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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Politica de Negação

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Por muito que falem que o Barreiro é “isto” e “aquilo” e “aqueloutro”, com alguns discursos, iguais aos que já escuto ao longo de muitas décadas, eu escuto essas palavras e sinto que há uma enorme distância entre o dito e o real.

Nestes anos todos aprendi uma lição muito simples – a vida são factos e não são palavras que alteram os factos, por muito que achem que os factos, são os factos expressos por certas palavras.

A vida não é marketing. A vida é real. E por muito que utilizem técnicas «pavovlianas», repetindo frases curtas e simples, de forma a condicionar o pensar sobre o real, impondo uma «interpretação», não me conseguem convencer que o Barreiro é uma terra onde não existem condições para viver e, nem mesmo, que é uma terra sem vida.

 

Desculpem, devem viver noutra terra, ou sou eu que sou um felizardo e sinto que nem tenho tempo para estar em todas e viver os muitos acontecimentos e eventos que dão vida regular a esta cidade.

E, de facto, se não vou a mais a eventos, e, também, se não escolho jantar fora ou almoçar fora muitas vezes, aqui na cidade, onde há bons restaurantes e muitas opções, não é que não gostasse, mas, apenas porque não posso e tal devo agradecer à troika que me tirou a mim e a muitos, mas esqueceu-se dos offshores.

 

Ignorar o pulsar da cidade é ignorar a vida da cidade.

Até admito, e tenho comentado muitas vezes, que a cidade podia e devia potenciar alguns eventos, que nascem pequeninos, mas têm dentro de si a semente para crescer e transformarem-se em eventos de dimensão regional, nacional ou até mesmo internacional. Mas isto também faz parte da «cultura da cidade», cada um estar por si, em vez de unir vontades e saberes.

 

Mas, depois penso, e como penso, sei que a cidade não tem uma dimensão económica que possa ser, ela mesma, também protagonista, potenciadora e dinamizadora, pelo facto do tecido económico ser essencialmente de pequenas e médias empresas, gente que arregaça as mangas, trabalha e luta para manter a sua actividade e, perante todas as dificuldades e desafios lá vai conseguindo encontrar coragem e resiliência, sendo esse, na verdade, um factor que acaba por influenciar um «modus vivendi», muito com base no – «cada um por si, próprio».

Imaginem se todos os comerciantes da zona do centro da cidade se unissem numa «plataforma de acção» e decidissem ao longo do ano criar vários eventos - «Noite Aberta», ou «Dia dos 30% de desconto», ou «Dia da Flor», estimulando a co-operação e agindo em comum no fazer negócio e fazer cidade. É um sonho.   

 

Somos uma cidade que vive com dignidade, com um tecido económico baseado em gente de trabalho, micro, médias e pequenas empresas.

Somos uma cidade com imensos voluntários que dedicam seus tempos para manter vivos espaços de cultura, formação desportiva, de lazer, de convívio, no fazer cidadania.

 

Somos uma cidade que está a sobreviver de forma nobre, que a todos nos deve orgulhar a uma desindustrialização feroz que destruiu milhares de postos de trabalho directos e outros tantos milhares indirectos. Afectando todas as vivências e a sua dimensão económica.

 

Somos uma cidade que tem vindo a recuperar as condições de vida do seu espaço urbano, herdado de uma construção desenfreada, sem regras, sem consideração pelas populações. Construíam-se casas e a habitação terminava à porta da rua. Não existiam passeios, nem estradas e inclusive, muitas vezes, sem acesso a redes de saneamento ou redes de abastecimento de água. Este tem sido um trabalho digno e impressionante do Poder Local após o 25 de Abril, onde foram gastos milhões, mesmo muitos milhões, que, certamente, davam para fazer piscinas e pavilhões multiusos e promover eventos que nos tornariam referência em Portugal, na europa e no mundo, tanta tem sido a criatividade das nossas gentes.

 

Há dias comentava os milhares de euros que vão ser investidos para dar condições de vida digna aos moradores do antigo Bairro da CUF e os milhares que foram gastos para recuperar os espaços exteriores do Bairro Alfredo da Silva, aplicados no Barreiro Rocks, ou no Out Fest, ou no desenvolvimento desportivo, que dinâmicas sociais seriam possíveis realizar, estimulando a nossa imensa criatividade. Até criando novos empregos.

E todos os anos, há décadas, que são recuperados logradouros. Uma injustiça.

 

Espero que um dia exista um plano de curto, médio e longo prazo de recuperação dos equipamentos sociais do Movimento associativo, olhando aqueles espaços não como espaços privados, mas como «praças públicas da cidadania» e de participação no fazer cidade.

 

Sim, é verdade, e todos os anos, há décadas, que são investidos milhões nos TCB para manter um serviço público, dos poucos que existem no país, fora de grandes centros urbanos. E lamentamos que não sejam melhores. Também lamento. Mas nada se faz sem dinheiro.

Eu, se tivesse dinheiro abria um canal na TV cabo.

Eu, se tivesse dinheiro fazia um Centro Interpretativo na Praia da Barra-a-barra dedicado ao período neolítico e fazia uma grande piscina natural, aproveitando aquele imenso recurso natural do Tejo que ali está ao abandono.

 

Não estou disponível para dar sentido ao «estado de negação» do fazer cidade e cidadania.

E, como não acredito que o Poder Local possa subsidiar tudo, quando grande parte do seu orçamento é direcionado para concretizar os seus programas e manter vivos os seus espaços, mantendo viva a vertente municipal de fruição cultural, isso, de facto, leva-me a não acreditar em milagres.

Embora, diga-se, apesar de tudo, ainda há muitos que vão beneficiando, dentro do possível, dos frutos que nascem nesse «milagre», e, de facto, ir criando e sonhando. Muitos, sei, até esquecem o que receberam na sua formação humana. A isso chama-se ingratidão.

 

Não gosto da política feita com a sua vertente de «politica de negação», porque ela faz-me cócegas, afinal, esta é a génese de discursos populistas e demagógicos, que só olham para o que está mal e nunca nada é bem feito.

 

Os discursos para desacreditar, os discursos feitos dos rótulos fáceis, os discursos que não visam mais nada que criar um clima de desmoralização social e gerar ondas de maledicência, baseados na deturpação da realidade factual e impondo um clima análise arruaceiro. Esses discursos estão na origem da destruição da vida democrática.

 

Sei, sim sei, que por vezes isso resulta, há exemplos muito recentes, e, de facto, não é por mero acaso que, um pouco por esse mundo, vai se impondo o «trumpismo». Isso é viver a politica sem valores, nem ideais, é o combate pela conquista do poder pelo poder. Vale tudo. Mentir. Iludir. Criar factos imaginários. Deturpar a realidade manipulando a informação. Destruindo o carácter. Criticas injustas.

É por isso que o populismo vai aumentando e talvez um dia, possa ser tarde, e, então os democratas pensem como foram longe demais com as práticas geradoras de ódios e práticas estigmatizantes.

 

É esta a «espuma cultural» que vou sentindo emergir quando vejo certas «agendas de politicas de negação» que varrem por dentro destes tempos de guerras digitais, de perfis falsos para gerar confusão e, por vezes, pressionar e lançar o medo. Estimulando a destruição e vandalismo.

 

O mundo está mal. Há milhares a morrer no Mediterrâneo. Há milhares a morrer à fome em África. Há o Brexit. Há o Donald Trump. Há o Putin. Há o Estado Islâmico. Há corrupção. Há fraudes. A política é um negócio entre outros negócios e uma rede de empregabilidade. Mas tudo isto não é o mundo. Se eu valorizar só isto, o melhor que faço é deixar de acreditar na democracia e na Liberdade.   

 

Vem tudo isto a propósito de sentir, cada vez mais, um discurso – repetido, permanentemente repetido – que me quer obrigar a olhar para esta terra, aqui, onde vivo, com um olhar marcado por um “estado de negação”, porque se diz ser esse o sentimento implantado no território. E como tal, se é esse o sentimento, aproveite-se a onda.

Recuso. Há factos e se há factos eles não me obrigam a negar as evidências. Há erros, claro que há, este não é o melhor dos mundos, nem esta é a melhor cidade.

Mas eu gosto de viver neste mundo. Adoro a europa e cultura europeia de liberdade e fraternidade. Mesmo sabendo que nesta europa existe a Hungria. Para mim a Europa não é a Hungria.

Tal como adoro viver nesta cidade e acho esta cidade uma cidade de afectos de encontros, de vida. Uma cidade onde todos nos conhecemos e encontramos em cada esquina um amigo. Uma cidade dividida entre o cosmopolitismo e o provincianismo. Uma cidade que tem tanto de vanguardista, como de conservadora.

Uma cidade que beija o Tejo. Com um imenso pulmão. Com história e com estórias e com muitos rostos. 

 

O que desejo é que aqueles que assumem a gestão dos seus destinos a amem e contribuam, pela sua acção politica, para que ela seja, hoje, como antes do 25 de Abril – uma terra de Liberdade – de respeito pelas diferenças.

Uma terra onde aprendi a viver os ideias políticos, como ideal com valores, princípios e como causa nobre e humanista.

O «estado de negação» empurra-nos para uma análise negativa da cidade e do mundo e, no limite, obriga-nos a esconder o real e a viver com um imaginário de ficção destrutivo.

 

S.P.

Resta-me sorrir!

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Eu posso ser o melhor cidadão do mundo,

um exemplo de perfeição, sem mácula,

o meu cão não suja as ruas da cidade,

eu cumpro todos os deveres de cidadania.

 

Eu posso ser o mais perfeito cidadão,

cumpro rigorosamente todas as posturas,

códigos de ética, valores filosóficos, ideais,

políticos, religiosos e até voto em liberdade.

 

Eu posso ser o melhor cidadão do mundo,

mas o melhor cidadão do mundo, não é

o mundo, nem o mundo é o melhor dos mundos.

 

Eu posso ser o melhor entre os melhores, mas,

penso, e ao pensar, sei que não há melhores,

 no mundo, porque o mundo é feito de tudo,

o que queremos, e até do muito que não queremos

– é o mundo!

 

Por isso, só por isso, sei que não sou, nem nunca serei,

o melhor cidadão do mundo, nem nunca haverá,

um mundo que seja o melhor dos mundos. Eu penso,

e, porque penso, sei que o melhor dos mundos,

é sempre um mundo anunciado, circunstancial.

 

Afinal, nós somos no tempo que vivemos, aqui,

neste mundo, real, que vai para além, muito,

mesmo muito, do tempo vivido e dito eleitoral.

 

É por isso, que sei que o mundo é real, tão real,

que muitos prometem um mundo ideal, depois,

na vida real, os cães continuarão a cagar nas ruas,

os contentores a ser vandalizados, as posturas, essas,

continuarão a existir, reais, tão reais como o sol,

e, eu, o melhor cidadão do mundo, que acalento,

essa perfeição – que sei não existe, nem sequer sou,

essa possibilidade impossível, vou sorrir, apenas,

sorrir, e dizer, aquelas palavras milenares, escritas,

e ditas: “Quem não pecou que lance a primeira pedra!”

 

É por isto, apenas por isto, que eu sei, sim sei,

que não sou, de facto, o melhor cidadão do mundo!

 

Os melhores cidadãos do mundo são os perfeitos

e esses, são os génios, porque são únicos, únicos!

Um dia que o mundo seja feito só de génios, esses,

os perfeitos, tenho medo, porque acaba a Liberdade!

 

É por isso que eu prefiro ser apenas um cidadão, isso,

apenas isso, um cidadão no mundo, acreditando que,

afinal, todos podemos contribuir para fazer um mundo,

um pouco melhor, esse, onde todos possam viver,

agir, construindo e fazendo cidadania - nas diferenças!

 

Afinal, apenas, somente, estou cansado, plenamente

cansado, desse mundo imaginário – onde só existem,

os bons, os maus, os perfeitos e os imperfeitos.

 

Eu que não sou coisa nenhuma, é verdade, é mesmo

verdade – por vezes – neste mundo tão cheio de perfeitos

fico triste, então, olho o sol, e sei, resta-me sorrir!

 

S.P.

O nirvana!

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Há tempos que é preciso preparar a couraça dos sentimentos, proteger os nervos com valores e princípios, porque são eles a força que dão para aguentar as intempéries e todos os desafios.

Tenho dito, em conversas, que cada um de nós, para viver com tranquilidade e serenidade, só precisa três coisas na vida – o equilíbrio financeiro, que garanta viver, sem dependências, tendo o que precisa para garantir a sua vivência com dignidade e de olhos erguidos, sem ter que dobrar os joelhos, calar, ou negar-se para existir e ser humanamente e livre.

 

Precisamos, igualmente, ter o conforto de um recanto, onde o carinho e o amor, a ternura, o ponto de abrigo, a solidariedade, a paixão pelos dias, o acordar e dizer, suavemente: “Bom Dia, meu amor”.

Esse recanto, partilhado, por dentro do coração, que de mãos dadas supera todas as dificuldades, abre sempre novos caminhos, reencontra-se em memórias, com todos os erros e virtudes, protestos e abraços, esse é, afinal, a pedra angular, que nos dá passado, presente e futuro – sorrindo.

 

E, por fim, para consolidar como fermento dos dias, como garantia de resiliência, como energia que permite superar as certezas e incertezas, essa força que anima a vontade, e se transforma no sangue que faz pulsar os sentimentos e todas as paixões – tudo isso tem as raízes nos nossos valores, as nossas crenças, os nossos princípios.

São esses que nos permitem olhar, todos os dias o nosso rosto, sem medo, nem receio de olharmos os nossos olhos, e, sentirmos a delícia de saborear os nossos cabelos brancos, com a frontalidade plena de todo o tempo que vivemos.

 

Depois, à vida, toda a vida, com os seus desafios, confrontos, um mundo em espiral de intolerância, os nervos das conjecturas circunstanciais que fazem as cidades. Tempos de agressão e lutas, que muitas vezes desumanizam. Matam. Destroem.

Mas, nada incomoda, se nós, cada um de nós, cada eu, o meu eu, o teu eu, está bem protegido por essa couraça, esses pilares, erguidos, no terreno onde as nossas pegadas se inscrevem e determinam o nosso estar e ser, aqui e agora, vivendo em Liberdade.

 

 

É simples, muito simples, tão simples que dá para sentir o gozo de viver fazendo o que se gosta, construindo, sorrindo, afinal, o sorriso é a maior força que dá aos dias a alegria, o prazer de ver o sol nascer e começar o dia lendo poesia, tocando os nervos com palavras que dão calor ao nossos actos e gestos. Sabem o que é isso?

Viver é mais forte e enérgico que sobreviver.

Este é o verdadeiro sentido da vida.

Atingir esse patamar, esse tempo, que de conseguirmos erguer nas nossas vidas esses três pilares, sólidos, robustos, é, sem dúvida, o ponto central que conduz a sentir os dias a florir…e, essa, é, sim, a dimensão da vida, aquela que permite atingir a Liberdade por dentro dos sentidos e encontrar a poesia na e com a vida.

Há quem diga, mesmo, que isso sim é atingir a felicidade - o nirvana! Será?

 

S.P.

Se um dia, eu for a Barcelona…

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Se um dia eu for a Barcelona, hei-de levar-te escondido, dentro do meu coração, para que realizes o teu sonho, por dentro do meu olhar e sentir, partilhando contigo esse desejo rasgado pelas agruras dos dias.

Vou levar-te, subindo aqueles imensos degraus, até ao cimo, da torre da Igreja da Sagrada Família, e, sentir-me divertido, rindo contigo, porque já naquele tempo, os sacanas não pensavam que todos tinham o direito de percorrer os caminhos da vida em Liberdade.

 

Ah, é verdade, mas, ali, nos passeios de La Rambla, vamos cantar, gritar, fazemos uma corrida, como quem está num autódromo, sonhamos com os homens estátua, deliciamo-nos com os sons de todos os instrumentos musicais, hablamos castelhano, que é mais fácil que o catalão. Entramos no mercado, e, ali misturados na multidão, mergulhamos por dentro do colorido das flores, o cheiro do presunto e dos frutos. Vivemos os sabores e os odores com os nervos.

Quando descermos, La Rampla, no final, ficamos sentados a olhar o mar e a ouvir as gaivotas.

Então, peço-lhes para em voo, circulando à nossa volta, cantarem o «Hino», aquele que Ferrer Trindade um dia me dedicou, num concerto na SFAL, e, vou dedicá-lo a ti – “amigos para sempre!»

 

Depois, vamos almoçar na Praça do Rei, no meio das colunas, como se estivéssemos no Terreiro do Paço, vamos encher a pança de pão torrado com azeite, alho – sim e tomate - e comer caracoletas assadas. Tu vais gostar.

Vais ver que alguém vai passar e gritar. “Estas aqui David!”. E tu, sorrindo, com o teu sorriso, entre o sereno e doce, vais dizer: “Claro!  Este era um sonho e todos os sonhos são sempre realizados, quando nunca deixamos de sonhar e lutar. Só não alcança os sonhos quem desiste de lutar”.

 

Durante a tarde, damos um passeio pelas ruas, vamos visitar a «La Pedrera» e, ali, tu, mais o Gaudí, vão conversar entusiasmados. Tu vais falar dos teus projectos. Vais dizer-lhe que acreditas que tudo será construído, porque a força da vida de um homem, está nisso mesmo, no trabalho e ideias que semeou e que um dia serão flores que dão colorido às cidades. Imagino-te, frente-a-frente, com Gaudí, modernista e vanguardista e, tu, a dizer-lhes: “É isso que eu quero para o meu Barreiro, que seja uma terra modernista e vanguardista, abrindo portas à inclusão e ao futuro”.

 

Depois de descansarmos, no jardim, garrido e flutuante de cores. Vamos visitar Camp Nou, compramos uma camisola do Figo -  se ainda houver - para guardarmos como recordação. Sabes, ele é uma presença central no Museu do Barça.

Ali, junto ao relvado com as emoções à flor da pele, erguemos a voz, bem alto e gritamos, gritamos, gritamos, até que o coração salte e diga, suavemente, que a vida, é tudo o que nós quisermos, sempre que assumimos o que somos, sem complexos – somos e pronto!

Na vida, como num jogo de futebol, é preciso acreditar na vitória para vencer, e tu sabes, sabes porque viveste a vida com essa intensidade enorme, de quem acreditou, lutou e esteve aqui, sempre com esse sonho que nos deve animar, vivendo, vivendo,  porque só quem vive, aqui…VEM VENCER!

 

Se um dia, eu for a Barcelona, vou colocar uma flor, no jardim de Gaudí, e, ali, como quem pinta uma tela de ternura, vou dizer-lhe, assim, como quem lhe conta uma história de heróis e guerreiros – “esta flor está aqui, para realizar o sonho de quem viveu, criou, construiu, legou e…venceu!”.

 

S.P.

Sentir e pensar a vida real

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Uma canção que nos animava, naqueles tempos antes do 25 de Abril, que dava força, emocionava, tocava os nervos. Quantas vezes, ao escutar o coro de Lopes Graça, erguíamos as vozes e cantávamos: “não fiques para trás ò companheiro”, porque “nenhum de nós anda sozinho”, afinal “havemos de chegar ao fim da estrada ao sol desta canção”, sim, “e até mortos vão ao nosso lado”. Um poema de José Gomes Ferreira.

Esta canção, um destes dias, soou por dentro dos meus nervos. Porque os mortos devem ser os primeiros a merecer a nossa homenagem, o nosso reconhecimento, porque, eles, afinal, foram os percursores de lutas que abriram caminhos de esperança que ajudaram a construir o nosso presente.

Travaram outras batalhas, noutras circunstâncias, com outras realidades, por vezes, em tempos mais difíceis, com menos recursos mas abriram caminhos e deixaram chamas acesas no tempo, iluminando os sonhos do presente e do futuro.

 

Quem esquece, ignora, os seus mortos e as suas referências, sejam quais forem as razões, está a ignorar as raízes de um tempo vivido.

Não é por mero acaso, ou cerimonial, que na vida das associações, quando realizam as suas sessões solenes evocativas de seus aniversários, e dias de festa, muitas e são mesmo muitas, começam guardando – “um minuto de silêncio – em memória de todos os que partiram, porque foram eles que construíram, com erros e virtudes, a realidade de uma história que se festeja e queremos que continue a ser uma realidade em construção.

Até podemos ter divergências com os nossos mortos, e, certamente existem, mas mais que recordar os vivos – há mortos que não estão mortos. Mesmo que, por vezes, exista a vontade de “matar os mortos”. Mas, de facto, Freud, explica isso!

 

Outra memória que me ocorreu, foi aquela passagem do evangelho, quando Cristo, perante uma multidão faminta, pegou em alguns, pouco pães, que estavam dentro de um cesto, e, pediu aos apóstolos para que fossem distribuídos, e, para espanto de todos os pães multiplicaram-se e uma multidão foi saciada. Um milagre.

Recordei esta memória e o «milagre das rosas», aquele, que os pães de transformaram em «rosas».

Recordei isto porque, afinal, os milagres continuam a acontecer nos tempos de hoje, a realidade está ali, na minha frente, sinto-a, vejo-a, mas, depois, de repente, alguém por passos mágicos, amplia e aumenta, duplica. Sinto que estão iludir-me. Não gosto. São coisas. O real é o real. E querer que, afinal, o que não é passe a ser impositivamente, por milagre, da transformação do pão, multiplicando-o, ou da transformação do pão em rosas, é coisa que me agita os nervos. Percebo a intencionalidade, mas a vida real é a vida real.

É por isso que, por vezes, estou neste lado, aqui, no sentir e pensar a vida real, porque é na vida real que o mundo se transforma… e muda!

 

S.P.

Será que existem cidades perfeitas?

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Nós, na vida, podemos estar calados, optar por não ter opinião, deixar a opinião para aqueles que vivem deslumbrados com as suas imensas capacidades criativas, ou, então, mesmo na nossas pequenas possibilidades «intelectuais» ( coloco entre aspas intencionalmente), erguermos a voz e afirmar, apenas afirmar : o mundo que tu vives não deve ser o mundo em que eu vivo.

 

Um dia, há largos anos, nos princípios dos anos 90, um jornalista – do então jornal «Independente» - visitou o Barreiro e, após essa visita, nocturna, teceu os mais diversos comentários sobre esta cidade cinzenta, sem vida, sem raízes,  sem cor, sorumbática, sem cultura, uma terra morta, uma terra que cheirava a mofo, um dormitório da grande Lisboa.

Eu vivia nesta terra. Vivo nesta terra. E, não considero que ela seja uma perfeição. Será que existem cidades perfeitas?

Mas, naquele tempo, que vivia entusiasmado nas minhas vivências associativas, sentindo o pulsar da cidade – nem sequer existia ainda o AMAC -  e vivendo muitas iniciativas que marcavam o quotidiano da cidade. As muitas actividades que faziam a cidade ter um ritmo deslumbrante de criatividade. Indignei-me. Indignei-me porque uma cidade não tem uma única dimensão. Uma cidade é a sua cidadania, as suas gentes. A sua escola. As suas associações. Os seus criativos na música, no teatro, nas mais diversas artes. Uma cidade é mais, muito mais…é a sua cultura cívica, a sua memória, a sua história, a sua realidade territorial e tudo que nela se inscreve e dá orgulho afirmar, mais não seja as suas vivências que nos apaixonam e nos fazem dizer : Porra, eu gosto do Barreiro!

  

Era por e é por isso, que me indignava e indigno, quando rotulam esta cidade como dormitório, porque, eu, sempre senti e vivi a vida própria que ela tem e faz bater o coração da sua imensa criatividade, superando dificuldades e deficiências.

Sempre vi o Barreiro a mexer, a agitar-se, com «conflitos geracionais», com discussões e debates projectando futuro. Criando. Sempre criando.

Porque, afinal, ou sou eu que vivo noutro mundo, ou, as muitas actividades que fazem bater o coração desta terra são uma ilusão, uma ficção. Nada existe.

É por isso, só por isso, que me indigno, quando falam do Barreiro – por razões circunstanciais  e que percebo perfeitamente – elaborando um quadro negro, tal e qual, como aquele que li, há muitos anos e que muitos teimam em repetir, não sei se por amor ao Barreiro, ou se por amor a outros amores que estão, ali, na outra margem –  na capital, onde tudo é belo – há turistas, há trabalho, há cultura, há vida, afinal, naquele mundo cosmopolita, como, afinal em todo o meu país, não há bairros degradados, não há desemprego, não há famílias sobre endividadas, não há jovens com trabalho precário, não há comércio tradicional a fechar, não há pinturas terceiro mundistas nas paredes, não há autarquias sem capacidade financeira, não há ruas sem buracos, não há milhares de casas por arrendar ou vender… isso, afinal, é só, aqui,  no Barreiro, esta terra que sentiu na pele o mais feroz efeito de um processo de desindustrialização e que sofre os seus efeitos, com resiliência, sorrindo e sonhando.

Eu, se vivesse fora do Barreiro, com certos filmes que fazem sobre a sua realidade, digo-vos, fugia a sete pés…tal é o quadro negro que por vezes é pintado.

Pronto, tenho que me render, o jornalista que cá esteve nos anos 90, tinha razão, eu é que vivo de tal forma apaixonado pelo Barreiro, a terra dos meus filhos, que só vejo beleza onde há tristeza, só vejo cor onde há borrões…bolas será que não há mesmo nada de bom nesta cidade.

Dou só um exemplo, há uma Escola de Jazz, exemplar, que, sobre ela, um destes dias escutava numa entrevista na Antena 2, alguém tecer os mais positivos elogios.

Era alguém que, pelo que me apercebi, nunca cá veio ao Barreiro, mas sabe que há valores de dimensão nacional nascidos de um positivo  e interessante projecto cultural  de formação – de décadas - que foi desenvolvido numa parceria da autarquia  com o Movimento associativo – que deu e continua a dar frutos.

Tenho pena que, ao longo dessas décadas, esse mesmo tipo de apoios não tenham sido atribuídos a outras associações, também com tradições musicais. Isso revolta-me!

Bom, vou ficar por aqui, se começo a desabafar, nunca mais me calo…e, acredito, só com este comentário, já vou ser adjectivado com muitos e tradicionais rótulos. Estou acostumado.

É o defeito de ter opinião e gostar do Barreiro, gostar mesmo do Barreiro, de viver cá, de sentir a vida que aqui pulsa...de gente que arregaça as mangas e não desiste. Isso é que é lindo!

 

S.P.

 

 

Os tempos negativos

A vida tem coisas boas. A vida tem coisas más. Não vale a pena pensarmos ou querermos, lá no fundo dos nossos desejos, pensar e sentir que a vida seja uma permanente perfeição.

A vida em tudo o que nos dá para vivermos tem que ser vivida com essa paixão de nela e com ela retiramos uma constante lição. O importante é aprendermos com o vivido. O bom e o mau.

  

Na vida, muitas vezes, os momentos difíceis, aqueles que nos colocam perante desafios dolorosos, sacrifícios, dificuldades, dramas de rasgar o gosto de viver, esses, são, sem dúvida, os tempos que nos permitem distinguir e tomar consciência da diferença que existe entre o bem-estar e o mal-estar.

Os tempos que nos incomodam. Torturam. Rasgam os nervos. Esses são aqueles que nos dão energia para arrancar os pés do lodo e galgar as barreiras, sabendo que, ali, à nossa frente, está a terra firme, por onde iremos caminhar e descobrir a alegria de viver.

Os tempos negativos, são sempre tempos em que a nossa autoestima se desfaz em lágrimas silenciosas, essas faíscas cintilantes que, por vezes, só nos sentimos. Sorrimos e choramos. Conscientemente, lá dentro, onde só nos chegamos. Somos. Felizes.

 

Os dias são percorridos nos vincos que pulsam nos nossos passos, esses que são dados quotidianamente, apenas com o desejo de aguentar, resistir, amando o tempo e superando as dores que rasgam a consciência. Indecisões. Incertezas. Sentimos os dias vazios. A ausência do fazer dói tanto. Mas, tudo isso, é uma riqueza enorme que nos ensina a enchermos a consciência com a palavra esperança. Sonhando. Resistindo.

  

Esses são tempos que nos marcam, tempos que ficam cristalizados em hábitos, rotinas, que procuramos, depois, pouco a pouco superar. Acreditando. Sempre acreditando.

Quando as palavras tocam o sangue dos nossos pensamentos, feitos lágrimas, nesses instantes, nesses dias, sentimos como a nossa força interior é, foi, será, sempre essencial para vivermos e crescermos.

Só quem andou de pés descalços, sabe o que é a alegria de um dia calçar uns sapatos.

Só quem viveu na vida, dias de angústia e, por dentro do tempo vivido, registou no coração momentos dolorosos, sabe dar valor a novos dias, aqueles, que nascem após as tempestades. Emoções. Paixões.

Só quem escutou calúnias e difamações, sabe bem, muito bem, a diferença entre gratidão e ingratidão. Erguendo a cabeça. Olhando, olhos nos olhos, sem paciência os permanentes «fait-divers» que alimentam as vaidades. Jogos. Movimentos.

 

Quem aprendeu a viver a sua vida, vivendo mais no dar que receber, errando e corrigindo os erros, com a certeza que aprende-se com todas as imperfeições, sabe colocar nos dias a palavra amor, por dentro dos nervos e do coração, e, sem dúvida, sente a diferença entre o ser e o ter. Vivendo.  

Afinal, é tudo isto que nos dá força interior e nos faz nascer todos os dias com uma imensa tranquilidade, esse sentimento que se cola à luz do sol, rasgando a penumbra matinal.

Acordamos. Abrimos os olhos e voamos no imaginário das asas de uma gaivota …sorrindo!

 

S.P.

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É amanhã que nasce o novo…

Este dia 1 de Fevereiro está inscrito nas minhas emoções. Muitas emoções. Marca o começo de um tempo novo. Porque todo o tempo velho abre caminho a um tempo novo. É amanhã, é sempre amanhã que nasce o novo.

Foi, na verdade, este, o dia que deixei para trás décadas da minha vida. Aquele tempo que vivi feito de entrega, de servir a comunidade, de viver por causas, de amar o trabalho como verdadeira paixão pela vida e no fazer os dias. Inventando. Construindo. Sonhando. Desilusões. Alegrias. Mágoas. Perder a autoestima. Sorrir. Escutar um abraço escrito com a palavra lealdade. E, por fim, ao cair do pano, receber uma medalha – antes negada – por bons serviços prestados. Tantas estórias. A vida em toda a sua riqueza e na sua plenitude de amor e guerras. Um tempo gravado no sangue das palavras, que nasceram no “sabor da palavra Liberdade”.

O tempo vai tudo esclarecendo…e, afinal, o que resta é o que guardamos e nos faz sentir esse equilíbrio, que só nós sentimos, no que fomos, dissemos e fizemos. Verticalidade.

   

É, também, um dia que nunca esqueço, porque nunca vou esquecer aquele homem com quem partilhei momentos inesquecíveis, na descoberta da luz e dos ritmos da vida e desta terra, que é dele e dos meus filhos. Ele, que nos deixou com um sorriso neste dia em Fevereiro.

Aquele homem que um dia chegou junto de mim com umas fotografias e disse-me: “Tens aqui estas fotografias, quero que escrevas sobre elas um texto”.

No dia seguinte, telefonei-lhe a dizer-lhe que tinha o texto escrito. Ele sentou-se na minha frente a ler, silenciosamente, com as mãos a amparar-lhe o rosto. Quando acabou de ler, levantou-se, dirigiu-se a mim, sem comentários, e, ali, deu-me um beijo, ao mesmo tempo que dizia: “Tinhas que ser tu a escrever este texto…”.  

Um texto que à volta dele tem outras estórias e memórias. Enfim coisas da vida.

Recordo. Recordo sempre, neste dia – “o mestre, os meninos e o gesso”, porque, na verdade são os gestos de homens nobres que nos dão a dimensão da nobreza da vida.

Homens que, afinal, nos fazem descobrir a poesia e a arte, como grande expressão das paisagens, das pessoas e do tempo que vivemos – a natureza e a humanidade.

  

Há dias, como este, que se inscrevem na memória do tempo que vivemos, são dias que tocam o coração, percorrem os nervos, fazem brilhar emoções, projectam futuro, criam sonhos, fazem acreditar que a vida é uma permanente transformação e aprendizagem. Aprendemos com tudo, com as virtudes e com erros. Errei tantas vezes. Continuo a errar, mas com tudo isso que fazemos, crescemos e, acreditem, é no crescer que nos encontramos com o mundo e com a cosmicidade.

 

Estou aqui e sinto todo o tempo por dentro dos sons silenciosos que percorrem o meu cérebro a estalar de emoções vivas.

Paro de escrever e penso – chegaste aqui, agora, arranca…diverte-te, goza os dias, vive o tempo todo com a intensidade de um amor jovem, esse que floresce brilhante nos teus cabelos brancos, feitos de uma vida que viveste sempre de forma apaixonada, em busca de ti e dos outros. Partilhando, sempre partilhando.

Este é o dia – 1 de Fevereiro – aquele que de uma janela voltada para o mar, fizeste uma promessa que tens cumprido plenamente – viver, viver e nunca desistir, porque cada dificuldade permitiu aprender que a vida é bela quando se vive fazendo o que se gosta e nos apaixona. Tudo se supera.

Nunca esqueças é amanhã, sempre amanhã, que nasce o novo, por isso, recebe o novo sempre, sempre com um sorriso!

Sorrir, sorrir, sorrir sempre… isso é que é lindo!

 

S.P.

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O Cachimbo

Um cachimbo é apenas um cachimbo. Uma presença. Uma referência. Uma existência. Um sinal. Ele existe. Silencioso. Ocupa espaço. O seu próprio espaço. Faz parte da vida. Mesmo pequenino, sem mais nenhum significado que não seja, esse, ser ele mesmo – um cachimbo.

Ele, de facto, está ali, mesmo que fechemos os olhos, e, por exemplo, o procuremos ignorar, não querer saber, não lhe dar visibilidade, a verdade, é que ele não deixa de lá estar, e, quer queiramos, quer não, ele existe  – é sempre um cachimbo. Mesmo que reduzido à sua mera insignificância de objecto utilitário. Ele existe. Acende. Apaga. Um ciclo permanente – é vida!

Olhamos o objecto. E podemos apenas pensar, meramente, como filosofia ou como arte, naquela célebre frase – Isto é um cachimbo!

Mas, ao olharmos um cachimbo ele, na verdade, até pode ter um rosto. Ou, porque não, ter muitos rostos. Podem ser poetas. Podem ser políticos. Podem ser escritores. Podem ser cientistas. Podem ser pescadores. Podem ser tudo o que quisermos ou imaginarmos, por experiência própria, de vida e de saber acumulado nos neurónios.

O cachimbo quando existe, tem vida, está ali na paisagem da cidade, na vida da cidade. Nos seus movimentos e pausas. Porque um cachimbo tem sempre um rosto. E ter rosto é lindo!

Nunca ignoremos isso, porque ignorar um rosto é como ignorar o sentido verdadeiro da cidadania.

Em suma, um cachimbo não é apenas um cachimbo, uma mera peça decorativa. Dá paixão. Dá emoção. Tem a dignidade de um ser que lhe dá personalidade.  

O cachimbo é, afinal, como a vida, algo que só faz sentido quando é sentida e vivida com prazer, alegria, vivacidade e, acima de tudo, com um sorriso no rosto.

 

S.P.

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Decidir

Há dias assim, aqueles nos quais sentimos pequenas mudanças, sinais que emergem das vivências do quotidiano e, de repente, como quem antecipa o futuro, notamos que há qualquer coisa que mudou e, ali, naquele instante, nas palavras, no tom, notamos que se perpectiva um novo tempo. Então, crescemos.

Isso, de facto, só acontece quando sentimos o pulsar da vida por dentro de coisas e loisas, das palavras que se cruzam, dos gestos, dos factos que tocam os nervos, assim como quem lê nas entrelinhas ou nos intervalos dos textos e contextos. A Hermenêutica dos dias...o dito e o não dito.

Nestes dias, de súbito, sentimos a importância de nos reencontrarmos, de recuperar as energias, erguer os braços, saltar em frente, ter a capacidade de recolher a lição que a vida coloca diante dos nossos olhos, real, absolutamente real e decidir. Voar.

Este é, sem dúvida, o tempo de serenamente pensar, sim pensar, porque é pelo pensar que vamos, sempre, sim sempre, que não ficamos no mero pensar, mas, é um pensar que nos motiva a tomar decisões. Agir.

São estes dias, na vida, que nos fazem crescer, na sublimação dos acontecimentos, porque, neles, tudo flui, o fervor do tempo, as riquezas das  aprendizagens, as feridas das estórias, as marcas das memórias, as  alegrias das vivências, as texturas das decisões, as certezas das opções. Olhamos para dentro e recordamos. Então, notamos que o saber acumulado, as coisas que vincaram os nervos e marcaram a vida, permitem, com serenidade, descobrir, encontrar e reencontrar caminhos. Respostas.

Há dias assim, aqueles que nos ensinam, a encontrar entre o passado e o presente, o desafio, os desafios. Decidir.

Vamos ou não vamos. Ficamos ou partimos. Parar é morrer. Pensamos. Olhamos. Ah, é verdade – o futuro está ali - registamos.

Deitamo-nos. Sonhamos, Acordamos. É isso, é isso mesmo – a hora é de partir, agora, aqui, com esta força que nasce de uma vontade que nos move, essa energia que nos faz descobrir, nestes dias, que nos ensinam e tocam os nervos, dizendo – não esqueças, nunca esqueças, só vive quem vive com o que tem, com o que sabe, com a sua força e nunca, nunca, desiste de VIVER!

 

S.P.

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