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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Amor

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Se eu pudesse viajar entre estrelas,
por galáxias, sorrindo ao infinito,
viajava no silêncio interestelar,
para encontrar as cores do sol,
misturava vermelhos, azuis,
rosas, todas as tonalidades,
raios de ouro, deslizantes,
que guardo feitas de ti, ali,
nesses teus lábios vermelhos,
ponto de encontro de espirais,
o buraco negro da vida, núcleo,
dessa eternidade dita -. Amor!

S.P.

Apetece-me pensar a Avenida da Praia deslocalizada para o Mar da Palha

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Cada um de nós tem, sem dúvida, o dever de dar o seu contributo para legar ao futuro um mundo melhor, e, de facto, abdicar da nossa acção é não só abdicar de fazer futuro, mas, acima de tudo é abdicar de fazer presente.

Tenho procurado acompanhar e manter-me, dentro do possível, informado sobre esse projecto de construção do Terminal de Contentores do Barreiro, facto que, desde a primeira hora, todos sabemos é um negócio e que só avançara se existirem investidores privados disponíveis. Igualmente, também sabemos ou sentimos, que, também devido a negócios, desde a primeira hora, existem outros que não estão interessados que o projecto se concretize no Barreiro. Percebi isso no debate que assisti em Lisboa, na Ordem dos Engenheiros.

Termina hoje, dia 16 de Junho, o período de discussão pública do estudo de impacte ambiental.
Quando o mesmo foi disponibilizado de imediato surgiram as fotografias procurando dar uma visão da implantação do Terminal no território do Tejo, frente ao Barreiro.
Nunca tinha ficado com aquela visão, pelo que foi sendo apresentado, nas várias acções promovidas no período do governo PSD/CDS –PP.
Interroguei-me. E pensei: Adeus Avenida da Praia!?
Sou, sempre fui, um apaixonado da varanda do Tejo, hoje, Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita.
Adoro sentar-me por ali e beijar o Tejo com os meus olhos.

Por essa razão, interroguei Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, sobre o projectos que era referido no Estudo de Impacto Ambiental, ele, de forma convicta me disse: “Não é aquilo que nós defendemos. Achas que eu ia aceitar uma coisa daquelas”.
Depois, em conversa com o Vereador Rui Lopo, responsável pelo Planeamento, este proporcionou-me a visão que a Câmara Municipal do Barreiro vai defender no âmbito do Estudo de Impacto Ambiental, e, acrescentou-me que essa, também, é a visão do Governo liderado pelo PS.
Recorde-se que a construção do Terminal de Contentores do Barreiro está inserido no Plano Estratégico Portuário, apresentado pela Ministra do Mar do Governo PS.

Rui Lopo, salientou que o Estudo de Impacto Ambiental não é o projecto de construção do Terminal de Contentores, visa apenas clarificar e definir se existem, ou não, condições para a implementação do projecto.
Quanto à construção essa será a fase seguinte que irá desenvolver-se em duas fases. Numa primeira fase o porto terá os seus limites, aproximadamente, na zona frente ao Clube de Vela do Barreiro, nascendo uma área de ligação ao rio com uma faixa de cerca de 200 metros que vai criar uma zona verde e lazer de vivência pelo rio a dentro, um promontório que vai situar-se na zona que dá para o Mar da Palha.
Pelas explicações e informação que obtive, porque acredito que o Rui Lopo e Carlos Humberto gostam do Barreiro, senti que aquele projecto tem pernas para andar e poderá, efectivamente, ser o ponto de partida para que o território da Baía do Tejo, tenha um equipamento âncora que, finalmente, possa dar um contributo positivo para atrair empresas e fixar população no Barreiro.
O território da Baía do Tejo precisa de equipamentos âncora.
O Barreiro precisa de criar condições de desenvolvimento económico, estratégico e de futuro.
Para mim, de há muito que considero que aquela pérola - o território da Baía do Tejo – deve ser dinamizada e enquadrada no território do concelho e, até, defendo que o município devia fazer parte integrante do Conselho de Administração.
Ali é possível criar emprego, criar habitação, criar espaços lúdicos - culturais, recreativos e desportivos.

A discussão e a importância do Terminal de Contentores que, considero, em boa hora, o actual governo contemplou como projecto de interesse nacional, dando-lhe dimensão estratégica de âmbito nacional enquadrando-o no Plano Portuário, vai colocar o território da Baía do Tejo como de referência na AML, e, simultaneamente, por essa via, pode ser ampliada a sua ligação à cidade.
Acho positivo que neste contexto se defenda a deslocalização do Terminal Ferro-Rodo- Fluvial para aquela zona do concelho, com as devidas ligações ferroviárias.
Isto para mim é pensar futuro.

Depois, fica em aberto, a discussão da segunda fase de construção do Terminal, que aponta-se poderá avançar lá para o ano 2050.
Naturalmente, o projecto que for lançado nos dias de hoje irá condicionar e definir a construção da segunda fase. Mas essa é uma discussão em aberto, que certamente poderá entrar em fase de conceptualização, de forma séria e objectiva, no período pré- eleitoral das eleições autárquicas daqui a 4 anos e não nas actuais.

Agora, a discussão que por ai anda em voga, são meras subjectividades. Consta. Diz-se. Defendo. Vou defender. A exploração de emoções.

E, por aí, surgem todas a vozes, todas, num coro, que devemos preservar a paisagem da Avenida da Praia. Ela é linda e todos dela gostamos de beneficiar.
Uma discussão, afinal, feita apenas de subjectividades, como se diz nos tempos de hoje, todos os tempos têm palavras em voga, agora são «percepções».

É aqui, que, cá estou eu, feito visionário, recordei uma discussão que houve no Barreiro, pelos anos 80, quando se sugeria em termos de planeamento do território que toda a frente ribeirinha – a Avenida da Praia – fosse deslocalizada para a zona do Mar da Palha.
Permitindo à cidade fruir de toda aquela zona que em maré baixa é um imenso lodaçal.

Ocorreu-me isto ao pensamento, porque, afinal, durante décadas, a CUF foi comendo o rio, aterrando enormes fatias do Rio Tejo – onde está a FISIPE, a Tanquipor, a EDP. e onde estavam os Polios, o Zinco Metálico, toda aquela faixa enorme foi «comida» ao Tejo, para fins industrias.

Então, cá com os meus botões, pensava, e, se - lá para o ano 2050 ou 2080 - a cidade decidir aterrar toda aquela faixa frente à actual Avenida da Praia, criando nessa zona o maior parque urbano dentro do Rio Tejo, fazendo nascer uma nova Avenida da Praia junto ao Mar da Palha. Abrindo por ali uma zona de canais, de forma, até, criar um amplo lençol de rio frente ao actual Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita, onde podia funcionar uma enorme pista de remo, e, junto ao Clube de Vela do Barreiro, um amplo lago e uma marina.

Imaginem o que seria aquela ampla frente, hoje de lodo, sendo uma grande parque urbano, que ira gerar um enorme areal no mouchão que existe lá à frente, ligando-se ao Mexilhoeiro e Alburrica, criando a maior praia fluvial do Tejo.
Imaginem o que seria aquela ampla zona com canais naturais, para práticas de desportos como remo, a vela e passeios lúdicos e até uma marina, zonas verdes.
E a fechar essa zona verde, uma nova Avenida da Praia, na frente do Mar da Palha, a fruir toda a paisagem do Tejo,
Uma zona de fazer inveja aos Lisboetas, única, onde podiam ser criadas condições para equipamentos de restauração e desporto.
Uma zona verde que se ligava ao Mexilhoeiro, a Quinta Braancamp e Alburrica, criando uma área de atractividae turística de grande dimensão metropolitana, valorizando o Barreiro Velho e todo o território do concelho do Barreiro.

Estava nesta minhas deambulações visionárias.
E pensava, estamos nós a discutir hoje, de forma emocional, algo que poderá, eventualmente, nascer lá para 2050.
Mas, é uma discussão, em principio, vazia, porque os promotores do projecto, desde o governo PSD, passando agora pelo governo PS e a Câmara CDU, todos afirmam que a nossa Avenida da Praia no essencial vai manter-se nos próximos anos.
E, nisto tudo, ocorre-me que as emoções versus percepções são sempre, na verdade um bom argumentário eleitoralista e populista.

Estamos para aqui a discutir o sexo dos anjos e, fica esta minha reflexão visionária, já que toda esta discussão não passa de argumentos visionários.
Digam, lá se os barreirenses e os governos lá para 2050 ou 2080, acharem que esta minha visão é realizável e permite dar ao Barreiro uma a escala metropolitana, dando-lhe dimensão para se integrar na cidade de duas margens, atraindo Lisboa e Lisboa atraindo o Barreiro.

Se tudo isto de momento não passam de discussão de emoções. Para que serve todo este burburinho local?
Ah, é verdade, estão perto as eleições autárquicas!

E, afinal, porque termina hoje o prazo de discussão pública do Estudo de Impacto Ambiental, aqui fica esta minha reflexão.

António Sousa Pereira

O Lavradio, hoje, ficou um pouco mais bonito…

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Quando chega o fim do dia, por vezes, como hoje, procuro descansar, escutando música e escrevendo, assim, por dentro dos dias.

Hoje pela manhã, lá estive no Mercado Municipal e fiquei deliciado com os trabalhos produzidos pelos alunos do Clube de Azulejos da Escola Álvaro Velho. Lindas peças, muito bem enquadradas naquele espaço, pela sensibilidade artística da minha amiga Isana.
O que foi colocado é um começo, outros vão seguir-se, dando um colorido e criando um espaço de arte, único, que liga a escola à comunidade. 
Uma boa iniciativa. Aqui registo.

Quando regressava a casa, reparei que a zona ajardinada, na Praceta José Domingos dos Santos, está a carecer de um olhar atento com urgência. É uma pena que aquele canteiro, sempre verdejante se perca, pelo que me apercebi, talvez, devido a uma avaria no sistema de rega. Antes que tudo seque e nada se aproveite, de facto, seria bom dar uma atenção. Aquilo estava bonito. Não deixem degradar.

Começo cada vez mais a acreditar que são os tempos de confrontos que nos motivam para agir, para optar, para fazer escolhas. Nós, todos nós, afinal, somos também feitos no e pelo tempo que vivemos.
Como eu, e, na verdade, muitos cantámos em tempos idos – “Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar”. É isso, nós, acabamos por fazer escolhas por aquilo que vemos, ouvimos e lemos.
E neste, ver, ouvir e ler, nos tempos actuais existem dois mundos – o mundo real, aquele feito de pessoas, e, o «novo mundo», virtual, onde muitos, ou alguns, imaginam que tudo se decide, porque transformam a realidade à dimensão dessa visão virtual da vida.
Hoje, de facto há seres humanos e há os «humanofaces».
Os seres humanos andam por aí, vivem o seu tempo. 
Outros, os «humano faces», principalmente aqueles que se consideram «modelos de vida» e «exemplos únicos», de «superioridade», esses não comunicam - insinuam, usam linguagem estilo «lança chamas».
Por vezes, parece que só lhes falta dizer : “Matem-nos” ou «Crucifiquem-nos». São essas palavras, que, naquilo que se costuma dizer ser a «interpretação hermenêutica», que, na verdade, se sente o discurso que está por trás do dito, o não dito. Ainda bem que vivemos em democracia. O tal caldo onde as diferenças devem confrontar-se e saber coexistir.

É que, na verdade, não se discutem ideias, critica-se, critica-se, fala-se, fala-se…e, quem ousar não concordar, com as ditas criticas, esse, então, não é independente, e está no lado errado, porque, afinal nestes tempos de confrontos – ou se está de um lado ou de outro.
São estes pensamentos que me ocorrem ao fim da tarde, escutando uma suave melodia e sentindo que gosto de viver este tempo, sorrindo e sonhando.
Ser humano sim, no mundo real, isso sim, ser «humano face» dispenso, até, porque esse, é, cada vez mais, um mundo do estilo «big brother» e, isso, não gosto, nunca gostei de viver nessa dimensão, gosto de ver rostos e partilhar rostos. 

Gosto da vida humanizada. Os «humano faces» são demasiado perfeitos. É por isso que não gosto de alimentar discussões nesse mundo, porque aí, não se discute, vive-se a cultura dos phones – cada um só se escuta a si próprio e a sua ultra verdade – politica, religiosa, cultural, antropológica, filosófica. Eu gosto de conversar, dialogar, viver democracia…errando, corrigindo, caminhando, sempre caminhando. 
Sempre gostei de conversar. Trocar ideias. É na troca de ideias que se aprende e apreende o mundo. E, os «humano faces», aqueles que cultivam esse mundo como centro da vida de uma comunidade, de facto, são imbatíveis.
Sou um acérrimo vivenciador da POLIS e ser vivenciador da POLIS, é saber que tudo o que se faz na POLIS - é politica. Eu vivo a POLIS. Mas gosto de viver em diálogo, na valorização das diferenças. Chegou-me ter vivido, muitos anos, mesmo muitos anos, com silêncio, com palavras proibidas, por serem politica, e, até, obrigado a ver o mundo a preto e branco. Amo a Liberdade. 

O Lavradio, hoje, ficou um pouco mais bonito, ali, no Mercado Municipal. Gostei. A vida é assim, constrói-se aqui, está por arranjar ali, mas o mundo mexe. Será sempre assim…

António Sousa Pereira

Um saco de uma jovem com 31 anos

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Quando chega o fim do dia, por vezes, como hoje, procuro descansar, escutando música e escrevendo, assim, por dentro dos dias.

Hoje pela manhã, lá estive no Mercado Municipal e fiquei deliciado com os trabalhos produzidos pelos alunos do Clube de Azulejos da Escola Álvaro Velho. Lindas peças, muito bem enquadradas naquele espaço, pela sensibilidade artística da minha amiga Isana.
O que foi colocado é um começo, outros vão seguir-se, dando um colorido e criando um espaço de arte, único, que liga a escola à comunidade.
Uma boa iniciativa. Aqui registo.

Quando regressava a casa, reparei que a zona ajardinada, na Praceta José Domingos dos Santos, está a carecer de um olhar atento com urgência. É uma pena que aquele canteiro, sempre verdejante se perca, pelo que me apercebi, talvez, devido a uma avaria no sistema de rega. Antes que tudo seque e nada se aproveite, de facto, seria bom dar uma atenção. Aquilo estava bonito. Não deixem degradar.

Começo cada vez mais a acreditar que são os tempos de confrontos que nos motivam para agir, para optar, para fazer escolhas. Nós, todos nós, afinal, somos também feitos no e pelo tempo que vivemos.
Como eu, e, na verdade, muitos cantámos em tempos idos – “Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar”. É isso, nós, acabamos por fazer escolhas por aquilo que vemos, ouvimos e lemos.
E neste, ver, ouvir e ler, nos tempos actuais existem dois mundos – o mundo real, aquele feito de pessoas, e, o «novo mundo», virtual, onde muitos, ou alguns, imaginam que tudo se decide, porque transformam a realidade à dimensão dessa visão virtual da vida.
Hoje, de facto há seres humanos e há os «humanofaces».
Os seres humanos andam por aí, vivem o seu tempo.
Outros, os «humano faces», principalmente aqueles que se consideram «modelos de vida» e «exemplos únicos», de «superioridade», esses não comunicam - insinuam, usam linguagem estilo «lança chamas».
Por vezes, parece que só lhes falta dizer : “Matem-nos” ou «Crucifiquem-nos». São essas palavras, que, naquilo que se costuma dizer ser a «interpretação hermenêutica», que, na verdade, se sente o discurso que está por trás do dito, o não dito. Ainda bem que vivemos em democracia. O tal caldo onde as diferenças devem confrontar-se e saber coexistir.

É que, na verdade, não se discutem ideias, critica-se, critica-se, fala-se, fala-se…e, quem ousar não concordar, com as ditas criticas, esse, então, não é independente, e está no lado errado, porque, afinal nestes tempos de confrontos – ou se está de um lado ou de outro.
São estes pensamentos que me ocorrem ao fim da tarde, escutando uma suave melodia e sentindo que gosto de viver este tempo, sorrindo e sonhando.
Ser humano sim, no mundo real, isso sim, ser «humano face» dispenso, até, porque esse, é, cada vez mais, um mundo do estilo «big brother» e, isso, não gosto, nunca gostei de viver nessa dimensão, gosto de ver rostos e partilhar rostos.

Gosto da vida humanizada. Os «humano faces» são demasiado perfeitos. É por isso que não gosto de alimentar discussões nesse mundo, porque aí, não se discute, vive-se a cultura dos phones – cada um só se escuta a si próprio e a sua ultra verdade – politica, religiosa, cultural, antropológica, filosófica. Eu gosto de conversar, dialogar, viver democracia…errando, corrigindo, caminhando, sempre caminhando.
Sempre gostei de conversar. Trocar ideias. É na troca de ideias que se aprende e apreende o mundo. E, os «humano faces», aqueles que cultivam esse mundo como centro da vida de uma comunidade, de facto, são imbatíveis.
Sou um acérrimo vivenciador da POLIS e ser vivenciador da POLIS, é saber que tudo o que se faz na POLIS - é politica. Eu vivo a POLIS. Mas gosto de viver em diálogo, na valorização das diferenças. Chegou-me ter vivido, muitos anos, mesmo muitos anos, com silêncio, com palavras proibidas, por serem politica, e, até, obrigado a ver o mundo a preto e branco. Amo a Liberdade.

O Lavradio, hoje, ficou um pouco mais bonito, ali, no Mercado Municipal. Gostei. A vida é assim, constrói-se aqui, está por arranjar ali, mas o mundo mexe. Será sempre assim…

António Sousa Pereira

Ao meu poeta… Pessoa

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Há quem diga que poesia

é emoção,

porque sentem as palavras,

a bater no coração.

 

Há quem diga que poesia

é uma arma,

porque acreditam nas palavras

como força para acção.

 

Eu sinto que a poesia

é consciência,

porque sinto nas palavras

a energia da inteligência.

 

António Sousa Pereira

13 de Junho de 2017

O lugar é o lugar e o tempo

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Um lugar, qualquer lugar, é muito diferente, mesmo muito diferente, pela forma como o olhamos e sentimos.
Um lugar é muito diferente, mesmo muito diferente, de acordo com os objectivos que colocamos na forma de olhar e o sentir.

A nossa rua, a nossa Colectividade, a nossa escola, a nossa empresa, as pessoas, os cães – como diz Pessoa, que também existem – tudo o que encontramos no nosso lugar, são, afinal, expressos pela nossa liberdade de sentir, ou pela prisão dos pensamentos, com os quais queremos sentir ou teimamos em imaginar que sentimos.
Há aqueles que imaginam o lugar perfeito sem mácula. Um mundo, certamente, apenas irónico, porque não existe.
Há outros, que imaginam um lugar com defeitos, só com defeitos, olhando para o lugar vendo-o apenas cercado de mágoa e rancor.

 

O lugar onde vivemos, onde apenas sentimos o tempo passar, é, muito diferente de um lugar onde nós nos inscrevemos – vivendo.
O lugar é o lugar e o tempo. Vamos envelhecendo e transportamos na memória as memórias do tempo.
Sentimos as mudanças.
Um dos medos que por vezes sinto, é, se um dia, este lugar onde vivi a minha vida, possa, eventualmente, transformar-se num lugar onde não posso viver. Um lugar impróprio para velhos, perdendo as memórias, ou refugando as memórias.

 

Um lugar que nós sentimos, como nosso, é aquele que gostamos de partilhar, todos os dias, é um lugar onde sentimos pulsar o coração – olhamos as flores, o céu azul, os espaços verdes que existem e tocamos na paisagem com a alegria de viver, sem perfeição, com todas as lacunas próprias de qualquer lugar, onde, os homens e mulheres constroem as suas vidas.
Gosto do Barreiro por ser uma terra feita de muitos lugares, sítios, pontos de encontro – cafés, colectividades, ruas, feitas de gente, muitos velhos que continuam a mexer e a sentir… e os novos que empurram, querem mais e melhor, sonham mais e melhor, essa geração nascida na Liberdade, que viveu sem CUF e sem Ferroviários, que sonha, que constrói, que vive – como pode – mas acredita no que faz com criatividade.´

É tudo isto que dá força, calor humano, essa energia que move dificuldades, motiva e mobiliza – que senti no Dia B, que senti no Depósito do Alto da Paiva, que senti na homenagem a GDESSA, ou no Futsal do Fabril, em festa nas ruas da cidade, que senti nas peças do Arte Viva, do TEB ou do Projéctor, que senti no Sarau da SFAL, ou nos concertos da Banda do Barreiro, que se forja do Barreiro Rocks, no OUT.FEST, na ADAO, na Escola Conde Ferreira…que pulsa no AMAC, ou nas escolas.

Esse lugar que tem espaços que são resíduos, mas, onde, ali, já vi o Vhils lançar as sementes da utopia.

É esse lugar que gostamos, ou não gostamos, feito de pessoas, com diferenças, um lugar que mais que estigmatizar, criticar, o que eu gosto, e, digo-vos, é isso que me apaixona é acordar, todos os dias e com o meu olhar, abrir os olhos e sentir que está vivo.

S.P.

Um sorriso

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Há dias que ando ausente, parto,

as palavras fogem, congelam,

solidificam por dentro em metais,

como se tudo ficasse em silêncio,

mergulhando no infinito de mim.

 

Nesses dias a poesia é o nervo, esse,

sinal que abre o túnel da Liberdade.

 

Pego num som e murmuro,

pego num cheiro e respiro,

toco na imensidão do espaço,

e viajo, entre o sonho e o real.

 

Sinto que regresso em palavras,

na textura dos meus sentimentos,

suavemente, tão suavemente,

como quem adormece nas ondas,

de um rio feito de todas as cores.

 

Nesse instante, único, comigo,

vejo a vida, todo o tempo, num poema,

a brilhar nos olhos -  um sorriso!

 

António Sousa Pereira   

FAZER BARREIRO.

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Hoje, pela manhã, fui dar um passeio pelas ruas do Lavradio Velho. Enquanto percorria aquelas ruas, viajava pelo tempo, por dentro das memórias.

Não nasci no Lavradio. Nasci em Vila Real de Santo António, a minha terra natal, terra do meu coração. Eu, como muitos por esse país fora, vindos de muitos lados, um dia encontramos, aqui, a nossa segunda terra, esta que costumo dizer - “não é a minha terra, é a terra dos meus filhos”.

Conheci o Barreiro no ano de 1967, quando vim visitar ao Bairro das Palmeiras, o Barbeiro do Bairro – o Becinho, meu conterrâneo.

Depois, em 1971, comecei a rumar ao Lavradio, onde acabei por me fixar a partir de 1972. Esta passou, pouco a pouco, a ser a minha segunda terra. Fui conhecendo pessoas. Fui criando amigos. Integrei-me na vida da terra. Sim, também tenho inimigos, um homem nunca será um homem verdadeiramente livre se não tiver uns inimigos de estimação.

 

A primeira e grande descoberta que fiz aqui, nas minhas vivências diárias, foi o meu encontro com a importância da Liberdade enquanto valor de construção de um sentido para a vida.

Vivi de forma intensa os Jogos Juvenis do Barreiro, integrando as Comissões Organizadoras. Fiz-me sócio do Cine Clube do Barreiro e do Luso Futebol Clube. Na SFAL encontrei a porta que me integrou na vida da comunidade. Descobri antes do 25 de Abril, valores que se inscreveram na minha forma de pensar e sentir a vida. Encontrei o outro lado de um mundo, diferente, muito diferente daquele que todos os dias era propagado.

 

Enfim, hoje, cá estou, a caminhar para os 50 anos de «cidadão Lavradiense», porque, na verdade, posso afirmar-me como tal, sim AFIRMAR, com plena consciência, porque ao longo das minhas vivências sempre afirmei Lavradio, como afirmei Barreiro, porque, afinal, só é possível afirmar uma coisa que existe, que tem vida, que tem história, que tem realidade, que tem pessoas. Não se afirma nada que seja um vazio. Para que se afirme tem que existir. Eu afirmo, como dizia o outro – afirmo Pereira!  

Fiz da minha vida e faço-a com uma permanente vontade de afirmação cívica, com opinião, sempre com opinião. 

Eram estes pensamentos que me ocorriam, hoje, pela manhã, ao percorrer as ruas do Lavradio Velho.

 

Olhava à minha volta. Recordava pessoas. Sentia no pensamento as mudanças e as transformações. Recordava aquelas ruas cheias de gente rumo ao mercado ( que funcionava onde hoje está instalada a União de Freguesias) e os Mercados de Levante, aos sábados.

Recordava as filas matinais de pessoas, uns a pé, outros de bicicleta ou motorizada rumo às fábricas, por aquela entrada, perto da Praceta dos Lusíadas.

 

A vida transformou tanta coisa. O mundo mudou. E, hoje, como há muitos anos atrás, há décadas, continuo a afirmar que – o Barreiro não é um dormitório, apesar de muitos teimarem em dar-lhe esse rótulo. Continuou a afirmar que o Barreiro tem vida própria e que, por aqui, há muita criatividade.

Continuo a AFIRMAR porque sei que o Barreiro é uma terra que sempre se afirmou, na sua diferença – de ligação norte-sul, com a instalação da ferrovia, graças a Miguel Pais ( podia ter Aldegalega), de empório industrial, graças a Alfredo da Silva (podia ter sido Casa Branca), de centro urbano fruto das explosões demográficas dos anos 70.

 

Um percurso até ao que é hoje, uma cidade aberta ao futuro, que se procura a si mesma, que carece de emprego como pão para a boca, não para se afirmar, porque, ela, já se afirmou ao longo de séculos, como uma cidade com história, com memórias, com personalidades, com estórias, com rostos, muitos rostos.

Uma terra é como cada um de nós, cresce, transforma-se, envelhece e renova-se.

 

Tenho, nos últimos tempos, escutado coisas sobre o Lavradio que fico pasmado. Estereótipos. Ideias de artilharia, que só servem para disparar. Coisas bolorentas.

Mais que o buraco na rua, o lixo do contentor, a árvore que secou, a escola velha abandonada, gostava de assistir a uma discussão séria e aberta sobre o futuro deste território – o Lavrado histórico (o velhote, o velho, o que está a envelhecer, assim como os efeitos que tudo isso pode produzir sobre o dito novo).

E, sobre isso os autos, dizem nada…não basta estar de acordo com a «vox populi» é preciso dizer o que se faria diferente.

 

Há mais de uma década que venho a exigir que se desenvolva, com seriedade um estudo de reconversão urbana do território do Lavradio histórico, criando espaços de vivência social, fechando ruas ao trânsito de forma a criar uma área comercial de referência comunitária e que, até, possa atrair pessoas de outras zonas. É complicado, sei, mas é preciso dar alguns passos.

O concelho do Barreiro tem que ser pensado como «concelho-cidade», na sua diversidade polinuclear, com uma diversidade de zonas - estilo «centros comerciais a céu aberto - com dinâmicas e vidas próprias.

 

Discutir e projectar futuro, isso, sim, eu gostava de ouvir e ler. Mas, conceptualizar exige trabalho. Exige projecto. Exige cidadania activa.  

É mais fácil criticar. Mas, isto, afinal, não é mais que cultivar a banalização da critica. É o populismo afirmado em todas as suas potencialidades.

 

Eu gostava que se discutisse estratégia, visão de futuro, de tal forma que se evitasse, ver o Lavradio transformado num gueto do concelho...isso sim preocupa-me. Interrogo-me. O resto é treta.

Afinal, os buracos na rua, o lixo nos contentores, as árvores secas, irão sempre existir, e, de certeza, que não haverá nenhum messias que faça milagres…

Mas eu, como estou velho, e sou um velho de cabelos brancos que já viveu tantos filmes, cá estarei, para ver e continuar a ter opinião.

Um homem é ele e as circunstancias, como dizia, o filósofo…mas o homem também ajuda a fazer as circunstancias!

Não nasci cá, sou de VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO, mas sendo esta a terra dos meus filhos e a terra onde vivo há quase meio século, aqui, quero continuar a viver e sonhar. Se me permitirem, claro!  

Sim e sonhar, transportando comigo aquela lição que foi a primeira que aprendi, essa sim, hoje e sempre, AFIRMAR LIBERDADE!

 

Por isso, só por tido isso, mais que afirmar o Barreiro, que já existe afirmado há séculos e, nos dias de hoje, atravessa um tempo difícil, eu opto, todos os dias, por ajudar a FAZER BARREIRO.   

 

António Sousa Pereira

 

Politica feita de ideias requentadas

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Há assuntos que, de facto, de tão repetidos deixam de ser assuntos, são coisas que surgem como meras escórias da memória.

Há assuntos que são causas justas, outros são meras simulações de causas, um jogo de ideias, onde não conta sequer o que se diz, mas apenas aquilo que se diz, aquilo que se repete, caixa de ressonância de causas enferrujadas pelo tempo, retomadas dos confins do hipotálamo, para justificar de forma solene e casual que se tem ideias diferentes ou que se tem uma visão diferente da vida.

 

O que mais me impressiona, por vezes, são aqueles que se dizem defensores do futuro, tolerantes, amplamente democratas, mas, na prática o que fazem é olhar para a vida como um «mercado de ideias», para usar como convém,  vasculham nas escórias da memórias, para gerar ódios de estimação – sejam as histórias de criancinhas, sejam fomentar as questiúnculas em torno dos mais que estafados temas acerca do «bom e mau patrão».

 

 Um destes dias escutava, na TVI, um comentador, que a propósito da análise dos discursos políticos, salientava que estes, por vezes, atingem os “limites da irracionalidade” e “chegam aos limites da estupidez”.

De facto, na nossa vida politica, em Portugal, naquilo em tempos definiam por “narrativa”, a forma de fazer politica atinge muitas vezes um nível de que toca o fanatismo, o populismo, explorando coisas e loisas, que são mera espuma do tempo.

 

Claro que há a batalha da memória, claro que é preciso manter viva a memória, principalmente aquela memória de instantes e momentos que a vida deu saltos em frente, que o mundo cresceu, que a vida do presente superou o passado e fez nascer futuro. Essa memória é que é linda.

Nós todos, temos muitas lições e aprendizagens arquivadas nos neurónios. É preciso aprender para não voltar a repetir os mesmos erros, afinal, os nossos erros são momentos de aprendizagem – a memória lição.  

 

As pessoas, todos nós, ao longo da vida nascemos e morremos muitas vezes. De cada morte, quando renascemos, transportamos a lição de vida. Recomeçamos.

As cidades, como as pessoas, também sofrem ao longo da sua existência muitas mortes e, de facto, o importante, é serem capazes de renascer da morte e começar de novo, reconstruir. Renovar uma nova linha cronológica voltada para o futuro.

 

Estou cansado de temas gastos, de politicas feita de ideias requentadas. Quero pensar futuro. Quero viver, em cada presente, a certeza que estou a construir futuro.

Digam-me, isso sim, que cidade querem e desejam construir, de contrário, penso mesmo…para pior já basta assim.

 

António Sousa Pereira

 

 

Memórias rasgadas a frio

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O tempo que vivemos não é todo o tempo que guardamos na memória. Há um tempo que morre, aquele que é esquecido, apenas existiu. Depois, há outro tempo, aquele que mesmo distante, nos confins da memória, continua presente, está vivo nos sentimentos que guardamos.

Foi isto que me ocorreu, hoje, ao fim da tarde, ao receber a noticia que, na minha terra natal, faleceu o Anacleto, para mim o «Chica» ou «Gica».

Mergulhei de súbito nas memórias daqueles dias do Torneio Popular, que dava uma vida imensa ao Campo de Jogos do Lusitano, com uma sã rivalidade de diferentes clubes.

É, aí, a esses dias, quando criança, acompanhava a equipa do Futebol Clube «O Lazareto», que equipava à Belenenses. O Anacleto, era um dos jogadores de referência da equipa, onde também alinhava o Manuel José. Depois, quando começou a jogar no Lusitano ele era um dos meus heróis.

Era o «Gica» (Anacleto), ou o Manuel José que me levavam pela mão – uma espécie de mascote da equipa – a saída era da Taberna do 28, ponto de encontro, até ao campo do Lusitano. E, no decorrer do jogo, lá, no campo, eu ficava sentado na caixa do massagista. Vivendo de forma intensa os jogos do Lazareto que, era, afinal, o clube da Minha rua, da malta da Rua da Espanha.

Hoje, ao receber esta triste noticia, através do meu primaço Neto Gomes, de súbito, senti que me arrancavam um pouco dessa memória da minha infância, desse tempo vivido e sentido que não esquecemos e por isso permanece eterno.

É isso, há um tempo que fica vivo dentro da nossa memória, são marcas de vida vivida.

Foi por isso que senti, por dentro de todo o tempo que, hoje, com a partida do Anacleto, um pouco das minhas memórias foram rasgadas a frio..e, isso, dói.

Até sempre Gica!

 

António Sousa Pereira

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