhos.

Por essa razão, interroguei Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, sobre o projectos que era referido no Estudo de Impacto Ambiental, ele, de forma convicta me disse: “Não é aquilo que nós defendemos. Achas que eu ia aceitar uma coisa daquelas”.
Depois, em conversa com o Vereador Rui Lopo, responsável pelo Planeamento, este proporcionou-me a visão que a Câmara Municipal do Barreiro vai defender no âmbito do Estudo de Impacto Ambiental, e, acrescentou-me que essa, também, é a visão do Governo liderado pelo PS.
Recorde-se que a construção do Terminal de Contentores do Barreiro está inserido no Plano Estratégico Portuário, apresentado pela Ministra do Mar do Governo PS.

Rui Lopo, salientou que o Estudo de Impacto Ambiental não é o projecto de construção do Terminal de Contentores, visa apenas clarificar e definir se existem, ou não, condições para a implementação do projecto.
Quanto à construção essa será a fase seguinte que irá desenvolver-se em duas fases. Numa primeira fase o porto terá os seus limites, aproximadamente, na zona frente ao Clube de Vela do Barreiro, nascendo uma área de ligação ao rio com uma faixa de cerca de 200 metros que vai criar uma zona verde e lazer de vivência pelo rio a dentro, um promontório que vai situar-se na zona que dá para o Mar da Palha.
Pelas explicações e informação que obtive, porque acredito que o Rui Lopo e Carlos Humberto gostam do Barreiro, senti que aquele projecto tem pernas para andar e poderá, efectivamente, ser o ponto de partida para que o território da Baía do Tejo, tenha um equipamento âncora que, finalmente, possa dar um contributo positivo para atrair empresas e fixar população no Barreiro.
O território da Baía do Tejo precisa de equipamentos âncora.
O Barreiro precisa de criar condições de desenvolvimento económico, estratégico e de futuro.
Para mim, de há muito que considero que aquela pérola - o território da Baía do Tejo – deve ser dinamizada e enquadrada no território do concelho e, até, defendo que o município devia fazer parte integrante do Conselho de Administração.
Ali é possível criar emprego, criar habitação, criar espaços lúdicos - culturais, recreativos e desportivos.

A discussão e a importância do Terminal de Contentores que, considero, em boa hora, o actual governo contemplou como projecto de interesse nacional, dando-lhe dimensão estratégica de âmbito nacional enquadrando-o no Plano Portuário, vai colocar o território da Baía do Tejo como de referência na AML, e, simultaneamente, por essa via, pode ser ampliada a sua ligação à cidade.
Acho positivo que neste contexto se defenda a deslocalização do Terminal Ferro-Rodo- Fluvial para aquela zona do concelho, com as devidas ligações ferroviárias.
Isto para mim é pensar futuro.

Depois, fica em aberto, a discussão da segunda fase de construção do Terminal, que aponta-se poderá avançar lá para o ano 2050.
Naturalmente, o projecto que for lançado nos dias de hoje irá condicionar e definir a construção da segunda fase. Mas essa é uma discussão em aberto, que certamente poderá entrar em fase de conceptualização, de forma séria e objectiva, no período pré- eleitoral das eleições autárquicas daqui a 4 anos e não nas actuais.

Agora, a discussão que por ai anda em voga, são meras subjectividades. Consta. Diz-se. Defendo. Vou defender. A exploração de emoções.

E, por aí, surgem todas a vozes, todas, num coro, que devemos preservar a paisagem da Avenida da Praia. Ela é linda e todos dela gostamos de beneficiar.
Uma discussão, afinal, feita apenas de subjectividades, como se diz nos tempos de hoje, todos os tempos têm palavras em voga, agora são «percepções».

É aqui, que, cá estou eu, feito visionário, recordei uma discussão que houve no Barreiro, pelos anos 80, quando se sugeria em termos de planeamento do território que toda a frente ribeirinha – a Avenida da Praia – fosse deslocalizada para a zona do Mar da Palha.
Permitindo à cidade fruir de toda aquela zona que em maré baixa é um imenso lodaçal.

Ocorreu-me isto ao pensamento, porque, afinal, durante décadas, a CUF foi comendo o rio, aterrando enormes fatias do Rio Tejo – onde está a FISIPE, a Tanquipor, a EDP. e onde estavam os Polios, o Zinco Metálico, toda aquela faixa enorme foi «comida» ao Tejo, para fins industrias.

Então, cá com os meus botões, pensava, e, se - lá para o ano 2050 ou 2080 - a cidade decidir aterrar toda aquela faixa frente à actual Avenida da Praia, criando nessa zona o maior parque urbano dentro do Rio Tejo, fazendo nascer uma nova Avenida da Praia junto ao Mar da Palha. Abrindo por ali uma zona de canais, de forma, até, criar um amplo lençol de rio frente ao actual Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita, onde podia funcionar uma enorme pista de remo, e, junto ao Clube de Vela do Barreiro, um amplo lago e uma marina.

Imaginem o que seria aquela ampla frente, hoje de lodo, sendo uma grande parque urbano, que ira gerar um enorme areal no mouchão que existe lá à frente, ligando-se ao Mexilhoeiro e Alburrica, criando a maior praia fluvial do Tejo.
Imaginem o que seria aquela ampla zona com canais naturais, para práticas de desportos como remo, a vela e passeios lúdicos e até uma marina, zonas verdes.
E a fechar essa zona verde, uma nova Avenida da Praia, na frente do Mar da Palha, a fruir toda a paisagem do Tejo,
Uma zona de fazer inveja aos Lisboetas, única, onde podiam ser criadas condições para equipamentos de restauração e desporto.
Uma zona verde que se ligava ao Mexilhoeiro, a Quinta Braancamp e Alburrica, criando uma área de atractividae turística de grande dimensão metropolitana, valorizando o Barreiro Velho e todo o território do concelho do Barreiro.

Estava nesta minhas deambulações visionárias.
E pensava, estamos nós a discutir hoje, de forma emocional, algo que poderá, eventualmente, nascer lá para 2050.
Mas, é uma discussão, em principio, vazia, porque os promotores do projecto, desde o governo PSD, passando agora pelo governo PS e a Câmara CDU, todos afirmam que a nossa Avenida da Praia no essencial vai manter-se nos próximos anos.
E, nisto tudo, ocorre-me que as emoções versus percepções são sempre, na verdade um bom argumentário eleitoralista e populista.

Estamos para aqui a discutir o sexo dos anjos e, fica esta minha reflexão visionária, já que toda esta discussão não passa de argumentos visionários.
Digam, lá se os barreirenses e os governos lá para 2050 ou 2080, acharem que esta minha visão é realizável e permite dar ao Barreiro uma a escala metropolitana, dando-lhe dimensão para se integrar na cidade de duas margens, atraindo Lisboa e Lisboa atraindo o Barreiro.

Se tudo isto de momento não passam de discussão de emoções. Para que serve todo este burburinho local?
Ah, é verdade, estão perto as eleições autárquicas!

E, afinal, porque termina hoje o prazo de discussão pública do Estudo de Impacto Ambiental, aqui fica esta minha reflexão.

António Sousa Pereira

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